domingo, 18 de novembro de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
GRATIDÃO NA FAMÍLIA

Acreditava-se que, com o grande desenvolvimento das ciências junto à contribuição tecnológica, o ser humano conseguiria, a harmonia e o crescimento moral. Pois nunca houve tantas conquistas intelectuais e atividade cultural com recreação como hoje.

O conforto e as facilidades oferecidas pelos instrumentos eletroeletrônicos facilitam a vida de bilhões de seres humanos, embora, grande fatia da humanidade ainda se encontre mergulhada na miséria, ou abaixo da linha da pobreza, como se convencionou, sofrendo escassez de pão, de vestuário, de medicamento, de trabalho, de educação, de dignidade...

Nunca tantos divertimentos e técnica de lazer, e facilidades para o relacionamentos, para a fraternidade, para a harmonia entre as pessoas. Mas não é o que ocorre na sociedade terrestre de hoje, mas do contrário, a solidão é quase geral, a ansiedade e o medo é como epidemia. As enfermidades, resultantes das somatizações dos distúrbios psicológicos, desgastam muitas  vítimas que indefesas caem nas suas malhas. Assusta o grande número dos transtornos de comportamento na afetividade, nas doenças cardiovasculares, no câncer, citando apenas  algumas das mais assustadoras.

Desconfiado, com o medo que se lhe instalou na emoção, o novo ser superconfortado esconde-se na solidão, e mantém comunicação com as pessoas através dos recursos virtuais, evitando o enriquecedor e saudável contato corporal.

Os padrões ético-morais, em consequência, alteraram suas formulações, assumindo o lugar o vale-tudo, onde o cinismo tem prioridade, assim como o deboche, o despudor, a astúcia. A ânsia pela conquista da fama amesquinha esse indivíduo intelectualizado mas não moralizado, e inspira-o a assumir qualquer conduta que o leve ao estrelato, à posição top, conforme os conceitos estabelecidos por outros líderes não menos atormentados.

A moral, a dignidade, o bem proceder tornaram-se condutas esdruxulas, ultrapassados pelos expertos das fantasias do erotismo e da insensatez.

É necessário destacar-se no grupo social, ser motivo de admiração e de inveja, colocar-se nas alturas, ser inacessível, estar cercado de admiradores e bajuladores que detestam os ídolos que parecem admirar, lamentando não estarem no lugar deles, que os tratam com desdém e enfado...

No início, para chamarem a atenção submetem-se a todas as exigências da futilidade, e quando se tornam conhecidos, põem óculos escuros, perucas, fogem pelas portas dos fundos dos hotéis, tentando se livrarem dos fanáticos que os aplaudem até que virem outros mais alucinados e exóticos...

A anorexia e a bulimia presentese na juventude ansiosa que se submete aos absurdos programas de emagrecimento para conquistar a beleza física, utilizando anabolizantes, implantes, as cirurgias perigosas, numa luta sem descanço para alcançar as metas estabelecidas.

Nesse báratro, a família esfacelou-se a sombra coletiva passou a dominar o santuário do lar e a desagregação substituiu a união.

Mães emocionalmente enfermas e imaturas disputam com as filhas os namorados, repetindo a tragédia de Electra, e pais saturados de gozo entregam-se ao adultério para destacar-se no grupo social que os escolhe como dignos de admiração.

O desrespeito espalha-se, começando pelos pais  que consideram os filhos uma carga limitadora da mobilidade nas áreas insensatas do prazer ou como forma narcisista de exibição, esperando que deem continuidade aos seus disparates ou expondo-os, desde cedo, em caricaturas de adultos nos programas de TV e de rádio, de teatro e de cinema, em lamentáveis processos de transferência frustrante dos seus próprios fracassos.

O ego destaca-se, perverso e a ingratidão marca a maneira de ser de cada um. Pensa-se exclusivamente no interesse pessoal, embora a prejuízo dos outros, e a competição desleal esfacela os relacionamentos, que se assinalam, com raras exceções, trabalhados pela hipocrisia e pela animosidade mal disfarçada.

A traição, o descaso pelos que auxiliaram no início da jornada, a  ingratidão manifesta-se de forma assustadora.

Mas a ingratidão, é doença da alma pedindo tratamento urgente nas suas origens.

O ingrato é alguém que perdeu o endereço da felicidade e, aturdido, deambula por caminhos equivocados.

Ninguém nasce grato, nem consegue a gratidão de um salto.
Aprende-se gratidão pela sua prática, que deve iniciar na família, essa sociedade em miniatura, onde a afetividade manifesta-se naturalmente.


A família não é apenas o grupamento doméstico, mas a reunião de Espíritos reencarnados com programa de evolução espiritual previamente estabelecido.

Perante a condição imposta pelas leis da vida, quase sempre não se possui a família que gostaria de se estar, constituída por pessoas afáveis e generosas, o renascimento ocorre junto aos Espíritos que se necessitam uns aos outros para a evolução.

Alguns grupos familiares muitas vezes transformam-se em praças de guerra em repetidos combates, em que cada um reage contra o outro ou detesta-o, distantes do compromisso de reabilitação e de identificação pessoal.

É nesse difícil reduto que o Espírito deve desenvolver-se, transformando os maus sentimentos em bons sentimentos, exercitando a fraternidade e a gratidão.

Conseguir praticar a gratidão em relação aos familiares hostis é um grande desafio à sombra pessoal dominante no clã...

O resultado nem sempre será o melhor, mas, criado o hábito de compreender o outro, tendo-o como enfermo ou necessitado, transforma-se em método eficaz para o objetivo.

Quando se enfrentam obstáculos maiores, mais amplas conquistas são feitas, após vencidos.

No lar, essas dificuldades devem trazer o sentimento de gratidão pela oportunidade de ressarcir débitos anteriormente adquiridos, desenvolvido a paciência, exercitado a tolerância e a compaixão, aprimorando o self.
Do lar, os sentimentos de amizade e de compreensão seguem em direção da sociedade, que é a grande família em que todos deverão unir-se para a construção da felicidade coletiva.

Quando os desafios se apresentam quase insuportáveis, a alegria deve estar no íntimo daquele que se esforça pelo triunfo, aceitando as circunstancias, às vezes dolorosas, alterando-as, uma a uma, para melhor.

Lutas desse tipo elevam o ser humano como criatura integral, ajudando assim a desenvolver o deus interno,  que necessita dos estímulos fortes, tanto interiores quanto externos para romper o casulo do ego e insculpir-se no self.

Para o sucesso do empreendimento, o amor e a gratidão são as forças dinâmicas ao alcance do lutador.

Não existem ninguém que seja impermeável ao amor, a um gesto de bondade, à gratidão sincera.

Uma família gentil e harmônica, e existem muitas, já é, por si, um hino de louvor, de gratidão à vida. Mas aquela que é turbulenta e trabalhosa transforma-se no teste de resistência ao mal e a porta que se abre ao bem, aproveitado os inestimáveis valores oferecidos pela ciência assim como as bênçãos da tecnologia para instaurar na Terra, desde hoje, os pródromos do mundo melhor de amanhã.

Nenhuma sombra individual e coletiva construídas no processo evolutivo sobrevive, mas se integram mediante a gratidão no eixo do self em equilíbrio.

Os resultados inevitáveis dessa conquista são: cura dos desajustes e das doenças, surgimento da saúde integral, da alegria de viver, do bem-estar, da conquista do numinoso.

A gratidão no lar anula o individualismo egóico, preservando a individualidade que alcançará a individuação.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 18/11/2018.

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