sábado, 11 de abril de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
A GRATIDÃO A CURTO E A LONGO PRAZO

As emoções são reflexos do self, (eu profundo, Si mesmo, do ser imortal) que exterioriza as construções e ideações mentais.

Quanto mais diluída a sombra, arquétipo que tem maior influencia sobre o ego, mais consciente que se lhe entrega no caminho da evolução, mais fortes emoções tornam-se possíveis. pois como dizia jung,“uma pessoa não se ilumina simplesmente imaginando figuras de luz, mas iluminando a escuridão.”

Ressumando as fixações perturbadoras do inconsciente pessoal e/ou do coletivo, mais imperioso torna-se administrá-las substituindo-as com formulações opostas, que irão superando-as com o tempo, através da repetição. O exercício de qualquer função é sempre o meio para a sua fixação, tornando-se um hábito novo que se registra no comportamento.

Nisso consiste a educação mental que traz a renovação moral.

A saúde emocional é assim, consequência do esforço do self, quando resolve mudar de atitude perante a vida, não aceitando mais os condicionamentos perniciosos, os vícios morais, as atitudes de agressividades e de perturbação.

Os conflitos, que são heranças doentias do ego e da sombra, quando delinquiram, são psicoterapêuticamente transformados em segurança pessoal, em harmonia do comportamento – mente e emoção -, pelo esforço do self abrindo espaço ao bem estar que se expressa como saúde interior.

Por isso o dito: pensa no bem e o bem te acontecerá e/ou pensa no mal e pior te tornarás transformam-se em conduta do self ou ser imortal, propiciando manutenção dos equipamentos delicados da emoção.

O pensamento é dínamo que gera ondas de movimentação da maquina orgânica, exteriorizando-se dos neurônios cerebrais em direção ao sistema nervoso central, que as envia às glândulas endócrinas, e, vibrando no sistema imunológico, por expansão, que repercute no emocional trazendo efeitos equivalentes.

Pensamento é força dinâmica e vital.

O que se fixa no pensamento a vida responde como ideoplastia ou concretiza-se inconscientemente, o automatismo da repetição na mente torna-se responsável pela condução a que o indivíduo se entrega.

Nos fenômenos psicológicos de pequena ou de grande importância, ou qualidade, se traduzem como sentimentos de variada expressão, desde os que consomem as energias, trazendo depressões, distúrbios de pânico, pavores diversos, síndromes de Parkinson e de Alzheimer ou esperança, alegria, equilíbrio, gratidão...

A gratidão moral é muito importante para o engrandecimento do self.:a compreensão da conduta irregular do outro, a tolerância e a humildade pessoal faz reconhecer que cada um se comporta de acordo com o seu nível de consciência e o seu estágio intelecto-moral.

E assim compreendemos que, o perdão real é um gênero de gratidão desconhecido.

Para que o sentimento do perdão se expresse, é  necessário maturidade emocional, compreensão da realidade da existência, respeito ético pelo próximo, cultura da compaixão, sem eles fica difícil de ser exercido.

Quando o amor se expande, o perdão torna-se natural, pois ao expraiar-se a  afetividade supera qualquer limite imposto pelas convenções tornando-se um oceano de generosidade.

Quando alguém guarda o ressentimento com relação ao outro que não lhe correspondeu a expectativa, crendo-se em posição melhor, achando-se merecedor de melhor consideração, realmente se encontra no mesmo nível, porque a mágoa é escara moral de inferioridade e de presunção...

A diferença, entre o que perdoa e o que é perdoado é que quem perdoa está em  patamar superior de evolução, ficando aberto ao retorno do ofensor, sem censura nem reprimenda, que significa o legítimo esquecimento do mal para só se lembrar do bem edificante.

O perdão dignifica aquele que o favorece, pois sente a necessidade de dar ao outro o direito de caminhar conforme suas possibilidades.

A luz sempre dilui sem barulho a sombra da ignorância, da maldade, da perversidade...

A gratidão a curto prazo torna-se verdadeiro automatismo, no receber e no retribuir, no oferecer antes de conseguir, em estar-se livre para a vida.

Já quando, espera-se a retribuição, vive-se a síndrome de Peter Pan, mantendo-se interessado em coisas e negando-se ao amadurecimento, à reflexão, à autodoação que dignificam.

A largo prazo, a gratidão iriza-se de sabedoria para enriquecer a sociedade com as bênçãos do conhecimento e do amor, como resultado de um grande esforço para atingir a meta que lhe permite servir com abnegação e devotamento.

O profissional de qualquer área que aplica largo período da vida preparando-se para adquirir conhecimentos e habilidades específicas para serem aplicadas mais tarde, alcança o patamar da gratidão que ajuda a satisfação pessoal, o progresso dos demais indivíduos e, por extensão, a humanidade.

De maneira pessimista, alguém disse que a Terra é um grande hospital sem perceber que essa conclusão vem de uma visão moral distorcida sobre a realidade, que é sempre promissora e cheia de oportunidades felizes.

Podemos dizer que a Terra é uma escola de bênçãos, onde ocorre o aprimoramento moral do ser na direção do estado numinoso - inspirado e influenciado pelas qualidades transcendentais da divindade, que o aguarda.

Esse estagio é o nível superior de integração do eixo ego-self alcançando a sua plenitude.

Todo esforço, dirigido para conquista do padrão de equilíbrio emocional mediante os sentimentos edificantes consideremos movimento que nos leva ao encontro do si profundo, o ser imortal que somos, o ser real. Transmudando assim experiências perturbadoras em conquistas relevantes, capazes de alterar toda a estrutura do comportamento.

O self possui condições inatas para essa realização, porque procede de conquistas contínuas no larguíssimo processo de desenvolvimento das suas possibilidades de realização plena.
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 11/04/2020.

sábado, 4 de abril de 2020




GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

TECNICAS DA GRATIDÃO

Afirmava Albert Schweitzer que a gratidão é o segredo da vida ele considerava a gratidão como uma condição para se viver feliz.

Ele bendizia a vida, mais do que qualquer outra pessoa, apesar daqueles dias nem sempre confortáveis em Lambaréné, na Africa Equatorial Francesa, local onde mantinha a sua obra de dignificação humana.


Europeu da cidade de Kaysersberg, na Alsácia, quanto se transferiu com a esposa para aquela região hostil, viveu o áspero clima tropical, a elevada umidade no ar na floresta densa, as condições quase inóspitas para alguém que sempre viveu em região fria e civilizada, a falta de recursos para qualquer tipo de comodidade, e, apesar de tudo, manteve o sentimento de gratidão viva em sua vida, cantando louvores a Deus.


Nessas condições desafiadoras é que ele escreveu duas obras importantíssimas: A busca do Jesus histórico e um tratado de ética dos mais belos do século XX.

Expressou a sua ética no conceito: respeito pela vida, que ele defendia com sacrifícios até o máximo possível.

Uma análise das bênçãos que a existência física proporciona seria suficiente para se agradecer por se estar vivo no corpo; pelo ar que se respira; a água, o pão que a natureza fornece, ao lado das maravilhas do cosmo; as noites estreladas, a poderosa força mantenedora do Sol e a tranquilidade magnética da lua, a brisa refrescante, a chuva generosa, a temperatura agradável... tudo que vibra e que merece gratidão.

É certo que existem os desastres sísmicos, os sofrimentos de vários tipos, que também são dignos de reconhecimento, possibilitando a valorização do que é saudável e dignificante.

 Se todos os fenômenos existenciais fossem  agradáveis, não haveria mecanismo, válido para se promover o progresso moral do ser nem o desenvolvimento científico e tecnológico da sociedade.

Mergulhado no escafandro material, o self é candidato a superação das circunstancias, trabalhando-se com afinco para alcançar a plenitude da sua função indestrutível
Inspirando o ego a modificar a estrutura do comportamento, faculta-lhe, ao largo do tempo, a visão inspiradora do desenvolvimento interno, diluindo a sombra que também se lhe torna motivo de conquista de novas experiências, proporcionando-se bem-estar, que é essencial para uma existência compensadora.

A busca dessa sensação de alegria e de satisfação transforma-se num motivo estimulante ao ego, mesmo que relutante, porque a falta desses pequenos prazeres aumenta o sentimento de culpa, frustra a autorrealização, empurra para transtornos complexos e mórbidos, que se transformam em enfermidades orgânicas por somatização.

É nesse combate que surge a necessidade da gratidão, não apenas em relação ao que se recebe, mas sobretudo pelo que é possível oferecer-se, participando do espetáculo da vida em sociedade como membro atuante e não como parasita prejudicial.

Sempre há quem justifique não ter muito para repartir, esquecendo-se que a maior doação é aquela que nasce na grandeza do pouco, como a referencia evangélica a respeito da oferenda da viúva pobre. Mesmo ela tinha algo para doar ao templo, cumprindo a lei que assim estatuía.

Outras dádivas, muito importantes também, constituíam na oferta do trabalho de limpeza do santuário, dos lugares em que os outros pisavam, na conservação dos objetos do culto, nos cuidados reservados a tudo que se referia ao templo, por não possuírem sequer a liberdade, ou porque rastejassem nas situações humilhantes do serviço rejeitado pelos vãos enganadores, falsos e orgulhosos sacerdotes, ricos de presunção e pobres de sentimentos...

A gratidão se expressa também de forma especial, como sendo respeito, consideração, e amizade, simples padrões de comportamento social que devem existir em todo grupo humano.

O hábito de retribuir dádivas restringiu o sentimento de gratidão dele, a beleza emocional. Dividir o que se tem com quem também oferece é passo avançado na psicologia da gratidão. Mas, merece ser considerada a oferta que vem do coração, sem nenhum interesse material que peça retribuição, transformando-se em oferta da gentileza, da alegria de viver, por fazer parte da orquestra viva da sociedade.

Esses gestos espontâneos contribuem para a felicidade que se aspira, gerando situações positivas na existência, por modificarem os sentimentos do gentil doador, que se enche de harmonia, pois o doar é sempre acompanhado pela grande satisfação de assim proceder.

Todos que aspiram alcançar o planalto da saúde e da harmonia é convidado a exercitar-se na arte de oferecer e de oferecer-se.

Em Atos dos apóstolos, entre outros, há um momento encantador, quando Pedro e João saem do Templo de Jerusalém e os pobres, os enfermos, os aflitos estendem-lhes as mãos, suplicando auxilio monetário, especialmente um coxo que aguardava a esmola em moeda.

Percebendo-se sem esses recursos, Pedro, com ênfase, olhando João, disse ao sofredor:

“Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho isto te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3:6)

Ante o assombro geral, o enfermo recuperou os movimentos, soltou os membros paralisados e ergueu-se jubilosamente...

A partir daí, dessa dádiva de amor, as pessoas colocavam os seus pacientes por onde os dois passavam, a fim de que “a sua sombra cobrisse alguns deles” (At 5:15), na expectativa de que os curasse.

Todas as coisas são boas e merecem respeito, mas as que são conseguidas como dádivas do sentimento, que não são compradas, tem valor emocional bem maior.

E assim, ninguém pode se negar de oferecer algo de si mesmo, contribuindo para o bem-estar geral, que começa no ato da oferta.

É sempre melhor dar do que receber, pois aquele que doa é possuidor, e o que recebe torna-se devedor, e uma das maiores dívidas que existem é a da gratidão, porque um socorro em momento especial define todo o rumo da existência, que passa a dignificar-se, a crescer, a produzir, após esse instantes significativo.

Quando se mata a fome ou a sede, oferece-se segurança e trabalho a quem os necessita, doa-se paz e alegria de viver àquele que se encontra à borda do desespero suicida, tudo quanto lhe vem a suceder é fruto daquele gesto salvador.

A dívida, pois, ao que recebeu não pode ser resgatada senão por outra vida.

Conta-se que um indiano, que teve o filho assassinado por um paquistanês, nos dolorosos dias da guerra entre as duas nações, buscou o Mahatma Gandhi e contou-lhe a tragédia que se permitiu, pedindo-lhe ajuda, orientação.

O sábio mestre meditou e respondeu-lhe:
- A única maneira de resgatar o seu crime é educar uma criança órfã paquistanesa como se fora seu filho.

O interrogante argumentou:
- Mas somos inimigos e um deles matou o meu filho.
 Tranquilo, redarguiu o mestre:
- Tornamo-nos inimigos uns dos outros porque isso nos compraz. Somente porque o alucinado matou o seu filho, você não tem nenhum direito de retribuir-lhe o crime, tornando-se igualmente homicida.

O homem, sensibilizado, adotou uma criança paquistanesa e dela fez um cidadão de bem.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 04/04/2020.

sexta-feira, 27 de março de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

DIGNIDADE E GRATIDÃO

Na pirâmide da autorrealização que Abraham Maslow o grande psicólogo apresentou  demonstra de forma cuidadosa uma hierarquia das necessidades humanas, iniciando pelas  fisiológicas, de preservação da vida como, alimento, água, oxigênio.

Para ele o ser humano, lutará sempre para atender essas necessidades fundamentais, em processos de seleção em níveis diferenciados até alcançar o das experiências limites, tornando-se o clímax do processo do amadurecimento psicológico saudável, portanto ideal.

Nessa grande busca, todas as experiências permitem conquistas novas, como  libertando-se de umas alcançando outras como necessidades assim abandonando o plano físico e se transformando em anseios emocionais e idealísticos superiores.

Já o dr. Frankl, adotou a proposta do significado existencial como a mais importante, considerando que, quando se atinge a autorrealização em determinada área, o indivíduo pode continuar incompleto em noutra, porém quando ele, se encontra vinculado a um sentido sociológico, torna-se-lhe mais fácil  o crescimento interior caminhando para a conquista da individuação.


Já Epicuro ensina que; “as pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo”

Nessa atitude epicurista, o ser humano mantém a sua meta existencial, agradecendo tudo que lhe aconteceu no passado e tornou-se-lhe base para as alegrias de hoje, dispondo agora de coragem para os futuros enfrentamentos, certo da conquista da beleza, da ética, da harmonia.


Preparando-se no seu início para a vitória sobre as dores físicas, logo percorre o caminho da coragem ante os insucessos emocionais, morais e as demais vicissitudes, numa atitude hedonista que lhe favorece com alegrias contínuas e uma antevisão do porvir abençoado pela superação das ocorrências que o infelicitam.

Tal atitude reveste-se, de dignidade, desse valor moral que enriquece aqueles fieis aos princípios do dever e da honra.

Sendo a dignidade resultado das conquistas éticas decorrentes dos comportamentos baseados na justiça, na honradez e na honestidade.

Essa conduta digna é sempre a mesma, vigorosa e forte, que suporta as zombarias dos pigmeus morais, não se submetendo ao desconhecimento proposital proposto pelos servos da ignorância e áulicos das situações deploráveis.

Muitos dos desfrutadores das oportunidades mundanas sem o compromisso nem a responsabilidade de alimentar e dinamizar o progresso, sempre sorridentes e parecendo felizes nos carros alegóricos das fantasias, terminam vitimas da síndrome da ansiedade esquiva, que os leva aos conflitos  graves, especialmente porque tentam disfarçar os medos e as angustias que lhes sitiam o self, sem o caráter moral para o autoencontro, que traria o equilíbrio emocional.


 Pascal dizia :“A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos, pois, pensar bem. Nisto reside o princípio da moral.”

Todas as construções começam pelo pensamento, na elaboração das ideias, na área psicológica. Quando a finalidade é o desenvolvimento dos tesouros morais, o pensamento enfloresce-se de corretas elaborações, as elaborações que promovem o bem, abrindo espaço para a conduta moral.

Com esse comportamento que é psicoterapêutico preventivo em relação a muitos transtornos  que são evitados, o ser amadurece emocionalmente, dispondo-se a enfrentar qualquer situações desafiadoras com coragem ética, não se utilizando de expedientes reprováveis para atingir as metas que busca.

Definindo a direção da arte de pensar, surgem as avenidas do bem viver, contribuindo de forma decisiva para o bem geral.

Fica então compreensível a necessidade do comportamento digno, construído e trabalhado pelos pensamentos e as ações saudáveis, incluindo o sentimento de gratidão que se encarrega de envolver tudo nas vibrações da afetividade. Sem essa afetividade que discerne os significados existenciais  e os bens decorrentes da experiência humana, desaparecia o sentido psicológico proposto para a jornada.

O homem e a mulher gratos são elementos decisivos na estrutura da sociedade, que mais se valoriza e engrandece, quando se compõe de seres que dignificam a própria condição de humanidade.

Já o ingrato, por sua vez, torna-se morbo no grupo em que vive, no conjunto social e em todos os grupos em que se encontra.

A sua presunção e conflitos, somados às tendências perturbadoras da inferioridade, trabalham pela decomposição do organismo geral, em que se encontra, como a planta parasita devastadora, que surge frágil e acaba destruindo o cavalo que a hospeda...

A educação com base em princípios de dignidade estatui a gratidão como norma de conduta saudável, sem ela torna-se difícil, senão impossível, a estruturação de um conjunto humano equilibrado.

Receber e não valorizar é um antigo hábito vicioso que se instala desde a infância nos indivíduos, visando sempre o preço, a grife, a aparência, como se tivesse direito a todos os sacrifícios dos outros, sem nenhuma consideração pelo que recebem, não demonstrando gratidão alguma.

Essa conduta egotista trabalha pela indiferença afetiva dos demais, que passam a desconsiderar esses ingratos, afastando-se deles e vacinando-se contra o hábito superior da gratidão... são muitas as pessoas que, após desconsideração dos rebeldes insensatos e cheios de si, desanimaram-se da vontade de bem servir e ajudar, temendo as recusas, os humores negativos, passando a cuidar dos próprios interesses.

Aquele que assim age, que valorizam a ingratidão dos enfermos espirituais, ainda não traz o sentimento nobre consolidado, estando em experiência, em exercício, aguardando resposta favorável do seu gesto. Mas é natural que assim aconteça, pois ninguém atinge o cume de um monte sem iniciar a caminhada pelas suas baixadas...

A medida que ocorre o amadurecimento psicológico e a dignidade atinge alto nível de emoção, nada diminui o comportamento honorável nem o sentimento gratulatório.

Um executivo costumava adquirir o jornal do dia, após o expediente, numa banca defronte ao edifício onde trabalhava. Sempre que pedia o jornal ao responsável, ele o jornaleiro o atirava com mau humor na sua direção, e ele o cliente retribuía o gesto infeliz com palavras de gratidão.

Um dia, um homem que trabalhava junto e que  cansou de ver a cena desagradável, perguntou ao cavalheiro:
- Por que o senhor volta sempre a adquirir o jornal na banca desse estúpido, que sempre o trata mal?

Após pensar um pouco, o gentil-homem respondeu:
- Por questão de princípio. Eu me impus a tarefa de não permitir que a sua grosseria me fizesse fugir ou me tornasse deseducado ou igual a ele, já que sou muito grato à vida por tudo quanto me tem favorecido.

O mal não afeta o bem, mesmo quando ultrajado ou desconsiderado, transforma-se sim no desafio de saúde moral no comportamento social, a fim de modificar, trabalhando por uma nova mentalidade que será estabelecida entre todos no futuro.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 27/03/2020.

terça-feira, 3 de março de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
Heranças perturbadoras

A indiferença moral por tudo que se recebe da vida, dos missionários do passado que contribuíram para os benefícios hoje utilizados como longevidade, conforto, saúde, ciência e tecnologia, repouso e convivências agradáveis, responde pela ingratidão.

O ingrato causa dissabores, sentimento de tristeza ,e desencantos que afetam o núcleo familiar e o grupo social onde se movimenta em ação.

Se a claridade é benção que facilita as realizações, a treva cria dificuldades para as mesmas atividades.

Assim é o ingrato, que respira prepotência e soberba, na sua condição de explorador do esforço alheio.

Um motorista de taxi percebeu que, quando deixou um cliente no aeroporto, ele deixou a pasta que ficou no banco traseiro. Preocupado, o motorista parou na volta para a cidade, parou o carro, olhou a pasta encontrando-a cheia de documentos e de valores. Temendo o transtorno para o desconhecido, fez a volta, acelerando, estacionou o veículo, correu ao terminal, e lembrando-se vagamente da companhia que o senhor apontou, à porta que deveria estacionar, correu na sua direção.

Muito feliz, encontrou o proprietário do objeto que havia acabado de fazer o cheque-in e parecia buscar a pasta entre as que tinha  nas mãos.

Sorridente, aproximou-se e entregou-lhe a maleta com os seus bens.

Ele não esperava retribuição. Estava feliz por fazer o bem. Mas, o passageiro, agressivo e insensível, olhou-o espantado, como se suspeitasse que ele havia guardado propositalmente o seu volume, e não lhe disse uma palavra sequer, saindo rapidamente para a sala de embarque...

O motorista sentiu um frio percorrer-lhe a espinha e uma angustia muito grande.

Meneou a cabeça, e tomou o carro para a cidade.

No mesmo momento em que dava-lhe a partida, outro passageiro sinalizou que necessitava do veículo, ele parou e o estranho entrou no carro.

Pediu o endereço e partiu.

Estava preocupado e, de quando em quando, como se estivesse num monólogo pesado, meneava a cabeça.

O passageiro perguntou o que estava ocorrendo.

Necessitado de desabafo, ele contou o que ocorreu, dizendo ainda:

_ Nunca mais devolverei qualquer coisa que fique no meu carro por esquecimento. E porque sou honesto, não ficaria para mim, mas vou preferir jogar no lixo do que voltar para entregar.

E disse:

_Eu não queria nada, nem o reembolso da despesa que me deu para lhe devolver. Tudo seria para ele somente prejuízo, porque ele nunca saberia onde procurar o seu volume, pois nem anotou o número da placa do meu carro...

Fez uma pausa e concluiu:

__O pior foi o seu olhar severo de dignidade ferida, como a dizer que eu fosse responsável pelo seu esquecimento, ou que lhe furtei a maleta...

A gratidão é combustível para a claridade da vida, como a cera para o pavio da vela manter-se aceso.
A ingratidão é bafio pestilento que contamina os outros com os seus miasmas podendo fazê-los semelhantes.

Por que alguém se atribui tanto mérito que não tem algumas palavras de agradecimento pelo que recebe? Onde está a sua superioridade que exige que os outros é que estejam sempre dispostos à servi-lo?

A ingratidão é síndrome de atraso moral e de perturbação emocional que infelizmente sempre grassou na sociedade de todos os tempos.

Herança perturbadora, que procede dos atavismos iniciais do processo evolutivo, mantem o indivíduo no estágio de predador e está demonstrado que o ser humano é o maior dentre todos os outros, causando sempre prejuízos à natureza, à comunidade, à família e a si próprio...

Esse patrimônio infeliz faz parte do conjunto de outros vícios morais e espirituais que fixam as suas vítimas no atraso social. Sombra perversa, prejudica o discernimento do self, demonstrando o estágio ancestral em que o indivíduo se detém. Presente em pessoas que  muito simpáticas em relação aos estranhos, com o fim de os conquistar, e são grosseiras com aqueles com os quais convivem, que as ajudam em silencio e dignidade, e que os detestam, porque lhes reconhecem a superioridade. A ingratidão descende da inveja mórbida que não consegue perdoar aqueles que tem recursos superiores aos que conduz. É rude de propósito, porque não podendo igualar-se, gera perturbação e desconfiança, para puxar para baixo quem se lhe encontra em situação melhor.

Egotista, o ingrato só sorrir quando busca lucro e apenas é gentil quando espera projeção do ego.

Sob o ponto de vista psicológico, a ingratidão é síndrome de insegurança e de graves conflitos íntimos que aprisiona o ser atormentado.

A gratidão deve ser treinada, para que se possa ser vivenciada.
Como as heranças perturbadoras predominam nos comportamentos humanos, pela duração do período em que se estabeleceram, é necessário que novos hábitos sejam fixados, substituindo os negativos, até poderem transformar-se em condutas naturais.

O convívio social torna-se, muitas vezes,  difícil, por causa dessas heranças perversas do ego, que recalcitra em abandoná-las, satisfazendo-se na censura, quando podia educar, na acusação, quando seria melhor socorrer, na maledicência, quando se torna perfeitamente viável a referencia enobrecida, desculpando os acidentes morais do próximo.
O ser humano está em constante evolução como tudo no planeta, melhor dizendo, no universo. Não há uma lei de estancamento, que  conspiraria com o fatalismo da evolução e do processo ininterruptos.

Tudo evolui, passando por muitas etapas do programa de crescimento.

Sob o ponto de vista moral, esse mecanismo proporciona sempre conquistas novas, enriquecimento interior se o indivíduo encontra-se lúcido para o registro em cada etapa, para a alegria e gratidão pelos novos passos que mais o aproximam da meta proposta, que busca alcançar.

Transformar, portanto, essas heranças doentias em experiências renovadoras é uma das metas a que se deve dedicar todo aquele que aspira ao bem, ao belo, ao amor, à vida...    

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/03/2020.

sábado, 8 de fevereiro de 2020



GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
A AQUISIÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA
A essência do ser humano é o self  que se origina no Divino Psiquismo
O grande desafio na caminhada evolutiva do ser humano, é a busca da dignidade humana,  culminando no sentido existencial até alcançar a sua transcendência.
Como se fosse um diamante bruto, no seu começo, ele passa pela lapidação até alcançar a transparência que o torna uma estrela brilhante.

Etapa a etapa, no processo de desenvolvimento, vão surgindo o ego, a sombra, as expressões da anima e do animus, no momento encontram adormecidos, para os sintetizar numa grande harmonia, como no princípio, quando unidade...

a unidade no seu começo era grotesca, sem discernimento, um conjunto que se deveria expressar, como a semente necessitando dos fatores mesológicos para desabrochar a vida em latência.

Conforme houve a sua fissão, que permitiu o surgimento do ego, surgiram os outros arquétipos com o predomínio da sombra responsável pela situação de ignorância que permaneceria por todo o seu desenvolvimento.

Adquirida a consciência, mesmo quando na  fase embrionária no reino animal, em forma de uma inteligência primária, o discernimento entre o certo o que produz prazer e gera bem-estar emocional e o errado que traz sofrimento e desgaste, vindo assim o bem e o mal, abrindo espaço para as necessidades de elevação, de mudança de patamares que deveriam ser vivenciados, até alcançar a harmonia entre os opostos: o yang e o yin. Significando yin escuridão, yang claridade.

Essa identificação entre as duas partes diferentes numa unificação de identidade representa a benção da sombra no self, que após os resultados positivos desse conhecimento dilui-a, absorvendo-a num processo de assimilação dos seus conteúdos, transformando os chamados obstáculos em impulsos para conquistas maiores.
                                            
Nessa ampliação de percepções éticas, descobrindo-se a ética moral, a necessidade de conduta digna logo apresenta-se no self,  que passou a vivenciá-la superando aos poucos as síndromes perturbadoras dos mecanismos inferiores que foram ficando na história do passado.

Essa dignidade,  supera algumas convenções sociais em que predomina a sombra, em consequência dos interesses mesquinhos vindos do comportamento das pessoas.

Nessa conduta, o egoísmo prevalece, como consequência dos conflitos que marcam os medos, disfarçados as desconfianças inquietantes, as inseguranças e as culpas não absorvidas, as  invejas, formando como um pano de fundo para os esconder, vivendo-se as manifestações da persona em prejuízo do si-mesmo...

Tais convenções também são responsáveis por alguns transtornos nas constituições emocionais frágeis, que reclamam da falta de possibilidade de participação nos aglomerados vitoriosos, barulhentos, de embriaguez dos sentidos, que os marginalizam e os isolam nos guetos onde se escondem, infelizes...

A dignidade humana é o degrau moralizado e emocional tranquilo que o self, como representação do objetivo do homem inteiro, na realização da sua totalidade e da sua individualidade, com ou contra a sua vontade.

Sendo a sua dinâmica o instinto, que cuida para que tudo o que pertence a uma vida individual, esteja ali, com ou sem a concordância do sujeito.

Ele o alcança, após a superação da sombra, buscando alimentar-se na psicologia de Jesus, aquele que reverteu os padrões éticos dominantes no seu tempo, com novas propostas de integração no pensamento cósmico.

Até Ele enunciar os postulados da autoedificação moral, o vencedor era sempre  aquele ser agressivo que anatematizava o outro que se lhe submetia pela força, pelas manobras, que era derrotado e submetido a humilhação, ao desdouro social.

Com Ele, o verdadeiro   vencedor é aquele que se autovence, superando as paixões primeiras e conflitivas do ser fisiológico, dos primórdios do ser psicológico, todo dúvidas e angústias, para se apresentar em equilíbrio, mesmo quando as circunstancias não sejam as melhores.

Com Ele, a vitória máxima de um ser humano é a conquista da capacidade de amar e de entrega aos ideais de nobreza que o promovem a uma situação psicológica mais feliz e resulta na constituição de um grupo social sem sombra e sem desarmonia.

Ele demonstrou que a finalidade existencial que deve atrair o ser humano encontra-se no sentido da autoiluminação, da superação dos próprios limites, num continuum  incessante que leva à paz.

A dignidade, portanto, é esse valor conseguido pelo próprio esforço que destaca o indivíduo do seu grupo pelos valores intrínsecos de que se investe, tornando-se líder e possuidor da honra e da posição especial conseguidas através dos tempos.

Mas isso não o deixa arrogante ou vaidoso, o que significaria estar escravizado à sombra, nem o deixa diferente na maneira de conviver com as pessoas.

É simples, porque integro, manso, mas não conivente com os comportamentos heterodoxos, pacífico, mas não leniente com o ultraje ou o crime, humilde, sem preocupar-se de andar em molambos nem descuidos da higiene com o corpo, que reconhece ser o corpo o sublime instrumento para a sua evolução.

Quem poderia se apresentar com a dignidade de Jesus,
ultrajado mas não ultrajante,
vencido mas não submetido,
crucificado e com os braços abertos simbolizando um infinito afago dirigido a todas as criaturas?!...

... E quando tudo indicava que se encontrava destruído, Ele ressurge da sepultura em momentosa manhã de imortalidade.

O self  que se cobre de dignidade exterioriza todo o sentido profundo da lei da gratidão e da sua psicologia
que exalta a vida, que a fomenta e
a mantém em todas as fases e circunstancias em que se apresente.

Nos conceitos sociais de hoje, a dignidade tem sido confundida, com o poder político, econômico, religioso, comunitário, legislativo, governamental...
Por isso se confunde destaque exterior com enriquecimento íntimo de valores transcendentais.
Por isso também aqueles que atingem lugares de relevo na sociedade acabam decepcionando as massas que esperam deles outros comportamentos e não os que apresentam nos seus grupos da corrupção, de desmandos, de acobertamentos dos crimes praticados pelos seus comparsas.

Não é a posição que define, pois podemos encontrar dignidade em alguns indivíduos que alcançaram esse destaque, especialmente naqueles que vivem no desconhecimento das massas, os anônimos e nobres construtores da humanidade melhor.
Mantendo a herança do passado como advertência registrada no inconsciente profundo, o self sempre cresce, graças à  compreensão do que é de valor real em relação aos que são aparentes.

Qualquer situação que se vivencie e que se ligue a erros do passado vem a lembrança inconsciente e logo se recompõe, toma comportamentos diferentes através dos quais não se permite mais a instalação da sombra que já foi superada.

Há uma necessidade urgente da construção da dignidade humana em todos os passos da vida física e da gratidão envolvendo cada sentimento que se exterioriza do ser, tornando-se doce e suave encantamento enriquecedor.
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 08/02/2020.

domingo, 5 de janeiro de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

A psicologia da dignidade
sendo um ramo da ciência que estuda a mente e os processos mentais, no que se relaciona ao comportamento do homem e de outros animais

Algumas escolas psicológicas creem que o indivíduo nasce plasmado pelos fatores genéticos, - (transmissão de caracteres hereditários no indivíduo, tornando-se fatalmente o resultado da programação hereditária) -. Ainda negam a contribuição da educação na sua transformação moral, quando ele traz tendências perturbadoras e responsáveis pelo comportamento alienado ou desastrado, dócil ou afetivo, pacífico ou violento...

Não se pode negar a importância da genética na construção do aparelho fisiológico, o indivíduo é, antes de tudo, o self responsável pelos seus conteúdos psíquicos, o Espírito, que herda de si mesmo as experiências vivenciadas em existências passadas.

Não é a concepção fetal o momento da criação da psique, nem é a morte biológica o fim das suas funções, o ser energético e pensante evolui lentamente, como aconteceu com as formas biológicas desde os ensaios estranhos, - que sugere riso, descrença - dos seres primários que se tornaram os primeiros protótipos da atual organização humana... pode-se recuar a esse período das primeiras expressões moleculares no fundo dos oceanos, quando fascículos de luz, que vieram de outra dimensão, mergulhando nas águas salgadas, passaram a estimular as referidas moléculas formando os organismos unicelulares, ordenando-se em expressões pluricelulares e seguindo o processo evolutivo...

Esses mesmos fascículos de luz desenvolveram-se no que viria a ser a energia vital, o psiquismo animal, o ser espiritual do período de humanidade...

Por isso, não são, os caprichos dos genes, que como unidade fundamental, física e funcional da hereditariedade, constituída pelo segmento de uma cadeia de ADN que determina a síntese de uma proteína; cístron, que formam o ser, as suas características físicas, emocionais e psíquicas, embora a sua prevalência, mas é o Espírito que neles imprime as necessidades de desenvolvimento intelecto-moral.

a educação então desempenha um papel de alta relevância no seu desenvolvimento cultural, emocional, comportamental, trabalhando-lhe os valores internos e impulsionando-o à conquista do infinito.

A aquisição de hábitos saudáveis, os  considerados edificantes e produzem harmonia emocional no grupo social,
a transformação das tendências agressivas e dos sentimentos de baixa estima para melhor,
o esforço para qualquer realização
dão-se por intermédio dos processos educativos, especialmente os de natureza moral, que são os exemplos, ao mesmo tempo que, através do estudo, ocorre o desenvolvimento cultural e intelectual, numa soma de valores que enobrece o ser humano.

É a educação, no seu sentido lato, que cabe, portanto, a grande tarefa de construir o homem e a mulher melhores e mais sociáveis, desenvolvendo nele os germes do amor e da dignidade, levando-os a progredir espiritualmente, tornando-se úteis à comunidade, após transcenderem os limites egóicos, quando lhes é possível a consciência de paz e dos valores éticos que constituem a vida pensante.

Se houvesse o fatalismo genético sem chance de mudança, o significado do progresso desapareceria, permanecendo a brutalidade ancestral, o primitivismo arbitrário, sem as luzes do saber, do comportar-se, da autoiluminação. E, nenhuma das doutrinas científicas e filosóficas teria razão de existir, porque a psique não teria capacidade de as assimilar, na sua condição de independente dos fenômenos fisiológicos automático.

Não há duvida da força do deotropismo no universo como fonte convergente de tudo e de todos.

Assim como a luz atrai os vegetais vitalizando-os e auxiliando-os nos milagres que começam na germinação e vai até a inflorescência e frutificação, a atração de Deus como Criador torna-se o poderoso estimulo para os fenômenos que ocorrem em toda parte.

Fonte inesgotável de energia, é a causalidade transcendente de tudo...

Lucigênito, o ser humano, avança pelos complexos processos e mecanismos da evolução, na busca do estado numinoso, da perfeição que lhe é o destino.

Uma ordem moral, em consequência, responsável pelo equilíbrio galáctico vige no cosmo e manifesta-se em tudo como lei de progresso que comanda o desenvolvimento ético e espiritual, nada escapando a sua ação de convergência.

Por tal razão, a evolução é inevitável, incessante.

Bastem alguns instantes de reflexão em torno da vida em todas as suas expressões e se perceberá essa fatalidade iniludível, que se manifesta no impulso inicial, facultando a complexidade das formas e das apresentações, fixando a sua historiografia caracterizada pelos fenômenos cada vez mais nobres e melhores, estruturados em incessante desdobramento.

Nessa progressão não ocorre, qualquer retrocesso, de retorno aos momentos caóticos do princípio, nos quais, de alguma forma, sempre houve ordem...

Essa ordem moral foi detectada no século XIX, entre outros, pelo teólogo inglês,  Mestre em Oxford, C.S. Lewis, que a chamou de lei moral, e assim evitando a designação de Deus, que desagradava os cientistas da época..,

Com esse conceito, Lewis, o eminente pensador estabeleceu o conceito presente na lei do comportamento correto, que sugere a melhor conduta para as situações mais diversas, baseada na ética do bem, filho do dever. Propôs então o conceito do certo e do errado, que é universal entre as criaturas humanas, apesar das diferentes manifestações encontradas entre os  primitivos e os civilizados, efeito natural da lei de progresso.

Allan Kardec, o estudioso dos fenômenos da vida e da imortalidade,  também detectou a lei natural, que é a lei de amor, que vem de Deus, e apresentou um complexo e completo esquema sobre as dez leis morais que dela se derivam, abarcando tudo que é necessário para o estabelecimento da psicologia da dignidade humana, do comportamento correto.

Kardec começa com a analise “Da lei divina ou natural” e termina com a “ lei de justiça, de amor e de caridade”, para deter-se num estudo pleno “Da perfeição moral”, que antecede os esforços da psicologia junguiana estabelecendo o instante pleno da vida aquele que se refere à individuação, ao estado numinoso.

O insight kardequiano encontrava-se em germe no universo e todos que sintonizavam com as leis cósmicas igualmente o captaram, vestindo a ideia conforme as próprias características emocionais, culturais, religiosas.

Nesse grandioso edifício filosófico de natureza moral ressaltam os valores que dignificam a existência da vida na Terra, o natural esforço de cada criatura humana para a superação dos vícios ancestrais e a aquisição das virtudes, que são as realizações edificantes do processo evolutivo.

Todas as propostas da vida humana estabelecem a ética do comportamento correto, considerando a lei,  de causa e efeito,  que demonstra a harmonia em tudo, concedendo ao ser pensante o livre-arbítrio, mas também a responsabilidade dos seus pensamentos, palavras e atos, pois sendo ele o semeador ele também é o ceifador de tudo quanto ensemente.

Esse impositivo estabelece o princípio da consciência, da responsabilidade que abre campo para a instalação da culpa ou da tranquilidade, conforme o comportamento de cada indivíduo.

Somos todos livres para as condutas mentais, emocionais e morais que nos aprouver, contando também com as suas consequências.

É preciso, portanto, a manter a lei moral, que conduz a uma conduta psicológica saudável.
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 05/12/2020.