quinta-feira, 9 de março de 2017

Gravitando em torno de Deus

CURAS APARENTES E CURAS REAIS

A cura, no que se refere às diversas enfermidades sempre merecem reflexões que levem a boa direção da saúde.

Quando a doença se instala no organismo, é uma advertência de que algo não está bem, seja no equilíbrio físico, emocional ou psíquico, merecendo cuidados que podem ser tomados de forma que a saúde seja reconquistada.

Diante da constituição tão delicada em que se apresentam os órgãos, há uma interdependência entre eles, que são os conteúdos mentais e emocionais do ser humano.

Qualquer distúrbio que surja em uma área, logo se reflete noutra, mais ou menos correspondente sob o ponto de vista vibratório.

Na raiz profunda, das enfermidades, encontra-se uma necessidade de recomposição moral do Espírito, esperando refazimento emocional, reajustamento interior, renovação de conduta.

Seja desgaste das peças que constituem os órgãos vitais ou estresse gerando aflições, os procedimentos terapêuticos devem estruturar-se em requisitos da harmonia do conjunto e não somente na especificidade do problema.

Compreende-se que o paciente recorra a cura, para liberar-se  da dor, da ansiedade, da insatisfação ou  desconforto de outra natureza.

É necessário, considerar a cura do ponto de vista espiritual e não apenas dos processos fisiológicos.

A recuperação da saúde, nem sempre constitui benção conseguida em razão da maneira como será aproveitada na sucessão dos dias.

Os abusos a que muitas criaturas se entregam, respondem aos problemas que surgem no corpo ou na emoção.

Não havendo mudança dos hábitos, uma transformação de conduta para melhor, surgirão outros problemas ameaçadores e de consequências imprevisíveis.

É comum por parte de muitas pessoas que se recuperam de doenças graves, que consideram a necessidade de desfrutar a vida com avidez, querendo compensar o tempo perdido com a doença.

Esse raciocínio infantil leva a comportamentos extravagantes que implicarão em outras formas de doenças ou recidivas mais graves.

A cura real só é considerada quando o indivíduo tira proveitos demorados da experiência vivida, fazendo programas de saúde que encontrem dificuldade para instalação de novos desajustes.

Para que essa finalidade seja atingida, é preciso se entender a mensagem subliminal do desconforto vivido, significando a fragilidade do corpo e a indestrutibilidade do Espírito, o vazio  de muitos prazeres e o valor de outras conquistas que trazem bem-estar e alegria de viver.

Esse efeito vem do interior para o exterior da criatura, sob a forma de compreensão do sentido existencial e do esforço que fará para preservar o equilíbrio indispensável à manutenção da harmonia, na saúde.


Natanael bem Elias, o paralítico que desceu pelo telhado na casa de Simão Pedro, em Cafarnaum, que se recuperou totalmente da enfermidade que o aprisionava no leito, não seguiu Jesus;   entregou-se às desperdício, que lhe trouxeram outros males, caindo naà morte inevitável.

O cego Bartimeu, de Jericó, que rogou  o socorro de Jesus para a escuridão em que vivia, recuperou a vista, deixou-se arrebatar pelo júbilo, mas não acompanhou o Mestre, seguindo adiante, na busca das atividades normais, até o momento que a morte o arrebatou.

Dos dez leprosos que tiveram as feridas cicatrizadas, só um voltou para agradecer ao Divino Médico, mais sensível do que os ingratos que se foram com pressa. Apesar disso, esse que veio não ficou. Após expressar reconhecimento, também foi na busca dos prazeres, sucumbindo, tempos depois, na morte.

A mulher hemorroíssa, que teve o fluxo de sangue detido, exaltou o Mestre alegremente, mas voltou às suas origens, desaparecendo no tempo e sendo consumida também pela morte.

O endemoniado gadareno, que recuperou a lucidez mental sob o comando de Jesus, que o liberou da Legião de Espíritos infelizes que o atormentavam, louvou o Benfeitor inesperado, mas continuou na mesma cidade onde foi espezinhado e perseguido, mais tarde devorado pela morte.

O cego de nascimento, que teve aberto os olhos para a luz do dia, enfrentou a fúria dos sacerdotes confirmando o prodígio realizado por Jesus; mas, ficou, ali mesmo, desfrutando das comodidades, sem se animar a seguir o Messias, não evitando o destaque, outras doenças e a morte.

O jovem epiléptico, portador de obsessão, a pedido de seu pai conquistou a saúde com a expulsão do Espírito imundo que o atenazava, nem ele nem seu genitor acompanharam o Senhor, após o importante favor recebido, avançando no tempo até que a morte o alcançou.

Muitos foram aqueles que receberam do Amigo Incomum as bênçãos da saúde, da paz, da alegria de viver;  nenhum deles O seguiu, sendo, por fim, libertados pela morte, que alcança a todos.

A saúde real é a que nada interrompe, que não se consome em situação alguma. Acompanha o indivíduo além  da morte, onde desperta em claridade imortal.

Maria de Madalena, porém, portadora de forte enfermidade da alma, recebeu de Jesus a cura real e deu-se-Lhe  totalmente, sendo por Ele homenageada para anunciar a Sua ressurreição e quando a morte lhe chegou, subiu ao infinito em luz.

A mulher adultera, a quem Ele impediu de ser lapidada pelos perseguidores, renovou-se e, acompanhando-O por algum tempo, partiu para longes terras, onde ergueu um lar para os infelizes como ela o foi. Arrebatada pela morte, continuou no ministério de compaixão e amor em nome dEle.

Zaqueu, o desditoso cobrador de impostos, que sofria de atrofia dos sentimentos nobres, ao vê-lo passar e deixando-se tocar pela Sua ternura, recebeu-O no lar, curou-se da cobiça, dos males da alma e, sem O esquecer, partiu para outra cidade, onde abriu um albergue para os sofredores, homenageando-O. Ao falecer, recebeu multiplicados os dons que ofereceu aos irmãos do caminho.

Todos que receberam a cura real para as mazelas do Espírito renovaram-se e se tornaram devotados ao bem, lutando, incansavelmente, pela preservação da saúde plena.


Em qualquer processo, de enfermidade,  a busca da cura deve ser acompanhada do interesse pela conquista dos valores do Espírito, agente de acontecimentos perturbadores.

O esforço para a recuperação da saúde é  fator básico para conquistar a paz, de modo a enfrentar quaisquer situações menos agradáveis com equilíbrio e alegria existencial.

É impossível a vida humana sem as ocorrências que lhe dizem respeito. Portanto, é sabedoria escolher a iluminação interior, para entender todos os acontecimentos e vivenciá-los de modo útil para o crescimento espiritual.

Assim, doença e saúde são duas constantes da existência física, pedindo cuidados específicos para proporcionar os tesouros da evolução de que todos necessitam.    

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, no livro, Libertação do Sofrimento, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 09/03/2017

domingo, 5 de março de 2017

Gravitando em torno de Deus

INDIFERENÇA ESPIRITUAL

Muitas pessoas se encontram engessadas em conduta materialista, embora se encontrem vinculadas a algumas religiões, que mantém indiferença pela vida espiritual.

O conceito de imortalidade do Espírito  lhes parece como algo distante e só para meditar, mas o seu comportamento continua vinculado ao hedonismo utilitarista, distante dos ensinos doutrinários aos quais se vinculam na crença que professam.
Deixam-se arrastar pelo contínuo das ilusões, supondo-se inatingível pelo sofrimento e credoras de todas as mercês concedidas por Deus.

Periodicamente, em automatismo de fé, participam dos credos a que se filiam, sem aprofundarem os conceitos que os constituem, que, certamente, dar-lhes-iam diferente visão da realidade.

Quando surpreendidas pelos fenômenos naturais dos sofrimentos, se revoltam ou deixam-se dominar pelo ressentimento, crendo-se vítimas da injustiça divina, que parece as haver esquecido, como se, em alguma momento, se lembrassem da sua existência. Se permitissem as reflexões a seu respeito, seria bem diferente a forma de conduzir-se, compreendendo que a existência física tem caráter educativo e renovador, e não uma representação no festival da alegria sem-fim.

Algumas trazem bons sentimentos, que os não aprimoram com o exercício da caridade, não fazendo o mal, mas também não operam nas ações do bem, o que lhes dá uma postura de neutralidade, sem que percebam que a ausência da ação do bem já é um grande mal...

Outras são indiferentes a quaisquer apelos em favor da renovação moral, optando a conduta a que se aferram, como se estivessem longe do bem e do mal ou acima de ambos, como uma exceção.

Outras querem aproveitar o tempo no prazer, considerando a brevidade das forças físicas, para depois arrepender-se profundamente por não terem utilizado melhor do patrimônio das horas para a cultura, para a beleza, para as realizações e as experiências nobres.

Muitas se distanciam de qualquer doutrina espiritualista, como se vivessem superado a necessidade de integração no pensamento cósmico, não se preocupando com as necessidades internas que, no futuro, se transformam em vazio existencial.

Entre uma convivência espiritual e um divertimento, escolhem o divertimento, às vezes, gracejando em relação ao primeiro.

Presunçosas, fingem saber tudo e aparentam ter superado as questões de ordem espiritual, que lhes parecem  ultrapassadas.

Uma ou outra vez, estiveram em uma reunião destinada ao tema, e logo se afastam, considerando-o desnecessário, diante da vontade de desfrutar as horas em algo mais imediato.

Algumas, quando conduzidas por amigos interessados no seu despertamento para uma conferencia ou debate, um estudo ou conversação em torno da vida-além-da-vida, demonstram mau humor, cochilam, mantém ar de zombaria na face, demonstrando o enfado que preferem não disfarçar.

Essa conduta mostra o primarismo da sua sensibilidade emocional em relação ao seu futuro espiritual, não se preocupando em saber se o terão ou não...

Vivem satisfeitas com o pouco que conseguiu ou atormentadas pelo muito que gostarão de amealhar para abandonar com a desencarnação.

Mas ninguém foge, de si mesmo, do processo da evolução, e chega o momento em que despertarão, talvez em situação dolorosa, começando a busca do tesouro que as enriquecerá de plenitude...



Espíritos que se comportam indiferentes à fé religiosa, lamentavelmente, não possuem estrutura emocional para os grandes embates que a vida apresenta a todos no curso da vida. Normalmente, quando essas ocorrências aparentemente negativas surgem, tornam pessimistas, pela falta de hábito de confiar e de lutar para conseguir as realizações em plano superior, ou desesperam-se, arrojando-se agressivamente contra, complicando mais a situação que os desafia.

São mais fáceis de tombar diante dos testemunhos do que aqueles que aprenderam a confiar na proteção divina e vinculam-se a Deus através do pensamento, nEle haurindo força para continuar a batalha evolutiva.

Sem o conforto da oração, os primeiros insistem nos pensamentos perturbadores, enquanto os outros renovam-se na comunhão pela prece com a Divindade, que os fortalece de energias e de paciência para os enfrentamentos, favorecendo-os com alegria através da qual solucionam as questões mais urgentes com mais facilidade.

A fé religiosa, mesmo quando ingênua, transforma-se em ponte de luz que permite ao crente alcançar os píncaros da Espiritualidade, fruindo de paz e de esperança.

Toda religião, é precioso método pedagógico para o Espírito entender-se e compreender a finalidade existencial da sua jornada, desde que não se permita o fatalismo, que é doença da alma.

Quando o fanatismo se expressa na conduta religiosa, é o indivíduo que, portador de transtorno de conduta emocional, desrespeita o direito do próximo, como ocorre em outros segmentos e condutas na sociedade. Encontramo-lo na política, na filosofia, na arte, nos mais diversos setores da atividade humana.

O Espiritismo, como religião com fundamentos lógicos e racionais sempre propõe o amor como recurso para o entendimento das ocorrências e mecanismos de solução das mesmas, ampliando o leque das propostas filosóficas para possibilitar a harmonia interior que estimula ao crescimento intelecto-moral.

Ninguém vive no mundo sem dificuldades, que são instrumentos de crescimento espiritual para todos.

A segurança na fé religiosa ou numa conduta ética otimista e humanitária é elemento fundamental para se alcançarem as metas dignificadoras que devem ser conquistadas.

Entendemos, que não é a fé na religião que dignifica ou que salva o individuo de si mesmo, dos seus males, e sim a vivencia das suas diretrizes e a experiência iluminativa necessária.

A crença em Deus é indispensável para a completude individual, para o estado numinoso do ser humano.

Nem todos concordam com esse conceito, e alguns dirão, como Nietzsche ou Laplace, respectivamente,  com arrogância que Ele já deveria estar aposentado ou não ter sido necessário para elaborar a sua tese, no que se equivocaram lamentavelmente.

Outros cientistas e investigadores confessaram que sem Ele nada poderiam ter conseguido, deixando um rastro luminoso de esperança e de bem-estar nos corações.



Semeia luz na treva e grão de amor no solo dos corações.
Nunca poderás avaliar realmente o que sucederá depois que assinalares o teu caminho com as mensagens de iluminação e de ternura após percorrê-lo.

Muitos, que são indiferentes hoje, provavelmente virão pela mesma senda e encontrarão os teus sinais, recolhendo-os com interesse, porque outro será o momento das suas vidas, marcadas por outras disposições e necessidades.

Iguais a ti, que ontem negavas a fé religiosa ou caminhavas distraído e agora estás desperto, eles também terão oportunidade de acordar, desengessando-se da indiferença e abrindo-se à convicção libertadora que os fará felizes.

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, no livro, Libertação do Sofrimento, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 05/03/2017


quinta-feira, 2 de março de 2017

    GRAVITAR EM TORNO DE DEUS

A Crença em Deus

Deus encontra-se tão profundamente entranhado no ser humano que, dificilmente, o mesmo pode afastar-se da Sua presença.

Criado simples e ignorante, o Espírito carrega no íntimo o psiquismo divino que o originou, a fim de fazê-lo desenvolver-se até atingir a glória celeste que lhe está destinada.

A crença em Deus é, fenômeno natural, genético, de que ninguém é destituído.

Manifesto em todo a Sua obra, o Pai Criador antecede-a e sucede-la-á, quando venham a ocorrer as alterações e o fim dos ciclos que constituem a relatividade dos tempos...

Atribuir-se tudo que existe, na sua harmonia e ordem, resultante do acaso, é conceder-lhe uma superinteligência que soube organizar e manter o Universo como o conhecemos.

Ademais, considerar-se que o Evolucionismo  explica toda a complexidade do milagre da vida, sem a necessidade do  Criacionismo ou da presença de um Autor,  é oferecer-lhe uma transcendência que se assemelha à própria Divindade.

Duas alternativas,se encontram em antagonismo, que resulta mais da interpretação de conteúdos do que de legitimidade factual, pode ser resolvido o impasse através da associação de ambas as teorias.

O Psiquismo Divino concebeu e elaborou a vida, graças a um programa que se concretizou no processo evolucionista, etapa a etapa, com os intervalos correspondentes ao período da morte, em que o psiquismo continuou experimentando continuidade evolutiva, voltando em formas primitivas que se fizeram cada vez mais complexas, até atingir as expressões superiores nos animais evoluídos, culminando no ser humano.

Essa possibilidade não deve ser descartada, quando se pode constatar o autografo de Deus no genoma após decodificado, no qual se encontra toda a história dos diversos seres nos seus estranhos códigos responsáveis pelas informações contidas especialmente em cada célula do corpo humano, num conjunto de três bilhões de letras...

A fundamentação criacionista de que Deus tudo fez, conforme o relato bíblico do Genesis 1 e 2, negando a evolução e concedendo ao Universo a jovem idade de apenas  10.000 anos, é ingenua e improcedente, quando as pesquisas mais seguras demonstram que a sua idade é superior a 14 bilhões de anos  a partir do momento da Grande explosão...


Os exageros de alguns religiosos criacionistas chegam ao ponto de atribuir ao Universo a idade de apenas 4004 anos antes do nascimento do Cristo, quando Deus o teria criado, conforme concluiu o bispo Ussher, calculo que resultou das suas pesquisas sobre as notícias genealógicas por ele encontradas em O Velho Testamento.

Sob outro aspecto, atribuir às manifestações inorgânicas a possibilidade de se transformarem em orgânicas, adquirindo sensibilidade, instinto, emoção, raciocínio, inteligencia, é também uma proposta audaciosa, cheia de lacunas e mutações inexplicáveis numa visão exclusivamente darwinista, que passou a ser considerada materialista.

A harmonização das duas correntes de pensamento faculta a possibilidade real da manifestação do psiquismo, que também evolve com a complexidade das moléculas através das quais se manifesta.

Nessa identificação,  a crença em Deus, sem desprezar o fenômeno do evolucionismo, torna-se  natural, concebendo-se que Ele próprio estabeleceu esse processo como o mais adequado para a ocorrência da vida na Terra, conforme a conhecemos.



Sir Isaac Newton, admirado cientista inglês que descobriu a Lei da gravitação universal, tinha fé religiosa expressiva, escrevendo mais sobre interpretações de textos bíblicos e religiosos do que científicos.

Galileu, descobrindo três das luas de Júpter e optando pelo heliocentrismo, que constatou com observações demoradas através de telescópio que construiu, manteve todo o tempo a sua fé em Deus e na Sua intervenção na Criação, mesmo quando perseguido pela Inquisição e outros adversários...

Nicolau Copérnico, que igualmente descobriu o sistema heliocêntrico, manteve inabalável a sua fé em Deus, sem tal ação o Universo não poderia ter surgido.

Mais recentemente, Sir James Jeans, respeitado astrônomo físico inglês, confessou o seu teísmo e a sua concepção em torno do Espírito com valor e convicção científica.

Inúmeros estudiosos da genética e da física quântica, assim como de algumas das neurociências e da biologia molecular, cientistas médicos e cosmonautas, declaram-se teístas, mantendo comportamento religioso e vinculando-se a algumas das existentes doutrinas espiritualistas...

Na sua aceitação de Deus, não descartam a Sua interferência no Evolucionismo, como parte da sua programação desde o início.

Ao conceber e realizar os primeiros pródromos da vida, também organizou o processo evolucionista, para que, procedentes da mesma matriz, as expressões variadas crescessem, logrando o objetivo por Ele estabelecido, todas derivadas do mesmo germe.

É um conceito lógico e real, porquanto somente Ele tem o poder de propiciar o hálito vital, retirando do nada as primeiras vibrações que constituíram as complexas organizações moleculares, de onde se originaram os microrganismos, bases estruturais de todas as formas conhecidas.

Essa paternidade original propicia a fraternidade que deve haver entre todas as espécies e formas de vida, ensejando a solidadriedade necessária para a sobrevivência geral sobre os impositivos dos fatores mesologicos, filogenéticos, as mutações, as adaptações e o desenvolvimento das potencialidades que lhes jazem adormecidas...

A própria Divindade, dotando o ser humano de inteligencia, faculta-lhe penetrar nas Leis que governam a vida, para melhor harmonizar-se com as mesmas, respeitando-as e ampliando os horizontes do seu entendimento.

Graças a essa compreensão, percebe ser preciso superar os impulsos agressivos e destrutivos que lhe remanescem do largo processo da evolução, sublimando as aspirações que se orientarão no sentido da plenitude.

A crença em Deus é,  uma bússola de segurança para a autoconquista, saindo, pouco a pouco, dos instintos grosseiros para alcançar os sentimentos de elevação, que trabalham pela paz e o progresso.

Se tivesse compreendido o mecanismo evolucionista, se ele já existisse em seu tempo, Santo Agostinho teria interpretado melhor os conteúdos na narrativa bíblica da Criação, encontrando respostas sábias para as suas interrogações, tendo em vista a dificuldade que enfrentava para entendê-la, conforme narrada no Genesis I e II...

Cada vez que o ser humano decifra as incógnitas existentes na Terra e no Universo, mas descobre perfeitamente desenhado o autógrafo de Deus na Sua obra gloriosa, de maneira que não ficam dúvidas a esse respeito.

Assim sendo, a crença em Deus não significa necessariamente uma vinculação com qualquer religião convencional ou o individuo encontrar-se submetido aos dogmas e liturgias tradicionais, mas aceitá-LO na mente e no coração, de forma que a filiação natural seja coroada de fé e gratidão no Seu inefável amor.



Jesus O designava como Pai, ensinando-nos a todos a respeitá-LO, amá-LO e seguirmos na Sua direção.

João evangelista propunha-Lhe a denominação Amor, por melhor significar-Lhe a realidade.

...E os Espíritos da Codificação espírita com muita sabedoria sintetizaram a sua definição, informando que Deus é: A inteligencia suprema e a Causa primeira de todas as coisas...

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, no livro, Libertação do Sofrimento, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 02/03/2017.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Efeitos da fé religiosa

Os adversários das religiões, sejam materialistas, agnósticos ou não, sempre se referem aos inconvenientes das crenças de que são portadoras, relacionando os crimes perversos praticados pela maioria delas através dos tempos e justificando a sua animosidade em relação as mesmas.

De fato, em uma análise imparcial, o grande numero de guerras no mundo, direta ou indiretamente, tinham suas raízes nas religiões, tornando-se responsável pela crueldade inimaginável.

Em outros momentos, embora se estivesse vivendo períodos de paz, em perseguições sistemáticas de umas contra as outras mantiveram estados desesperadores esticados por séculos, sem qualquer forma de compaixão ou de misericórdia entre os seus adeptos.

O fanatismo de que dava mostra os profitentes sempre se expressou de maneira perversa e iníqua, fazendo que o terror dominasse as vidas, inspirando delações injustas, acusações mentirosas, denuncias covardes, compensadas com os haveres daquelas vítimas que lhes tombavam na indignidade.

Os ódios dividiam as famílias e levantavam barreiras que dificilmente podiam ser transpostas, mantendo princípios absurdos que serviam de sustentação à intolerância e ao ressentimento.

Direcionado, muitas vezes, para raças completas, não permitiam que os indivíduos fossem vistos e considerados  criaturas humanas, marcados pela hereditariedade que os fazia cumplices dos demais, embora portassem sentimentos antagônicos aos dos seus coevos e ancestrais.

Esse sentimento de rancor era transferido de uma para outra geração e mantido com o mesmo ardor, como se nunca fosse permitida a reabilitação ou mudança de conduta pelo grupo e a nação a que pertencessem.

Embora tal comportamento seja  lamentavelmente do ser humano e não da crença religiosa que ele professa.

Existe a mesma conduta em relação à política, quando as paixões exacerbadas definem um ou outro regime que consideram melhor, dando lugar aos mais terríveis sanguinários combates, que estarrecem a lógica e a razão.

As divisões partidárias, as oligarquias, os impérios, os reinados, os ducados, os sistemas de governos capitalistas, comunistas, fascistas, nazistas, ditatoriais, democráticos conduzem nos seus comportamentos crimes hediondos de toda espécie, trágicas lições de horror, de destruições e de mortes incontáveis.

As lutas de classe são responsáveis por outros terríveis flagelos impostos à sociedade, que ainda não alcançou o clima de paz e de direitos igualitários para todos os seus membros

O sistemático desprezo de umas por outras raças, tidas como inferiores, tem promovido insanas guerras que se iniciam nas etnias ainda atrasadas da África até as cidades cultas e famosas do denominado Primeiro Mundo.

Tudo isso ocorre porque o ser humano é belicoso e, na sua inferioridade, permite o predomínio da natureza animal em detrimento da natureza espiritual, impondo sempre o seu sentimento egóico em prejuízo da solidariedade que deveria viger em todos os seguimentos da Humanidade.

A intolerância religiosa, portanto, não é da doutrina mas do seu adepto, daquele indivíduo que deseja impor, atormentado pelos conflitos insuportáveis que o tornam revel.

Todas as religiões, com raras exceções, predicam a imortalidade do Espírito, a justiça divina, o amor, a renovação moral dos seres humanos, o progresso pessoal...

Nada obstante, a inferioridade moral dos seus seguidores exalta-os, levando-os a delírios da fascinação, com que investem contra os que considera inimigos.

Não tem procedência, portanto, a justificação acusatória dos ateístas, dos materialistas, dos inimigos da fé religiosa...




Como realmente existem os enfermos morais que fazem das religiões trampolins para alcançarem os seus fins doentios, multiplicam-se de maneira expressiva outros que, nas religiões, encontram o suporte e o estímulo para a abnegação, o sacrifício, a renuncia e o trabalho em favor da sociedade.

Desfilam, através da História, os  construtores do progresso e da cultura, da ética e da moral, dos direitos humanos e dos valores dignificantes, que encontram nas religiões que professam a inspiração e a força para se dedicarem ao bem do seu próximo e a não-violência que serve de base para a vigência do amor entre as demais criaturas.

Todos, nas diferentes escolas de fé, são responsáveis pelas mais belas construções de fraternidade, de iluminação de consciências, de coragem, que a muitos conduzem ao martírio cantando hosanas aos Céus, sem queixas nem reclamações...

Muitos dedicaram-se às artes, ao pensamento filosófico, às investigações da ciência, à política, à cultura em geral, mas principalmente ao humanismo e ao humanitarismo, tornando-se modelos de bondade, de persistência nas realizações edificantes, de sacrifício, dominados por grandiosa compaixão pelo seu próximo.

Graças ao Iluminismo, no século XVIII, logo depois, da Revolução Francesa, que confundia os interesses dos reis com as imposições da igreja romana, interessados em sua própria promoção e dominação da sociedade, fez surgir o grande ressentimento contra ambos, havendo tentado exterminá-los através dos mesmos métodos perversos que condenavam...

Iniciada pelos filósofos e idealistas da liberdade de consciência, de pensamento, de comportamento, não escapou aos loucos dias de Terror nem aos assassinatos em massa, através da arma de José Guilhotin, que também terminou como sua vítima...

As religiões são caminhos que devem conduzir o crente à paz e à felicidade, utilizando-se da metodologia do amor e da compaixão, a fim de serem superadas as más inclinações e induzi-lo ao autoconhecimento, a fim de compreender os limites que o caracterizam e as notáveis possibilidades de crescimento que estão à sua frente.

O processo de evolução moral é muito lento, permitindo ao Espírito a libertação das paixões inferiores, de pouco e pouco, nunca de um para outro momento.

Compreende-se, que os processos transformadores para melhor estejam marcados pelos acontecimentos do passado, embora as conquistas edificantes realizadas posteriormente.

Não se pode, condenar um ideal apenas pela conduta dos que o abraçam. É certo que o seu comportamento nobre falaria mais alto do que as suas palavras, demonstrando a excelência da doutrina elegida. Porém, os hábitos antigos infelizes, que lhes predominam na intimidade do ser, responde pelas infelizes atitudes de que são portadores.

Também, encontramos em todas as profissões homens e mulheres que as dignificam, e outros as denigrem, embora sejam nobres e relevantes para a sociedade.

E assim, as justificativas apresentadas pelos adversários das doutrinas religiosas não são sustentáveis.

Quem ler o Sermão da Montanha, perceberá a proposta de Jesus às criaturas humanas, iniciando a Era de amor e de paz, de perdão e de misericórdia, de humildade e de compreensão, de esperança e de caridade. No entanto, o que tem feito muitos religiosos, nos últimos vinte séculos, a respeito desses postulados incomparáveis?

Qualquer religião experienciada com respeito e dignidade permite à criatura o encontro consigo mesma, com o seu próximo e com Deus.

A fé religiosa, é luz na escuridão,  medicamento na enfermidade, caminho de segurança no labirinto das incertezas.

Vive-la com sentimento de fraternidade para com todas as criaturas é dever de todo crente que despertou para a vida imortal.


Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, no livro, Libertação do Sofrimento, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 18/02/2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

HEROÍSMO INCOMPARÁVEL

Não é demais considerar a coragem da fé que caracterizam mulheres e  homens que abraçam as causas nobres em favor da humanidade.
Estão em todos os campos que permitem o progresso: nas ciências, nas artes, na filosofia, nas pesquisas mais variadas, nas religiões, na política, no serviço social, no exercício das diversas profissões, se destacam pela superioridade moral com que se comportam e enfrentam tanto os desafios como as incompreensões que os afligem.
Trazem animo superior, não desistem dos objetivos que abraçam, não desanimam na ação, mesmo quando tudo parece contra eles, atentos ao menor sinal de simpatia para conquistarem adeptos para os ideais que conduzem.
Afadigam-se até a exaustão, mas não se queixam, mesmo quando os resultados não sejam como esperavam, sabendo que o que hoje não consegue é por falta de oportunidade, continuam sempre esperando melhores dias.
Reconhecem a própria pequenez diante da grandeza do objetivo que devem alcançar e, por isso, não se vangloriam, nem se inflam de presunção, suportando altas cargas de sofrimentos interno sem queixas nem lamentações.
Fascinados e convictos do dever que a desenvolver, são amparados pelas forças do Bem em toda parte, recurso indispensável para a continuação da tarefa a que se dedicam.
Uns, parecendo frágeis, adquirem  resistência incomum nas lutas diárias, continuando fortes na confiança em Deus.
Outros sem qualquer beleza física nem cultura intelectual, renovam-se na oração e na persistência no trabalho, sendo inspirados e conduzidos pelos Mensageiros da Luz que os amparam com carinho, continuamente.
Diversos tímidos e simples, de repente alteram o comportamento e são capazes de suportar as circunstancias mais severas, sobrepondo-se às situações mais adversas, sem perderem a alegria de viver ou diminuírem o entusiasmo na ação.
Quando humilhados, sorriem de contentamento, porque sabem estar sendo depurados de velhas cargas morais perturbadoras, preparando-se para situações mais vantajosas.
Se combatidos, não se perturbam, porque não valorizam as opiniões dos dissidentes do amor nem dos invejosos do caminho, ou mesmo as dos sistemáticos adversários de tudo que não seja apresentado por eles.
Ridicularizados pelas mentes vazias de conteúdo cultural e ricas de ideias presunçosas, mais seguros se reconhecem a respeito da tarefa que devem realizar.
Em todas as situações encontram motivo para a continuação do labor, fixados no futuro que os aguarda, com a certeza de que alcançarão os resultados perseguidos.
Esses idealistas e servidores incansáveis são os obreiros de Jesus em todos os campos da ação humana, trabalhando em favor da felicidade geral.
Podem ser reconhecidos pelas condecorações que trazem ocultas no sentimento: as cicatrizes das injúrias e perfídias, das agressões e perseguições contínuas que vem suportando com estoicismo.
Sabem perdoar e entender os outros, nunca se impondo, nem se intrometendo no que não lhes diz respeito, por serem fiéis ao seu dever, que não retardam nem renunciam por nada.
São os heróis do Bem, entregues a Deus e cuidados por Jesus.


Eles são encontrados nos combates espirituais da fé religiosa, sofrendo infâmias e vivenciando testemunhos grandiosos que mais os dignificam.
Não nos referimos àqueles que o fanatismo devora, desejando impor as suas convicções à força, distantes da solidariedade, do amor e da verdadeira fraternidade, mas a todos quantos, fascinados por Jesus e Sua doutrina, trabalham pela sua vivencia no mundo, o que modifica as estruturas da sociedade inquieta e atormentada, facultando as experiências de paz entre todos os seus membros e facilitando a felicidade geral.
Os cristãos primitivos, que renunciavam a todas as comunidades desde o momento em que eram tocados no coração pelo Mestre, são exemplos vivos de ser lembrados, já que aqueles tempos chamados apostólicos ainda não terminaram.
Alteraram-se as circunstancias, modificaram-se as estruturas e comportamentos sociais, porém, continuam os mesmos conflitos e lutas internas e externas no cerne das criaturas, que jornadeiam aturdidas, sem segurança interior, sem respeito quase pela vida...
Esses vanguardeiros do porvir estão atentos ao serviço de socorro a todos quantos tem sede de compreensão, de amizade, de orientação, de paz...
Procuram promover o progresso moral e social dos grupos humanos, dedicados à caridade que socorre as sociedades imediatas, mas especialmente aquelas que iluminam por dentro, anulando toda treva de ignorância e perversidade...
Em alguns momentos parecem deslocados no contexto em que se encontram, porque os seus interesses diferem daqueles padronizados pelo egoísmo e pela prepotência, distantes do poder temporal e das competições danosas por lugares de destaque.
Noutras circunstancias, são taxados de ingênuos, quando não de idiotas, por renunciarem prazerosamente aos engodos terrestres, perseguindo o que os inimigos chamam de fantasias ou utopias...
A sua convivência, porém, é agradável e saudável, pelo temas que abordam, a maneira como se comportam, os ideais que sustentam.
Ignorados, não se perturbam, continuando na lavoura da esperança.
Bajulados, não se entusiasmam, prosseguindo na simplicidade a que se entregam.
São verdadeiros heróis do amor, porque sabem escolher o que há de melhor, tudo que merece consideração, em detrimento do que significa apenas ilusão.
Na dor, suportam o fardo com resignada coragem.
Na saúde, conduzem-se com disciplina, a fim de prolongar os dias da existência terrestre.
Vivem momentos de angustia que procuram superar, experienciam situações perturbadoras que lhes chegam em forma de provas necessárias, mas não perdem o rumo por onde seguem.
Não estão preocupados com os aplausos nem a gratidão dos indivíduos ou das massas, porque se interessam pelo bem de todos, o que lhe é realmente importante.
Silenciam o mal e alardeiam o bem, demonstrando as vantagens do amor e da alegria, da solidão com Deus, em vez do júbilo embriagador com os festeiros que estão fugindo de si mesmos.
Esses heróis multiplicam-se, embora não sejam muito percebidos, nem citados na mídia devoradora, nas rodas sociais, nos grupos de empolgados pelo vício...

Foram eles que melhoraram a Terra, que transformaram o mundo, que dignificam a existência de bilhões de seres, renovando as estruturas do pensamento e as condições humanas.
São eles que constituem os pilotis do mundo novo de harmonia.
Serão eles os abridores de caminhos seguros para o porvir.
Tiveram, tem e terão como modelo Jesus, o Herói incomparável a quem oferecem a existência e de quem recebem as orientações e forças.
Se puderes, imita-os, e encontrarás sentido para a tua jornada atual.

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 18/02/2017

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO
O ser humano é em essência constituído por Espírito, perispírito e matéria, quando caminha na Terra.
Desde a sua criação por Deus, o Espírito é imortal. Protegido por delicado envoltório semimaterial, através desse envoltório interage com a matéria, imprimindo nela o que lhe é necessário a sua evolução. A matéria é o instrumento indispensável ao desenvolvimento dos valores que lhe dormem em germe, através das sucessivas reencarnações.
A Terra é, desse modo, um sublime educandário, na qual se exercita as aptidões de amor e de conhecimento, a fim de elevar-se, libertando-se dos atavismos decorrentes das experiências anteriores por onde passou, como ser imortal que é vivenciando as fases mineral, vegetal, animal, culminando no estágio hominal, a fim de rumar para outras categorias superiores como anjo, arcanjo, potestade...
Na falta de símiles terrestres convencionais para a compreensão da escala evolutiva, lembramos que se trata de uma conquista ilimitada, pois aguarda-o a eternidade do tempo e do espaço...
A experiência educativa da reencarnação busca equipar o Espírito, desde as suas primeiras experiências, com instrumentos hábeis para a sublimação adquirida a esforço próprio, além do deotropismo (movimento irresistível para Deus) (deo significando Deus) e (tropismo significando movimento irresistível, ou atração irresistível) e os fatores de auxilio que o Divino Amor coloca ao seu alcance.
Enquanto emerge das fases mais ásperas, é como o diamante que é arrancado da grosseira ganga em que a sucessão dos milhões de séculos trabalhou na sua consolidação.
Logo depois, a pedra bruta precisa do buril para a lapidação que a despedaça, para apresentar-lhe a beleza oculta, que refletirá a gloriosa claridade em brilho incomum.
Nesse educandário que lhe está destinado, o Espírito encontra todos os elementos indispensáveis ao crescimento interior, como o infante que é amparado no grupo maternal, depois na creche, passando aos diferentes níveis da grade escolar, onde descobre o mundo e a vida, tornando-se membro consciente da sociedade em que está sendo convidado a crescer e a ser útil.
À medida que conquista compreensão e conhecimento, lucidez e consciência, adquire maiores possibilidades culturais, descobrindo a excelência dos valores morais em que se deve sustentar, para encontrar a felicidade, que lhe passa a ser meta prioritária. Quando erra, dispõe da oportunidade de repetir a experiência até fixa-la corretamente, descobrindo que o conhecimento é infinito, portanto, quase inalcançável, pelo menos, em um breve período de tempo...
Mesmo quando terminado o currículo acadêmico, abrem-se-lhe novos desafios culturais e morais, para continuar atualizando-se com a pós-graduação, o mestrado, o doutorado, pesquisando e estudando sempre.
A mãe Terra é, o berço generoso onde todos os Espíritos que se lhe vinculam ascendem a outros mundos mais felizes, após as conquistas que lhes são propiciadas.
Como é um planeta de provações e de expiações no seu programa evolutivo ainda predomina o sofrimento que se apresenta de varias formas, convidando o aprendiz à mudar de atitude com relação ao seu processo de crescimento.
Em todos os períodos, mesmo nos mais primitivos, não faltaram orientações e guias para contribuir pela sua ascensão, superando as fases mais difíceis, por se encontrarem ainda distantes da razão e do sofrimento.
Conforme foram surgindo possibilidades para entender melhor as Leis da Vida, missionários do amor e do esclarecimento renasceram ao seu lado, despertando-lhe as aspirações para a beleza, para o bem, para a harmonia.
Depois dos estágios de muitos apóstolos da sabedoria, veio Jesus pessoalmente demonstrar que o sofrimento é escolha decorrente da ignorância e do primarismo, resumindo todos os códigos até então revelados na vivencia do amor, oceano onde todas as águas revoltas se acalmam, desaparecendo a sua impetuosidade desastrosa...
Entendendo, que não havia maturidade espiritual naqueles ouvintes nem possibilidades de entendimento na cultura daquele tempo vigor, apontou a possibilidade de encontrar-se a felicidade, com a promessa de enviar em Seu nome O Consolador, que viria repetir Seus nobres ensinos. Ele sabia que tais ensinos seriam esquecidos, confundidos, adulterados pela astúcia das mentes perversas, como aconteceu. Para que se pudesse compreender de maneira mais fácil a transitoriedade terrena e a perenidade da vida após o desencarne do corpo.
Quando a cultura rompeu em grande parte a ignorância dominante, e a ciência, apoiando-se  tecnologia que surgia, e dispondo de equipamento para entender melhor o mundo e os seres que o habitam, no século XIX, O Consolador surgiu na revelação espírita, com que o codificador Allan Kardec, sob a inspiração do Mestre de Nazaré, apresentou os postulados básicos da realidade espiritual, trazendo uma doutrina científica, filosófica e ético-moral de consequências religiosas.
Fundamentando a Justiça Divina na reencarnação, graças aos mecanismos sublimes do determinismo e do livre-arbítrio, o sofrimento passou a ser considerado um processo de crescimento moral, através dele cada um é responsável pelo que lhe ocorre, contribuindo assim para o entendimento da vida com a esperança e a alegria de viver.
Dessa forma o que antes apresentava-se como uma absurda punição divina passou a ser um instrumento educacional a que cada um faz jus conforme o seu comportamento.
Com essa visão psicológica otimista, o sofrimento surge como um método pedagógico passageiro próprio do planeta terrestre, que desaparecerá quando os Espíritos que o habitam se renovarem, respeitando os recursos naturais e morais que existem em toda parte.
Ninguém está no mundo para sofrer, e pode libertar-se dessa compreensão aflitiva, quando escolher pela obediência aos códigos que regem o destino do Universo, não sendo, a Terra, uma exceção.
A libertação do sofrimento é de fácil conquista, basta apenas a iluminação do aprendiz e a sua contribuição em favor da harmonia pessoal que se expande na geral.
A vida humana na Terra tem por finalidade contribuir para conquista do numinoso, esse estado de luz contínua e mirífica mostrada pelo Evangelho de Jesus, que é a Luz do mundo.
Mantendo a consciência da transitoriedade carnal, do compromisso firmado antes do berço, no mundo espiritual, a respeito do esforço pela transformação moral para melhor, é o grande desafio que todos se devem esforçar por conseguir como valioso empreendimento iluminativo.
Apesar das dificuldades de o indivíduo manter-se em equilíbrio num mundo em convulsão, dominado pela violência dos espíritos primários, que estão tendo a oportunidade de renovar-se, reencarnando-se, durante esta grande transição moral do planeta, aquele que encontrou Jesus tem os melhores recursos da coragem e da alegria para enfrentar e, com a contribuição do Espiritismo, resolver todos os problemas com a mente lúcida e em paz.

Texto trabalhado por Adauria Azevedo Farias de Medeiros. Do livro Libertação do Sofrimento, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. 14/09/2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

CONQUISTA DA INDIVIDUAÇÃO E DA GRATIDÃO
Individuação é a mais importante conquista da  evolução do ser humano. É a vitória do self em relação à sombra e ao ego, a superação dos arquétipos responsáveis pelos transtornos emocionais e outras enfermidades que vão permitir ao ser humano a perfeita compreensão da vida e das suas finalidades.
É quando a consciência toma conhecimento dos conteúdos inconscientes e segue fazendo a sua superação, através da integração dos arquétipos, para evitar os conflitos habituais ou o surgimento de novos.
Parece difícil de acontecer, porque pede grande esforço pela depuração da personalidade, pela escolha de valores mais nobres do Espírito.
A individuação corresponde a autoiluminação dos místicos ou a conquista do reino dos céus proposta por Jesus, é quando o indivíduo se liberta das exigências imediatistas do ego e se transforma num oceano de amor e de tranquilidade, passando a viver emoções superiores, sem sofrimentos nem ansiedades.
Os instintos fazem parte do conjunto fisiológico, a expressar-se nas necessidades primárias (básicas) automaticamente sem os impulsos da violência ou  das paixões asselvajadas.
Diluindo a sombra, ocorre a harmonia do eixo ego-self, enquanto outros arquétipos como a anima e o animus, a persona, proporcionam equilíbrio psicológico, como ocorre em Jesus, modelo da verdadeira individuação.
Viagem feita pelo self integrado, núcleo energético e central da personalidade.
Sendo o self o arquiteto da vida humana, desde seu período infantil que se manifesta nos momentos oníricos, em que se apresenta através de símbolos arquetípicos, é natural que haja uma grande ansiedade no paciente que busca a integração no self, a autoconsciência, podendo assim orientar os arquétipos perturbadores que antes geravam os conflitos e os transtornos de comportamento por faltar o conhecimento da sua realidade.
Todos podem alcançar esse momento culminante da evolução psíquica pelo esforço para interpretar os símbolos e as angústias que antecedem a ocorrência.
Santa Tereza d’Ávila alcançou-o mediante os momentosos êxtases que a levaram ao estado de plenitude, de iluminação interior, assim como São Francisco de Assis, ou Michelangelo quando acabou de esculpir a estátua de Moisés, que o deslumbrou a  ponto de exclamar, emocionado:
- Parla!
Era tão viva a obra faltando apenas falar, para se tornar um ser real...
Músicos e artistas, cientistas e mártires, filósofos, éticos e místicos conseguiram essa integração, vivenciando o estado de plenitude que os acompanhou até o desencarne.
Um psicoterapeuta experiente pode conduzir os seus pacientes ao momento culminante da libertação dos seus transtornos quando os leva à individuação, como estágio superior e culminante da saúde integral.
Jung, o mestre suíço conseguiu individuar-se através de métodos psicoterapêuticos elaborados por ele.
Esclarecendo ser possível conseguir a individuação após assimilar as quatro funções descritas por ele como sensação, pensamento, intuição e sentimento. Ele comparou a meta da individuação com o Opus ou Grande obra que os alquimistas tentaram vivenciar.
Ele dizia ser, um processo lento, contínuo e de elevação emocional.Podendo ser alcançado também pela oração, pelos fenômenos mediúnicos e paranormais, pelas regressões psicológicas que levam à fase infantil ou até a uterina, como à existências passadas. A meditação, de forma que todos os conteúdos inconscientes geradores do medo e da ansiedade, das angustias e inquietações possam ser diluídos pelo enfrentamento consciente, nada deixando de enigmático nos painéis do inconsciente que  ressurja de forma assustadora...
Essa bela conquista torna o ser diferenciado, libertando-o dos clichês e das imposições sociais que o escravizam, exigindo-lhe condicionamento, quando aspira por liberdade. Com essa conquista o ser humano torna-se consciente de si mesmo, das suas responsabilidades na sociedade, encorajando-o assim para os ideais, sabendo que novas situações relevantes surgirão, mas que serão vencidas naturalmente.
A individuação pode ser considerada, no início,  como a participation mystique, de Lévy-Bruhl. E no  final, situando-se o self como a Imago Dei, numa conquista de unidade, que não isola o indivíduo, ao contrário, favorece a sua interação ou troca com as outras pessoas que passa a ver de forma diferente de quando o ego predominava.
Ela é tão complexa que podemos dizer que começa mas nunca termina, porque é a busca pela perfeição, no mundo relativo em que o ser humano se encontra.
No processo de individuação, pode-se examinar o desenvolvimento da sociedade desde os seus primórdios e a maneira consciente como vem lidando com as suas projeções e superando-as, com as conquistas do conhecimento cultural nos seus vários aspectos, especialmente nos de natureza psicológica.
A identificação dos conflitos vem permitindo que se aspire à conquista do bom e do belo, como meta de saúde e de bem-estar.
Vencendo as etapas do desenvolvimento emocional, surgem os primeiros sinais da individuação, pela superação ou conscientização dos arquétipos que geram sofrimento.
As chamadas virtudes religiosas, consideradas  heranças místicas, no momento da individuação adquirem sentido de realização, como o amor, que se transforma numa conquista relevante, indispensável para uma vida harmônica, a bondade, que multiplica os bens dos sentimentos elevados; a fé no futuro, como estímulo – sentido e significado psicológico – para se continuar nas lutas naturais do processo evolutivo; a compaixão, em forma de solidariedade e de compreensão das aflições do próximo; a gratidão, como coroa de bênçãos por tudo que se conseguiu e que pode realizar-se.
A gratidão, filha do amor sábio, enriquece a vida de beleza e de alegria porque com a sua presença tudo tem significado nobre, ampliando os horizontes vivenciais daquele que a cultiva como recurso de promoção da vida em todos os sentidos.
Conta-se que certo dia, em Boston, nos Estados Unidos da América do Norte, um rebanho de carneiros era levado por uma das avenidas centrais da cidade. De repente um dos carneiros caiu sem forças...
Uma criança pobre e mal cuidada, vendo a cena, achou que deveria ser por sede que o animalzinho perdera as resistências. Tomou o seu gorro, correu a uma bica próxima e colheu algum liquido, trazendo-o ao carneiro quase desfalecido e deu-lhe de beber.
Poucos minutos depois o animal correu e juntou-se ao grupo que seguia em frente.
Uma das pessoas que nada tinha feito, em tom irônico, disse ao menino:
- Obrigado, titio!
E pôs-se a rir zombeteiramente.
Um cavalheiro que viu a cena disse ao irônico:
- o carneirinho pediu-me para agradecer por ele, escusando-se de fazê-lo. Como eu sou dono de uma  editora, sou conhecido como Eduardo Baer, e estou sempre procurando crianças dotadas de sentimentos nobres para cuidá-las, acabo de encontrar mais uma.
A partir deste momento, você estará sob a minha responsabilidade... – disse para a criança aturdida.
Mais tarde, a sociedade acompanharia a trajetória do dr. Carlos Mors, que tornou-se conhecido pela  bondade com que tratava todas as criaturas.
A gratidão do carneiro alcançou a sua nobre finalidade, por não desanimar nem perder o seu sentido.
Poder-se-ia incluir esse fato na extensa relação daqueles de natureza mitológica, da mesma forma que Hercules combateu o mal, vencendo todos os inimigos do bem pelo imenso prazer de ser grato à vida pelo seu poder.
O carneiro, símbolo da mansuetude, e o menino gentil, que pode ser considerado como um arquétipo de misericórdia e compaixão, unindo-se no mesmo sentimento de ajuda recíproca, produziram o missionário do amor e da bondade.
Porque a gratidão é um dos mais grandiosos momentos do desenvolvimento ético-moral do ser humano e está inserida na individuação, quando tudo adquire beleza e significado.
A gratidão é, portanto, um momento de individuação, quando o ser humano recorda o passado com alegria, considerando os trechos do caminho mais difíceis que foram vencidos, alegrando-se com o presente e encarando o futuro sem nenhum receio porque os arquétipos responsáveis pelas aflições foram diluídos na consciência, não restando vestígios da sua existência.
O ego, que os mantinha em ação, alargou a sua percepção psicológica da vida e tornou-se parte vibrante do self, que ama sem distinção nem interesse de retribuição e é grato a Deus por existir, ao cosmo por viver nele, à mãe -Terra por ser o seu habitat, a todas as cores e vibrações da natureza, que lhe facultam contemplação e emotividade especial, aos sons maravilhosos que o fazem vibrar, ao oxigênio que nutre e à psique responsável pelo seu pensamento e pela faculdade de discernir que a consciência alcançou.
Quando o ser humano perceber que necessita abandonar as faixas menos harmônicas em que se encontra, aspirará pela conquista da individuação, exercitando-se na sublime arte do amor a Deus, ao próximo e, com certeza, a si mesmo, abandonando o egotismo e vivenciando o altruísmo como forma segura de realização plena, no caminho da gratidão...
A gratidão abrange, num abraço afetuoso, os sentimentos que dignificam os seres humanos tornando-os merecedores de felicidade, momento em que estarão instalando no íntimo o decantado reino dos céus, conforme Jesus propôs o maior psicoterapeuta da humanidade.

Do livro Psicologia da Gratidão, ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 29/04/16.