quarta-feira, 17 de abril de 2013


A amizade entre Jung e Freud

Continuação do cap.6 – A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung

No início da sua carreira como psiquiatra, Jung buscou como referência os estudos Breuer e de Freud, assim como os trabalhos desenvolvidos por Pierre Janet. Mas em especial os estudos de Sigmund Freud a respeito da interpretação dos sonhos causaram-lhe um profundo impacto, que o ajudaram a compreender as formas de expressão da esquizofrenia.

Percebia, no princípio, que a psicologia do doente mental era praticamente negligenciada, e que o doente, enquanto ser humano, não era percebido pelos médicos. Parecia que não havia personalidade e individualidade por trás dos sintomas que se manifestavam. Neste ponto, em especial, diria Jung: “Freud foi essencial para mim, principalmente devido às suas pesquisas fundamentais sobre a psicologia da histeria e do sonho. Suas concepções me mostraram um caminho a seguir para as pesquisas posteriores...” (Jung, 1975, p.108)

No ano de 1903, Jung retomou a leitura da obra notável de Freud – “A Interpretação dos Sonhos“ – pois na época que lera era ainda muito novo na psiquiatria para entendê-la mais a fundo. Descobriu nela relações profundas com muitas das suas próprias ideias. Interessou-se muito pelo estudo sobre o mecanismo de recalque, mas neste ponto, em especial, divergiu das interpretações de Freud quanto às origens apontadas, polarizadas em torno dos traumas sexuais. Isso, na visão de Jung, era insuficiente.

Mesmo com algumas divergências, havia uma grande admiração, e Jung passou a ter uma relação de amizade com Freud, através da troca de correspondências e encontros pessoais, sendo que o primeiro deles durou 13 horas, sem que os dois percebessem o tempo em que ficaram conversando.

A teoria da sexualidade foi por várias vezes discutida pelos dois, desde o primeiro encontro, no qual Freud pedira para Jung nunca abandonar o “baluarte” da sexualidade. Esse ponto tinha para Freud importância vital, tanto pessoal quanto filosófica. E tanto foi a insistência de Freud que isso começou a causar certo constrangimento na relação entre os dois, pois Jung tinha suas próprias ideias, embora admirasse muito as ideias de Freud.

Atente para a continuação do texto na próxima postagem...

Transcrito do artigo A PSICOLOGIA ANALÍTICA DE CARL GUSTAV JUNG escrito por Iris Sinoti  – no livro  REFLETINDO A ALMA. pp.132-133.- dia 14-04-2013.

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