A
amizade entre Jung e Freud
Continuação do cap.6 – A Psicologia
Analítica de Carl Gustav Jung
No início da sua carreira
como psiquiatra, Jung buscou como referência os estudos Breuer e de Freud,
assim como os trabalhos desenvolvidos por Pierre Janet. Mas em especial os
estudos de Sigmund Freud a respeito da interpretação dos sonhos causaram-lhe um
profundo impacto, que o ajudaram a compreender as formas de expressão da esquizofrenia.
Percebia, no princípio, que
a psicologia do doente mental era praticamente negligenciada, e que o doente,
enquanto ser humano, não era percebido pelos médicos. Parecia que não havia
personalidade e individualidade por trás dos sintomas que se manifestavam. Neste
ponto, em especial, diria Jung: “Freud
foi essencial para mim, principalmente devido às suas pesquisas fundamentais
sobre a psicologia da histeria e do sonho. Suas concepções me mostraram um
caminho a seguir para as pesquisas posteriores...” (Jung, 1975, p.108)
No ano de 1903, Jung retomou
a leitura da obra notável de Freud – “A Interpretação dos Sonhos“ – pois na
época que lera era ainda muito novo na psiquiatria para entendê-la mais a
fundo. Descobriu nela relações profundas com muitas das suas próprias ideias. Interessou-se
muito pelo estudo sobre o mecanismo de recalque, mas neste ponto, em especial,
divergiu das interpretações de Freud quanto às origens apontadas, polarizadas em
torno dos traumas sexuais. Isso, na visão de Jung, era insuficiente.
Mesmo com algumas divergências,
havia uma grande admiração, e Jung passou a ter uma relação de amizade com
Freud, através da troca de correspondências e encontros pessoais, sendo que o
primeiro deles durou 13 horas, sem que os dois percebessem o tempo em que
ficaram conversando.
A teoria da sexualidade foi
por várias vezes discutida pelos dois, desde o primeiro encontro, no qual Freud
pedira para Jung nunca abandonar o “baluarte” da sexualidade. Esse ponto tinha
para Freud importância vital, tanto pessoal quanto filosófica. E tanto foi a insistência
de Freud que isso começou a causar certo constrangimento na relação entre os
dois, pois Jung tinha suas próprias ideias, embora admirasse muito as ideias de
Freud.
Atente para a continuação do
texto na próxima postagem...
Transcrito do artigo A
PSICOLOGIA ANALÍTICA DE CARL GUSTAV JUNG escrito por Iris Sinoti – no livro
REFLETINDO A ALMA. pp.132-133.- dia 14-04-2013.
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