sexta-feira, 23 de agosto de 2013


ENCONTRO E AUTOENCONTRO

Cap.3 do livro Em Busca da Verdade
A parábola do Filho Pródigo é um manancial de informações psicológicas profundas, guardando um tesouro de símbolos e significados que merecem cuidadosa análise, a fim de retirar-se do seu conteúdo as lições de paz e de saúde necessárias para uma existência rica e abençoada.

Durante muito tempo o Evangelho de Jesus recebeu interpretações doentias e perturbadoras, conforme o equilíbrio emocional e espiritual dos seus tradutores, teólogos e pastores, mais interessados em projetar a sombra em que se debatiam do que as extraordinárias orientações de luz de que se revestia.
Propondo a humildade, levavam os seguidores a transtornos de conduta graves, estimulando o menosprezo à existência física, a desconsideração por si mesmos, o autodepreciamento, o culto ao masoquismo disfarçado de santificação como o caminho para a iluminação.

Como se pode considerar a vida, esse incomparável tesouro por Deus concedido ao ser humano, como desprezível, digna de ser desrespeitada nos seus mais nobres significados: alegria, bem-estar, utilização saudável do sexo, solidariedade e convivência, como negativos, impondo o isolamento, a severa abstinência sexual, o silêncio, o sofrimento, em nome da Boa Nova?!
Somente indivíduos emocionalmente castrados poderiam impor os seus tormentos aos demais, aos quais invejavam a saúde e comunicabilidade, de forma que se sentissem felizes com a desdita dos outros, em transtorno sadomasoquista, adulterando toda a proposta libertadora de Jesus, o Homem bom e nobre por excelência, que mais demonstrou amor e alegria na convivência com os desafortunados do que todos os demais.

Pregando dignidade, esses atormentados interpretes das Suas lições condenavam o erro, mascarando os equivocados, os que delinquem, os que aguardam apoio, por serem ignorantes ou enfermos, distanciados d’Aquele que é o pão da Vida e veio exatamente para os infelizes e até mesmos para os infelicitadores...
Felizmente, com o avanço da cultura, com a ruptura dos laços férreos que mantinham a sociedade jungida aos dogmas enfermiços, descobre-se, cada dia, a grandeza da mensagem cristã, conforme Jesus e os Seus primeiros discípulos a viveram e divulgaram, verdadeira canção musicoterapêutica, sinfonia de esperança e de consolação.

As Suas parábolas, por isso mesmo, mantém guardadas as respostas significativas e especiais para as perguntas inquietantes do comportamento humano.  

Nelas, somente existem libertação e bondade, harmonia e júbilo, guardando, nos seus símbolos, verdadeiros poemas de interpretação da incógnitas existenciais.
Nesse maravilhoso significado insere-se a do Filho Pródigo que, de alguma forma, somos todos nós.

Enquanto os fracos emocionais e os dependentes de punições nela encontram a baixa autoestima, o remorso, a angústia da volta, o que se constata é a irrestrita confiança no Pai generoso, a certeza da alegria de ser bem recebido, a recuperação moral pelo equívoco vivenciado, a expectativa do recomeço em novas paisagens de afeto e autorrealização.
Por muito tempo estabeleceu-se que a humildade deve ser vivida em forma de desprezo por si mesmo e pelos valores com que a vida social estabelece os seus relacionamentos, fomenta o progresso das massas e dos indivíduos.

O autoabandono, a autodesconsideração e o autodesprezo tinham prioridade na conduta do adepto religioso, no passado, em violência contra as leis naturais, impondo-se uma conduta incompatível com a mensagem de amor e de felicidade.
Pessoas amargas, que mantinham autorrejeição, refugiando-se em falsas justificativas religiosas, procuravam escamotear a mágoa em relação às demais, raiva contra si mesmas e os outros, negando-se a felicidade, que acreditavam não a merecer, porque se encontravam sob o impositivo da sombra  ancestral, defluente das culpas dos atos ignóbeis praticados em existências anteriores.

Negando-se a oportunidade do encontro com o Pai amoroso, por não sentirem a vigência do amor em si mesmas, ainda hoje recusam o autoencontro, numa análise profunda que lhes poderiam propiciar a visão mais saudável da Realidade.
Os seus mitos são as Parcas terríveis, as cóleras dos diversos deuses vingativos, as subjetivas ameaças de destruição apocalíptica, numa vingança generalizada, na qual o temor da morte desaparece, porque representa a destruição de tudo e de todos.

As advertências contínuas sobre o egoísmo, o orgulho, a prepotência e o encantamento das virtudes teologais, do altruísmo, da humildade, da fraternidade produzem, não poucas vezes, a virtude do autodepreciamento, da autodesconsideração, quase numa exibição forçada de triunfos que, em realidade, não existem no campo psicológico, porque ninguém pode comprazer-se na inferioridade, no engodo, na negação dos problemas existentes...
A Parábola do Filho Pródigo é todo um conjunto de lições psicoterapêuticas e filosóficas, de cunho moral e espiritual incomum.

Na sua mensagem não se encontram qualquer tipos de censura a nenhuma das atitudes dos dois filhos, nem reproche ou dissimulação diante das ocorrências. Tudo se dá de maneira natural, em júbilo crescente, porque aquele que estava perdido, foi encontrado, e porque estava morto, agora se deparava vivo.
A alegria de autoconsciência é esfuziante, porque ocorre depois do reencontro, na volta à casa, ao lar, ao abrigo emocional seguro, que é a conquista de paz e da correção dos atos.

O corpo é ainda um animal, algumas vezes insubmisso, que necessita das rédeas da aprendizagem para a disciplina espontânea e o comportamento correto que o direciona de acordo com as necessidades do  self criativo a caminho do numinoso.
O Espírito é herdeiro de todas as experiências que vivencia ao largo das sucessivas reencarnações, sendo natural que, não poucas vezes, predominem aquelas que mais profundamente assinalaram a conduta anterior, ressumando em forma de desejos e conflitos nem sempre identificados.

Por isso, uma análise dos símbolos oníricos, as associações e reflexões com o psicoterapeuta conseguem eliminar as fixações morbosas e as reminiscências angustiantes que se expressam como tristeza, insegurança, timidez, dificuldades de relacionamentos...
A identificação dos símbolos e sua interpretação exigem acuidade psicológica, experiência de consultório e interesse destituído de vinculação emocional, pra auxiliar o paciente no encontro com a vida e no autoencontro, descobrindo a sua realidade.

O manto com que o Pai amoroso manda vestir o ilho pródigo bem representa o apoio, a cobertura afetiva que lhe é ofertada, igualando-o a ele mesmo, que também o ostenta.
A primeira preocupação do genitor é com a aparência do filho de retorno, com os cuidados de higiene e de vestuário, de adorno – o anel – de apresentação, porquanto, agora já não havia razão para permanecer conforme chegara.

Não será admitido como servo, mas como filho que tem direito à herança e ao seu amor.
Por essa razão ele viera do país longínquo de retorno ao lar.

Continua o cap.3 na próxima postagem

Pg. 49-53 de Joanna de Ângelis psicografia de Divaldo Franco
Postagem do dia 23-08-2013.

terça-feira, 6 de agosto de 2013


Integração moral

(continuação)

Nessa fase inicial de despertar da consciência, não existem valores éticos  nem conceitos morais, exceto aqueles que decorrem das necessidades primitivas que ainda permanecem em a natureza humana.
O amadurecimento psicológico lento e seguro propicia a descoberta desses tesouros íntimos que direcionam o comportamento, ajudando a discernir como viver-se saudavelmente ou de maneira tormentosa.
O hábito arraigado de ser-se infeliz sob disfarces múltiplos conspira contra a identificação dos valores morais e a conquista do  si-mesmo.
Eis porque a parábola do misericordioso é possibilidades para a integração dos valores moris esparsos, destituídos até ali de significados real, esquecidos ou em choques contínuos conforme os interesses mesquinhos dos filhos...
Sem dúvida, na análise psicológica de cada indivíduo, ele pode assumir, ora a personalidade do filho pródigo, noutro momento a do irmão ciumento, raramente, porém, se encontrará integrado no genitor compreensivo e dedicado, que reúne os dois filhos, ambos necessitados, sob o manto da bondade e da compreensão.
Essa possibilidade, quase remota, por enquanto, pelo menos durante a fase de ajustamento do demônio com o anjo interiores, acontecerá quando o amor se despir do egotismo, e o símbolo de Eros assim como o de Cupido  adquirirem a abrangência do sentimento universal do amor que integra a criatura ao Seu Criador e a torna irmã de todos os demais seres sencientes que existem.
O Pai compassivo por excelência libera não mais o Filho Pródigo, porém, os filhos que se tornaram saudáveis, apoiados na compreensão dos seus deveres perante a vida e a sociedade, contribuindo em favor do progresso geral.
Nessa fase, toda a herança ancestral do primitivismo antropológico cede lugar à consciência do si-mesmo, proporcionando incontáveis bênçãos de que o ser tem carência, auxiliando-o na conquista da sua plenitude.
Não lhe será necessária a morte orgânica para desfrutar do Nirvana ou penetrar no Reino dos Céus, porquanto já os conduzirá no íntimo, em forma de autorrealização e de tranquilidade.
A doença, o infortúnio, a morte já não o impressionam, porque se dá conta de que esses acidentes de percurso fazem parte do processo de crescimento, e, à semelhança do diamante que reflete a luz da estrela, não lhe ficam as marcas do carvão bruto que era antes da lapidação.
Indispensável, portanto, compreender-se que o Pai deseja encontrar o filho perdido num país longínquo e reabilitar aquele que se perdeu em si mesmo, no país próximo-distante da afetividade doentia.
A integração dos valores morais resulta desse esforço realizado pela consciência profunda que busca a integração do ego imaturo, dando-lhe significado existencial, trabalhando pela harmonia dos sentimentos e dos comportamentos.
Jesus conhecia a psique humana em profundidade, os seus abismos, as suas heranças, os seus equívocos, as suas incertezas, todos os seus meandros, e porque identificava naqueles que O seguiam os tormentos que os infelicitavam, apresentou na parábola do Filho Pródigo o eficiente processo psicoterapêutico para as gerações do futuro, de forma que, em todas as épocas porvindouras, o amor e a compaixão, libertando dos traumas e dos ressentimentos, contribuíssem para a plenificação interior dos indivíduos.
Parte final do cap.3 –FRAGMENTAÇÔES MORAIS-
Do livro, Em Busca da Verdade, ditado pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco.Postado em -06-08-2013.  

segunda-feira, 5 de agosto de 2013


 

O INCONSCIENTE PESSOAL

Do cap 6: A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung; Principais conceitos da teoria Junguiana

O que acontece então com as experiências rejeitadas pelo ego ou que não necessitam ficar na consciência? As experiências que não têm a aceitação do ego não desaparecem da psique, pois nada do que foi experimentado deixa de existir. Essas experiências ficam armazenadas no que Jung denominou inconsciente pessoal.

Jung descreveu assim o inconsciente pessoal e o seu conteúdo:

“Tudo de que sei, mas em que no momento não estou pensando; tudo de que uma vez fui consciente, mas agora esqueci; tudo percebido pelos meus sentidos, mas não notado pela minha mente consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar atenção, sinto, penso, lembro, quero e faço; todas as coisas futuras que estão tomando forma em mim e em algum momento vão chegar ao consciente; tudo isto é conteúdo do inconsciente”. (JUNG, 2000, Vol. VIII/2, §382)

Podemos dizer que o inconsciente pessoal encontra-se em um nível próximo ao ego. É o receptáculo que contém todas as atividades psíquicas que ocuparam espaço na consciência e que já passaram, ou que foram reprimidas ou desconsideradas por diversos motivos. Aparentemente esses conteúdos ficam muitas vezes esquecidos, porque não eram importantes ou porque assim pareceram na época em que foram experimentados.

Quando necessário, os conteúdos do inconsciente pessoal, de um modo geral, têm fácil acesso à consciência. Experiências que passaram despercebidas durante o dia, por exemplo, podem surgir num sonho na noite do mesmo dia. O inconsciente pessoal desempenha um papel importante na produção dos sonhos.

Final do texto sobre o Inconsciente Pessoal – dos Principais conceitos da teoria Junguiana. Cap6 p.139

(o cap. 6 continuará na próxima postagem sobre a psicologia analítica de Carl Gustav Jung . autoria e Iris Sinoti

Livro Refletindo a Alma.- A Psicologia Analitica de Joanna de ângelis

 

O SER MADURO PSICOLOGICAMENTE E A GRATIDÂO (continuação)

Oportunamente, duas crianças, respectivamente de sete e oito anos, caminhavam na direção da escola fundamental sem enunciarem uma palavra, cada qual no seu próprio mundo infantil. A mais velha estava em conflito muito grande porque não conseguia comunicação eficaz com os demais colegas, sendo discriminada pela sua origem humilde, pela cor da pele...
Pararam, antes de atravessarem a rua, porque o semáforo estava com o sinal vermelho. Ao muda-lo para verde, ambas avançaram, mas a sacola abarrotada de livros e de cadernos do mais velho abriu-se e alguns deles caíram, obrigando-o a abaixar-se raivoso e reuni-los outra vez. Nesse momento, o menorzinho, vendo-o em apuros, aproximou-se, abaixou-se também e perguntou-lhe, enquanto agia:
- Posso ajudá-lo? Eu gosto muito de você...
Os dois sorriram e foram conversando na direção da escola.
Passado um quarto de século, quando um cidadão afrodescendente atingiu o topo administrativo de uma grande empresa, sendo elogiado, afirmou no discurso de agradecimento:
Eu devo a minha vida a um garotinho de 7 anos, que um dia me ajudou a guardar livros e cadernos que me haviam caído da sacola ao atravessar uma rua e disse que me queria bem...Naquele dia eu havia resolvido suicidar-me, mas o seu gesto inocente e jovial modificou totalmente a minha vida. A ele, pois, eu sempre agradeci haver sobrevivido, e agora agradeço novamente por haver chegado ao posto em que me encontro, e, por antecipação, por tudo mais de bom que me venha ou não a acontecer...
O sentido de parceria, de acompanhamento e de dependência no grupo social, não diz respeito aos conflitos e aos medos de crescimento, mas a uma necessidade de ajuda recíproca, de participação no grupo social, de vida em ação, de união de interesses em favor de todos e, por consequência, pela sociedade, pelo ecossistema, pela inefável alegria de viver.
Quando Confúcio anunciou a frase “Aja com bondade mas não espere gratidão”, procurou demonstrar que os sentimentos nobres devem estar revestidos de renúncia, sem os interesses imediatistas da compensação, do aplauso, da admiração dos outros.
A gratidão, por isso mesmo, tem um caráter de amadurecimento psicológico, porque aquele que assim age descobriu que tudo quanto lhe acontece depende de muitos que  o auxiliaram a chegar ao lugar em que se encontra.
Quanto custa o ar puro da natureza, a água dos córregos e das fontes, a beleza da paisagem, o clima saudável? Quando o alimento vem à mesa, quantas pessoas participaram no anonimato de toda essa cadeia mantenedora da vida? A realização de uma viagem exitosa, quanto dependeu de pessoas e fatores que não foram observados pelo automatismo da existência? Tudo, enfim, que acontece se encontra vinculado à dependência de um a outro indivíduo ou circunstância que propiciaram esse momento.
Quantos acidentes, desencantos, enfermidades e mortes assinalaram existências que se entregaram às descobertas, à colonização dos países, às transformações que foram operadas para que se convertessem em comunidades felizes!? A todos esses anônimos, a gratidão deve ser oferecida com ternura e gentileza.
O amadurecimento psicológico elimina a negatividade teimosa do ser humano desconfiado e inseguro, que se permite sempre suspeitas de que mesmo a amizade se faz acompanhar de interesses subalternos daqueles que dão ou buscam a estima.
Assim sendo, um grande obstáculo à gratidão madura é o hábito de esperar-se resposta ao ato gentil, de aguardar-se que o outro o beneficiário, reconheça o que recebeu e retribua. Eis aí uma forma sub-reptícia de narcisismo, quando se faz algo e se exige gratidão, ficando-se decepcionado pela ausência dessa resposta, o que induz muitos ansiosos às atitudes infantis de que nunca mais farão nada mais por ninguém, pois que não o merecem. 
Aqui interrompo a transcrição deste texto na p,60, porém aguardem a conclusão na próxima postagem.
Do cap.2 , O MILAGRE DA GRATIDÃO. Livro Psicologia da Gratidão pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

 

INTEGRAÇÃO MORAL (continuação do cap2)

 A parábola, rica dos símbolos arquetípicos ancestrais, é um magnífico processo psicoterapêutico para os que sofrem imaturidade psicológica, os que vivem dissociados no turbilhão dos eus  em conflito.
Enquanto se desconhecem as lutas e não se tem ideia das infinitas possibilidades de crescimento interior, transitando entre os hábitos sistemáticos e improdutivos, as aspirações fazem-se de pequeno alcance, não passando das necessidades fisiológicas, dos processos da libido, das parcas ambições imediatas: comer, dormir gozar e suas consequências fisiológicas...
Os valores morais, embora em germe, permanecem desconhecidos ou propositalmente ignorados.
Normalmente aquele que se encontra perdido espera ser encontrado, quando o ideal é sair da sua solidão no rumo certo por onde deve prosseguir.
É muito comum a busca de Deus pelas criaturas contritas, que se sentem perdidas, embora vivenciando a desintegração dos valores morais, ao invés de predisporem-se a serem por Deus encontradas, avançando na Sua direção.
Na busca, há uma ansiedade e uma luta interior contínuas, há dificuldade de compreender o significado da existência, assim como a razão dos apegos e tormentos, enquanto que, à disposição, ascendendo-se intimamente, liberam-se dos conflitos e abrem-se ao entendimento das ocorrências e à necessidade de experienciar-se os diferentes períodos do processo de independência, para que não permaneçam traumas, inseguranças e insatisfações...
Todo o processo deve ser acompanhado de amadurecimento psicológico, de autocompreensão, de entrega em forma consciente.
A viagem interna, para colocar-se à disposição de Deus é confortável, porque silenciosa e renovadora, enquanto que a busca externa, no vaivém dos desafios e das incertezas, produz o prejuízo do desconhecimento da escala dos valores éticos, assim como a dos significados existenciais.
Quando o Filho Pródigo se apresenta em situação deplorável, rebaixando-se e submetendo-se ao pai, nele há uma grandeza ética fascinante, que o torna elevado, que o dignifica, ao invés de quando parte, carregando muitos valores amoedados e joias, porém, apequenado, porque vazio de objetivos existenciais.
É comum o indivíduo subestimar-se, acreditando que somente terá valor quando possuir as coisas que brilham e que dão realce social, que produzem destaque na comunidade e despertam ambições, invejas, ciúmes. Esse conceito reveste-se do mito infantil de um paraíso fascinante e tedioso, diante da árvore do Bem e do Mal, ameaçadora, insinuando que a descoberta da nudez interior, da pequenez moral, dos medos sub-repticiamente disfarçados na balbúrdia que faz em volta, a fim de não serem identificados, será um terrível mal, porque o atira fora, obrigando-o a rumar para um país longínquo.
Nessa conduta, a insatisfação sempre enche a taça repleta de prazer com o azedume e o tédio, sorvendo sempre mais, e esvaziando-se muito mais, por falta de valores edificantes e legítimos.
As conquistas de fora não conseguem preencher as perdas interiores.
O conflito é inevitável, porque somente quando se é capaz de viver conforme os padrões nobres da solidariedade e do equilíbrio moral, a saúde e o bem estar se instalam no comportamento humano.
Nesse encontro com o perdido – o eixo ego-Sel -  ocorre uma grande alegria, quando o encontrado que se permite integrar no grupo de onde se afastara, percebe que o pai misericordioso – o estado numinoso – sempre esteve ao seu alcance, e a fissão psíquica era o inevitável resultado do processo de busca para a aquisição da consciência.
Todos os indivíduos passam por esse estágio, sendo-lhes necessário proceder à integração.
Pausa na transcrição do texto na p.45, cap2 FRAGMESTAÇÕES MORAIS. Aguarde a continuação do item na próxima postagem.
Postagem do dia 05-08-2013
Do livro Em Busca da Verdade pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco

domingo, 4 de agosto de 2013


Fragmentações Morais

2º Cap.

Despertar do self

Continuação p. 42

A família provém do clã primitivo que se une para a defesa da vida, do grupo animal, sendo um arquétipo de grande força psicológica.
A força do animal que caça encontra-se no instinto da astúcia, no grupo famélico, na agressão automática e simultânea contra a presa.
Desestruturar a família é também desnortear-se.
A reencarnação, com a força de diluir os velhos arquétipos perturbadores e criar outros benéficos, reúne indivíduos de caráter antagônico ou em situação de vingança para resgates, ou afetuosos e bons para fortalecer a evolução e preservar o instituto doméstico.
Aqueles dois irmãos, que não eram antagônicos na aparência, viviam intimamente em oposição, faltando somente o momento de demonstrá-lo.
A paternidade zelosa, o divino arquétipo de Zeus ou de Júpiter, ou de Apolo, ou de Yahveh, todo-poderosos, reúne-os e tenta ampará-los.
O filho jovem era leviano e desperta sob os acicates do sofrimento.
A sandália rasgada, as vestes em trapos, a cabeça raspada, a atitude genufletida diante do pai são os destroços que demonstram o insucesso, o esforço para o recomeço, o entrar novamente no ventre materno para renascer, por isso, voltou para dentro de casa.
Em realidade estava no pátio da casa de seu pai, não se adentrara ainda, não teve tempo nem oportunidade.
O filho mais velho era angustiado e conseguia disfarçar os sentimentos doentios.
Não quis participar da alegria do reencontro, porque isso demonstraria a sua falta de afeição, a sua contrariedade por ter que voltar a competir com o irmão vencido pelo sofrimento.
A oportunidade ameaçava passar sem ser utilizada.
Na existência humana cada momento tem o seu sentido profundo, o seu significado essencial, a sua magia.
A infância dá início ao processo de crescimento interno do Self, entretanto, ele permanece imaturo em qualquer período da existência humana, desde que não tenha recebido os estímulos para desenvolver-se, para desvelar-se em sabedoria e luz.
O primeiro filho demonstrou imaturidade psicológica – a infância.
O segundo expressou pessimismo e depressão, ressumando primarismo emocional, outro estágio da infância emocional.
Entretanto, a terapia saudável para esses males foi o amor do pai, sua compreensão e misericórdia, sua paciência e confiança na força do seu afeto.
Com esse contributo de fora despertou o Self dentro de cada qual dos membros da parábola, de cada criatura que se possa identificar com algum dos membros da narrativa.
A parábola poderia ser concluída, elucidando que o pai devotado levou o filho ressentido para dentro de casa – uma viagem interna ao encontro do Self – e o aproximou do irmão arrependido – Caim ressuscitado!
Assim sendo, olharam-se por largo e silencioso tempo de reflexão, superando distancias emocionais, culminando em demorado abraço de integração dos dois eus num Self  coletivo rico de valores e sentimentos morais entre as lágrimas que limparam as mazelas, as heranças lamentáveis do ego soberbo e primário.
Finalizado o texto: O DESPERTAR DO SELF  do livro: EM BUSCA DA VERDADE do cap 2 Fragmentações Morais p. 42-43
Postado em 04/08/13.

 

A CRISE DA MODERNIDADE E A PROPOSTA PSICOLÓGICA DE JOANNA DE ÂNGELIS

Autor: Gelson L. Roberto

Continuação da p. 56.

A única responsabilidade refere-se à responsabilidade de uma suposta emancipação: a tarefa da conquista da liberdade e da felicidade foi deslocada da sociedade para o indivíduo, ou seja, ela foi privatizada, desregulamentada. Intensifica-se a onda de um individualismo exacerbado, esse neoindividualismo cria um culto ao prazer próprio, um hedonismo no qual o outro figura como um simples objeto.

Lima oferece uma série de reflexões sobre o tema que listamos a seguir: anteriormente, o modernismo era tomado por imagens de máquinas [as indústrias] enquanto que o pós-modernismo é usualmente tomado por “máquinas de imagens” da televisão, do computador, da internet e do shopping center. A modernidade era marcada pela excessiva confiança na razão, nas grandes narrativas utópicas de transformação social, e o desejo de aplicação mecânica de teorias abstratas à realidade. Jameson observa que:

                        “Essas novas máquinas podem se distinguir dos velhos ícones futuristas de duas formas interligadas: todas são fontes de reprodução e não de ‘produção’ e já não são sólidos esculturais no espaço. O gabinete de um computador dificilmente incorpora ou manifesta suas energias específicas da mesma maneira que a forma de uma asa ou de uma chaminé”.

A sociedade pós-moderna irá favorecer o surgimento um hedonismo socializado pela mídia e, de certa forma, respondida pela própria sociedade como sintoma “sociedade espetáculo”.

Na sociedade ocidental pós-moderna, a visibilidade de cenas tende a ser obscena, quando exclui a dimensão da subjetividade e da privacidade das pessoas. Ou seja, anula-se a dimensão do privado, tornando “tudo” público, do cotidiano dos ansiosos por fama dos ex-anônimos do programa televisivo Big Brother, aos já famosos da revista Caras, e, também, aos miseráveis igualmente noticiados e fotografados em decorrência de algum fato jornalístico e tudo que possa virar uma forma de espetáculo.

O mal-estar pós-moderno é visível e trivial, expressado na linguagem do cotidiano do trabalho compulsivo, muitas vezes vendido como se fosse “lazer” ou “ócio criativo”, que gera stress, a perversão, a depressão, a obesidade, o tédio.

A pós-modernidade marca o declínio da Lei-do-Pai, cujo efeito mais imediato no social é a anomia, em que a perversão se vê livre para se manifestar em diversas formas, como na violência urbana, no terrorismo, nas guerrilhas ideologicamente consideradas “justas, “limpas”, ou “cirúrgicas”. A palavra tem origem grega e vem de a + nomos, em que a significa ausência, falta, privação, inexistência, e nomos quer dizer lei, norma. Etimologicamente, portanto, anomia significa falta de lei ou ausência de norma de conduta. A anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. A partir do surgimento do capitalismo, e da tomada da Razão, como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa. A modernidade, com seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se “estar à deriva”, participando inconscientemente dos processos coletivos/sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade.

Este termo foi cunhado por Durkheim em seu livro O suicídio. Durkheim emprega este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica. Algo desse corpo está funcionando de forma patológica ou “anomicamente”. Em seu famoso estudo sobre o suicídio, Durkheim mostra que os fatores sociais – especialmente da sociedade moderna – exercem profunda influencia sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida.

A razão cínica é cada vez mais instrumentalizada. Isto é, não basta ser transgressivo, ou perverso-imoral, é preciso se construir uma justificativa “moral” para os atos imorais ou perversos. Zizek (2003) cita o escabroso caso dos necrófilos, nos EUA, que se julgam no “direito” de fazer sexo com cadáveres. Ou seja, qualquer cadáver é “um potencial parceiro sexual ideal de sujeitos ‘tolerantes’ que tentam evitar toda e qualquer forma de molestamento:  por definição, não há como molestar um cadáver”.
Pausa do texto. p.59. Solicito aguardar a próxima postagem do mesmo texto que é muito interessante.