sábado, 29 de agosto de 2015

O SER HUMANO EM CRISE EXISTENCIAL – As conquistas externas

Caros amigos leitores e seguidores.
Desejo um excelente final de semana. Desejo, também, sinceramente que não apenas leiam mas sobretudo que curtam, estudem, pois são verdadeiros e relevantes instrumentos de vida e vida mais equilibrada e saudável para nossa realidade de viandante da vida, produzindo vida individual e vida coletiva. Que essa nossa produção seja sempre a de uma sociedade mais feliz porque formada por indivíduos mais saudável e responsável, com a contribuição da querida Mentora Joanna de Ângelis na sua Psicologia Espírita.

A evolução antropológica vem sendo um grande desafio da vida, trazendo mudanças nas formas e funções orgânicas, possibilitando o desenvolvimento das faculdades mentais até alcançar a área da inteligência e dos sentimentos. Por isso, o instinto, na sua inteireza, já é uma forma de inteligência embrionária, por criar condicionamentos que, no futuro, a razão ampliará até propiciar a compreensão dos conceitos sutis e das abstrações ...

A necessidade da sobrevivência desenvolveu os instintos agressivos que predominaram no ser humano por milênios e, ao conquistar as etapas da razão e o seu estabelecimento no  Espírito, aquelas heranças continuaram fazendo parte do comportamento. A libertação lenta do primarismo e a aspiração do belo e do nobre, o deotropismo vêm se impondo, hoje a consciência já pode administrar os impulsos violentos, orientando-os para as ações de edificações, sem traumas nem conflitos.

Embora o individualismo, filho do materialismo, que se mostrou contra as imposições  do religiosismo exterior, sem significados internos, expressa-se hoje, sob forma de incompleta autorrealização, levando o individuo a ter, a destacar-se, a conseguir o que quer de qualquer maneira, tornando-se consumista, insaciável e inquieto.

Nesse instalado pós-modernismo, atribui-se à ciência valores e significados quase divinos, parecendo incorruptível e insuperável, ao mesmo tempo em que as referencias pessoais nos relacionamentos que não se aprofundam, mantendo-se sempre na superficialidade, tornam as afeições descartáveis, como tudo que se compra no intuito de ter.

Os afetos são rápidos e medrosos, oportunistas e descomprometidos, cada qual, com medo, de ser dominado pelo outro, evitando submeter-se, denunciando pequenez, falta de personalidade, risco de perda, quando se cria a dependência...

A confusão entre afetividade e interesse sexual, entre amor e compensações sentimentais, é responsável pelo desinteresse do convívio fraterno saudável, sem interesses subalternos, deixando-se a sombra dominar todos os espaços do ego, ao mesmo tempo em que não se abrem às possibilidades psicológicas do Self ( o Ser Real, o Ser verdadeiro, o Ser imortal) para a realidade.

As artes, que vem expressando o estagio evolutivo, politico, comportamental da sociedade, hoje, são agressivas e sem propostas elevadas de beleza, em muitas áreas, expressando apenas os conflitos, as aspirações doentias, a revolta e os desânimos dos seus portadores. A música, descendo do pedestal das musas, emaranhou-se pela contracultura, pela ironia, pela perversão moral, do deboche, da agressividade, do duplo sentido destacando o pejorativo, como se o ser humano devesse sempre reagir, mesmo quando pode agir, deixar-se cair no desespero, quando poderia aspirar pela alegria real de viver, modificando o status quo e contribuindo para um mundo melhor, onde é possível a vida expressar-se em harmonia e grandeza.

Sem poder conduzir os povos, por se terem perdido na burocracia e nos interesses partidários, os governantes da Terra aturdidos, demonstram não saber o que fazer nem como fazer. Permitem a desorientação das massas, a sua revolta contínua,  esquecidos das responsabilidades não cumpridas   apresentadas nos seus programas eleitoreiros enganando o povo desorientado.

Surgem, revoltas, revoluções, amolentamento do caráter e perda da moral, com reações em cadeia, cada vez mais violentas e ameaçadoras, porque os limites da ordem e do respeito foram superados pela não fronteira da rebeldia.

Os esportes, que foram oportunidades de catarses coletivas, competições saudáveis, alegrias e entusiasmo, hoje são fontes mafiosas de domínio e conquistas financeiras, construindo deuses frágeis que caem do pedestal, tornando-se campo de batalha pelas torcidas ferozes que digladiam com frequência em espetáculos deprimentes que culminam com a morte de alguns dos seus fanáticos...

O desrespeito pelos valores internos do ser humano impõe a importância das conquistas externas, tornando-o tacanha e soberbo.

A falta de concentração das pessoas nas questões importantes do ser interior contribuem para a futilidade e a ignorância da sua realidade, acreditando que a vida é um passeio fantástico no país da pressa dourada, onde tudo é passageiro, dificultando a reflexão e o encontro com a consciência, com o Si-mesmo (o Ser-real, o espírito). Essa sombra teimosa separa as criaturas do eu divino que há no íntimo e que lhe constitui, sendo preciso transmudar esse material inferior num processo alquímico emocional, para se encontrar o real significado da vida.

Trazer na mente a presença da sombra, para vencê-la, é necessidade psicológica inadiável, como ocorre nos  contos de fadas, nos mitos ancestrais, permitindo a liberação do ser oculto, misteriosamente transformado pela magia da ignorância (A bela e a fera, O príncipe sapo, Branca de neve, A bela adormecida etc.)

Com esse entendimento, fica claro que não adiantam as lutas externas, os combates contra os outros, a busca de superar os competidores, o querer ultrapassar os demais, por insegurança pessoal, permitindo-se assim encontrar-se e viver-se o sentido da vida. Ninguém pode viver saudável sem o culto interno da integração da fé religiosa com a razão numa harmonia estimuladora a continuação das lutas inevitáveis do dia-a-dia, conquistando confiança nos momentos difíceis e renovando a coragem na ameaça do desanimo. Esse sentido da vida não pode ser desenhado pelos hábitos externos, mas construído de forma subjetiva, idealista, interior, através do enriquecimento das aspirações que engrandecem a existência. Impossível é, viver sem o sentimento dos conceitos eternos, aqueles que dão dignidade à criatura humana, trazendo-lhe ética e moralidade para ser fiel aos objetivos existenciais.

Com essa percepção, descobre-se que os conflitos, as aflições em torno das posses e o medo de perde-las são fenômenos pessoais interiores da própria insegurança, levando a transtornos de comportamento e a distúrbios orgânicos repetitivos.


A legítima psicoterapia visa conduzir o indivíduo ao redescobrimento da sua realidade, da sua origem espiritual, da finalidade existencial, do seu futuro imortal que se lhe transformam em alicerces de segurança para as lutas contínuas, evitando a projeção dos seus conflitos nos outros, assumindo a culpa e libertando-a do inconsciente que se encontra produzindo sombra  e desar.

Quando Jesus disse que é necessário tomar a sua cruz e seguí-lO, Ele propôs a conquista da autoconsciência, a definição para assumir as próprias responsabilidades, ao invés de permanecer-se divagando em torno de como encontrar o melhor processo para o equilíbrio, que não se expressa em formas exteriores ou em transferência de responsabilidades, ou para os prazeres que se extinguem, por mais se prolonguem...

A psique necessita de apoio transcendente para oferecer elementos dignificadores, através da realidade em que todos se encontram mergulhados, escolhendo os mais compatíveis com as aspirações e as possibilidades de execução.
Todos dependem de Deus, mesmo porque,  estamos mergulhados em Deus, necessitando reconhecê-lO em nós, para que O manifestemos por através do comportamento emocional e das ações sociais, familiares, espirituais...

Quando perguntaram a Jung se ele creditava em Deus, respondeu com sabedoria e humildade, dizendo: - Eu sei, não preciso acreditar...

Se insiste em definir Deus e dar a Ele apenas  caráter religioso, limitando a sua grandeza, o que permite aos que pensam e se libertaram das crenças apressadas, negá-lO, porque a sua visão é mais ampla e abrangente do que a proposta pelo fanatismo religioso. Se for considerado como a vida, passa a existir naquele que O imagina, porque a Sua realidade só é aceita na consciência após se começar a concebê-lO.

Sem um valor maior, que mereça investimento, ninguém se arvora à luta, ao sacrifício, porque o é superficial perde logo o sentido. É semelhante a algumas metas humanas, que são imediatas, como conseguir coisas, posses, fortuna, conviver com pessoas, que quando se alcança, terminando o objetivo, vem as frustrações e os desencantos.

Há pais que se entregam à educação dos filhos, depositando neles suas aspirações e insatisfações, esperando compensação, para quando ficarem adultos. Quando isso ocorre, e os mesmos são convidados a seguir a própria vida, sofrem, sentem-se abandonados, tem depressões, perdem o sentido existencial...

O Significado da vida não é esse compromisso breve da existência.

O mesmo acontece em relação ao trabalho, à carreira profissional, às aspirações políticas e culturais, artísticas e religiosas... Alcançando o patamar programado, a ausência de nível mais elevado leva ao tédio, ao desinteresse, à perda de sentido da vida...

Isto ocorre porque a educação infantil é feita de ilusões que escravizam e se transformam em metas primordiais, tornando-se uma proposta neurótica e sem significado. Descobrir o destino e trabalhá-lo, programar essa fatalidade honorável e saudável é o objetivo da vida, aquele que traz saúde integral, porque não é conquistado de um para outro momento, não se limita a encantos passageiros, não é monótono, mas sempre novo e a um passo à frente.

À medida que a religião enfraqueceu nas famílias, o desinteresse pelo ser espiritual também enfraqueceu, permitindo-se que cada um escolha, no momento oportuno, o seu conceito de vida e de espiritualidade, como se fosse admissível deixar-se que alguém primeiro se contamine de alguma doença para depois expor-se os perigos que aquela doença oferece.

A criança deve sentir o valor da família, compreender o significado desse grupo social reduzido, para poder conviver com a outra, a social e ampla, com ideias religiosas liberais e enriquecedoras, para amadurecer psicologicamente com segurança e respeito pela vida.

Uma visão infantil bem trabalhada pelos pais e educadores irá conduzindo-lhe a vida para toda a existência. Os diferentes símbolos de cada fase etária serão decodificados e transformados com naturalidade sem choques nem perdas, substituídos por outros mais oportunos e significativos, que abrirão espaço para o encontro com a realidade existencial sem fantasmas nem bichos papões.

Os mitos pessoais, as fantasias, os complexos e os sonhos não realizados quando se expressam naturalmente, são superados pelas conquistas do discernimento e da razão, da contribuição da psique, unindo as duas fissões numa só significação.

Texto trabalhado do livro, Em Busca da Verdade, psicografia de Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis. 29/08/15.








domingo, 23 de agosto de 2015

RENDENDO-SE À GRATIDÃO

Enquanto o exercício da gratidão não for natural, espalhando-se generoso, a maturidade psicológica do indivíduo ainda não atingiu o objetivo a que deve alcançar.
Considerando que é preciso consegui-lo pelo esforço moral bem dirigido, o indivíduo aflige-se nos conflitos existenciais, valorizando as reações e comportamentos negativos do convívio social.
Faltar a gratidão na agenda emocional mostra o primarismo evolutivo, a ingratidão é inferioridade moral pedindo terapêutica especifica e cuidadosa, por se comportar como doenças que consomem o ser humano.
O ingrato é ansioso, com baixo nível de autoestima, medo dos enfrentamentos, conduzindo complexo de inferioridade.
Se é homenageado ou apontado por afeições sinceras, ou mimoseado com algo, sofre e, interiormente soberbo, cala o sentimento gratulatório, demonstrando o transtorno sistêmico que o aflige. Outras vezes sente mágoa ou desconforto emocional acreditando-se credor de mais consideração, enquanto inconscientemente ele inveja o outro, o ser generoso e amigo que o busca dignificar.
Suspeita da lealdade de qualquer amizade, buscando motivos falsos para justificar-se, pela falta de mérito que reconhece conscientemente, em paradoxo da conduta emocional.
Esconde-se numa aparência que disfarça os sentimentos, bloqueando as vias do relacionamento, mantendo atitudes agressivas e medrosas com que afasta as pessoas do seu circulo de amizade, já bem pequeno. Satisfazendo-se na solidão até que, supervalorizando-se, faz-se falante, importante, chamando a atenção para os seus títulos de destaque, após cuja catarse glamourosa volta ao mutismo, à conduta desagradável.
Em outras situações é gentil com os estranhos querendo conquistá-los com uma imagem bem projetada, e rude, quando o objetivo é alcançado.
Esses pacientes são encantadores fora do lar e  verdugos domésticos de difícil convivência.
A sombra neles predomina e asfixia as manifestações do self mantendo-se como vítimas da sociedade, dos indivíduos, incompreendidos.
A gratidão é sentimento nobre que vem das profundas nascentes da psique.
As decisões que dignificam o ser humano e a vida, vem do psiquismo – o selfe são captadas pelo córtex posteromedial que transmite a mensagem por redes neuronais, incumbidas de atender o impulso original, transformando aquelas decisões em emoções de prazer, de felicidade.
Em poucos segundos atingem o ápice em relação às outras emoções que se expressam mais rapidamente na organização fisiológica.
Por isso, as emoções vindas da gratidão são de bem-estar, de alegria, compensando as despesas energéticas decorrentes das neurotransmissões com ondas menos harmoniosas e benéficas.
O hábito de ser grato, pela repetição, equilibra as descargas de adrenalina e de noradrenalina, ao tempo em que o cortisol mantém o controle dessas substancias químicas neutralizando os excessos que poderiam ocorrer, produzindo em consequência alterações glicêmicas, do ritmo cardíaco... como ocorre com as emoções inferiores como a ira, o medo, a ansiedade, a mágoa...
Fazendo reflexões sinceras o indivíduo pode render-se à gratidão, evitando condutas agressivas e atitudes mentais pessimistas.
Nessa análise, descobre-se o quanto se tem de reconhecimento e o pouco de que se necessita para uma vida plena.
O essencial está sempre ao alcance do ser em evolução, enquanto o secundário é o resultado de ambição egoica sem medida.
Com esse enfoque percebe-se certas faltas e carências valorizadas, produzindo sofrimento, pela falta de entendimento da sua finalidade. Com suas enfermidades, acontecimentos malsucedidos, fenômenos chamados de aziagos que são parte do processo de crescimento moral e espiritual, consequentes das ações do passado que os originaram.
Às vezes, uma decepção com alguém querido, ao invés de ser um mal transforma-se em bem, porque o outro mostra-se, com melhor possibilidade de o entender além da sombra em que se oculta.
Insucessos de um momento, bem administrados, transformam-se em lições de profunda sabedoria, libertando o ego da sua situação afligente.
Tudo, que ocorre, mesmo que produza sensações desagradáveis ou emoções desconcertantes, são parte das experiências que promovem o ser humano, desde que compreenda a sua finalidade, expressando gratidão por sua ocorrência. Não somente o que traz prazer e sucesso merece gratulação, até porque a sua passagem é rápida,  como a insatisfação e o momentâneo mal-estar...
A compreensão de que tudo tem um sentido moral e um significado psicológico importante proporciona harmonia íntima, trabalhando pela superação de como se encontra, para se alcançar a plenitude.
Muitas existências aquinhoadas por tesouros, como equilíbrio orgânico e saúde, beleza, prestígio social e recursos econômicos, sofrem pelo excesso, caindo no tédio, nas fugas psicológicas levando à quedas morais esses privilegiados.
Deparam-se, em consequência, duas posturas: a que se caracteriza pela carência, pelo sofrimento, pela falta de vitórias materiais, que proporcionam alegria quando bem administrados, e a outra cheia de valores preciosos mas sem significado...
É Indispensável, a entrega irrestrita à gratidão, à vivencia da alegria de aprender, à conquista da saúde integral a caminho da individuação, a perfeita integração do eixo ego-self.
A psicologia da gratidão abre-se, num elenco de excelentes recursos que proporciona a felicidade do ser humano.
Texto trabalhado do livro Psicologia da Gratidão, autor espirito Joanna de Ângelis, psicografia Joanna de Ângelis. 23/08/2015


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O SER HUMANO EM CRISE EXISTENCIAL

As conquistas do conhecimento e do pensamento atual trouxeram muitos benefícios para a vida nas diversas expressões na Terra.

Temos avanços na sociologia, ampliando os espaços da fraternidade, dos direitos humanos, ainda não respeitados conforme propostos, demonstrando a excelência da comunhão espiritual entre as criaturas.

As duas grandes guerras perversas que marcaram o sec.XX, cujos efeitos negativos que a sociedade ainda vive, demonstraram o primitivismo e o atraso moral das criaturas humanas, que parecem ter regredido em algumas partes ao período primário da evolução, tamanha a crueldade que as caracterizou.

Um dos períodos mais difíceis foi o da explosão atômica em Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945, tornando-se limite do passado com relação ao presente-futuro, com o surgimento do período chamado pós-industrial ou pós-modernidade, conforme conceitos de muitos estudiosos inclusive Émile Durkheim, sociólogo e filósofo francês da educação.

Essa fase, cada vez mais perturbadora nas mentes e nos comportamentos, responde pela perda emocional de valores de alto porte, que vem reduzindo o ser humano à condição robótica.

De um lado, a evolução da ciência e da tecnologia, e d’outro, o isolamento em relação ao grupo social, as mudanças drásticas a respeito da vida e do seu significado, diante dos mentirosos padrões escolhidos como ideais para o bem-estar e a felicidade.

A contribuição virtual facilitou a comunicação, o conhecimento de acontecimentos on line, ao mesmo momento em toda a Terra, cresce os disparates e estímulos à violência, ao ódio, ao racismo, ao crime, ao suicídio, às mudanças de conduta, perturba e domina internautas desavisados ou menos resistentes moralmente.

Relações amorosas suspeitas estabelecem-se, dando asas à fantasia e à ilusão, resultando em lares e vidas que se fragilizam com personalidades psicopatas, sem sentimento de elevação, que utiliza do recurso para esconder-se,  expandindo às paixões perigosas...

O culto ao corpo e ao prazer, o desvio das funções sexuais, a mentirosa vitória nas telinhas com os seus quinze minutos de fama,  enlouquecem a juventude ansiosa e sem direção, que busca o fácil com a venda da inocência, antecipando as experiências humanas dolorosas no período juvenil, quando ainda não tem a madureza para os enfrentamentos, enfraquecendo as esperanças sensivelmente...

O curto tempo, pela necessidade de participar de tudo, de saber todos os acontecimentos, prisioneiro da liberdade de pensamento e de movimentação, acaba em dolorosa ansiedade e frustração, levando para a depressão ou a revolta as suas vítimas.

A falta de comunicação verbal e escrita, de contato humano sem suspeita nem deslumbramento, permitindo relacionamentos saudáveis, leva as pessoas aos interesses egóicos sem convivência com os demais, consequente dessa pós-modernidade doentia e sem significado psicológico.

Corpos belos pelo excesso de musculação, sarados e vazios de aspirações e de significado, abrem espaços para condutas insensatas, que elevam à glória equivocada e derrubam os que foram arrastados pelas fantasias dos seus apadrinhados.

Com algumas exceções, vivemos uma sociedade enlouquecida, na busca de coisa nenhuma, pela transitoriedade das conquistas e do sequente vazio  existencial, que envelhecem e envilecem rapidamente os seus seguidores e envolvidos com os sentidos físicos...

As mudanças rápidas de humor e as fugas dos compromissos éticos, que dão sentido a vida, caracterizam esta fase de incertezas.

O homem vive uma crise existencial.

A falta de identidade entre ego e Self resulta na falta de percepção do existir e do como agir, favorecendo o domínio da sombra ignorada nos comportamentos.

Aumenta o número de infelizes e de infelicitadores com patologia mal disfarçada.

Essa experiência individual e coletiva, é  necessária para o amadurecimento e evolução do  homem que se afastou de si, buscando fora a alegria que está nele. Ninguém pode trazer felicidade e bem-estar reais, porque essas emoções são independentes de situações externas, mesmo se pensem ao contrário. São sensações que se expressam como emoções e abrem espaço aos transtornos, às frustrações e amarguras quando a pessoa que traz o prazer muda de conduta ou se desinteressa por continuar no que agora lhe é tedioso.

A mídia cria ídolos e devora-os a cada instante, exaltando crimes e criminosos como manchete contínua, esgotando os clientes, especialmente pela televisão, nas repetições das cenas de horror, nos julgamentos arbitrários daqueles aos quais atribui a responsabilidade pela desgraça, no estímulo à justiça pelas próprias mãos, encorajando psicopatas adormecidos a se tornarem famosos pelos espetáculos terríveis que exibe...

O despudor agressivo que arrebata as multidões, especialmente acompanhando as cenas de deboche nos aplaudidos programas de degradação humana, para a conquista da fama pela imoralidade e do dinheiro pela perda da dignidade, faz surgir as múmias morais, os seres sem emoção nem sensibilidade que se submetem a tudo para atingir as metas estimuladas pelo mercado do sexo e da droga...

Temos muitos trabalhos de elevação moral e dignificação humana, mas ainda insuficientes, para levar a massa ao caminho do discernimento e da saúde real.

São exemplos de fidelidade ao dever e de continuidade da ação edificante que contribuem para equilibrar a balança moral do planeta humano, com os braços estendidos para o socorro aos caídos, para diminuição do desespero dos fracassados, para a solidariedade aos abandonados pelo triunfo mentiroso.

Eles comprovam que o homem é destinado à ascensão e que o estágio inferior em que se compraz é passageiro por mais que demore, possibilitando-lhe a experiência da vivencia para a construção da sua individuação.

Conquistar essa individuação é como um parto. Todos os partos doem mesmo os denominados sem dor... Então, as dores íntimas e as faltas  importantes, mas sem valor real, é a gestação para o parto da plenitude.

Inevitavelmente, o ser humano traz o mito do significado e mesmo que incapaz de identificar chega o instante que a anestesia do prazer desaparece ante o sol da realidade, eis que leva  para o avanço interno, a compreensão da mensagem do viver e do crescer psicologicamente.


Texto estudado do livro Em Busca da Verdade de Joanna de Ângelis e Divaldo Franco. 07/08/2015

quarta-feira, 29 de julho de 2015

APLICATIVOS GRATULATÓRIOS
Quando se pensa nos aplicativos gratulatórios, o arquétipo correspondente organiza a história dos acontecimentos para dar novo passo na conquista da consciência. Essa não é uma conquista convencional, mas a possibilidade de melhor compreender a realidade, de se reconhecer a grandeza da vida, sua beleza e seu significado.
Surgirá certa nostalgia conceptual da gratidão conforme a herança ancestral, que precisa ser superado pelo sentimento de ser útil e de participar ativamente no processo de crescimento da sociedade como um todo e do indivíduo em particular.
O homem é cocriador dos reflexos da realidade na história da evolução moral e espiritual presente num todo que, surge no inconsciente como sonhos arquetípicos, e se transformam em expositores das metas a atingir.
Todos temos papeis importantes a desempenhar no universo, permitindo que a consciência reflita os acontecimentos do cosmo e os introjete na consciência individual, e depois na coletiva.
Herdeiro das próprias experiências, o ser humano é chamado a crescer em cada etapa do seu processo  de desenvolvimento ético-moral, experimentando pequenos valores que se transformam em significados profundos. Natural é querer produzir realizações grandiosas, capazes de provocar admiração, num processo de exaltação do ego, embora, sejam as de aparente pequeno valor que aprimoram o caráter e contribuem para a saúde emocional, por serem mais vivas no dia a dia de cada um e de todos em geral.
A solidariedade, que fascina as massas, quando divulgada pela mídia, é pouco exercitada como aplicativo gratulatório, devendo propiciar o hábito de ser útil, de estar sempre atento para ajudar, contribuindo para a mudança do status quo presente para um patamar histórico e moral mais elevado.
Redescobrir a solidariedade, participando das atividades coletivas e ajudando com a  compreensão, a bondade e o entendimento fraterno  das dificuldades dos outros que enfrenta a maioria, ainda na infância psicológica, é conduta relevante  e magna. Essa cooperação expressa-se pelo interesse de tornar a vida na Terra mais feliz, diminuindo os motivos de atrito e de desconforto moral, social e econômico, com a gentileza ou qualquer tipo de ajuda a quem precise.
Esse esforço dá consciência ao ego sobre a responsabilidade de superar a sombra e vincular-se ao self ( o ser real, eu espiritual, eu profundo) em ação dinâmica de construções importantes. Essa conduta propicia ao indivíduo a alegria de viver, auxilia na libertação do estresse, evitando que caia na neurastenia ou na depressão.
Exercitando o sentimento da gratidão, automatiza-se o comportamento registrado no inconsciente, exteriorizando-se em outras oportunidades sem esforço.
A consciência objetiva (a psique) se relaciona com a subjetividade do ego, sendo assim imprevisível, já o inconsciente com os estereótipos arquivados responde com o esperado que se quer.
No universo da gratidão, consideremos a ternura que vem perdendo espaço no comportamento dos indivíduos por se encontrarem armados contra os acontecimentos perturbadores, só se expressando nos relacionamentos mais íntimos, nos momentos de emoção afetiva especialmente entre os familiares e amigos mais próximos. Ela, a ternura, deveria ser uma conduta natural, distribuindo gentileza e prazer no convívio, no entorno do indivíduo, como: a natureza e suas expressões, os seres humanos, mesmo os inamistosos, sofridos pelos conflitos a que se permitem.
A ternura resulta da cultura e da vivencia nas ações superiores do amor, que coloca modelos de conduta nobre, relacionando-se com simpatia e generosidade.
Todos necessitamos do estímulo da ternura que mantém os relacionamentos nas dificuldades, as afeições quando se vão desgastando, parando a animosidade quando surge.
Um dos motivos de desentendimentos nas uniões sexuais é a falta de ternura com que os pares se relacionam. Mais atraídos pelo prazer sexual, as pessoas quase não valorizam o convívio, porque são carentes afetivos interiores e esperam ser preenchidos pela outra pessoa, que carrega o mesmo problema da falta da afetividade pessoal. Após o prazer, surgem os atritos dos solitários a dois, esquecidos de serem solidários.
Não havendo ternura que estreita os laços do amor entre os parceiros, o gozo é rápido e abre espaço a buscas diferentes, abrindo espaço para sonhos e ambições por outro que lhe traga além do desejo e da realização rápida. A consequência, é a insatisfação, a busca de alguém ideal mitológico da perfeição, sem preocupar-se com o que esse buscado com ansiedade também deseja.
Como isso é generalizado, pessoas que esperam o ser ideal para se unir, - todos querendo que  o outro lhe preencha o seu vazio existencial -, aumenta o número dos solitários e insatisfeitos, na multidão, na família, nos vínculos da afetividade mais rápida.
A ternura propõe a preocupação de bem-estar, quando se pensa no outro, de como fazê-lo feliz, mantendo a comunicação jovial, as demonstrações do afeto, da necessidade da presença e da reciprocidade afetiva...
O tempo sem tempo que todos apontam responde pelas carências de todo tipo, sendo a falta da afetividade que cria as fugas psicológicas, as transferências para as coisas e os lugares, aplicando a oportunidade útil em buscas e em atividades secundárias frustradoras.
É preciso encarar a própria deficiência afetiva e  procurar voltar às causas próximas e  remotas, conservando momentos para o autoexame da consciência, para a transcendência, para o encontro com o si profundo (self).
Todas as vezes que a sombra, (nossas dificuldades psicológicas) mascara os sentimentos do indivíduo não deixando que ele perceba a realidade, a fuga prende-o ao conveniente, ao que gostaria de ser, ficando no medo de ser descoberto, criando conflito desnecessário de fácil eliminação, usando a coragem da compreensão para assumir como se é, embora com limites e dificuldades, ou com as bênçãos e as realizações que já conquistou.
A sombra sempre vigilante arma-se contra as novas conquistas, em autodefesa para continuar sobrevivendo, escondendo-se no ego. O cuidado para identifica-la e trabalha-la nunca é demais, dissolvendo a sua influencia e libertando-se para assumir a própria realidade.
A gratidão contribui para essa batalha silenciosa  na psique, trazendo uma visão ampla do mundo e profunda de todos que formam o circulo das amizades humanas.

Texto trabalhado do livro Psicologia da Gratidão, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco. 29/07/2015

quinta-feira, 23 de julho de 2015

SER-SE INTEGRALMENTE

A dicotomia psicológica do ter e do ser é uma séria questão no comportamento individual e social da Humanidade.

A criança é educada, para ter, para vencer na vida e não sobre a vida com as suas dificuldades, mas para possuir e gozar.

Como a vida não é feita apenas de sensações, mas principalmente de emoções, e o ser é mais psicológico do que fisiológico, mesmo sem saber, é natural que esse conflito esteja presente em todos os instantes nas reflexões, nas ambições, nas programações existenciais.

Essa falsa concepção tem como consequência uma visão neurótica do mundo e de Deus, com função precípua e exclusiva atender aos desejos e caprichos do ser humano, sem a faculdade de pensar e de agir, como alguém numa viagem fantástica por um país utópico, no caso, o planeta terrestre.

Quando algo leva à luta pelo crescimento intelecto-moral, pelo desenvolvimento espiritual, a conduta neurótica quer que tudo seja resolvido como mágica, por milagre, por exemplo, ou seja uma concessão especial, como um privilégio, como se fosse um ser excepcional...Como todos pensam da mesma forma resulta que o conceito desse deus apaixonado e antropomórfico, - como transferência inconsciente da imagem do pai que foi superada no período do desenvolvimento orgânico e mental,- sofrem o impacto da descrença, da decepção, da amargura, abrindo espaço para os conflitos perturbadores.

Se a educação infantil se preocupasse em preparar a criança para tornar-se um ser integral, sem fraccionamentos, utilizando-se dos preciosos recursos de que é constituída, à medida que evoluísse não experimentaria sofrimentos das frustrações das lutas pelo ter e pelo poder.

O conceito de Deus inerente e transcendente a tudo e a todos, como força inicial e básica de todo Universo, evitaria a transferência do conceito paterno, mantendo, a aceitação da Causa absoluta.

O Si-mesmo facilmente identificaria os objetivos reais da vida, evoluindo com os processos orgânicos e psíquicos, sem apequenar-se diante das necessidades surgidas durante o crescimento espiritual.

Tal programa educativo evitaria a criança interior ferida pelo descuido ou superproteção dos pais, possibilitando um desenvolvimento conforme o nível de evolução em que se encontra cada Espírito.

O conceito de culpa seria olhado sem castrações, demonstrando ser normal a sua presença, resultado inevitável do cair em si após comportamentos irregulares, aceitando-a e libertando-a através da reabilitação, do processo de recomposição dos prejuízos causados pela arrogância ou pela ignorância.

Uma vida saudável constroem-se no ser e não no que se tem e frequentemente muda de mãos.

O ter e o poder passam a ser carrascos do indivíduo, porque se transferem do estado de posse tornando-se possuidores, fazendo-o escravo do egoísmo e dos interesses menores. Produzem conceitos falsos nos relacionamentos humanos, porque dão a impressão de que não são amados, sendo que, todos que se aproximam estão mais interessados nos seus bens do que em quem o detém. Infelizmente na maioria das vezes, ocorre dessa forma, embora com sérias exceções.

O indivíduo não é o que tem ou o que pensa que administra, mas os seus valores espirituais, a sua capacidade de amar, os tesouros da bondade, da compaixão, do sentido existencial.

Diante da impressão da continuidade da vida material, os apegos às posses levam a conflitos, insegurança, suspeitas, às vezes, sem fundamentos, porque são fugidios e o que oferecem é de duração rápida. Sai-se de uma experiência dominadora para outra mais escravista, tendo os interesses fixados no ego e nos fenômenos dele decorrentes, como a ambição de ter mais e de poder mais, responsáveis pela prepotência, pela arrogância, que são seus filhos naturais, ao invés da luta para conseguir alcançar a realidade interna.
Quando há uma preocupação real ao autoconhecimento, considerando os acontecimentos normais como necessárias ao processo da evolução, a saúde integral passa a fazer parte do calendário emocional daquele que assim procede.

Esse processo impõe a ligação com a alma, ou seja, vigilância permanente com o ser profundo, o ser espiritual que se é, e não com a capa que veste para a caminhada terrestre.

No passado, e ainda hoje, as religiões tradicionalistas, criaram e continuam criando cultos e cerimônias externas responsáveis por manter o vinculo aparente, estabelecendo dogmas em torno delas, responsáveis pelo medo e  submissão. Embora a proposta seja positiva, ela perde o significado tornando-se perturbadora pela imposição sacramental e rigorosa, de significado compensatório ou punitivo. Nas compensações, ela traz uma falsa sintonia, ligada ao interesse dos benefícios conseguidos com a prática exterior, dificultando assim a ligação interna, profunda, significativa. Quanto às punições, compromete o adepto que se preocupa mais com a forma do que com o conteúdo, e os que são sinceros, tornam-se tementes ao invés de conscientes dos resultados psicológicos da identificação com o Si-mesmo. No entanto, uma analise descomprometida com o formalismo religioso ou com as denominações estabelecidas na fé, permite que, na Bíblia, esse notável manancial de inspiração e de sabedoria, separado o trigo do joio, encontrem contribuições para a interpretação de conflitos e orientações necessárias ao bem-estar, em aforismos e lições de beleza ímpar, nos seus arquétipos e mitos bem-estabelecidos, que podem ser interpretados e integrados ao eixo ego-Self.

Através desses ensinos é possível pela reflexão voltar-se para o mundo interior, encontrar-se a morada da alma, conviver-se com as suas necessidades não perturbadoras.

Nesse campo, o amor tem papel determinante porque só com ele é possível alcançar a alma, que precisa desse sentimento para expandir-se, alcançando a sua finalidade evolutiva.

Com esse esforço contínuo, redescobrindo-se a criança interior saudável, que inspira ternura e amizade, sem a malícia e ideias preconcebidas, consegue-se um estado interno de harmonia, porque a ausência de suspeitas e de insegurança promove o bem-estar responsável pela felicidade.

A criança tem uma confiança no adulto que ultrapassa a razão. O que ele promete ou faz, marca fortemente a personalidade em formação, o caráter em desenvolvimento, e porque não traz incertezas, entrega-se totalmente, deixando-se conduzir.

Alguém disse com beleza, que diante da criança sempre se encontrava diante de um deus...

Sabe-se que o Espírito em si, não é criança, mas a forma, que o reveste, trazendo o esquecimento do ontem e a ingenuidade do hoje para a sabedoria do amanhã propicia essa ternura e afeição que comove a todos.

Tudo que, se instala na infância, fixa-se-lhe em toda a existência.

Em um dos terremotos que abalam periodicamente a Turquia, houve o desabamento de uma escola infantil onde haviam dezenas de crianças.

Fizeram tudo para resgatá-las com vida. Após dias de trabalho, os especialistas concluíram que, pelo tempo passado, mesmo que se chegasse até elas, seria tarde, porque todas estariam mortas.

Porém um pai, escavando, pedindo ajuda, disse que tinha certeza que seu filho e outros haviam resistido e ainda estavam com vida.

Já sem esperança, os trabalhadores cansados começaram a desistir, menos o pai.

Depois de grandes esforços, abaixo do desmoronamento, havia uma brecha, e se pode perceber que algumas crianças estavam embaixo de vigas que se sustentaram umas nas outras, ficando espaço para respirar e viver.

O pai aflito chamou pelo filhinho, que lhe respondeu: - Eu tinha certeza que você viria papai.
Estimulou todas as crianças a serem retiradas, ficando em ultimo lugar, porque sabia que o seu pai não desistiria enquanto ele não fosse libertado.

O pai tinha o hábito de dizer-lhe que confiasse sempre no seu amor e nunca temesse qualquer dificuldade, porque ele estaria onde quer que fosse para o proteger e amparar.

Essa confiança, a criança transferiu aos amiguinhos, conseguindo sobreviver pela certeza, sem qualquer  dúvida de que o pai o salvaria...

Quando a criança é estigmatizada, punida, justa ou injustamente embora não seja admissível uma punição infantil chamada justa, ela absorve as informações e castigos, passando a não crer em seus valores, sem estímulos para avançar, crescer e prosseguir, porque mortalmente ferida, carrega a marca, tornando-se rebelde, cruel, cínica, sem sentimentos bons, que estão asfixiados debaixo do lixo da perversidade dos pais ou dos adultos que a insultaram, menosprezaram, condenaram-na...

O ser é, a grande proposta da psicologia, no sentido profundo ainda do vir-a-ser, conscientizando-se das  possibilidades adormecidas que devem ser despertadas pelo amor, pela educação, pela convivência social, para que atinja a individuação.

A realidade da psique propõe, desenvolver as possibilidades existenciais em germe em todos os seres, crescendo para a realidade e o saudável comportamento para alcançar o patamar de um ser integral, condutor de saúde total.

A conquista da consciência humana iluminada, conforme Jung rompe a cadeia do sofrimento, adquirindo significado metafísico e cósmico.

Romper essa cadeia do sofrimento representa manter uma conduta superior, elegendo o que fazer ao próximo, conforme recomendava Jesus, nunca revidando mal por mal, por ser a única terapêutica possuidora do recurso de gerar tranquilidade interior.

Quando os adultos compreenderem esse significado, não transferirão para os filhos as suas  feridas emocionais, amando-os integralmente e apresentando-lhes a alma, o ser metafísico e cósmico.

Deve ser feito todo esforço, na busca do ser e não do ter...

As parábolas da ovelha que se perde, e a da dracma que desaparece, se referem ao ter, convidando ao encontro para o equilíbrio da posse, que tem muita importância na vida social.

Jesus, após expô-las, coroou a Sua proposta iluminativa, respondendo aos que O perseguiam porque convivia com as misérias alheias visíveis dos afligidos e desamparados, ensinando a necessidade de ser e não de ter, a coragem de  cair em si, de recuperar-se, de encontrar-se...


Texto trabalhado a partir do livro Em Busca da Verdade de Divaldo Franco/ Joanna de Ângelis. 23/07/15

domingo, 19 de julho de 2015


EXERCÍCIO DA GRATIDÃO
As conquistas do conhecimento e da experiência de vida resultam do treino, do exercício.
Quando o self (eu profundo, ser real ou, ser espiritual) está em desenvolvimento, as emoções ainda se caracterizam pelas heranças do instinto, que se modificam aos poucos, até alcançar os estágios do amor e da gratidão. É natural que as condutas humanas durante esse processo estejam afetadas pelo egotismo gerador da ingratidão. O indivíduo atribui-se méritos que não os tem e tudo que recebe considera consequência do seu mérito, do seu valor. A permanência da sombra dificulta-lhe o discernimento, impondo-lhe situações embaraçosas e perversas. Esse movimento demorado vai-se modificando conforme as experiências edificantes vão-se acumulando como resultado do treinamento, trazendo lucidez para  compreender a felicidade após descobrir o significado existencial.
O único sentido, de ser humano propõe como foco principal a emoção do amor que será alcançada. No oceano do amor, tudo se confunde em plenitude, logo em superação do ego e dos arquétipos perturbadores.
È necessário e urgente reservar espaço e tempo para o treino do perdão, assim como das outras expressões do amor, para descobrir a alegria que, resulta de qualquer satisfação, seja um efeito do ato de amar.
Para alcancar esse objetivo, é urgente o dever de mergulhar no self (o ser imortal, ser real) para encontrar a consciência, no começo num monólogo e depois num diálogo construtivo e iluminativo.
Jung coloca cinco etapas para a conquista da consciência, seu desenvolvimento no caminho da vitória plena.
A primeira etapa que ele chama de participation mystique se refere à identificação entre a consciência do ser e tudo quanto lhe diz respeito no entorno da sua existência. É difícil viver no mundo sem a interdependência com o que está em volta. Nesse sentido, a identificação é variada, considerando-se os que, ainda vitimas das sensações, continuam ligados aos objetos e vivenciam-nos, sorrindo ou sofrendo. Alguém se identifica e se apaixona pela casa onde mora, pelo instrumento de arte a que se dedica, pelo automóvel ou outro veículo qualquer, e  experimenta os sentimentos do si-mesmo em relação a cada objeto. Outros se vinculam às suas famílias da mesma forma e vivenciam sentimentos de introjeção e projeção, além da própria identificação.
Na segunda etapa, já se expressa a consciência que distingue o eu e o outro. Quando alcança esse período em que se pode diferenciar o sujeito do objeto, o self que se é em relação ao do outro ser, passa a descobrir, a identificar as diversidades de que cada qual se constitui. Nessa fase, ainda permanecem os resquícios fortes da projeção no outro, mas que se vai diluindo e favorecendo a identidade.
Na terceira etapa, as projeções transferem-se para símbolos, lições, princípios éticos, facultando a compreensão do abstrato, como a realidade de Deus em alguma parte... O conceito vigente desse deus, quando punitivo ou compensador, representa a projeção transferida dos pais para algo mais transcendente ou até mitológico.
 Na quarta etapa, tem lugar a superação das projeções, mesmo que marcadas pela transcendência do abstrato e das ideias. Surge, o centro vazio, que poderíamos chamar de o homem moderno em busca da sua alma. O utilitarismo e o interesse imediato tomam conta do indivíduo, como substitutos das projeções anteriores. Nesse comenos, há predomínio do prazer e os desejos de fácil controle, podendo ocorrer, se não se permitem essas sensações-emoções, caindo em transtornos depressivos. Nesse mundo novo não há conteúdos psíquicos, fazendo com que cada um se sinta realista. Esse é o momento em que o ego se sente como se fosse o próprio deus, capaz de fazer e concluir sempre de forma pessoal a respeito de tudo que lhe diz respeito, selecionando o que é verdadeiro ou não, o que merece consideração ou desprezo... Com esse comportamento egóico, não é difícil cometer enganos lamentáveis, derivados da auto presunção, dos julgamentos precipitados a respeito das outras pessoas, podendo tornar-se megalomaníaco. Perde-se o anterior controle das convenções sociais em relação aos demais indivíduos e aos padrões de comportamento aceitos e convencionados. Nem todas as pessoas, no desenvolvimento da sua consciência, atingem essa etapa, ficando somente nas iniciais.
Por fim, na quinta etapa, quando já se encontra amadurecido psicologicamente, o indivíduo passa à reintegração da consciência com a inconsciência, descobrindo os seus limites – do ego -, alcançando a chamada fase de atualidade, conseguindo a função transcendente e o símbolo unificador.
Livre dos arquétipos em imagens que caracterizam o outro, conforme a experiência da etapa anterior, a quarta, identifica os gloriosos poderes do inconsciente. Nessa fase de modernidade ou de atualidade, a consciência identifica a vida psíquica nas projeções, não mais compostas por conteúdos materiais ou mesmo deles formadas, mas da realidade de si mesma.
O mestre, não para por aí, e há momentos em que ele parece propor mais outras etapas, cabendo-nos determo-nos nessas, mais conforme com os objetivos do nosso trabalho.
Nessa fase em que a consciência identifica o inconsciente e fundem-se, surgem as aspirações do belo, do ideal, do uno, da individuação.
Para ser conseguida essa plenitude, o sentimento de gratidão à vida, a todos que contribuíram e contribuem para que o mundo seja melhor e as dificuldades sejam sanadas, que ofereceram sua ajuda no transcurso do desenvolvimento intelecto moral, transforma-se num impulso para o estado numinoso, em que já não há sombra. Embora, para chegar a esse objetivo, seja indispensável o treino constante, o exercício da gratidão.
No início, apresenta-se como ato de dever, o de retribuição por tudo que desfruta, sem o sentimento por faltar ainda a maturidade psicológica interior. Porem o hábito, que se formará vai estimular ao prosseguimento da valorização de todos os acontecimentos e das pessoas com as quais se convive, percebendo que esse sentido de fraternidade gentil e retributiva proporciona uma intraduzível alegria de viver.
Criado o estímulo gratulatório, tudo tem significado relevante, possibilitando entendimento melhor dos acontecimentos existenciais, mesmo os que se apresentam como sofrimento, isto é, que têm momentâneo caráter afligente ou desagradável, que pode ser superado pelo empenho de ser útil, de compreender o esforço dos demais na construção do mundo melhor, entender-lhes os fracassos e os insistentes sacrifícios para corrigir-se...
Habitualmente, o julgamento da conduta dos outros, especialmente relativos à questões perturbadoras contra alguém, se conclui equivocadamente, por certo a conduta do outro, do inamistoso, realizando uma projeção inconsciente dos seus próprios conflitos... Todos os indivíduos têm dificuldades de vencer as questões perturbadoras, especialmente as procedentes dos atavismos que se organizaram no passado por onde passaram. A tolerância, que é uma expressão de amizade inicial, trará a compreensão de que se não é fácil para si mesmo a mudança para melhor, não deve ser diferente para o outro.
Tentando-se, o exercício da gratidão embora com erros e acertos, chega-se o momento em que o ser se enche da alegria de ser gentil e agradecido, não só por palavras, mas principalmente por atitudes, tornando a existência agradável e, assim, ampliando o círculo de bem-estar em sua volta, mudando as paisagens emocionais desorganizadas.
A gratidão tem esse maravilhoso mister (poder) o de tornar o mundo e as pessoas mais belas e mais queridas.

Trabalho executado a partir do livro Psicologia da Gratidão de Joanna de Ângelis, médium Divaldo Franco. Publicado 19/07/15.