JESUS
PERANTE AS EMOÇÕES E LIMITAÇÕES HUMANAS
Vivenciar aquilo que se diz
faz uma diferença substancial, pois proporciona identificação e energia ao que
se transmite, estabelecendo uma identificação positiva com o paciente. É que,
no processo terapêutico, mesmo que sejamos excelentes técnicos naquilo que realizamos,
o nosso inconsciente interfere em nosso labor.
Tudo aquilo que não
realizamos em nossa jornada pessoal, o que permanece em conflito na própria
psique do psicoterapeuta, também participa do contexto da sessão, a partir das
relações que, em Psicologia, são conhecidas com o nome de transferência e contratransferência.
A respeito disso, Jung (RUBEDO, 2011) considera que o analista está “em tratamento, na mesma medida em que está o
paciente, e o seu desenvolvimento como pessoa é o que será decisivo, mais que o
seu conhecimento.”
Jesus, por ser “o exemplo do ser integrado, perfeitamente
destituído de um inconsciente perturbador”, Joanna de Ângelis, no livro Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia
Profunda, p.29, estabelecia uma perfeita
relação com seus “pacientes”. Os que O buscavam deparavam-se com um ser
integral, que conjugava palavra e ação, pensamento e emoção, numa perfeita
identificação com o Pai.
Não se colocava, no entanto,
em condição de Superioridade perante os outros, embora reconhecesse Seu valor
moral e espiritual. Havia, até mesmo, uma força de atração que fazia com que
todos aqueles que desejavam uma sincera mudança Dele se aproximassem, mesmo com
o mundo emocional fragilizado, para que pudessem reconectar-se a si mesmos.
Às vezes, não é tão simples
para os terapeutas lidarem com as emoções humanas, e talvez por isso, aprendemos
nas academias do mundo a manter o distanciamento emocional com o paciente,
sendo mesmo vedado, em alguns códigos de conduta, manter qualquer tipo de
relação com o paciente extraconsultório...
“como se fosse possível dissociar o humano do social, o ser em si mesmo
daquele que desempenha o papel de curador... que deve curar não apenas mediante
os conhecimentos acadêmicos e as substancias de laboratório, mas sobretudo
através do sentimento de humanidade, de compaixão, de solidariedade...”
Angelis, Em Busca da Verdade, p.48
Jesus, no entanto, o
Terapeuta por excelência, participava ativamente da dor dos que se Lhe
acercavam, sem que deixasse com isso de propor o medicamento conveniente, a
terapia necessária para o reerguimento moral e espiritual.
Com propriedade lidava com
Suas emoções, permitindo também que aqueles que O buscassem fizessem o mesmo,
deixando que a expressassem profundamente. Proporcionava, portanto, uma
profunda catarse que, por si só, ativava recursos terapêuticos. Milênios
depois, Freud chegaria à conclusão de que a catarse – trazer à consciência pensamentos
e sentimentos reprimidos – seria uma das formas principais de conseguir a cura.
Um dos graves entraves do
processo terapêutico é quando o próprio paciente, de forma consciente ou
inconsciente, boicota o seu tratamento, camuflando ocorrências e conflitos e dificultando
a percepção, por parte do profissional, das verdadeiras raízes dos transtornos.
Jesus, no entanto, como assevera Joanna de Ângelis em Jesus e Atualidade, p.7, “penetrava
com segurança nos refolhos do indivíduo e descobria as causas reais das
aflições que o inconsciente de cada um procurava escamotear.”
Por isso mesmo, complementa:
“toda a terapêutica proposta por Jesus é libertadora, total e sem recuo.
Ele não se detém à borda do problema, mas identifica-o, despertando o indivíduo
para que não reincida no erro, no comprometimento moral com a consciência, a
fim de que não lhe aconteça algo pior...“ Joanna de Angelis, em Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia
Espírita, p.53
Texto escrito por Cláudio
Sinoti, no livro Refletindo a Alma. Postado
dia, 11/08/14.
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