terça-feira, 5 de maio de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
A GRATIDÃO COMO NORMA DE CONDUTA

Do ponto de vista teológico podemos considerar a gratidão uma virtude como a fé, a esperança, a caridade e outras, assim nos ensina Joanna de Angelis.

Mas, para que se seja grato, é necessário que se tenha fé, que se tenha certeza do significado da vida, dos seus valores e possibilidades, é preciso se acreditar no ser humano, considerando que, numa transição para patamares mais importantes, precisamos de apoio para nos auto superar, e alcançar o degrau da evolução mais elevado.

No ato gratulatório tem-se a esperança  considerando o futuro como meta a ser alcançada pelo exercício dos sentimentos nobres, e a certeza de que vale a pena todo esforço que dignifica.

Enfim o exercitar a caridade na sua essência como o agradecer expressando o amor por ser  vital em qualquer ação moral e espiritual. Sem isso, a gratidão conduz pouco vigor e pouca riqueza emocional.

Cada experiência no caminho da evolução, da mesma forma que com a gratidão, é  amadurecimento psicológico, que traz  harmonia interior e estimula o esforço para o auto crescimento.

O Self  vivenciando os atavismos, se apresentando como herança psicológica, sob a forma de comportamento e até mesmo na sua expressão biológica, se esforça para sublimar sua sombra, ao mesmo tempo influencia o ego quanto a necessidade de autotransformação das metas próximas para as transcendentes.

Desmaterializar as ambições egoicas para transcende-las como aspirações psicológicas profundas dando  significado à vida sob o esforço constante no seu relacionamento com a persona. Se encontra a persona presa aos interesses imediatos de respostas agradáveis, mesmo que não sejam verdadeiras, a persona se satisfaz em manter-se vibrante, ainda que perceba que não consegue esconder as necessidades emocionais daqueles que se submetem ao seu encantamento.

Assumir a realidade, retirando as fantasias e os mitos enganosos, deve ser a proposta do si profundo, por conhecer o que é legítimo e traz harmonia e o que é prazeroso, mas de resultados amargo e doentio para a emoção.

Ninguém pode viver escondendo a sua rearealidaderealirealidaderealidade, porque o realidade por isso o tempo, na sua marcha natural, tira os véus que disfarçam  os contornos da vida e escondem a sua autenticidade.

É essa teimosa fuga de si mesmo que leva as criaturas à conflitos e consequentemente a transtornos no comportamento, com o consumo de energia emocional para parecer, e não no esforço natural criativo e renovador para ser.

Arquétipos novos podem, ser gerados possibilitando os significados da evolução, e os outros os perturbadores vão abrindo espaço para novas formulações trazendo grande alegria pelo seu cultivo.

Ao ocorrer o autoenfrentamento sem receio e como uma ação do autoamor, muitos tesouros da emoção podem ser descobertos e a alegria de viver deixa de ser na busca do consumismo e da troca de quinquilharias para conteúdos de amor, de intercâmbio, de paz e de gratidão.

A gratidão envolve-se de força estimuladora para todos os empreendimentos vitais, tornando-se uma norma de conduta.

Quem é grato, é abençoado pela felicidade, pela saúde, distribuindo ondas de júbilo que o envolvem, contaminando a todos  que se aproximam. Nós nos referimos muito mais ao contágio do mal, das doenças, dos dissabores, da infelicidade. Mas da mesma forma tudo também ocorre no que se refere a alegria, a esperança, a comunicação jubilosa, ao serviço edificante assim como a conquista da saúde.

O convívio com pessoas saudáveis permite impregnar-se de estímulos que já não funcionavam. Diante de alguém que sorri, abençoado pela harmonia pessoal, todos querem alegrar-se também, querem participar do festival do júbilo, da mesma forma que ocorre ao botão de rosas que desata as pétalas, exteriorizando o perfume que lhe é próprio, abrindo-se delicadamente ao Sol.

A ultima etapa da imaginação ativa é  preciso que cada um tenha a sua própria experiência para que as verdades profundas sejam sentidas e se transformem em realidade.
A gratidão, também necessita ser vivenciada, pois ela não se define por palavras, é preciso que o outro a possa sentir  ou entender.

Para Kierkegaard ninguém pode dar a fé ao outro. Porque é uma conquista pessoal, intransferível. É possível, então, crer-se no inacreditável, encontrando-se todos os tabus e superstições presentes no inconsciente coletivo e que assumem realidade na imaginação dos que creem.

Essas heranças arquetípicas encontram-se tão vivas no inconsciente que, quando vem à tona, modificam-se para realidades que impregnam aos que as vivenciam.

Ocorre o mesmo com a gratidão. Como é  uma experiência pessoal, embora também ocorra coletivamente, não é resultado de uma herança arquetípica, mas sim uma conquista do self,  e expressa uma libertação do comportamento egoísta.

Há conquistas que se originam apenas na experiência, embora possam ser sugeridas teoricamente, porém apenas se tornam válidas quando se vivenciadas.

Jung dizia;“que cada avanço, mesmo o menor, através deste caminho de realização consciente, acrescenta muito para o mundo.”

Para que o indivíduo se liberte dos conflitos,  especialmente dos que geram a ingratidão, é necessário que tenha vida interior, que se organize internamente para expressar ao mundo o que quer e alcançará. Não tem porque ignorar-se o conflito, mas antes enfrenta-lo, envolvendo-o nos ideais e aspirações, reunindo a dualidade (gratidão e ingratidão) num todo harmônico, transformando-os em unidade (sentimento de gratidão) que passará a vigorar no dia a dia da existência.

Muitas vezes a gratidão se apresenta como um paradoxo. Por que se há de agradecer, quando se pode ficar no prazer? O prazer cansa, perde o sentido, produz o tédio, exige renovação.

Nenhum prazer tem espaço no consciente sem  uma perfeita liberação do inconsciente, identificação dos fatores que o produzem, as pessoas, as circunstancias envolvidas. Desconhecer  essas condições é se afastar da realidade, que se impõe pela própria razão de ser.

A gratidão, pode parecer paradoxal, por manifestar-se também quando cessa o prazer, quando surgem a dor e a desdita, como sentido natural da vida. Não fosse assim se viveria numa fantasia ativa que vai  alcançar a realidade existencial.

Nenhum paradoxo há, na gratidão em toda e qualquer circunstancia, contrário como sentimento de júbilo pela vida que vibra triunfante.

Consideremos por fim, o enunciado de Nietzsche, quando diz:
“ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio. Ninguém, exceto tu!”

  
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 05/05/2020.

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