quarta-feira, 25 de novembro de 2015


A GRANDE CRISE EXISTENCIAL

Apesar dos conflitos produzidos em muitos pela fé religiosa no passado, principalmente na idade média, em que prevalecia a ignorância, o medo e o poder do clero, o arquétipo espiritual é uma necessidade para o desenvolvimento psicológico do ser. Personalidades psicopatas na maioria, com medo da vida trazendo conflitos escondem-se principalmente nas doutrinas religiosas, ou em outras áreas da sociedade, para esconder os seus dramas, e em nome da salvação, castram os valores intelectuais e a sensibilidade dos crentes, submetendo-os aos seus caprichos e insânia.

Proibindo o que pode trazer alegria de viver, liberdade de pensamento, ampliação do sentido da vida, exaltando a experiência humana, por se encontrarem perturbados invejando os saudáveis. Condenam todo tipo de sofrimento, por covardia que os caracteriza em relação ao autoenfrentamento, preferindo a sombra à plenitude do Self.

Toda religião, no seu significado profundo, busca religar a criatura ao Criador, que seria estabelecer o eixo ego-Self, o ser aparente com o real, trazendo condições de saúde e de paz.

Porém, as mentes sofridas e mal desenvolvidas, os Espíritos angustiados, autopunindo-se, como se os seus corpos fossem culpados pelos pensamentos e conflitos resultado da fissão da psique no anjo  e no demônio, predominando o demônio, causado pelas tendências afligentes não resolvidas, evitavam e odiavam o mundo em atitude masoquista.

É natural que o desenvolvimento da sociedade e as conquistas da inteligência, a partir da industria, da revolução inevitável resultante do progresso, combatessem esse parasitismo emocional e retrocesso cultural, buscando as novas experiências e desmistificando as fantasias das condenações do inferno e das punições divinas.

As filosofias do positivismo, do existencialismo e do niilismo, com segurança, lentamente vem apresentando o lado agradável da vida, as belezas que há em tudo e em toda parte, as oportunidades do prazer e do ter, as novas experiências do conhecimento, atraindo as multidões.

A ampliação dos conceitos do universo e sua grandeza, afastou os antigos fregueses das religiões dos arraiais da fé para o convívio com outro tipo de realidade que desmentia suas afirmações, agora fáceis de ser comprovadas, dando lugar ao cepticismo, à crítica dos seus textos e dogmas, e o inevitável abuso dos excessos.

A hipocrisia religiosa não suportou a realidade dos comportamentos humanos quebrando os limites impostos multimilenarmente, atirando-se com sede excessiva nos usos e abusos de consequências danosas.

Os avanços da ciência apoiada na tecnologia dignificou a vida, possibilitando uma visão otimista e encantadora da vida humana, aumentando o seu poder até tornar-se onipotentes, em que nada se faz sem o seu concurso, considerando-se novos deuses do universo cultural de hoje.

A industria revolucionou os padrões de comportamento vigentes, e o homem submeteu-se às máquinas que criou, tornando-se servos obedientes.

A ganancia de ter mais, ampliou o seu desempenho, fascinando os governos que enlouqueceram pela possibilidade de conquistar cada vez mais, submetendo, lentamente, os demais povos à sua dominação arbitrária, disfarçada ou não, através das falsas ajudas aos países em desenvolvimento, explorando-os e escravizando-os, através da política arbitrária e de mecanismos perversos de controle, por intermédio das suas agencias de espionagem e de corrupção, atingindo culminâncias de glórias e de recursos, como ilhas fantásticas em oceanos de miséria à sua volta. Com habilidade e sem escrúpulo, promoveram as guerras de extermínio, com suas raças prepotentes, ditas superiores pela cor da pele, pelo sangue, pela tradição...

O ser psicológico é livre, mesmo submetido a situações indignas e escravistas. A sombra predomina na conduta, mas o Si-mesmo (o Ser, o Eu verdadeiro),  continua animado pela esperança e aspirações de liberdade e de triunfo.

Tal conflito viu-se em campos de concentração de trabalhos forçados e de extermínio, quando judeus, colocados como kapos, para vigiarem seus irmãos de raça, apresentavam, mais crueldade do que a dos seus indignos comandantes.

Conta-se, momento em que um kapo luta fortemente com um pai, para que lhe dê o filho a fim de ser levado à câmara de gás. No esforço feito pelo pai da vítima, ele grita: - Você não tem filho, para saber o que é perder-se um de forma tão malvada? E ele respondeu, trêmulo: - Sim, eu tenho. Por isso sou obrigado a eleger cinco crianças para a câmara, que me pediram, senão o meu filho vai no lugar...

A sombra alucinada não tem noção da loucura e o ego torna-se de uma crueldade sem limite.

Outro momento foi quando a Polônia sofria o holocausto, quando os sicários solicitaram a um rabino do gueto que selecionasse grande número de judeus para as câmaras de gás, e ele, ameaçado, escolheu o suicídio naquela difícil situação, não se tornando algoz dos seus irmãos. A outro, que o substituiu, foi feita a mesma proposta, e ele viu-se na situação de escolher os que seriam assassinados, percebendo depois que tinha sido ludibriado pelos agentes da crueldade...

Circunstancias tais são de difícil solução, quando o Self (o Eu profundo) perde a medida da sua espiritualidade e deixa-se dominar pelo ego da sobrevivência física ao comando da sombra e dos arquétipos da esperança, da felicidade e do significado passadas aquelas horas sem fim...

A perda do sentido espiritual e religioso produziu seres insensíveis, cruéis sem compromisso com a vida e os valores transcendentais, resultando na situação deplorável da falta de respeito por si mesmos, pelas outras pessoas e por tudo, inclusive a Natureza. 

Esse desvario, num crescendo enlouquecido, proclama o prazer pessoal acima de qualquer circunstancia, solicitando até a morte, quando surja ameaça ao seu ego exacerbado, que pede prazer até a exaustão.

O aborto provocado, que busca libertação da responsabilidade e do trabalho, mesmo sabendo que a coabitação sexual, leva à concepção que poderia ser evitado pelas pessoas egoístas que não querem compromissos e se enganam, pensando no eu insensível, até o momento da solidão e da amargura.

A eutanásia, quando o paciente não quer experimentar o processo degenerativo, os fatores decorrentes das enfermidades, as situações purificadoras pelo sofrimento, exigindo a interrupção da própria existência, em atos suicidas assistidos, ou quando a família resolve interromper a vida de um dos seus membros que lhe exaure os recursos com os procedimentos médicos de alto custo...

Junto a esses inimigos psicológicos da sociedade contemporânea, que sofre os efeitos das amargas decisões, o suicídio cresce em estatística, causado pelo niilismo que tudo leva à consumpção da vida pela morte.

Uma sociedade que mata fetos indefesos, idosos e enfermos irrecuperáveis e justifica-se, como pode tornar-se fraterno e solidário? Como quebrar esse gelo emocional de mulheres e homens interessados apenas no momento passageiro pelo qual transitam, sem pensar na própria situação, logo mais?

Não estranhe a tragédia do cotidiano, a crise existencial que toma conta dos indivíduos e da sociedade.

Uma nova religião psicológica, sem cultos nem dogmas lentamente surge, a partir da visão holística de Jung, que viveu experiências mediúnicas com a jovem prima Helena Preiswerk, no lar, na personificação que o dominava ou outra, revendo-se como alguém do século anterior.

O Espiritismo, doutrina positivista, fundamentada nas experiências psicológicas e transpessoais da imortalidade do ser, da sua vitória sobre a morte, da multiplicidade das existências, respondendo pelo conhecimento arquivado no inconsciente coletivo, oferece as certezas para o avanço do ser que se é, o imago Dei, no rumo de Deus...

Que está acima das descrições bíblicas, que dá uma pálida ideia arquetípica da Sua realidade que supera a conceito antropomórfico, abarcando o Universo como Causalidade e Fatalidade de tudo e de todos.

O autor da psicologia analítica disse com ênfase: - “Através da minha experiência, eu conheço um poder maior do que meu próprio ego. Deus é o nome que dou a esse poder autônomo”, portanto, fora dele e dominante nele.

Para que a culpa apareça, é preciso a presença de Deus na consciência, mesmo sem perceber, porque é através da Sua transcendência que o individuo tem o padrão interno do certo e do errado. Ei-lO, no mais profundo do Si-mesmo.

No livro, o Aion, o mestre diz: - “Cristo é o homem interior a que se chega pelo caminho do autoconhecimento.”

Esse Cristo ou estado crístico conquistado por Jesus, como Médium de Deus, foi alcançado pelo apóstolo Paulo e por muitos discípulos que se Lhe entregaram em totalidade, e ainda pode ser conseguido quando se atinge o estado numinoso, ficando livre dos processos reencarnatórios, das condições penosas do corpo, das imposições da evolução.

Ajudar, a conquistar esse estado, é missão da psicoterapia profunda, trabalhando o ser integral, rompendo a concha grosseira onde a sombra muitas vezes se esconde, para não ser identificada.

Dessa crise existencial que desestrutura o homem, tornado máquina de prazer, que se desgasta e decompõe, surgirá nova proposta de humanização do ser que se levantará da decadência para valorizar o divino  que nele se encontra, dos sentimentos que engrandecem, que elevam moralmente dando real significado existencial, trabalhando-o para que, como célula social, ao transformar-se para melhor contribua para todo o conjunto.

Então, será possível crer-se no mundo melhor, saudável e abençoado, onde seja possível amar e ser amado, construir para sempre sem medo e sem perda, conquistando o infinito que se encontra ao alcance...

Trabalho realizado a partir do livro Em Busca da Verdade, psicografia de Divaldo Pereira Franco,pelo Espírito Joanna de Ângelis. 25/12/2015 


Nenhum comentário: