sexta-feira, 1 de maio de 2015


GRATIDÃO NA CONVIVÊNCIA SOCIAL

O processo antropológico da evolução  retirou aos poucos o ser humano do individualismo egóico, para a parceria sexual por impulso do instinto, para que, depois, a afetividade biológica, desse origem ao sentimento do grupo familiar envolvendo a prole.

Surgiram então os mecanismos gregários para a construção do grupo social, formando a tribo em convivência harmônica, para que, através dos milênios, o instinto pudesse deixar-se iluminar pela razão, ampliando as afinidades no conjunto que seria a sociedade.

Mesmo nesse período tribal, a animosidade contra os demais grupos marcava o primitivismo agressivo-defensivo. Muito lentamente os interesses comuns uniram os que mantinham  afinidades, dando lugar às primeiras experiências sociais.

A beligerância, que lhe era inata originava as guerras cruéis, como ocorre ainda hoje, demonstrando o predomínio da natureza animal sobre a natureza espiritual.

Com a elaboração da sociedade veio a necessidade de preservar cada grupo, dos recursos e valores em tentativas de auxílios recíprocos, de sustentação dos seus membros, de crescimento econômico e cultural.

O self em desenvolvimento (eu profundo, ser espiritual,) foi superando a sombra coletiva, enquanto a individual começou a cristalizar-se, gerando a dualidade de comportamento: o eu opositor ao outro eu.

Animal gregário por excelência, a sua sobrevivência no planeta que o abriga depende da contribuição social, que o leva ao desenvolvimento intelecto-moral, etapa a etapa através das reencarnações.

Alcançando o atual nível de cultura, de civilização e de tecnologia, o sentimento de gratidão pelas gerações passadas deve viger, possibilitando a compreensão das conquistas do vir a ser.

A busca da sua plenitude propele-o à contínua luta pela superação das marcas do comportamento primitivo que ainda se encontram no intimo, dificultando-lhe a autorrealização.

Os sentimentos, substituindo ou modificando os instintos agressivos, ampliam-lhe os horizontes a respeito do sentido e do significado da vida, para que cresça em direção da plenitude.

Conquistando a consciência individual, a razão o leva á contribuição digna em pró da coletiva, ao mesmo tempo que trabalha pela constante renovação e abandono das paisagens mentais em clichês viciosos que se lhe insculpirão, criando hábitos que levam à harmonia de conduta e à alegria de viver.

Teimosamente, a sombra mantém-nos no egoísmo, encarcera-nos nas paixões grosseiras, enquanto o self se lhe opõe, dando origem a uma batalha perturbadora que se transforma em conflito.

O despertar para a vitória dessas amarras não deve ser meta afligente, para se conseguir a pureza espiritual, a conduta irreprochável, a vivencia sem problemas. É inevitável, conforme Kierkegaard, Paul Tillich, Rollo May e outros da psicologia existencial e do socialismo religioso, que estejam presentes na psique e no comportamento do indivíduo a ansiedade, o medo, a culpa, a solidão... Heranças da jornada evolutiva, esses transtornos continuarão por muito tempo ainda até a libertação paulatina e a conquista da individuação.

Merece atenção o corpo emocional do indivíduo, que se encontra enfermo  consequente  da sombra  que o leva a negar tudo que pode modificar os hábitos para melhor, influenciando-o a continuar  na angústia ou na ansiedade, em culpa consciente ou não, numa atitude autopunitiva arbitrária.

Assim como se reservam espaços para os cuidados com o corpo, é essencial que se preserve a serenidade do self (eu profundo, ser espiritual, o si mesmo) com silêncios interiores que propiciem a reflexão e meditação, com diálogos saudaveis com a consciência, numa atitude de preces sem palavras, mantendo vinculo com as fontes da vida.

Somente com esse hábito pessoal é possível superar as conjunturas negativas trazidas pela sombra, sem entrar em luta renhida, assimilando as suas lições e diluindo as perturbadoras para dar espaço ao bem-estar e a resistência para as atividades de autoiluminação e de convívio social nem sempre equilibrada.

Os interesses dos grupos humanos são  vários, gerando atritos e desgastes na emotividade, que pede autocontrole, disciplina da vontade e espírito de paz, para não entorpecer os valores éticos, os significados morais e objetivos da vida, deixando-se arrastar pelos conflitos...

A saúde emocional propicia a harmonia do self, (o ser real, ser profundo, ser espiritual) motivando o entendimento de que o processo de inserção na sociedade cria dificuldades e propõe desafios que melhor fazem o indivíduo crescer para a direção da aspiração numinosa.

Com esse comportamento alteram-se as condições ambientais do planeta, pois tudo que existe interage uma na outra expressão, formando a unidade.

O leve rociar da brisa num jardim liga-se a uma tormenta no lado oposto da Terra, assim um pensamento de amor contribui para a sinfonia universal da harmonia cósmica.

Enquanto se estudam as melhores técnicas para fazer parar e evitar a devastação dos recursos planetários em extinção, a limitação da emissão de gases que contribuem para o lento aquecimento global, o envenenamento dos rios, das nascentes d’agua, dos mares e dos oceanos, a morte e a ameaça de desaparecimento dos vegetais e animais, que culminará na do ser humano, importa refletir sobre a tenebrosa condição mental das criaturas humanas que se demoram nos prejuízos morais e na crueldade.

As ambições desmedidas que tem levado a sociedade à conquista de contínuas tecnologias, sem pensar nos prejuízos à natureza, trazem os milhares de fragmentos de satélites e de foguetes que se desintegram, e os que escapam do aniquilamento no contato com a atmosfera, atraídos pela gravidade do planeta, são hoje o terrível lixo espacial vindos dos grandes engenhos do pensamento ainda confuso sem as reflexões indispensáveis...

As providências que vem sendo tomadas não tem efeito retroativo em relação ao que já se encontra em volta da Terra e não é consumido na sua queda natural na superfície do planeta. Pensou-se que esses fragmentos cairiam sempre nos mares e oceanos, mesmo assim poluindo-os, o que não se  confirmou, porque tem caído em espaços urbanos, no campo e em toda parte...

No quadro de sombra individual e coletiva que domina a sociedade, a gratidão tem papel importante, porque começa na emoção superior do ambiente doméstico, no próprio indivíduo e por fim no si mesmo, amplia-se em direção dos grupos sociais, considerando sempre tudo que a vida tem proporcionado gratuitamente sem pedir nada de volta, apenas que se mantenha o equilíbrio necessário para a continuação do processo de evolução.

Desfruta-se de mil favores e conquistas na encarnação, sem sacrifício e sem nenhuma gratulação em torno do seu significado e das respostas oferecidas.

A gratidão social é resposta do coração feliz pelas excelentes oportunidades de que se frui durante toda a vida terrena.

Com essa conduta, suavizam-se as competições entre os indivíduos e os grupos, as intrigas, as malquerenças, os ódios e os ressentimentos doentios...

Refletindo em torno do grupo social em que se encontra, a gratidão enriquece o self que absorve a sombra sem  antagonizar, e a plenitude se instala no ser humano.

Texto trabalhado do livro Psicologia da Gratidão, escrito pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Publicado dia 01/05/2015

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