segunda-feira, 11 de agosto de 2014


JESUS PERANTE AS EMOÇÕES E LIMITAÇÕES HUMANAS 

Vivenciar aquilo que se diz faz uma diferença substancial, pois proporciona identificação e energia ao que se transmite, estabelecendo uma identificação positiva com o paciente. É que, no processo terapêutico, mesmo que sejamos excelentes técnicos naquilo que realizamos, o nosso inconsciente interfere em nosso labor.
Tudo aquilo que não realizamos em nossa jornada pessoal, o que permanece em conflito na própria psique do psicoterapeuta, também participa do contexto da sessão, a partir das relações que, em Psicologia, são conhecidas com o nome de transferência e contratransferência. A respeito disso, Jung (RUBEDO, 2011) considera que o analista está “em tratamento, na mesma medida em que está o paciente, e o seu desenvolvimento como pessoa é o que será decisivo, mais que o seu conhecimento.”
Jesus, por ser “o exemplo do ser integrado, perfeitamente destituído de um inconsciente perturbador”, Joanna de Ângelis, no livro Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda, p.29, estabelecia uma perfeita relação com seus “pacientes”. Os que O buscavam deparavam-se com um ser integral, que conjugava palavra e ação, pensamento e emoção, numa perfeita identificação com o Pai.
Não se colocava, no entanto, em condição de Superioridade perante os outros, embora reconhecesse Seu valor moral e espiritual. Havia, até mesmo, uma força de atração que fazia com que todos aqueles que desejavam uma sincera mudança Dele se aproximassem, mesmo com o mundo emocional fragilizado, para que pudessem reconectar-se a si mesmos.
Às vezes, não é tão simples para os terapeutas lidarem com as emoções humanas, e talvez por isso, aprendemos nas academias do mundo a manter o distanciamento emocional com o paciente, sendo mesmo vedado, em alguns códigos de conduta, manter qualquer tipo de relação com o paciente extraconsultório... 

como se fosse possível dissociar o humano do social, o ser em si mesmo daquele que desempenha o papel de curador... que deve curar não apenas mediante os conhecimentos acadêmicos e as substancias de laboratório, mas sobretudo através do sentimento de humanidade, de compaixão, de solidariedade...” Angelis, Em Busca da Verdade, p.48 

Jesus, no entanto, o Terapeuta por excelência, participava ativamente da dor dos que se Lhe acercavam, sem que deixasse com isso de propor o medicamento conveniente, a terapia necessária para o reerguimento moral e espiritual.
Com propriedade lidava com Suas emoções, permitindo também que aqueles que O buscassem fizessem o mesmo, deixando que a expressassem profundamente. Proporcionava, portanto, uma profunda catarse que, por si só, ativava recursos terapêuticos. Milênios depois, Freud chegaria à conclusão de que a catarse – trazer à consciência pensamentos e sentimentos reprimidos – seria uma das formas principais de conseguir a cura.
Um dos graves entraves do processo terapêutico é quando o próprio paciente, de forma consciente ou inconsciente, boicota o seu tratamento, camuflando ocorrências e conflitos e dificultando a percepção, por parte do profissional, das verdadeiras raízes dos transtornos. Jesus, no entanto, como assevera Joanna de Ângelis em Jesus e Atualidade, p.7, “penetrava com segurança nos refolhos do indivíduo e descobria as causas reais das aflições que o inconsciente de cada um procurava escamotear.” 

Por isso mesmo, complementa:

toda a terapêutica proposta por Jesus é libertadora, total e sem recuo. Ele não se detém à borda do problema, mas identifica-o, despertando o indivíduo para que não reincida no erro, no comprometimento moral com a consciência, a fim de que não lhe aconteça algo pior...“ Joanna de Angelis, em Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Espírita, p.53

Texto escrito por Cláudio Sinoti, no livro Refletindo a Alma. Postado dia, 11/08/14.

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