domingo, 10 de fevereiro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Aplicativos gratulatório

Quando se pensa nos aplicativos gratulatórios, o arquétipo correspondente organiza a história dos acontecimentos dando um novo passo na conquista da consciência. Não se trata de uma conquista convencional, mas de uma forma de melhor entender a realidade. Uma forma de se reconhecer a grandeza da vida, sua beleza e seu significado.

É natural certa nostalgia em torno da gratidão conforme a herança ancestral, devendo ser superada pelo sentimento de ser útil e  participar no crescimento da sociedade  toda como do indivíduo em particular.

O ser humano é um cocriador dos reflexos da realidade na história da evolução moral e espiritual toda que, muitas vezes, surge no inconsciente como sonhos arquetípicos, que se transformam em desviadores de metas a serem alcançadas.

Todos tem papeis importantes a desempenhar no universo, permitindo que a consciência reflita as ocorrências do cosmo e consiga introjetá-las na consciência individual, e depois na coletiva.
                                                    
Herdeiro de experiências pessoais, o ser humano é chamado a crescer em cada etapa do seu processo de desenvolvimento ético-moral, experienciando pequenos valores que se transformam em significados profundos. É natural querer produzir realizações de grande porte, capazes de provocar admiração, num processo de exaltação do ego, embora, sejam as de aparente pequeno valor que aprimoram o caráter e contribuem para a saúde emocional por estarem mais vivas no dia a dia existencial de cada um e de todos em geral.
A solidariedade, que encanta as massas, na comunicação midiática, raramente é exercitada como gratulatório, devendo criar o hábito de ser-se útil, de estar-se vigilante e lúcido sempre para ajudar, contribuindo com mudança do status quo vigente para um patamar histórico e moral mais elevado.

Redescobrir a solidariedade, participando ativamente dos labores coletivos e auxiliando com os recursos da compreensão, da bondade e do entendimento fraternal em torno das deficiências dos outros e das dificuldades enfrentadas pela maioria, ainda na infância psicológica, é conduta relevante e de alta magnitude. Essa cooperação se expressa pelo interesse de tornar a vida na Terra mais feliz, diminuindo as possibilidades de atritos e de desconforto moral, social e econômico, com a gentileza e o auxilio que se pode colocar a disposição de quem necessita.

Esse esforço traz ao ego a consciência da sua responsabilidade de superar a sombra e vincular-se ao self  numa dinâmica portadora de edificações significativas. Essa conduta traz para o indivíduo a alegria de viver, ajudando a libertar-se do estresse, evitando que caia na neurastenia ou na depressão.

Com o exercício do sentimento gratulatório, automatiza-se o comportamento que presente no inconsciente, agora exteriorizando-se sem  esforço em outras oportunidades.

A consciência objetiva (a psique) está sempre relacionada com a subjetividade do ego, sendo assim imprevisível, já o inconsciente com os estereótipos arquivados responde com significação esperada e que se deseja.

Ampliando o elenco da gratidão, vale considerar-se a ternura que vem perdendo espaço no comportamento dos indivíduos armados contra as ocorrências perturbadoras, e praticamente só é expressa nos relacionamentos mais íntimos, nos momentos de emoção afetiva especial entre os familiares e amigos próximos. A ternura, deveria ser uma conduta natural, irradiando gentileza e prazer no convívio com tudo e envolve o indivíduo: a natureza e suas expressões, os seres humanos, mesmo os inamistosos, que são atormentados pelos conflitos em que permanecem.

A ternura resulta da cultura e da vivencia das ações superiores do amor, que estabelece modelos de conduta enobrecedora, exteriorizando-se como simpatia e  generosidade.

Todos precisamos do estímulo e da ternura que mantém os relacionamentos nos momentos difíceis, as afeições quando se vão desgastando, interrompendo o fluxo da animosidade quando surge.

Nas uniões sexuais, por exemplo, um dos fatores de futuros desentendimentos é a falta de ternura no relacionamento entre os parceiros. Mais atraídos pelo prazer sexual, as pessoas quase não valorizam a convivência, porque são carentes afetivos interiores que esperam ser preenchidas pela outra, carentes afetivos interiores que também sofre da mesma falta da afetividade pessoal. Passadas as sensações do prazer valorizado, surgem os atritos solitários a dois, que se esquecem de ser solidários reciprocamente.

Sem a ternura que estreita os vínculos do amor entre os que constituem a parceria, o gozo desfrutado é passageiro e dá espaço  a aspirações diferentes, abrindo a mente a sonhos e ambições por outrem que lhe proporcione mais do que a febre do desejo e da realização rápida. Em consequência, nasce a insatisfação, a procura de alguém que seria o ideal mitológico da perfeição, sem lembrar que esse ser buscado com ansiedade por seu lado também está a desejar e buscar.

É o caso das pessoas que dizem estar esperando o ser real para se unir, crendo que essa é uma ambição geral. E como todos estão esperando que seja o outro o preenchedor do seu vazio existencial, cresce o numero dos solitários e insatisfeitos em todo lugar, mesmo na multidão, na família, nos vínculos da afetividade apressada...

A ternura propõe a preocupação que causa bem-estar, quando se pensa no outro, buscando a melhor maneira de fazê-lo feliz, mantendo a comunicação jovial, os toques afetuosos demonstrativos da necessidade da presença e da reciprocidade afetiva...

O tempo sem tempo de que todos se queixam hoje parece responsável pelas carências de todo tipo, quando na realidade é a falta da afetividade que tem criado as fugas psicológicas, as transferências para as coisas e os lugares, aplicando a oportunidade útil em buscas e  atividades secundárias frustradoras.

É indispensável encarar a própria deficiência afetiva e remontar às causas próximas e remotas, reservando-se momentos para o autoexame da consciência, para a transcendência, para o encontro com o si profundo.

Toda vez que a sombra mascara os sentimentos do indivíduo sem deixar que a realidade venha a tona, a fuga o mantém preso ao conveniente, ao que gostaria de ser, empurrando-o para o medo de ser desvelado, criando dessa forma conflito  desnecessário e de fácil eliminação, usando da coragem do discernimento para se assumir como se é, embora com limites e dificuldades, ou com as bênçãos e realizações já conquistadas.

Bom lembrar que a sombra vigilante está sempre armada contra as aquisições novas, como mecanismo de autodefesa para a sobrevivência, ocultando-se no ego. É muito importante portanto sempre o cuidado para identificar e trabalha-la, diluindo sua influencia e libertando-se  para assumir a própria realidade.

A gratidão contribui nessa batalha silenciosa que ocorre na psique, porque oferece uma visão ampla do mundo e profunda daqueles que fazem parte do circulo das amizades .  
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 10/02/2019.





terça-feira, 5 de fevereiro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Exercício da Gratidão

O conhecimento e a experiência de vida são resultado do treinamento, do exercício.
Quando o self – (ser imortal, o ser real, o espírito) - se encontra em desenvolvimento, as emoções se caracterizam ainda pelas heranças do instinto, se modificando aos poucos, até alcançar os  patamares do amor e da gratidão. As condutas humanas durante esse processo é natural que se encontrem ainda marcadas pelo egotismo que gera a ingratidão.

E assim sendo, o indivíduo atribui-se méritos que não conquistou ainda e tudo que ele recebe acha que é uma consequência desse seu mérito. A permanência ou continuação da sombra dificulta-lhe o discernimento, e lhe impõe situações embaraçosas e perversas. Esse transito  demorado vai modificando-se conforme vá unido às experiências edificantes  e acumulando como resultado do treinamento, a sim proporcionando lucidez, clareza, entendimento para a compreensão da felicidade depois de descobrir o significado existencial.
O único sentido, portanto, do ser humano, propõe como foco primordial, a emoção do amor que será alcançada. No oceano do amor, tudo se confunde em plenitude, em superação do ego e dos arquétipos perturbadores.

É urgente a necessidade de reservar espaço e tempo para treinar o perdão, e as outras expressões do amor, para que se descubra a alegria que, vem como efeito da ação de amar.

Para que se alcance esse objetivo, deve-se mergulhar no self para o encontro com a consciência, no início por meio de um monólogo e depois num diálogo edificante e iluminativo.

Jung estabeleceu cinco etapas para a aquisição da consciência, seu desenvolvimento na busca da vitória plena.

A primeira etapa ele chamou de participation mystique se refere à conquista da identificação entre a consciência do ser e tudo quanto lhe diz respeito no entorno da sua existência. É difícil viver no mundo sem essa interdependência entre ele e tudo à sua volta. Nesse sentido, a identificação é muito variada, considerando-se aqueles, que ainda vitimas das sensações, continuam vinculados aos objetos e vivencia-nos, sorrindo ou sofrendo. Alguém se identifica e se apaixona pela casa onde mora, pelo instrumento de arte a que se dedica, pelo automóvel ou outro veículo qualquer, passa a experimentar os sentimentos do si mesmo em relação a cada objeto. Outros se vinculam às suas famílias e experimentam sentimentos de introjeção e de projeção, além da própria identificação. Na segunda etapa, já existe a consciência do eu e do outro. Ao alcançar esse período em que se pode diferenciar o sujeito do objeto, o self  que se é em relação ao outro ser, passa a descobrir, a identificar as diferenças que constitui cada qual. Ainda aí se encontram os requisitos da projeção no outro, que se vai diluindo e favorecendo a identidade, na terceira etapa, as projeções transferem-se para símbolos, lições, princípios éticos, permitindo a compreensão do abstrato, como a realidade de Deus em alguma parte... O conceito desse deus, quando punitivo ou compensador, representa a projeção transferida dos pais para algo mais transcendente ou até mesmo mitológico. Na quarta etapa, ocorre a superação das projeções, ainda que marcadas pela transferência do abstrato e das ideias. É o momento do surgimento, do centro vazio, que seria o chamado de  o homem moderno em busca da sua alma. O indivíduo passa a viver o utilitarismo e o interesse imediato, substituindo assim as projeções anteriores. Nesse momento, predominam o prazer e os desejos de fácil controle, podendo ocorrer, se não se permitem essas sensações-emoções, os transtornos depressivos. Nesse mundo novo não existem conteúdos psíquicos, cada qual se sente realista. Nesse momento o ego se sente como sendo o próprio deus, capaz de fazer e concluir sempre de maneira pessoal tudo que  lhe diz respeito, escolhendo o que é verdadeiro ou não, o que merece ser valorizado ou desprezado... Com esse comportamento egóico, facilmente comete equívocos, vindos da autopresunção, dos julgamentos precipitados a respeito dos outros, caminhando para uma megalomania. Perdendo o controle anterior das convenções sociais em relação aos demais indivíduos e aos padrões de comportamento aceitos e convencionados. Mas nem todos, no desenvolvimento da sua consciência, atingem essa etapa, ficando somente nas iniciais. Por fim, na quinta etapa, quando já se encontra amadurecido psicologicamente, o indivíduo passa à reintegração da consciência com a inconsciência, descobrindo os seus limites – do ego -, atingindo o que chamaríamos como uma fase de atualidade, conseguindo a função transcendente e o símbolo unificador.  Livre dos arquétipos em imagens que caracterizam o outro, conforme a experiência da etapa anterior, a quarta, identifica os poderes do inconsciente. Nessa fase de modernidade ou de atualidade, a consciência identifica a vida psíquica nas projeções, não mais compostas nos substratos materiais ou mesmo deles formadas,  mas a realidade de si mesma. Mas o  mestre, não para por aí, parecendo propor outras etapas, conforme Joanna de Angelis, é interessante que fiquemos com essas, que é o objetivo do presente trabalho.

Nessa fase quando a consciência identifica o inconsciente e fundem-se, surgem as aspirações do belo, do ideal, do uno, da individuação.

Para se conseguir a plenitude, o sentimento de gratidão à vida, a todos que contribuíram e contribuem para um mundo seja melhor e as dificuldades sejam sanadas, que ofereceram sua ajuda no transcurso do desenvolvimento intelecto-moral, transforma-se num impulso para o estado numinoso, onde não existe mais  sombra. Mas, para vivenciar essa conquista, torna-se indispensável o treinamento constante, o exercício da gratidão.

No seu inicio, como um ato de dever, o de retribuição por tudo que se desfruta, sem ainda a presença do sentimento por falta de maturidade psicológica interior. No entanto o hábito, em formação estimula a continuação da valorização dos acontecimentos e das pessoas com as quais se convive, alargando a percepção de que esse sentido de fraternidade gentil e retributiva traz inigualável alegria de viver.

Criado o estímulo gratulatório, tudo adquire significado relevante, trazendo um entendimento mais saudável a respeito dos acontecimentos existenciais, mesmo aqueles  que se apresentem como sofrimento, isto é, que no  momento tem caráter afligente ou desagradável, que pode ser superado pelo esforço de ser-se útil, de compreender o esforço dos demais na construção do mundo melhor, entender-lhes os fracassos e os insistentes sacrifícios para corrigir-se...

Habitualmente, o julgamento da conduta dos outros, em análise quando se refere a questões perturbadoras contra alguém, se faz de maneira equivocada, por certo a manifestação da conduta do outro, do que se lhe fez inamistoso, realizando uma projeção inconsciente dos seus próprios conflitos... Todos temos dificuldades em vencer as questões perturbadoras, em especial quando vem dos atavismos do passado por onde passou. A tolerância, que é uma expressão de amizade inicial, vai fazer entender-se que como não é fácil para si mesmo a mudança para melhor, deve ser também quando no caso for o outro.

Tentando-se, mesmo com erros e acertos,  exercitar a gratidão, chega um momento em que o ser se enche de alegria de ser gentil e agradecido, não só por palavras, mas principalmente por atitudes, tornando a vida agradável e, assim, ampliando o circulo de bem-estar em sua volta, mudando as paisagens emocionais desorganizadas.

A gratidão tem esse poder de tornar o mundo e as pessoas mais belas e mais queridas.  
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 05/02/2019.

sábado, 26 de janeiro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
A conquista da plenitude pela gratidão

A psicologia da Gratidão, não pode deixar de estudar a transcendência do ser humano.

A partir do sec XIX surgiram diferentes correntes de psicoterapias, muito importantes, consequente da grande quantidade de caracteres e de identidades das criaturas, enquanto não generalizam os seus postulados, estabelecendo conceitos e métodos psicoterapêuticos rígidos para o atendimento aos seus pacientes. Afinal, a vitória em qualquer cura está sempre ligado ao esforço pessoal do enfermo, ao seu interesse pela recuperação da saúde e do bem-estar, oferecendo a sua indispensável contribuição, sem ela, os mais eficientes processos de ajuda, não alcançarão o objetivo ou terão duração mínima...

Toda generalização erra por produzir, quase sempre, fanatismo ou preconceito insano.

A psicologia clássica e as que surgiram em diferentes escolas de experimentação clinica  precisam não limitar o ser humano apenas na dualidade corpo-mente, mas como espírito imortal. Mesmo não crendo seja possível a sua sobrevivência à morte orgânica, é compromisso científico de todas as variantes sem preconceito quanto à sua legitimidade. Porque os pacientes vêm de todas as camadas culturais e sociais, religiosas e positivistas, crentes e não ligados a nenhum credo espiritualista... tendo por resultado de tal procedimento, auxilio à clientela de ansiosos e transtornados.

As pesquisas do magnetismo e do hipnotismo, por exemplo, fortemente combatidos, trouxeram, no ultimo quartel do século XIX, em diferentes academias presas aos padrões do materialismo da época, contribuição para a descoberta e o entendimento do subconsciente e do  inconsciente mais tarde... limitados aos preconceitos da época, logo foram rotulados todos os fenômenos dessa procedência e, depois, também os mediúnicos e anímicos como psicopatologias: histeria, dissociação, epilepsia, alucinações, personalidades múltiplas e outras designações que não correspondem à realidade.

Diante de tal conclusão, médiuns e sensitivos de vários tipos, por mais demonstrassem a interferência dos chamados mortos nas comunicações sob rigoroso controle de notáveis cientistas, foram considerados portadores de estado de consciência alterada, portanto psicopatas...

O dr. Pirerre Janet, com a tese de automatismo psicológico, reduziu todos os fenômenos à personificações parasitárias, sendo recebida com aplauso por muitos dos seus pares.

o dr. Flournoy, estudando Helen Smith e constatando a sua mediunidade, não enquadrou com segurança os muitos fenômenos observados.

Frederic Myers, considerando a realidade da fenomenologia mediúnica, especialmente da sra. Newan, teve a coragem de dizer que as comunicações não afetavam “o estado normal” das pessoas.

William James, o grande psicólogo pragmatista americano, observando séria e longamente as comunicações da sra. Piper, convenceu-se da sua realidade e afirmou que, para se demonstrar que “nem todos os corvos são negros, basta somente apresentar um corvo branco”, desanimando os exigentes incrédulos...

Com o advento da psicologia transpessoal, com Maslow, Grof, Klüber-Ross, Pierrakos e toda uma elite de psicólogos, psiquiatras, neurologistas e outros especialistas nos respeitáveis seminários em Big Sur, na Califórnia (EUA), foram apresentadas possibilidades de êxito mais amplas na aplicação de psicoterapêuticas em pacientes trazendo obsessões espirituais, traumas e culpas de vidas passadas, abrindo espaço para procedimentos compatíveis com a psicogênese de cada transtorno...

Cada ser humano é um cosmo específico, que começa nos penetrais do infinito.

Transcendente, reflete as experiências vividas e acumuladas no inconsciente pessoal profundo, e registradas no inconsciente coletivo, produzindo os lamentáveis processos de alienação.

A sombra coletiva resultante do preconceito acadêmico reinante domina a sociedade e um sentimento ressentido gera culpa e animosidade, violência e frustração, medo e solidão, tornando ingrato o cidadão que se deveria transformar em um archote de deslumbrante luz alterando a paisagem social e moral da humanidade.

A perspectiva da transcendência dá ao ser humano um significado também grandioso,  porque não encerra o seu ciclo evolutivo quando morre.

Transferem-se as suas metas do limite estreito do corpo para a amplitude cósmica, crescendo indefinidamente.  

O ego passageiro com essa nova percepção modifica o comportamento com a compreensão da imortalidade e libera o self da sua limitação afligente.

Essa visão imortalista também produz o amadurecimento psicológico, enriquecendo o indivíduo de segurança moral, de identificação com a vida, dessa forma superando as crises existenciais que já não o perturbam.

A ignorância do ser integral leva a muitos conflitos, como o medo, a ansiedade, a incerteza e falta de objetivo existencial já que, de um para outro momento, a morte tira a vida,  reduzindo tudo ao nada...

A transcendência, trás o sentido de gratidão em todas as situações, proporcionando comportamento saudável, relacionamentos edificantes e inigualável alegria de viver visando um futuro promissor.

O homem e a mulher que se sentem imortais tem perspectivas de alcançar a plenitude, com a possibilidade de ressarcir erros, de reabilitar dos enganos praticados, de recomeçar e conseguir êxitos nos empreendimentos fracassados.

Agradecer emocionalmente ser-se transcendente é autopsicoterapia de otimismo que liberta o Narciso interno da imagem irreal, diluindo a síndrome enganosa de PeterPan, e responsabiliza para a conquista da individuação, em defluência do amadurecimento psicológico que resultará no estado numinoso.

Nem doenças nem estados doentes no indivíduo que se encontrou a si mesmo, que se descobriu imortal e avança para a sua plenitude.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 26/01/2019.

domingo, 25 de novembro de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Gratidão na Convivência Social
O processo antropológico da evolução retirou aos poucos o ser humano do individualismo egóico, para a parceria sexual por impulso do instinto, para que, depois, com o surgimento da afetividade biológica, tivesse origem o sentimento do grupo familiar envolvendo a prole.

A partir dali surgiram os mecanismos gregários na construção do grupo social, formando a tribo em convivência harmônica, para que, através dos milênios, o instinto pudesse deixar-se iluminar pela razão, ampliando as afinidades na sociedade.

Nesse período tribal, a animosidade contra os outros grupos exteriorizava o primitivismo agressivo-defensivo.

Lentamente é que os interesses comuns uniram aqueles que tinham afinidades, surgindo daí as primeiras experiências sociais.

A beligerância, que lhe era inata, desencadeava as guerras cruéis, como ocorre ainda hoje, demonstrando o predomínio da natureza animal sobre a natureza espiritual.

A formação da sociedade foi resultado da necessidade de preservação de cada grupo, dos recursos e valores diversos em tentativas de auxílios recíprocos, de sustentação dos seus membros, de crescimento econômico e cultural.

O self em desenvolvimento foi superando a sombra coletiva, ao mesmo tempo a individual começa a cristalizar-se, surgindo a dualidade de comportamento: eu opositor ao outro eu.

Animal gregário que é, sobrevive no planeta que  o alberga graças a importante contribuição social, que o leva ao desenvolvimento intelecto-moral, por meio das reencarnações.

Alcançando o atual nível de cultura, de civilização e de tecnologia, o sentimento de gratidão pelas gerações passadas deve estar presente propiciando o entendimento das conquistas do vir a ser.

A busca da sua plenitude leva-o a busca contínua para superar as marcas do comportamento primitivo que ainda se encontram no cerne, impedindo-lhe a autorrealização.

Os sentimentos, substituindo ou modificando os instintos agressivos, ampliam os horizontes a respeito do sentido e do significado existencial, para que possa crescer no rumo da plenitude.

Conquistando a consciência individual, a razão o leva a contribuir pela consciência coletiva, ao mesmo tempo que trabalha pela  renovação constante e o abandono das paisagens mentais em clichês viciosos a se lhe insculpirem, assim criando hábitos de harmonia de conduta e alegria de viver.

Teimosamente, a sombra o mantém no egoísmo, aprisionando-o nas paixões grosseiras, enquanto o self  se lhe opõe, surgindo uma batalha perturbadora que se transforma em conflito.

O despertar para a vitória sobre tais amarras não deve ser meta afligente, para que se consiga a pureza espiritual, a conduta irreprochável, a vivencia sem problemas. É inevitável, como diz Kierkegaard, Paul Tillich, Rollo May e outros estudiosos da psicologia existencial assim como do socialismo religioso, a presença na psique e no comportamento do indivíduo da ansiedade, do medo, da culpa, da solidão... heranças da jornada evolutiva, esses transtornos continuarão por longo tempo ainda até a libertação paulatina e a conquista da individuação.

Nesse sentido, merece especial atenção o corpo emocional do indivíduo, que se apresenta enfermo em decorrência da sombra que o leva a negar tudo que pode modificar os seus hábitos para melhor, levando-o a permanecer na angústia ou na ansiedade, mantendo a culpa consciente ou não, numa atitude autopunitiva arbitrária. Assim como se reservam espaços para os cuidados com o corpo, é indispensável se preservar o self  com silêncios interiores que propiciem a reflexão e a meditação, com diálogos salutares com a consciência, numa atitude de preces sem palavras, mantendo o vinculo com as fontes da vida.

Só através desse hábito pessoal será possível superar as conjunturas negativas propiciadas pela sombra, sem entrar em luta, assimilando as suas lições e diluindo as que são perturbadoras  abrindo espaço ao bem-estar e a resistência para as atividades de autoiluminação e de convívio social nem sempre equilibrada.

Os interesses dos grupos humanos são  variados, criando constantes atritos e desgastes emocionais, que pedem autocontrole, disciplina da vontade e espírito de paz, para não entorpecer os valores éticos, os significados morais e objetivos da vida, deixando-se levar pelos conflitos...

A saúde emocional permite a harmonia do self, motivando o entendimento de que o processo de inserção na sociedade cria dificuldades e propõe desafios que fazem o indivíduo crescer para a aspiração numinosa.

Com tal comportamento alteram-se as condições ambientais do planeta, tendo-se em vista que tudo que existe interage uma expressão na outra, formando a unidade.

Uma leve brisa num jardim liga-se a uma tormenta no outro lado da Terra, como um pensamento de amor contribui para a sinfonia universal da harmonia cósmica.

Enquanto se estudam as melhores técnicas para deter e evitar os prejuízos da devastação dos recursos planetários em extinção, a limitação da emissão de gazes que contribuem para o lento aquecimento global, em razão também do envenenamento dos rios, das nascentes d’agua, dos mares e dos oceanos, a morte e a ameaça de desaparecimento de vegetais e animais, que levará até a do ser humano, merece reflexão a tenebrosa condição mental das criaturas humanas que se demoram nos descalabros morais e na crueldade.
As ambições sem medidas que vem levando a sociedade à conquista de contínuas tecnologias, sem pensar nos prejuízos que  causam à natureza, resultam nos milhares de fragmentos de satélites e de foguetes que se desintegram, e os que escapam do aniquilamento no contato com atmosfera, atraídos pela gravidade do planeta, constituem hoje o terrível lixo espacial vindos dos grandes engenhos do pensamento desarvorado sem as reflexões indispensáveis...

As providencias que tem sido tomadas não tem efeito retroativo em relação ao que se encontra em volta da Terra e não consumido na sua queda natural na superfície do planeta. Pensou-se ingenuamente que tais fragmentos cairiam sempre nos mares e oceanos, assim mesmo poluindo-os, o que não se pode confirmar, porque tem caído em organizações urbanas, no campo e em toda parte...

Diante da sombra individual e coletiva que domina a sociedade moderna, a gratidão tem um papel relevante, porque começa na emoção superior dentro de casa, no próprio individuo e por si mesmo, amplia-se buscando os grupos sociais, considerando sempre tudo que a vida tem dado gratuitamente sem nada pedir de volta, a não ser que se mantenha o equilíbrio necessário para a continuação do processo  evolutivo.

Usufruem-se de mil favores e conquistas na encarnação, sem nenhum sacrifício nem gratulação em torno do seu significado  e das respostas oferecidas.

A gratidão social é a resposta do coração feliz pelas excelentes oportunidades de que se frui durante toda a existência terrena.

Com essa conduta, atenuam-se as competições malsãs entre os indivíduos e os grupos, as intrigas e as malquerenças, os ódios e os ressentimentos doentios...

Reflexionando-se em torno do grupo social em que se encontra, a gratidão enriquece o self  que absorve a sombra sem antagonizar, e a plenitude se instala no ser humano.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 25/11/2018.

domingo, 18 de novembro de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
GRATIDÃO NA FAMÍLIA

Acreditava-se que, com o grande desenvolvimento das ciências junto à contribuição tecnológica, o ser humano conseguiria, a harmonia e o crescimento moral. Pois nunca houve tantas conquistas intelectuais e atividade cultural com recreação como hoje.

O conforto e as facilidades oferecidas pelos instrumentos eletroeletrônicos facilitam a vida de bilhões de seres humanos, embora, grande fatia da humanidade ainda se encontre mergulhada na miséria, ou abaixo da linha da pobreza, como se convencionou, sofrendo escassez de pão, de vestuário, de medicamento, de trabalho, de educação, de dignidade...

Nunca tantos divertimentos e técnica de lazer, e facilidades para o relacionamentos, para a fraternidade, para a harmonia entre as pessoas. Mas não é o que ocorre na sociedade terrestre de hoje, mas do contrário, a solidão é quase geral, a ansiedade e o medo é como epidemia. As enfermidades, resultantes das somatizações dos distúrbios psicológicos, desgastam muitas  vítimas que indefesas caem nas suas malhas. Assusta o grande número dos transtornos de comportamento na afetividade, nas doenças cardiovasculares, no câncer, citando apenas  algumas das mais assustadoras.

Desconfiado, com o medo que se lhe instalou na emoção, o novo ser superconfortado esconde-se na solidão, e mantém comunicação com as pessoas através dos recursos virtuais, evitando o enriquecedor e saudável contato corporal.

Os padrões ético-morais, em consequência, alteraram suas formulações, assumindo o lugar o vale-tudo, onde o cinismo tem prioridade, assim como o deboche, o despudor, a astúcia. A ânsia pela conquista da fama amesquinha esse indivíduo intelectualizado mas não moralizado, e inspira-o a assumir qualquer conduta que o leve ao estrelato, à posição top, conforme os conceitos estabelecidos por outros líderes não menos atormentados.

A moral, a dignidade, o bem proceder tornaram-se condutas esdruxulas, ultrapassados pelos expertos das fantasias do erotismo e da insensatez.

É necessário destacar-se no grupo social, ser motivo de admiração e de inveja, colocar-se nas alturas, ser inacessível, estar cercado de admiradores e bajuladores que detestam os ídolos que parecem admirar, lamentando não estarem no lugar deles, que os tratam com desdém e enfado...

No início, para chamarem a atenção submetem-se a todas as exigências da futilidade, e quando se tornam conhecidos, põem óculos escuros, perucas, fogem pelas portas dos fundos dos hotéis, tentando se livrarem dos fanáticos que os aplaudem até que virem outros mais alucinados e exóticos...

A anorexia e a bulimia presentese na juventude ansiosa que se submete aos absurdos programas de emagrecimento para conquistar a beleza física, utilizando anabolizantes, implantes, as cirurgias perigosas, numa luta sem descanço para alcançar as metas estabelecidas.

Nesse báratro, a família esfacelou-se a sombra coletiva passou a dominar o santuário do lar e a desagregação substituiu a união.

Mães emocionalmente enfermas e imaturas disputam com as filhas os namorados, repetindo a tragédia de Electra, e pais saturados de gozo entregam-se ao adultério para destacar-se no grupo social que os escolhe como dignos de admiração.

O desrespeito espalha-se, começando pelos pais  que consideram os filhos uma carga limitadora da mobilidade nas áreas insensatas do prazer ou como forma narcisista de exibição, esperando que deem continuidade aos seus disparates ou expondo-os, desde cedo, em caricaturas de adultos nos programas de TV e de rádio, de teatro e de cinema, em lamentáveis processos de transferência frustrante dos seus próprios fracassos.

O ego destaca-se, perverso e a ingratidão marca a maneira de ser de cada um. Pensa-se exclusivamente no interesse pessoal, embora a prejuízo dos outros, e a competição desleal esfacela os relacionamentos, que se assinalam, com raras exceções, trabalhados pela hipocrisia e pela animosidade mal disfarçada.

A traição, o descaso pelos que auxiliaram no início da jornada, a  ingratidão manifesta-se de forma assustadora.

Mas a ingratidão, é doença da alma pedindo tratamento urgente nas suas origens.

O ingrato é alguém que perdeu o endereço da felicidade e, aturdido, deambula por caminhos equivocados.

Ninguém nasce grato, nem consegue a gratidão de um salto.
Aprende-se gratidão pela sua prática, que deve iniciar na família, essa sociedade em miniatura, onde a afetividade manifesta-se naturalmente.


A família não é apenas o grupamento doméstico, mas a reunião de Espíritos reencarnados com programa de evolução espiritual previamente estabelecido.

Perante a condição imposta pelas leis da vida, quase sempre não se possui a família que gostaria de se estar, constituída por pessoas afáveis e generosas, o renascimento ocorre junto aos Espíritos que se necessitam uns aos outros para a evolução.

Alguns grupos familiares muitas vezes transformam-se em praças de guerra em repetidos combates, em que cada um reage contra o outro ou detesta-o, distantes do compromisso de reabilitação e de identificação pessoal.

É nesse difícil reduto que o Espírito deve desenvolver-se, transformando os maus sentimentos em bons sentimentos, exercitando a fraternidade e a gratidão.

Conseguir praticar a gratidão em relação aos familiares hostis é um grande desafio à sombra pessoal dominante no clã...

O resultado nem sempre será o melhor, mas, criado o hábito de compreender o outro, tendo-o como enfermo ou necessitado, transforma-se em método eficaz para o objetivo.

Quando se enfrentam obstáculos maiores, mais amplas conquistas são feitas, após vencidos.

No lar, essas dificuldades devem trazer o sentimento de gratidão pela oportunidade de ressarcir débitos anteriormente adquiridos, desenvolvido a paciência, exercitado a tolerância e a compaixão, aprimorando o self.
Do lar, os sentimentos de amizade e de compreensão seguem em direção da sociedade, que é a grande família em que todos deverão unir-se para a construção da felicidade coletiva.

Quando os desafios se apresentam quase insuportáveis, a alegria deve estar no íntimo daquele que se esforça pelo triunfo, aceitando as circunstancias, às vezes dolorosas, alterando-as, uma a uma, para melhor.

Lutas desse tipo elevam o ser humano como criatura integral, ajudando assim a desenvolver o deus interno,  que necessita dos estímulos fortes, tanto interiores quanto externos para romper o casulo do ego e insculpir-se no self.

Para o sucesso do empreendimento, o amor e a gratidão são as forças dinâmicas ao alcance do lutador.

Não existem ninguém que seja impermeável ao amor, a um gesto de bondade, à gratidão sincera.

Uma família gentil e harmônica, e existem muitas, já é, por si, um hino de louvor, de gratidão à vida. Mas aquela que é turbulenta e trabalhosa transforma-se no teste de resistência ao mal e a porta que se abre ao bem, aproveitado os inestimáveis valores oferecidos pela ciência assim como as bênçãos da tecnologia para instaurar na Terra, desde hoje, os pródromos do mundo melhor de amanhã.

Nenhuma sombra individual e coletiva construídas no processo evolutivo sobrevive, mas se integram mediante a gratidão no eixo do self em equilíbrio.

Os resultados inevitáveis dessa conquista são: cura dos desajustes e das doenças, surgimento da saúde integral, da alegria de viver, do bem-estar, da conquista do numinoso.

A gratidão no lar anula o individualismo egóico, preservando a individualidade que alcançará a individuação.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 18/11/2018.

sábado, 3 de novembro de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Compromissos da gratidão

No incomparável Sermão da Montanha, depois do canto sublime das bem-aventuranças, Jesus disse com sabedoria:

“Amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque Ele faz nascer o Seu Sol sobre maus e bons e faz chover sobre justos e injustos”. (Mt. 5:44-45)

A recomendação proposta pelo psicólogo incomparável ainda hoje surpreende, a todo aquele que mergulha o pensamento na reflexão em torno dos textos escriturísticos  evocativos da sua palavra.

A tradição impunha o revide ao mal com equivalente mal, e ainda continua essa conduta enferma em muitas legislações enlouquecidas, impondo punições cruéis em relação aos que são surpreendidos em erro, distanciados da justiça e da reeducação do criminoso, que são fundamentais.

Nos relacionamentos familiares e sociais, profissionais, artísticos, e outros, a conduta retributiva é firmada na injusta conduta ancestral de antes dele, que permanece no inconsciente individual e coletivo, criando graves transtornos pessoais e sociais.

Não se espera que o tratamento que se dá ao perverso seja negligente dos seus atos perversos, no entanto não se devendo agir da mesma maneira, aplicando-lhe penas compatíveis com o seu nível primitivo de evolução sendo justo propiciar-lhes meios de reparar-se os danos causados, de recuperar-se perante as suas vítimas e a própria consciência, de reintegrar-se na sociedade...

Essa atitude, a de dar oportunidade de agir com equilíbrio, é caracterizada pelo perdão às suas atitudes arbitrárias, embora sem conivência com o seu delito, mas também sem cercear o amor que tira o criminoso da masmorra sem grades em que se aprisiona, conduzindo-o à sociedade que foi ferida e aguarda-lhe a cooperação para ser cicatrizada, superando a sua hediondez.

A proposta de Jesus, em relação ao amor na retribuição ao mal, também é a maneira psicológica saudável da gratidão, por propiciar a vivencia da abnegação e da caridade. Não é silenciar o deslize praticado, mas reconhecendo que ele propicia o surgir e expandir os sentimentos superiores da compaixão e da misericórdia que devem viger nos indivíduos e nos grupos sociais.

A gratidão é a mais sutil psicoterapia para os males que se instalam na sociedade constituída em grande parte por Espíritos enfermos.

Quando alguém consegue ofertá-la de forma espontânea e sem barulho,  produz um clima psíquico de harmonia que o beneficia e aos mais próximos, porque não exterioriza revolta nem queixa sistemática...

A gratidão deve transformar-se em hábito natural no comportamento maduro dos seres humanos. Para isso é necessário o treinamento, o exercício diário, por causa da sombra vigilante que estimula a conduta da distância, da indiferença ou mesmo da ingratidão.

O ingrato, além de imaturo psicológico, é vítima da inveja, da competitividade doentia, do primarismo evolutivo.

A ingratidão se encontra e tem força nos grupos sociais onde predominam o egoísmo e a carência moral.

O grande desafio existencial é o de bem viver-se e não o do viver-se bem, cheio de coisas e ansioso por novas aquisições entre sofrimentos íntimos e desconfianças afligentes. Nesse sentido, é grata a recomendação de Jesus, conclamando ao amor mesmo em relação aos adversários, porque eles, são os doentes, pois que escolheram as atitudes agressivas e destrutivas, acumulando resíduos de inconformismo e de ira, que acabam lhes produzindo dolorosas e lamentáveis somatizações.

Quando se consegue não devolver o mal na mesma e doentia moeda, o self ( o Si mesmo, ) alegra-se e o seu eixo com o ego diminui a distancia que o separa, com isso diminui lentamente as suas fixações. Mas, quando se consegue amar o adversário, lembrar dele sem ressentimento, compadecer-se da alienação a que se ele se entrega, arquétipos, modelos perturbadores abrem espaço para emoções saudáveis, trazendo alegria de viver e de lutar, estimulando o crescimento interno e a sua ascensão ideológica.

Não sendo vitalizado pelo rancor, o ódio autoconsome-se, não encontrando revide, a ofensa perde o seu significado, e não se retribuindo o equivalente mal que lhe foi direcionado, ele desaparece.

Opor-se e resistir ao mal vai fortalecer a energia deletéria que é enviada, porque proporciona ressonância vibratória e, no revide, recebe a potencia da resposta. Não valorizar o mal nem lhe atribuir sentido é a maneira mais eficaz de amar os agressores e os perversos.

Um olhar apressado da natureza ensina a presença da gratidão presente em toda parte.

A tempestade chicoteia a Terra e despedaça tudo que encontra ao alcance, distribuindo pavor e destruição. Logo que passa, a vida renova a paisagem, recompõe a flora e a fauna, restitui a beleza, num ato de gratidão a ocorrência agressiva.

O solo sulcado pela enxada bem acionada agradece ao lavrador que o feriu, reverdecendo, transformado e estuante de vida. Até a erva má que cresce junto também agradece,  florindo na primavera.

O ser humano nem sempre consegue viver a psicologia da gratidão. Começa o dia alegre e gentil, mas conforme passam as horas, junto a família, no transito, no trabalho, passa a agir com impulsos agressivo-defensivos, seguindo a conduta dos desesperados... Outros momentos, antes de dormir está disposto e grato, alegre resultantes dos acontecimentos. Mas, fenômenos como sonhos ou outros fenômenos oníricos perturbadores, insônia, distúrbios gástricos ocorrem e dessa forma acorda, mal humorado, tornando o seu dia desagradável e o seu comportamento irreconhecível.

Tudo isso é natural, porém passado o fenômeno perturbador, é necessário voltar às atitudes gratulatórias anteriores, insistindo-se sem desanimar a fim de automatizá-las, para que permaneçam mesmo nos momentos desafiadores e desconfortáveis.

O ser humano traz arraigado o habito de recordar dos insucessos, dos maus momentos, das contrariedades, das tristezas e das agressões sofridas, esquecendo as alegrias e os benefícios deixando-os em nível secundário nos painéis da memória. Tal comportamento produz a volta ao pessimismo, à queixa, ao azedume, à depressão.

Uma reflexão rápida seria suficiente para transformar aqueles acontecimentos doentios, ricos de torpes evocações, em motivo de gratidão, pois que, apesar das ocorrências desagradáveis, a existência modificou-se totalmente, sobreviveu-se a tudo, vieram êxitos, surgiram experiências iluminativas, amizades gentis, sucederam fatos positivos nem esperados...

e assim, gratidão, por todos os acontecimentos, deve ser sempre a atitude mental e emocional de todos os seres humanos.

A caminhada do êxito é pavimentada por equívocos e acertos, tropeços e corrigendas, mas, o mais importante é e será sempre, a conquista do patamar almejado que cada qual tem em mente.

Perseverando-se e treinando-se gratidão, o sentido de liberdade e de infinito apossa-se do self  que se torna numinoso, portanto, pleno.

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/11/2018.

domingo, 7 de outubro de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS  
O SER MADURO PSICOLOGICAMENTE E A GRATIDÃO

Conforme o indivíduo vivencia os sentimentos de alegria e de gratidão, curam-se nele os males que o afligem na imaturidade psicológica, libertando-o dos conflitos que desgastam o comportamento, possibilitando o aprofundamento da persistência, da sabedoria, da compreensão da vida e da sua finalidade.

Tudo que parecia desafiador, passa a ser continente conquistado, crescendo para o infinito por descobrir e incorporar ao patrimônio interno.

Os melindres e as manifestações de criança maltratada foram superados, e no seu lugar a confiança em si próprio e o respeito pelos outros, a consciência dos atos. Vencendo as síndromes anteriores de desconforto íntimo, que agora permitem a espontânea alegria de viver e de lutar.

A calma substitui a ansiedade antes motivo de desequilíbrio emocional, a bondade surge natural, como uma luz que se irradia sem alarde, e o indivíduo torna-se centro de convergência de interesses das outras pessoas.

O ser imaturo psicologicamente não venceu a infância que transferiu para a idade adulta levando toda a carga de conflitos não resolvidos que se manifestam no relacionamento, sempre escondendo a personalidade insegura e doentia.

A ambivalência do comportamento, desejar e não fazer, pensar e desistir, é o efeito imediato dessa imaturidade, expressando o não saber agir corretamente mesmo na afetividade.

“Deverei dizer que amo? E se for incompreendido?” – é um dos pensamentos da conduta ambivalente no ser imaturo, sempre retardando as atitudes psicológicas saudáveis, pelo medo da opinião alheia. Embora numa crise emocional, não sinta pejo de dizer: “Eu detesto o mundo e não quero ver ninguém na minha frente!”

O processo de amadurecimento psicológico avança com a facilidade de expressar gratidão por tudo que ocorreu e o que venha a acontecer em relação ao ser humano.

Ninguém é totalmente autossuficiente, só os narcisistas, que se consideram especiais na criação, há uma imperiosa necessidade de parceria, de acompanhamento, de dependência, por isso é um ser gregário desde o começo da evolução. Mas essa parceria e dependência,  estarão em nível de companheirismo, de ajuda reciproca, de cooperação e não de submissão.

Duas crianças, respectivamente de 7 e de 8 anos, caminhavam para a escola fundamental sem dizerem uma palavra, cada uma no seu próprio mundo infantil. A mais velha estava em conflito muito grande porque não conseguia comunicação com os colegas, sendo discriminada por sua origem humilde, pela cor da pele...

Pararam, antes de atravessarem a rua, porque o semáforo estava no sinal vermelho. Quando mudou para verde, ambas avançaram, mas a sacola abarrotada de livros e de cadernos do mais velho abriu-se e alguns caíram, obrigando-o a abaixar-se raivoso para apanhá-los outra vez. Nesse momento, o menor, vendo-o em dificuldade, aproximou-se, abaixou-se também e perguntou-lhe, enquanto agia:
 - Posso ajuda-lo? Eu gosto muito de você...
Os dois sorriram e foram conversando na direção da escola.
Passados vinte e cinco anos, quando um cidadão afrodescendente atingiu o topo administrativo de uma grande empresa, sendo elogiado, afirmou no discurso de agradecimento:
 - Eu devo a minha vida a um garotinho de sete anos, que um dia me ajudou a guardar livros e cadernos que me haviam caído da sacola ao atravessar a rua e disse que me queria bem... Naquele dia eu havia resolvido suicidar-me, mas o seu gesto inocente e jovial modificou totalmente a minha vida. A ele, pois, eu sempre agradeci haver sobrevivido, e agora agradeço novamente por haver chegado ao ´posto em que me encontro, e, por antecipação, por tudo de bom que me venha ou não a acontecer...

O sentido de parceria, de acompanhamento e de dependência no grupo social, não diz respeito aos conflitos e aos medos de crescimento, mas a uma necessidade de ajuda recíproca, de participação no grupo social, de vida em ação, de união de interesses em favor de todos e, por consequência, pela sociedade, pelo ecossistema, pela indescritível alegria de viver.

Quando Confúcio disse, “Aja com bondade mas não espere gratidão”, queria demonstrar que os sentimentos nobres devem estar envolvidos em renuncia, sem os interesses imediatistas da compensação, do aplauso, da admiração dos outros.

A gratidão, tem um caráter de amadurecimento psicológico, porque aquele que assim age descobriu que tudo que lhe acontece depende de muitos que o ajudaram a chegar no lugar em que se encontra.

Quanto custa o ar puro da natureza, a água dos córregos e das fontes, a beleza da paisagem, o clima saudável? Quando o alimento vem à mesa, quantas pessoas participaram no anonimato de toda essa cadeia mantenedora da vida? A realização de uma viagem exitosa, quanto dependeu das pessoas e fatores que não foram observados pelo automatismo da existência? Enfim tudo, que acontece está vinculado à dependência de um a outro indivíduo ou circunstancia que propiciaram esse momento.

Quantos acidentes, desencantos, enfermidades e mortes marcaram vidas que se entregaram às descobertas, à colonização dos países, às transformações para que se convertessem em comunidades felizes!?  A todos esses anônimos, a gratidão deve ser oferecida com ternura e gentileza.

O amadurecimento psicológico elimina a negatividade teimosa do ser humano desconfiado e inseguro, que se permite sempre suspeitas de que mesmo a amizade é acompanhada de interesses subalternos daqueles que dão ou que buscam a estima.

Grande obstáculo à gratidão madura é esperar resposta pelo ato gentil, esperar que o outro, o que foi beneficiado, reconheça o que recebeu e retribua. Essa é uma forma de narcisismo, quando se faz algo e se exige gratidão, decepcionando-se pela falta dessa resposta, o que leva muitos ansiosos às atitudes infantis de que nunca mais farão nada mais por ninguém, pois que não o merecem.

O sentimento da gratidão sempre  deve estar desacompanhado da expectativa de qualquer forma de retribuição, nem de um olhar ou de um sorriso, que expressariam reciprocidade. Havendo, é melhor, porque o outro também se encontra em processo de amadurecimento psicológico e de contribuição valiosa à sociedade. Mas é uma exceção e não uma lei natural e constante.

Todo ato de generosidade, por sua maneira de ser, dispensa gratulação e manifesta-se naturalmente. O amor aos filhos, aos cônjuges, os deveres para com eles e para com os outros são da natureza intima de cada um, que se compraz em agir conforme as regras do bem viver e não apenas do viver bem, cercado de coisas, de carinho, de compensações.

Essas atitudes são logo esquecidas, toda vez quando se espera reconhecimento, surge um aprisionamento, como, aquelas pessoas que dizem que vivem para outras: filhos, parceiros, amigos, e que ficam decepcionadas e sofrem quando eles levantam voos na direção do que lhe é o destino. A triste síndrome do ninho vazio em que ficam presos por imaturidade psicológica leva os pacientes à amargura e ao desencanto por não receberem a compensação retributiva em relação ao que fizeram por interesse, não pelo prazer de realiza-lo.

Esse fenômeno também é comum no que se refere aos trabalhos enobrecedores que esperam aprovação, recompensa da sociedade. Pessoas com alto nível de inteligência e de trabalho contribuem eficazmente em todos os setores do progresso social, através de descobrimentos, de invenções, de realizações grandiosas... Mas, quando não são reconhecidas ou premiadas, mergulham na revolta ou no desanimo, na queixa ou na desistência de continuar, amarguradas e infelizes. Não são pessoas más, como se percebe, mas imaturas psicologicamente, vivendo ainda o período dos elogios infantis, dos aplausos e dos comentários, dos quinze minutos de holofotes, mesmo que depois sejam esquecidas, como é quase normal numa sociedade utilitarista como o é a de hoje. Embora disfarçado, encontra-se aí o narcisismo, resultado de uma infância que não recebeu reconhecimento nem estímulos, nem entusiasmo nem acolhimento.
Esse conflito nasce na imaturidade psicológica.
Aqueles que assim procedem, em contrapartida, por mais que sejam bajulados, elogiados, aplaudidos, sempre tem cede de mais reconhecimento, abrindo espaço para um condicionamento que poderia ser chamado de vício ou dependência de gratidão.

Quando não se recebe gratidão, não significa psicologicamente que a pessoa não é aceita, que é rejeitada. Tal ocorrência também resulta de outros fatores psicológicos que se referem aos demais, às circunstancias, aos valores de cada cultura.

O ideal é viver-se em favor da gratidão mesmo sem receber, valorizando o lado claridade da vida, as suas bênçãos e todos os contribuições existenciais que nunca esperam receber aplauso.

Jesus, o Homem-luz, único ser que não tinha o lado sombra, maior exemplo de maturidade psicológica, fez da sua uma vida dedicada à gratidão, pelo amor com que enriqueceu a Terra desde então, vivendo exclusivamente para o amor e o perdão, a misericórdia e a compaixão.

Recebeu, ao contrário, por todo o bem que fez, pelas lições de sabedoria que legou à posteridade, a negação de um amigo, a traição de outro, que se arrependeram certamente, a perseguição gratuita dos narcisistas e imaturos, temerosos e egotistas, a infâmia, o abandono, a exposição à ralé arbitrária, as chibatadas, a crucificação...mas retornou em triunfo de imortalidade exaltando a vida e Deus em estado numinoso.  
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 07/10/2018.