segunda-feira, 30 de setembro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

 A TRADIÇÃO E A PERDA DO SENTIDO EXISTENCIAL

A tradição por muito tempo, essa transmissão oral da cultura, dos hábitos, que passa de geração a geração, era um princípio ético que se deveria ser respeitado a qualquer preço, por fazer parte do passado, tornando-se assim um paradigma da evolução.  Mas, nem tudo que a tradição tem transmitido merece a consideração que lhe é dada, sem passar por uma avaliação empírica, pela experiência e observação, pelo menos, no seu significado.

O valor dos conceitos morais não pode ser dado  a uma tradição que se baseia na castração e na violência à liberdade de pensamento, de expressão, de idealismo, submetendo todas as questões ao aceito e tido como digno de respeito.

Na educação doméstica, por exemplo, o temor a Deus e aos pais tornou-se uma tradição que a experiência cientifica da psicopedagogia erradicou da sociedade, pois toda forma de submissão pelo medo é punitiva e destruidora, produzindo inimagináveis prejuízos naqueles que a isso se submetem.

Sendo a educação o processo de criar hábitos saudáveis, não se pode permitir  o direito de tornar-se virulenta na observação dos seus preceitos, castigando e impondo-se para ser considerada legítima. Ela deve conquistar o educando por meio dos recursos poderosos de que se forma, especialmente pelo sentido de amor e de dignidade de que se reveste.

Ainda no campo educacional, o respeito aos pais, aos mestres, aos mais velhos era estabelecido pela tradição como a obediência a todas e quaisquer imposições, por mais absurdas que fossem, sem direito a discussão, a analise, a observação racional.

O respeito é conquista que cada um consegue pela maneira de se comportar, pelos atos e palavras, pela convivência e forma de conquistar as pessoas. Quando surgem normas de imposição, violenta-se o livre-arbítrio, o direito de optar-se pela aceitação do outro com todas as maneiras absurdas que lhe são características. Não libera a rebeldia, nem a repulsa, nem a animosidade que resulte da presunção ou da prepotência daquele que se deseja impor. Mas impõe-se o direito de considerar os valores reais que formam o caráter de cada um.

Então, na longa agenda das tradições morais,  vamos sempre encontrar embutida a submissão irracional, a aceitação ilógica violentando a personalidade do outro, daquele que deve ceder sempre.

Há, tradições morais, sociais, religiosas, culturais louváveis, que merecem a melhor simpatia, que merecem ser experienciadas pelos seus significados.

Vamos ver àquela tradição que se refere ao amor que deve haver entre os membros de uma mesma família. Ela procura estabelecer o clima de amizade e de consideração necessário no clã familiar, para que os indivíduos se preparem para a convivência geral com as pessoas pertencentes aos diferentes grupos e etnias. O treinamento no lar, mesmo com aqueles que são inamistosos por diferentes motivos, inclusive pelas experiências, vividas em existências anteriores, auxilia com o comportamento racional quando surgem dificuldades no grupo social e com a real compreensão dos problemas que afligem outras pessoas, tornando-as incapazes para um convívio produtivo.

Sendo o lar um laboratório para a formação da personalidade, do caráter, dos sentimentos, a proposta da afeição reciproca entre os membros da família ajuda no equilíbrio emocional de todos, mesmo que haja diferenças de conduta, de companheirismo, de fraternidade, o que não pode tornar-se campo de batalha, local de ódios recíprocos, desenvolvimento das emoções reativas de uns contra os outros.

O exercício da tolerância revestindo a amizade em predominando entre os familiares supera as antipatias, que possa existir, criando um clima de respeito entre todos, cada um  com a sua maneira de ser.

Há tradições de conduta que valem a pena analisar-se para lhes dar expansão, mas não generalizando-as só por serem remanescentes do passado, quando os valores éticos tinham outro significado.

Desse modo, as tradições absurdas que violentam a personalidade e que ainda vigoram nos locais mais severos e engessados da sociedade, por motivos religiosos ou políticos, de moral suspeita ou de outra ordem, responsáveis pela perda do significado existencial de muitos indivíduos que desde a infância recalcam os sentimentos, as aspirações, e desejam libertar-se, para poderem viver de acordo com os seus padrões ou o daqueles vistos fora do seu círculo familiar.

Torna-se cada vez mais inadiável a conduta do indivíduo que deve ligar-se a si mesmo, demorando-se em analise dos seus recursos e aplicando-os, ampliando o círculo das suas aspirações e lutando, avançando sobre os impedimentos com a tenacidade de quem os vencerá ou os contornará, para encontrar a sua missão, a sua vida, descobrindo a sua transcendência, o significado em relação a outra vida, a outras pessoas, ao mundo em que se encontra. A preocupação aparente consigo próprio tem o sentido de crescimento interior e de desenvolvimento das suas possibilidades para os colocar a serviço dos demais, não se detendo em si, mas avançando na direção do grupo, no rumo da humanidade. Deve ir além do ego, para ultrapassar os limites estreitos da sua realidade. Dessa forma, será fácil o encontro com a transcendência, com a realidade existencial, podendo lutar com dedicação e sem descanso, mas envolvido por fascinante alegria de viver.

Quem assim não procede enfurna-se na autocomiseração, buscando a falsa realização de sentido egoísta.

A vida vale pelo que se lhe pode acrescentar de bom, de belo, de útil, sem a valorização demasiada do esforço para consegui-lo.

O indivíduo necessita de um comportamento cheio de religiosidade, isto é, de convicção interior, não de uma religião formal que muitas vezes o entorpece na ritualística ou na presunção de ser eleito em detrimento dos outros. Pelo contrário, é necessário estimulá-lo a desenvolver a consciência de que todo serviço dignificante e operoso é ato de religiosidade, de entrega emocional compensadora pela alegria de agir e de produzir.

Se for possível unir esse comportamento a uma religião que o impulsione ao crescimento ético e a liberdade de ação fraternal sem impedimento ou preconceito, mais fácil será a conquista dessa transcendência que responde pelo sentido existencial.

Enriquecido de emoções que se renovam em alegria e bem-estar, uma imensa gratidão por existir, por estar apto a servir, por poder contribuir em favor de todos, assoma do íntimo e o veste, iluminando-o, dando-lhe brilho ao olhar e entusiasmo para viver, rompendo-lhe todos os limites, embora anele o infinito.

Nesse esforço fascinante ocorre a perfeita integração do eixo ego-self, o desaparecimento dos resíduos ancestrais, numa renovação que lembra a transformação da lagarta lenta que se arrasta na borboleta leve e colorida que flutua no ar suave da natureza, após o sono que lhe proporciona a histólise e a histogênese...

No processo da transcendência, às vezes ocorre esse letargo, como um desinteresse pelo convencional, pelos impositivos das tradições, uma insatisfação interior e incomoda dos padrões vivenciais, dando espaço ao processo de histólise como uma dissolução ou decomposição do costumeiro estado psicológico para alcançar a histogênese ou seja a formação ou desenvolvimento; emocional e libertar-se do mecanismo pesado que sempre retém o idealista na dificuldade para discernir e encontrar o sentido existencial da vida...

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 29/09/2019.




sábado, 14 de setembro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

A NEUROSE COLETIVA

Fala-se muito de que a nova geração encontra-se desequilibrada.  É como se compreendesse que os sofrimentos que atormenta a essa mesma juventude fossem originados nela mesma na própria geração. Nem percebendo que não há efeito sem causa, e que os transtornos que afligem a juventude de hoje caracterizaram de alguma forma gerações passadas, implantando novos ideais e comportamentos nos conceitos tradicionais do período em que viveram, causando choque na tradição em vigor...

As heranças transmitidas por leviandades e desamor dos mais velhos como; a despreocupação com a família, que vem, já há algumas décadas, passando para plano secundário no grupamento social; os comportamentos egoístas dos cidadãos; o consumismo desenfreado; a busca incessante dos prazeres insaciáveis; a indiferença pelo próximo contribuíram com força para o atual estado de alienação coletiva, que afeta os jovens destituídos de discernimento e de maturidade emocional.

Os esportes, que deveriam representar conquistas psicológicas para catarses emocionais, espairecimentos, renovação de energias, afirmação de valores em relação aos melhores, transformaram-se em campo de batalha, quando as torcidas fanáticas e radicais agridem-se mutuamente, depredam, matam e se matam.

Ressuscitam-se com essa conduta as arenas romanas, onde o prazer era sanguinário e as vítimas sacrificadas inspiravam zombaria em total desconsideração do significado de humanidade...

Nesse clima de desordem psíquica e emocional, as chamadas torcidas organizadas marcam pela internet o lugar para os enfrentamentos, como ocorria nos campos de batalha do passado, e agridem-se de maneira asselvajada, ferindo, humilhando, assassinando, enquanto a sociedade contempla as cenas perversas e a elas vai-se acostumando.

O terror assume proporções não esperadas.

É comum jovens matarem só pelo prazer de fazer algo diferente, para experimentarem emoções fortes, e mais tarde quererem anestesiar a culpa nas drogas, entrando em profunda depressão, mais matando para adquirir novas quotas para manter o vício e matando-se lentamente ou de uma vez, em desespero suicida.

O índice de suicídios em países civilizados é espantoso, vivendo no inconformismo, e o prazer é o único motivo do significado existencial. Em consequência, as taxas de delinquência juvenil em toda parte são imensas e continuam crescendo.

Temos então, instalada a neurose coletiva e destrutiva.

A divulgação infeliz dos dramas e tragédias do cotidiano, pelos veículos de comunicação, ao invés de apresentar propostas salvadoras, terapias preventivas e curadoras, estimula indiretamente os comportamentos frágeis a se tornarem heróis, a se fazerem destacados pela mídia, a desafiarem a cultura e a ética, acreditando no falso martírio que vem da covardia moral e da desestruturação psicológica em que se encontram.

As almas dos jovens encontram-se ansiosas e desorientadas, seguindo estranhos caminhos por falta de um roteiro equilibrado para o encontro com a segurança interior. A educação no lar e a formal, nos institutos em que se lhe dedicam, encontram-se também sem estrutura por serem, aqueles que a propõem, estúrdios e desestruturados, ensinando teoria mas vivenciando os desequilíbrios em que se tornam exemplos vivos, a serem logo, logo seguidos.

Dissemina-se a necessidade de autorrealização e de autoidentificação por processos absurdos e mórbidos que lhes chamam a atenção e os igualam nas tribos em que se homiziam.

A questão é grave pedindo cuidados especiais de todos: pais, educadores, governantes, religiosos, sociólogos, psicólogos, pessoas sensatas que se devem unir, para combater o inimigo comum: a falta de sentido existencial que se estabeleceu na sociedade.

Para se viver com dignidade é preciso que se tenha um objetivo, um sentido ético que se transforme na meta a ser conquistada.

Se buscar a felicidade nos padrões mentirosos do consumismo ou do prazer, fruto do imediatismo, logo surge a decepção e a falta de motivo para novos empreendimentos.

 É preciso, que se desperte em todos a  autotranscendencia, a superação das exigências do ego em sombra para o significado do self imperecível.

A autotranscendencia deve ser sugerida habilmente, não pode ser imposta, ela precisa ser despertada em todas as mentes como o caminho seguro para a harmonia interior, para que a vida adquira sentido de gratidão, de correspondência com os demais, de significados libertadores.

É comum as pessoas perguntarem sobre o significado das suas existências, quando por muitas gerações lhes foram imposta a ponto de se acostumarem a aquela imposição.

No passado, as religiões dominantes estabeleciam que o primeiro filho deveria pertencer às armas, a fim de salvar o Estado, o segundo pertenceria a Deus, servindo à religião e entregando-se-lhe em totalidade, mesmo sem vocação nem desejo. O mesmo ocorreria em relação à filha que deveria servir à Deus, educar-se em serviços domésticos, sendo-lhe negado o direito ao conhecimento, à cultura, porque era considerada como um ser inferior, sem alma, sem discernimento...

O absurdo imposto ressurgiu como hipocrisia,  mediante a qual havia a postura convencional, que a sociedade aceitava, e o desvario oculto, criminoso muitas vezes, a que os indivíduos se entregavam, como forma de sobrevivência à asfixia imposta pela neurose religiosa.

As aberrações  e extravagancias eram praticadas, mas não se tornando crime nem sendo alvo de qualquer censura, desde que não fossem divulgadas...

É natural que esse perverso atavismo ressurja do inconsciente coletivo e pessoal e imponha ao indivíduo a necessidade de que alguém lhe diga qual é o sentido da sua existência. Mesmo quando recorrem a determinadas psicoterapias, inadvertidamente alguns profissionais transformam-se em gurus, respondendo pelas vidas e comportamentos dos seus pacientes, em tentativa de eliminar-lhes as preocupações, o que resulta sempre em mantê-los na ignorância, na dependência doentia, na aflição mascarada de bem-estar...

O valor psicoterapêutico aparece quando começa a libertar o paciente do pensamento do seu orientador, encontrando-se com a sua realidade e descobrindo-se, bem como as  possibilidades de realização pessoal e de objetivos essenciais para o bem-estar.

Tem faltado honestidade e sinceridade intelectual nos formadores de opinião, nos educadores, nos psicoterapeutas da mesma forma problematizados, reservando-se às exceções normais à conduta saudável.

Uma visão nova da vida deve ser instituída por  processos psicoterapêuticos sadios, libertadores da neurose coletiva, trabalhando o indivíduo e depois o grupo social, para tornar  possível a conquista do significado existencial.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 14/09/2019.

domingo, 8 de setembro de 2019




GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

A GRATIDÃO COMO TERAPEUTICA AFICAZ

Hoje vivemos em busca da tecnologia e da ciência e suas descobertas e assim nos dirigindo à rapidez com relação a tudo e a todos.

O tempo, por não se dilatar, passa a ser  responsável por não poder atender a todas as necessidades  nas várias situações.

Os muitos equipamentos eletrônicos que ao tempo que diminuíram as distancias e facilitaram a vida tornaram-se  algozes de quem os utilizam.



Uma correspondência demorava tanto entre o ir ao destino e vir com a resposta ao missivista.

Um telefonema pedia se esperasse bastante tempo para que acontecesse realmente.

O rádio e a televisão, que quando surgiram, eram precários.

Mesmo assim, junto com as outras possibilidades que já existia, desfrutava-se de tempo para os contatos pessoais, para as correspondências, para acompanhar os acontecimentos...

A eletrônica e a cibernética rapidamente tornaram-se responsáveis por melhorar os recursos técnicos e os instrumentos adquiriram maior eficiência, permitindo comunicações imediatas, ao vivo em branco e preto, e a velocidade tomou conta do planeta, tornando tudo instantâneo.

O intercâmbio virtual mudou as paisagens na Terra, deixando o mundo mais belo e mais trágico, os contatos mais rápidos e perigosos, com o excesso de informações e de possibilidades de conhecer-se e de amargurar-se também...

Apesar disso, no computador ou num dos equipamentos modernos de telefonia com outros recursos, como máquina fotográfica, atendimento de internet e e-emails, mapas orientadores do transito, jogos, armazenamento de dados e outros instrumentos. E quando, por acaso, a operação está sendo executada e demora-se por alguns segundos, o indivíduo se impacienta, irrita-se, e quer trocar de aparelho por encontrar-se sobrecarregado...

O consumismo devora as suas vítimas que se lhe entregam indefesos, crendo em gozo, sem o sentido da felicidade, em poder, sem a paz interior.

O ser humano se perturba nesse labirinto de grandezas e de misérias, perdendo a direção pessoal e autoidentificação.

Fascinado pelas facilidades, prende-se a essa tecnologia de ponta e perde a noção da realidade no dia a dia.

Assim vivemos, uma neurose coletiva assustadora.

Desapareceram os limites do organismo diante da possibilidade de recursos para realizações e prazeres ao mesmo tempo, trazendo junto o aumento da criminalidade, causado por mentes perversas e doentes, que por serem invisíveis aproveita dando campo às suas perturbações e delírios mentais.

Sites de morbidez multiplicam-se atraindo os jovens desprevenidos emocionalmente, como presas fáceis da loucura desses psicopatas, que de algum modo por invigilância dos pais que lhes oferecem os equipamentos de comunicação virtual sem as devidas orientações, ou os permite demorar-se diante dos aparelhos de televisão divertindo-se com as películas de sexo explícito e degenerado a qualquer hora do dia ou da noite...

Antes do tempo então ocorre um tipo de amadurecimento psicológico dos jovens, distorcido, mórbido, sem significado dignificante.

Tornando-se adulto antes do tempo, permitem-se integrar tribos e grupos criminosos por desafiarem o status quo, permitindo-lhes transformar os conflitos em sentimentos normais. A astúcia e a perversidade instalam-se no comportamento, levando-os a se tornarem hakers, que invade a intimidade dos outros, contaminando os computadores com vírus, formando gangues ameaçadoras e perigosas.

A loucura assume o papel de normalidade e o perigo ronda a vida.

Essa alucinação torna o indivíduo soberbo, exigente, ingrato, bloqueando o sentimento de amor e de justiça e desenvolvendo nele os instintos agressivos que deveriam ser disciplinados, assim odiando a sociedade, porque  detestam-se interiormente.

Desamados, desde cedo, pelo desinteresse dos pais, com algumas exceções, vivenciam o abandono entregues a funcionários remunerados, pouco interessados pela sua harmonia psicológica e educação moral, e perdem o calor da afetividade que não receberam, vendo, nos pais, apenas como responsáveis pelos recursos da manifestação da vida, mas desligados dos seus problemas, das suas reais necessidades...

Iniciados muito cedo nos prazeres do sexo sem compromisso, os vícios se lhes instalam, a partir dos medicamentos para dormir, para despertar, para se excitar e para se acalmar, passando logo depois para as drogas químicas e alucinógenas.

O desvario invade a sociedade que se equipa de instrumentos eletrônicos para se defender, quando deveria se equilibrar com os sentimentos de amor e de compaixão para manter a saúde e a paz.

Apesar dessas inconsequências do comportamento humano, encontra-se no imo do ser a presença da paz e da saúde esperando oportunidade de expressar-se.

É essencial, buscar o sentido existencial, o amadurecimento pessoal pela reflexão, pelas ações de generosidade, para que se modifiquem as paisagens humanas da sociedade aflita destes dias.

Esse transtorno neurótico destruidora é resultado daquilo que Jung chamou de “o sofrimento da alma que não encontrou o seu sentido”.

Esse sentido não pode ser oferecido por ninguém, nem o psicoterapeuta dispõe de recursos para ofertá-lo, por ser pessoal na sua origem e significado, trazendo o nascimento do sentido existencial que vai sendo desdobrado pelos valores morais adquiridos durante a vilegiatura das experiências no transito carnal.

Cada um precisa descobrir a responsabilidade de ser ele mesmo, como pessoa humana portadora de valores que devem ser multiplicados e vividos como paradigmas de significação iluminativa. Para que se alcance o estado numinoso, é indispensável tornar-se luz desde cedo ou quando possível, permitindo-se que a sua luz se amplie com o  estar consciente, responsável pelos atos, sem temores nem ansiedades afligentes.

Ao compreender que se é responsável por tudo que lhe diz respeito, se instala o significado existencial que lhe tras o dever de tomar posições avaliadoras. Esse dever representa saúde ética e moral, física e emocional, psíquica e espiritual, proporcionando-lhe, desde então, o vir a ser sem traumas nem culpas do passado.

A sombra que dominava o ego dilui-se no self consciente da superação dos desafios.

E assim se encontrar o sentido da vida.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 08/09/2019.

sábado, 31 de agosto de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

SENTIMENTOS DE MÁGOA E DE DESENCANTO

Há, no ser humano, um sentimento perverso e de autodestruição levando-o a guardar mágoas e desencantos, como se fossem importantes para o seu desenvolvimento.

Essa é uma conduta masoquista, na qual o indivíduo se transfere psicologicamente da alegria de ser para a satisfação de sofrer, tornando-se vítima. Não conseguindo, por fragilidade de valores morais, superar as situações mais difíceis, acomoda-se como sofredor, querendo sempre despertar compaixão, quando deveria lutar para despertar o amor.

Numa vida longa percebe-se que as mágoas e os desencantos, por serem muito comentados, parecem mais numerosos do que os momentos de risos, de felicidade, de harmonia, de aspirações belas e generosas...

Se vê muitas vezes que as pessoas preferem a chancela de não amadas à condição de pessoas amorosas.

Lamenta-se uma criatura de nunca ter sido feliz, mas casou-se, tornou-se mãe... Se lhe disser que foi amada, talvez antes do casamento, e que também amou, mesmo depois, quando começaram as dificuldades, escapa logo para a bengala psicológica, perguntando:

- Mas de que serviu, se logo depois vieram as decepções e chegaram as mágoas?

Argumentando que só a felicidade de haver sido mãe, até mesmo sob o ponto de vista fisiológico, enriqueceu-na de momentos de alegria e prazer, corre logo para o falso mecanismo defensivo:

-Deus sabe quanto são ingratos e indiferentes esses ditos filhos...
Nessa conduta doentia, somente foram anotadas as angustias e frustrações, talvez proporcionadas por ela mesma. Assim, o sentido existencial foi transformado em contínuo sofrimento, por causa da predomínio do ego em todos os fenômenos da jornada.

O sofrimento é fundamental em todas as vidas,  ninguém está isento de sua presença, por causa da transitoriedade da organização fisiológica.

O sofrimento, porém, poderá ser examinado sob dois pontos de vista: pelo ego  marcado por complexos inferiores e pelo self  idealista. Pelo ego marcado por complexos inferiores só anotará desencanto e dor, porque os valoriza, sem a consciência de que esse fenômeno é normal e está presente na estrutura orgânica de todas as formas vivas. O segundo, marcado pelo self  idealista procurará extrair os melhores efeitos da reflexão durante a sua vigência, o significado moral, os recursos aplicados para superá-lo ou sofrê-lo sem a auréola do martírio, da projeção do ego renitente ou doentio.

Não é necessária uma condição religiosa para esse comportamento, porque é também logoterapeutica, por trazer sentido existencial ao ser humano.

Muitas propostas filosóficas e psicológicas encontram-se enraizadas nos princípios religiosos mais antigos, que exerceram o papel dessas doutrinas antes que elas fossem formuladas. Com o crescimento intelectual e tecnológico se foram desdobrando, como ocorreu, com a psiquiatria que se ampliou na psicologia e que se multiplicou em diversas escolas do comportamento, de terapia, de estruturação da psique e da personalidade.

Por isso, enganam-se aqueles que acreditam ser a psicologia uma doutrina nova, resultado de elaboração  recente, porque os seus postulados modernos estão embasados  nas religiões da Antiguidade como também nos postulados da filosofia e das crenças populares de todos os tempos.

O ser humano é o enigma de si mesmo e, para melhor entende-lo, sempre houve interesse de conseguir-se a sua interpretação.

As primeiras tentativas foram feitas pelos filósofos que se depararam com o fenômeno da morte e passaram a tentar compreendê-lo, para melhor decifrar os conflitos e os temores que se lhes instalavam.

Por outro lado, os chamados mortos sempre se preocuparam por desmistificar a ocorrência apavorante, demonstrando a continuidade da vida em outras condições vibratórias. Graças a esse interesse, sugiram as primeiras comunicações entre encarnados e desencarnados, que não percebiam a magnitude dos eventos que se lhe aconteciam na intimidade das furnas primitivas onde se refugiavam os perigos... o temor foi a primeira reação emocional ante o inusitado. Para expulsar esses inesperados visitantes, que os assustavam, imaginaram as práticas exorcistas, através de tudo quanto a sua imaginação e sensibilidade acreditavam possuir poder mágico de os libertar daqueles que  desaparecidos pela morte e, mesmo assim, voltavam. Nasceram, então, nessa fase, os cultos religiosos, alguns temíveis, consentâneos com o estágio  antropológico em que estagiavam, sutilizando-se com o tempo até o momento em que foi possível a concepção dos recursos imateriais, de alto significado emocional, como a oração, a prática do bem, o sentimento de fraternidade aplicado em relação a todos, a ação nobre da caridade...

Apesar dessa formosa conquista psicológica, os atavismos perturbadores sempre vem a tona no processo da evolução, sendo necessário que os compreendam e os combatam, com o esforço da autoconfiança, da autorresponsabilidade, da autoiluminação.

A mágoa corrói os mecanismos eletrônicos do cérebro que passa a sofrer-lhe as ondas de energia destrutiva, dando lugar a conexões distônicas no conjunto das reflexões e do comportamento, influenciando os sistemas nervosos simpático e parassimpático, ao lado de outros distúrbios. O ressentimento, portanto, é ferrugem nas engrenagens da alma, que sempre necessitam do lubrificante da confiança e da alegria de viver, facultando bem-estar e alegria pessoal.

Todo indivíduo batalhador, atento ao cumprimento dos deveres, com o tempo mental repleto de ideias edificantes e de preocupações positivas, dispõe de uma grande quantidade de recursos para os enfrentamentos e as incompreensões que defronta pelo caminho. Ninguém transita na Terra por caminhos sempre florido e, mesmo quando existem muitas rosas, há também inúmeros espinhos com a finalidade especial de protege-las.

Desejar-se uma existência física sempre risonha e fácil é imaturidade psicológica, estado de infância não vivida, que foi transferida para a idade adulta, porquanto em tudo e em todo lugar o processo de crescimento é como um continuo parto que proporciona vida, mas que oferece também um quantum de dor.

Todos que atingiram o ápice do equilíbrio emocional e espiritual atravessaram regiões pantanosas de natureza moral entre amigos, correligionários e adversários, sem se permitir permanecer nos redutos venenosos. Igualmente venceram muitos desertos e experimentaram solidão e quase ficaram desamparados. Mas, porque se mantiveram pensando na vitória e não apenas no caminho que deveriam percorrer, alcançaram os patamares róseos do sentido existencial, da vida plena, sem ressentimento, porque perceberam que a alegria sempre esteve presente durante o período áspero de esforço e de sacrifício.

Compreenderam que a semente que pretende ser árvore deve arrebentar-se para alcançar o destino que lhe está reservado. E, ao fazê-lo, veste-se de vitalidade e agita-se de alegria, crescendo e tornando-se bela, até o momento que explode em flores e frutos, sementes e lenho a que está destinada.

Da mesma forma é o ser humano, que necessita experimentar as transformações naturais que o tiram do estágio de criança maltratada para a maturidade de adulto realizado.

Nesse processo encontra-se embutida a gratidão à vida e à oportunidade de ser pleno.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 31/08/2019.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019



GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

SONHOS DE FELICIDADE E SIGNIFICADO EXISTENCIAL

Conquistas e projetos de felicidade iniciam na mente. A mente é muito importante na construção dos valores humanos e do significado existencial.

É preciso sonhar, para que as inspirações do amor sejam transformadas em realidade, enriquecendo assim a vida de atos dignificantes e saudáveis.

A conquista da felicidade vai depender de como se espera ser feliz, de quais os fatores que a proporcionam, da maneira mais eficiente de alcança-la.

Desde que não seja uma aspiração do que é efêmero passageiro e logo se transforma, alterando totalmente o seu sentido, é importante que o ser humano aspire pela harmonia interior, pela aquisição do que lhe é necessário a uma existência honrada, a partir do alimento que nutre, até as questões referentes à educação, à saúde, ao trabalho, ao repouso, mas também ao cultivo dos ideais de beleza que enriquecem o Espirito de estímulos para a continuação das lutas edificantes.

  Nessa busca da realização pessoal, base de sustentação para uma vida feliz, surge o desafio do significado existencial, no momento em que a sociedade vive a pandemia psicopatológica das vidas vazias.


Normalmente se acredita que a felicidade impõe como condição principal o poder que facilita a aquisição de poder e de compra, e de todas as coisas que a complementam. Embora, o numero de vidas perdidas no vazio existencial, por estarem marcadas pelo tédio, pelo desinteresse, seja maior que os poderosos que buscam realização através das fugas psicológicas lamentáveis. Por ser muito fácil conseguir tudo quanto lhes satisfaz, descobrindo aos poucos a perda do sentido existencial, por terem acreditado que seria um efeito da posse.

Essa fuga psicológica, resultado do temor do autoenfrentamento, transforma-se em transtornos de conduta como irritabilidade, insatisfação, melancolia, solidão, por supor que todos quantos se lhes acercam estão mais interessados naquilo que tem do que neles mesmos, nos seus problemas, preocupações e afetividade, que, de certo modo, quase sempre é  real...

Faz-se imprescindível, nesse momento, uma introspecção, uma análise intima de como se encontra o indivíduo, no intuito de descobrir a maneira pela qual possa fruir de realização e de paz, tendo a coragem de fazer uma revisão de conceitos e entregar-se à nova busca.

A felicidade deve constituir o significado existencial, essa busca incessante do amor no sentido mais expressivo da palavra, a entrega efetiva em todas as maneiras de manifestar-se, facultando o preenchimento interior de alegrias e de esperanças, de belezas, de realizações relevantes, de emoções plenificadoras.

A intencional crença de que o amor sempre está vinculado à satisfação sexual deve abrir espaço ao sentimento correto da afetividade ampla e sem tormentos da libido, expressando-se como intercambio de ternura, de equilíbrio emocional, de gratidão.

A gratidão é fundamental no comportamento do amor dirigido a Deus, à natureza e a todas as suas criaturas, animadas e inanimadas, sem e com a benção do pensamento.

Surge então o trabalho que dignifica, essa terapia que acalma, que produz a autorrealização e que promove a sociedade, facultando o progresso sob todas as formas  possíveis.

Quando o ser humano percebe o significado do trabalho na sua vida, amadurece psicologicamente e ama o labor, seja ele qual for, entregando-se sem paixão, mas também sem revolta ao mister de edificar.

Aquele que trabalha e retira do seu esforço a remuneração usufrui a satisfação compensatória da sua dedicação, enquanto experimenta o bem-estar que resulta do estado consciente de que é útil, de que produz benefícios para a humanidade.

O trabalho também nesse caso é como recurso psicoterapêutico para manter a harmonia interior, o prazer de contribuir pelo bem geral.

Dois homens conversavam em uma rua pavimentada de uma grande cidade. Um era modesto operário semianalfabeto, enquanto o outro era um pensador de renome internacional.

Porque admirasse muito a companhia honrosa que lhe estava ao lado, o diligente trabalhador que não trazia títulos acadêmicos que impressionassem, mas que era amado pelos seus valores morais, num momento de entusiasmo durante o dialogo apontou para as lágeas do piso por onde seguiam e disse com  alegria:

- Veja este piso. Fui eu quem o pôs nesta rua, há alguns anos, quando trabalhava numa empresa que servia a Prefeitura local.

Nele havia uma alegria rara, uma gratidão sem palavras pela oportunidade de ter trabalhado em algo que lhe dava felicidade.

E, de fato, as lajes estavam muito bem colocadas, demonstrando a habilidade do obreiro que as arrumara no solo...

Realizado psicologicamente, porque a sua era uma jornada de trabalho e de amor ao que fazia, como corolário do amor que nutria pela família e por todos.

A sombra - (dificuldade, limites, que lhe causam dor)-  nele diluía-se suavemente no self  - (o ser imortal, o espírito)-  consciente da sua realidade e dos seus limites.

Pensa-se que um enfermo, alguém que sofreu  um desastre emocional, ou que sofra dores quase insuportáveis, alguém que sofre saudade de um ente querido levado pela morte prematuramente, vítimas de tragédias e até mesmo aqueles que se encontram imobilizados já não dispondo de um sentido existencial para continuarem vivendo. É é um grande engano, pois o significado existencial se encontra acima de circunstancias felizes ou menos agradáveis, sendo um desafio aos valores morais do indivíduo que, diante do infortúnio, ainda descobre razões para suportar os sofrimentos e ultrapassá-los, considerando tais infortúnios bastante importante e útil para a sua realização interior e sublimação dos sentimentos.

Sentindo-se honrados pela situação de se tornarem modelos para outras pessoas menos resistentes ao sofrimento, tornam-se exemplos da coragem, da permanência na situação em que se encontram, anelando o prosseguimento da vida física ou confiando nos resultados superiores decorrentes do comportamento depois da morte, quando isso ocorrer.

Imortal, o ser psíquico passa de uma para outra dimensão da vida, utilizando-se do corpo físico ou deixando-o, conduzindo as experiências de valor ou degradantes da sua existência orgânica.

O significado, de uma existência madura psicologicamente vai além do fisiológico e continua na direção da imortalidade, em que todos se encontram situados como condição da vida que deu origem.

Se o significado existencial terminasse no corpo  todos os sacrifícios que enobrecem o ser humano perderiam completamente o seu sentido.

O sentimento que predomina nessa e outras circunstancias logo se percebe: é o sentimento da gratidão, filha do amor, do trabalho e da resistência às situações penosas...  

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 28/08/2019.

sábado, 3 de agosto de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
AMBIÇÕES PSICOLOGICAS E TRANSTORNOS DE CONDUTA

Infelizmente, o ser humano renasce hoje  num contexto cultural imediatista, utilitarista, em que os valores reais são colocados em plano secundário sendo a ele exigido conquistar aqueles que são valores passageiros, que fazem parte das coisas materiais.

A formação cultural e educacional destaca como meta os triunfos de fora, a conquista dos recursos que exaltam o ego, que o alienam, que entorpecem os melhores sentimentos de beleza e de amor, que são substituídos pelo poder e pelo ter, acreditando-se triunfador na  sociedade, no setor econômico, político, religioso e outros...

Pouco se pensa na construção interior saudável do ser que (re) inicia a jornada carnal, incutindo-lhes propostas nobres da autorrealização pelo bem, pelo reto cumprimento do dever, pelas aspirações da beleza, da harmonia e da imortalidade. Considerados de significado modesto, que os podem reservar para a velhice ou para quando chegarem as doenças. Essa filosofia da comodidade suplanta a busca do equilíbrio emocional e moral, ficando no padrão dos prazeres sensoriais.

Com esse comportamento, o egoísmo marca o percurso da preparação do ser jovem, registrando na mente que é preciso destacar-se na comunidade a qualquer preço, que o perturba nesse período de formação da personalidade e da própria identidade, tomando como modelo o que chama a atenção: os comportamentos exóticos, alienantes, as paixões de efeito imediato, sem que os sentimentos educados possam fixar-se nos painéis dos hábitos para a construção  da conduta do futuro.

Surgem as culpas que lhe dormem no inconsciente e ressurgem as qualidades negativas, que deveriam ser corrigidas, mas que encontram campo para se expressar através da irresponsabilidade moral e comportamental em uma sociedade leniente, que tudo aceita, desde que esteja nos padrões do exibicionismo, da fama, da fortuna, da passageira mocidade do corpo e da sua estética...

Tem-se também os vícios sociais como forma de participação dos grupos em que se movimentam, como o tabaco, o álcool, quando não se apresentam simultaneamente, abrindo espaço para as drogas alucinógenas e  destrutivo dos neurônios, do discernimento, da saúde orgânica, emocional e mental.

Nessa conceituação, o importante é o prazer, que é considerado natural, normal, alegre, mesmo sendo via substancias químicas devastadoras e de comprometimentos sexuais desgastantes.

A cultura permissiva e cruel, na qual a ética e a moral são consideradas amolecimento do caráter, debilidade mental, conflito de inferioridade disfarçado de pureza, em lamentável ironia contra os tesouros espirituais, únicos que trazem saúde real e equilíbrio.

Lentamente, o exibicionismo do crime que se torna legal estimula ao desrespeito às leis da vida, quando os multiplicadores de opinião e pessoas ditas famosas, mais pela exuberância do desequilíbrio do que pela construção edificante, apresentam-se na mídia para narrar as experiências dolorosas dos abortos praticados, das traições conjugais, das mudanças de parceiro em adultérios chocantes ou relacionamentos múltiplos e promíscuos, como novos padrões de conduta.

Caminhando para a decrepitude que logo chega e se instala no organismo gasto na futilidade e na corrupção, de repente percebem que se encontram no exilio, ao abandono, no esquecimento, com o surgimento de outros biótipos mais ousados e paranoicos, experimentando remorso e fazendo lamentáveis quadros de depressão tardiamente...

Conforme envelhece diminuindo a vitalidade orgânica e a morte se aproxima, quando os não surpreende nas bacanais, nas overdoses, na luxúria e no despautério, desesperam-se e buscam novos escândalos para serem notícias que desapareceram da mídia que os explorou e consumiu, logo se apagando no silencio do anonimato ou sendo estigmatizados pelos novos deuses da ocasião...

Passam a manifestar os transtornos psicológicos, nas áreas da afetividade, da conduta, das emoções.

Sem as necessárias resistências morais para os enfrentamentos naturais que ocorrem com todos os seres vivos, apegam-se à negativa, posição cômoda para justificar a falta de valor íntimo, permitindo que a sombra lhes governe os sentimentos angustiados.
Abre-se-lhes, então, a comporta emocional para a fuga psicológica e a transferência de responsabilidade para os outros, variando de algoz, culminando no governo, em Cristo e mesmo em Deus...
               
Em consequência da necessidade de realizar a compensação interna, libertando-se do auto enfrentamento para se transformar em vítima da família, da sociedade, da vida...

O significado da existência também se encontra no caminho em que se viaja para a meta escolhida como determinante para o bem-estar.

Nesse sentido, é necessário manter-se em atitude receptiva em relação aos dons do existir, tirando os melhores resultados de cada momento, sem angústia nem projeção para o objetivo da luta.

Qualquer indivíduo que busque o bem e o amor trabalha-se interiormente e busca os relacionamentos afetivos ou não, sentindo satisfação a cada momento, porque a experiência de ambos os sentimentos transforma-se em alegria de viver pelos conteúdos de que se revestem.

Há muita coisa no mundo da ilusão de que não se tem necessidade. O apego egóico às quinquilharias, às quais se atribui valor, faz sofrer o ser que as não possui, levando-o a uma permanente inquietação para aumentar a posse, acumulando inutilidades em prejuízo dos bens internos  que enriquecem a vida.

A preocupação em consumir ainda continua, sem valorizar as bênçãos da saúde, da lucidez mental, dos movimentos harmônicos, da afetividade compensadora.

O ideal era que cada um que desperta para os bens imateriais afirmar, sorrindo: “Quanta coisa eu já não necessito! Agradeço, portanto, a Deus, a dádiva de haver superado essa fase da minha existência.”

Vencendo o conflito e o transtorno psicológico, a emoção gratulatória assoma e a satisfação existencial toma sentido no constructo pessoal.

Quando surgem os sinais da gratidão, mesmo diante do que se considera falta ou insucesso, percebe-se a conquista da normalidade emocional e mental do indivíduo.

As cidades antes se celebrizavam pela suntuosidade das suas catedrais, demonstrando o poder e a grandeza. Aqueles santuários vem sendo substituídos pelos shoppings centers e pelos motéis atraentes e perversos...

Houve, de certa forma, a superação da beleza, da arte, da fé religiosa, mesmo que arbitrária anteriormente, para o consumismo, o tormento das aquisições e o relaxamento no prazer sexual de origem duvidosa e de efeitos perturbadores.

Daí vem as crises, cada uma mais forte, até o  indivíduo despertar para a mudança interior, agradecendo o que lhe foi infortúnio, desventura mas que o despertou para a realidade.

Pessoas que tiveram morte clínica e retornaram, que estiveram a um passo da desencarnação por acidentes, que foram vítimas de ocorrências danosas, de perdas significativas, logo superado o período de aflição, mudam de conceituação a respeito da vida e dos seus valores.

E tornam-se agradecidas ao que lhes aconteceu.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/08/2019.