"Quando alguém deseja alcançar a vitória sobre os fatores externos, eliminando as Medusas que estão no íntimo, nenhum medo mais o assusta ou aflige, porque a sua onda mental está no idealismo do amor e do bem incessante, que prevalecem com alto significado, não se permitindo que o ressentimento ou a vingança lhe assinale a conduta" "JOANA DE ÂNGELIS"
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Voltando...
Queridos visitantes, estaremos novamente conversando sobre a Psicologia Espírita de Joanna de Ângeles logo após o carnaval. Desejo um bom descanso e produtivas reflexões. beijos. Adáuria.
sábado, 20 de setembro de 2014
O
milagre da gratidão
Os
sentimentos inferiores, herança do processo evolutivo
vivido no período do instinto dominador,
são prisões sem grades que limitam o
movimento emocional e espiritual do ser, constrangendo o processo iluminativo e
gerando sofrimentos.
São responsáveis pelo ressentimento, pela raiva, pelo ciúmes que se
transformam em conflitos graves no comportamento humano. Esse ego primitivo têm
obrigação consciente de eleger o
bem-estar e a saúde como diretrizes que lhe traga a harmonia, possibilitando a identificação com as aspirações do self em estágio superior de apercebimento da finalidade existencial.
Ficando como sombra morbosa, abre espaço à
instalação de emoções também primárias,
que a razão bem dirigida deve superar.
Emergindo
frequentemente do inconsciente pessoal, afastam o paciente do
convívio social saudável, fazendo que os seus relacionamentos domésticos sejam
desagradáveis, de agressividade ou de indiferença, de distanciamento ou de
introspecção rancorosa.
Graças a conquista da
consciência, o ser humano, está
destinado à individuação que alcançará pela perfeita fusão do eixo ego-self, à completude, na qual retornará à unidade
que sofreu fissão durante o processo antropossociopsicológico
da evolução através das reencarnações.
Jung afirmou
que, a individuação é o “processo de
diferenciação que busca o desenvolvimento da personalidade individual e da
consciência do ser único, indivisível e distinto da coletividade,” quando o
self atinge a culminância da sua
realidade imortal ...
Deve ser colocado a serviço
do equilíbrio, da harmonia emocional e psíquica, todo esforço para combater as
imperfeições morais
Nessa abordagem clinica, a gratidão tem função psicoterapêutica muito importante por entender os acontecimentos
do dia a dia, mesmo os perturbadores, não interferindo no comportamento
equilibrado, que resulta da consciência de responsabilidade ante a vida. O amadurecimento psicológico desperta a
consciência para a sua realidade
transcendental, superando os impositivos imediatos dos instintos e
ampliando as percepções dos valores existenciais.
Não se pode evitar as aflições
no transito humano, tendo-se em vista os atavismos pessoais, a convivência
social e familiar desafiadora, propiciando aprimoramento dos
sentimentos, particularmente a
tolerância, a compaixão, o interesse afetivo, a solidariedade...
Normalmente acredita-se que a gratidão é um sentimento sublime que opera os milagres
do amor, diante do seu caráter retributivo. Porém esse conceito, limita-o
ao reconhecimento pelo bem que se recebe
e pelo desejo de devolvê-lo. Na análise de Joanna de Ângelis, muito sutil e
mais profunda, vai além da compensação pelo que se recebe e se vivencia.
Quando
alguém consegue a experiência da gratulação, mesmo em relação aos
insucessos, que podem ser considerados
experiências que ensinam a agir com responsabilidade e retidão, alcança o patamar em que deve ser vivida.
O
sentido psicológico da reencarnação é conseguir-se a transformação moral do self e a liberação dos seus conteúdos ocultos ou
que se encontram em germe, capacitando-o aos enfrentamentos com outros
arquétipos inquietadores, especialmente
quando se tornam imperiosos e dominantes no comportamento. Uma conscientização
do ser que se é possibilita renovação
das forças morais para diluir a
sombra e desenvolver as experiências
renovadoras.
A arte da gratidão que é a ciência da afetuosa emoção pelo
existir leva a condutas que parece paradoxal, como no caso das
aflições e dos desaires...
Há
um século e meio quase. Santo Agostinho, Espírito, conclamava os que sofriam à
coragem e à resignação, ante as aflições, mesmo as de aparência cruel,
propondo: “as provas rudes ouvi-me bem,
são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do
Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus.”
As provações, bênçãos que a vida oferece
ao calceta, que
cometeu no passado e/ou na atual existência arbitrariedades, ferindo a harmonia das leis universais,
comprometendo a consciência, para
que disponha de meios de recuperar-se da culpa inscrita na intimidade do ser,
vivenciando a contribuição do sofrimento que o dignifica, já que a relatividade orgânica está sempre
sujeita a essa sinuosidade com altibaixos na saúde e no bem-estar...
O processo da evolução,
é como uma correnteza que enfrenta obstáculos por onde corre até alcançar o seu destino, um lago,
um mar, um oceano...
Não cessando de
prosseguir, quando enfrenta dificuldades, acumula as águas com tranquilidade até ultrapassá-los, pois
a sua meta está à frente, aguardando-a.
Assim também, as
experiências evolutivas do ser humano ocorrem em programação marcada por
variadas e sucessivas etapas até alcançar o estado numinoso.
A gratidão pelos insucessos aparentes é o reconhecimento por entender como parte da aprendizagem e a sua ocorrência como dores, sofrimentos morais consequentes à traição, à calúnia, ao abandono de
antigos afetos, tem razão de ser.
Melhor sofrê-los, vivenciá-los com resignação quando se apresentam, do que
ignorá-los, envolvê-los em máscaras ou postergá-los...
Num olhar superficial, acredita-se
que seja uma patologia pelo sofrimento em transtorno masoquista. Na realidade,
tal conduta traduz maturidade saudável,
por não ser uma escolha do sofrimento, mas uma aceitação consciente e natural
do fenômeno-dor, como parte do curso evolutivo.
Gratidão, em qualquer situação, boa ou má, como dizia o apóstolo Paulo, que era sempre o mesmo na alegria, no bem-estar, no
sofrimento, no testemunho, mantendo a integridade do self, em razão da
consciência do dever nobremente cumprido, considerando as dificuldades e os
sofrimentos fenômenos naturais no seu processo de integração com o Cristo.
Quando se conquista o hábito
de agradecer, os morbos emocionais
da ira que se converte em ódio, da
mágoa que se torna desejo de vingança, da inveja que quer a destruição do outro, não
encontram áreas na psique para tornarem-se sofrimentos... A alegria de ser-se grato permite entender-se a pequenez do
ofensor, a jactância e fatuidade
do perverso, a fragilidade do
adversário... Uma emoção de
tranquilidade preenche todos os espaços íntimos do self, onde se desenvolveriam os sentimentos inferiores.
Da mesma forma, quando se recebe a notícia de uma doença
irreversível, de um acontecimento grave e mutilador, a gratidão possibilita
viver-se plenamente cada momento, ante a convicção racional da sobrevivência ao
corpo somático, credor de toda a gratidão por conduzir-se como um doce jumentinho do self, conforme o denominou o irmão
alegria de Assis, o numinoso sempre grato a Deus por tudo,
inclusive pelo momento em que se aproximou a irmã morte.
Livro: Psicologia da Gratidão, psicografia Divaldo Pereira Franco, pelo Espirito Joanna de Ângelis
Postado dia 20/09/2014.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
INTEGRAÇÃO
MORAL
A parábola, envolvida por símbolos
arquetípicos ancestrais, é processo psicoterapêutico para os que vivem e sofrem
consequências da imaturidade psicológica,
e se encontram mergulhados nos muitos eus
em conflito.
Enquanto se desconhecem as
lutas e não se tem ideia das possibilidades de crescimento interior, passando entre costumes sistemáticos e improdutivos, as aspirações são limitadas,
não saindo das necessidades fisiológicas, dos processos da libido, das ambições
imediatas: comer, dormir, gozar e suas consequências fisiológicas...
Os
valores morais, embora em germe, continuam desconhecidos ou
propositalmente ignorados.
Aquele
que está perdido espera ser encontrado, quando o ideal é sair da
sua solidão na direção correta por onde necessita continuar.
É
comum a busca de Deus pelas criaturas contritas, que se sentem perdidas,
embora vivam a desintegração dos valores
morais, necessitando se
predispor a serem encontradas por Deus, caminhando na Sua direção.
Na
busca, existe uma ansiedade
e uma luta interior contínuas, na dificuldade de compreender o significado da
existência, como; o motivo dos apegos e sofrimentos, enquanto que, ascendendo-se
intimamente, liberam-se dos conflitos
e abrem-se para o entendimento dos acontecimentos e a necessidade de vivenciar
os diferentes períodos do processo de independência, para que não haja traumas,
inseguranças e insatisfações...
Todo
o processo deve ser acompanhado de amadurecimento psicológico, de
autocompreensão, de entrega consciente.
A
viagem interna, para colocar-se à disposição de Deus é confortável, porque silenciosa e
renovadora, enquanto que a busca externa, no vaivém dos desafios e das
incertezas, produz o prejuízo do
desconhecimento da escala dos valores éticos, assim como a dos significados
existenciais.
Quando
o Filho Pródigo se apresenta em
situação deplorável, rebaixando-se e submetendo-se ao pai, nele há uma grandeza
ética fascinante, que o torna elevado, que o dignifica, ao invés de quando parte, carregando muitos
valores amoedados e joias, porém, apequenado, porque vazio de objetivos
existenciais.
É
comum o indivíduo subestimar-se, acreditando que somente terá valor quando
possuir as coisas que brilham e que dão realce social, que
produzem destaque na comunidade e despertam ambições, invejas, ciúmes. Esse
conceito reveste-se do mito infantil de um paraíso fascinante e tedioso, diante
da árvore do Bem e do Mal, ameaçadora, insinuando que a descoberta da nudez
interior, da pequenez moral, dos medos sub-repticiamente disfarçados na
balbúrdia que faz em volta, a fim de não serem identificados, será um
terrível mal, porque o atira fora, obrigando-o a rumar para um país longínquo.
Nessa conduta, a
insatisfação sempre enche a taça repleta de prazer com o azedume e o tédio,
sorvendo sempre mais, e esvaziando-se muito mais, por falta de valores
edificantes e legítimos.
As
conquistas de fora não conseguem preencher as perdas interiores.
O
conflito é inevitável, porque somente quando se é capaz de viver conforme os
padrões nobres da solidariedade e do equilíbrio moral, a
saúde e o bem estar se instalam no comportamento humano.
Nesse encontro com o perdido
– o eixo ego-Self - ocorre uma grande alegria, quando o encontrado
que se permite integrar no grupo de onde se afastara, percebe que o pai misericordioso – o estado numinoso – sempre esteve ao seu alcance,
e a fissão psíquica era o inevitável
resultado do processo de busca para a aquisição da consciência.
Todos os indivíduos passam
por esse estágio, sendo-lhes necessário
proceder à integração.
Nessa fase inicial de despertar da consciência, não existem valores
éticos nem conceitos morais, exceto
aqueles que decorrem das necessidades
primitivas que ainda permanecem em a natureza humana.
O
amadurecimento psicológico lento e seguro propicia a descoberta desses tesouros
íntimos que direcionam o comportamento, ajudando a discernir
como viver-se saudavelmente ou de maneira tormentosa.
O
hábito arraigado de ser-se infeliz sob disfarces
múltiplos conspira contra a identificação dos valores morais e a conquista do si-mesmo.
Eis
porque a parábola do Pai misericordioso
é rica de possibilidades para a integração dos valores morais esparsos, até
ali sem significados reais, esquecidos ou em choques contínuos conforme os
interesses mesquinhos dos filhos...
Sem dúvida, na análise psicológica de cada indivíduo,
ele pode assumir, ora a personalidade do filho pródigo, noutro momento a do
irmão ciumento, raramente, porém, se encontrará integrado no genitor
compreensivo e dedicado, que reúne os dois filhos, ambos necessitados, sob o manto da bondade e da compreensão.
Essa
possibilidade, quase remota, por enquanto, pelo menos durante a fase de
ajustamento do demônio com o anjo interiores,
acontecerá quando o amor se despir do egotismo, e o símbolo de Eros assim como o de Cupido adquirirem a abrangência do sentimento
universal do amor que integra a criatura
ao Seu Criador e a torna irmã de todos os demais seres sencientes que existem.
O Pai compassivo libera não mais o Filho Pródigo, mas, os
filhos que se tornaram saudáveis, apoiados na compreensão dos seus deveres
diante a vida e a sociedade, contribuindo para o progresso geral.
Nessa
fase, toda a herança ancestral do primitivismo antropológico cede lugar à
consciência do si-mesmo,
proporcionando incontáveis bênçãos de que o ser tem carência, auxiliando-o na
conquista da sua plenitude.
Não
será mais necessária a morte orgânica para vivenciar o Nirvana ou penetrar no
Reino dos Céus, porquanto já os conduzirá no íntimo, como autorrealização e
tranquilidade.
A
doença, o sofrimento, a morte não o impressionam mais,
porque percebeu que esses acidentes do caminho são parte do processo de
crescimento, e, da mesma maneira que o diamante que reflete a luz da estrela, não permanecem nele as marcas do carvão
bruto que era antes da lapidação.
É necessário, compreender
que o Pai quer encontrar o filho perdido num
país longínquo como também deseja reabilitar aquele que se perdeu em si
mesmo, no país próximo-distante da afetividade doentia.
A integração dos valores
morais é consequência do esforço da consciência profunda em busca da integração
do ego imaturo, trazendo significado existencial, trabalhando para a harmonia
dos sentimentos e dos comportamentos.
“Jesus conhecia a psique humana em profundidade, os seus abismos, as
suas heranças, os seus equívocos, as suas incertezas, todos os seus
meandros, e porque identificava naqueles que O seguiam os tormentos que os
infelicitavam, apresentou na parábola do Filho
Pródigo o eficiente processo psicoterapêutico para as gerações do futuro,
de forma que, em todas as épocas porvindouras, o amor e a compaixão, libertando dos traumas e dos ressentimentos,
contribuíssem para a plenificação interior dos indivíduos.”
Do livro, Em Busca da Verdade,
ditado pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco.
Postado dia 11/09/2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
A CONSCIÊNCIA DA GRATIDÃO
Conforme
a psique desenvolve a consciência para superar os níveis
primitivos inundado pela sombra, conquista
a gratidão com mais facilidade.
A sombra, resultante
do egoísmo junto a interesses inferiores
de que quer escamotear, escondendo-os no inconsciente, é a grande adversária do sentimento de gratulação.
Querer aparentar o que ainda não conquistou bloqueado pelos hábitos doentios,
projeta os conflitos nas outras pessoas, sem a compreensão necessária para confiar
e servir. Utilisando-se dos outros, acredita que todos agem da mesma forma,
cabendo a ele fruir o melhor quinhão, por ser impossível ampliar a
generosidade, que traria o amadurecimento psicológico para a convivência social
saudável, para desenvolver os valores
nobres do amor e da solidariedade.
A miopia emocional que
vem da predominância da sombra no comportamento do homem dificulta-lhe a visão
da harmonia que há na vida, desde os fenômenos mágicos até os estéticos e
fundamentais para a sobrevivência harmônica e feliz.
A sombra trabalha para o ego,
com poucas exceções, quando se liga ao self, evitando comunhão fora do seu círculo estreito autopunitivo, porque se satisfaz em
manter sua vítima em permanente culpa,
que busca esconder, sustentando, no seu interior, uma necessidade
autodestrutiva, porque incapaz de enfrentar-se e resolver os seus mascarados
enigmas.
As
imperfeições morais que não foram modificadas pelo processo de
sua diluição e substituição pelas conquistas éticas maltrata o ser,
tornando-o refratário, ou hostil aos movimentos
de libertação.
Como consequência não há no
seu emocional, espaço para o louvor, o
júbilo, a gratidão.
Satisfazem-se em mecanismos
de fuga ou transferência, de modo que
fiquem em paz e aparente uma situação que não existe.
E assim, os conflitos vindos
de outras encarnações e tornaram-se importantes parte do ego predominam no
indivíduo inseguro e sofredor, que se esconde na autocompaixão ou na vingança,
para chamar a atenção, receba compensação narcisista, aplauso, guardando
suspeitas infundadas quanto à validade do que lhe é dado, por saber que
não merece de tais tributos...
Acumuladas
e preservadas as sensações que se transformaram em emoções de suspeita e ira, descontentamento e amargura,
projetam-nas nas demais pessoas, por não acreditar em lealdade, amor e
abnegação.
Se
alguém se dedica ao bem na comunidade, é considerado
dissimulador, por ser essa a sua atitude (da sombra).
Se
outro reparte alegria e solidariedade, a inveja que lhe está arquivada no inconsciente
denomina-o bajulador e pusilânime, já
que, por sua vez, não conseguiria desempenhar as mesmas tarefas com
naturalidade. A falta de maturidade afetiva isola o individuo na amargura e
autopunição.
Todos
os seus impedimentos mascara e transfere para os outros,
assumindo posição crítica impiedosa, puritanismo exagerado, buscando
desconsiderar os bons comportamentos do próximo que lhe inspiram antipatia.
Age dessa forma porque a sua consciência é ainda adormecida, não estando
habituada a expressão da fraternidade e da compreensão, que só se harmonizando
com o grupo onde vive é que vai poder tornar-se plena.
Autoconscientizando-se
da sua estrutura emocional pela compreensão do dever,
que significa amadurecer, fará o parto
libertador do ego, retirando
dele as suas feridas, polindo as camadas externas como ocorre com o diamante
bruto que esconde o brilho das estrelas que estão no seu interior.
Não é necessário combater,
mas entender e amar, porque, no processo
antropológico, em determinado período, o que hoje são sombras contribuiu para
que vencesse as adversidades do meio
ambiente, das expressões primarias da vida, por isso se transformou em um bem estruturado mecanismo de defesa.
Aperfeiçoá-lo,
adotando novas condutas que o aprimorem, é
respeitá-lo, ao mesmo tempo que se liberta das fixações perversas com
relação à atualidade com aceitação de outras condições próprias ao nível de consciência lucida em cuja busca avança.
Conseguindo
esse despertar de valores, é inevitável a saída da sua individualidade para a
convivência com a coletividade, onde mais se aprimorará,
aprendendo a conquistar emoções superiores que o enriquecerão de alegria e paz,
deslumbrando-se com as bênçãos da vida que embelezam tudo, compreendendo em vez de reclamando sempre, pela impossibilidade de
percebê-las.
A
sombra desempenha papel fundamental na construção do ser,
que a deve direcionar para o self condutor
da luz da razão e do sentimento
profundo de amor, decorrente da sua origem transpessoal de essência divina.
O
ingrato, por seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os
fatores climáticos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos
emocionais, sempre com o instrumento da acusação, da autojustificação ou do
mal-estar a que se agarra em mecanismo de fuga da realidade.
Nos níveis nobres de
consciência de si e da cósmica, a
gratidão envolve-se de alegria, e os
sentimentos não se limitam ao eu,
ao meu, amplia-se ao nós, a mim e você, a todos juntos.
A
gratidão é a assinatura de Deus na Sua obra.
Quando
se enraíza no sentimento humano conquista harmonia interna, liberação de
conflitos, saúde emocional, por brilhar como estrela na imensidão sideral...
Por extensão, aquele que é agradecido torna-se
veiculo do sublime autógrafo, marcando a vida e a natureza com a presença
d’Ele.
A
consciência responsável age sem disfarce, diluindo a contaminação
dos miasmas ( emanação fétida oriundas
de animais ou plantas) que se faz portador o inconsciente coletivo gerador de
perturbações e instabilidade emocional, que produz conflitos bélicos, de arrogância, de crimes
seriais, de todo tipo de violência.
Quando o egoísta
insensatamente aponta as tragédias do cotidiano, as aberrações que arrastam a
sociedade, só vê o lado mau e negativo do mundo, está exumando os seus
sentimentos inconscientes arquivados, vibrantes, sem a coragem de externa-los,
de dar-lhes campo livre no consciente.
Quando alguém combate a
guerra, a pedofilia, a hediondez que se alastram em toda parte, apenas
utilizando palavras desacompanhadas dos valores positivos para os eliminar do
mundo, conhece-os bem no íntimo e propõe a imagem do salvador, quando deveria
impor à consciência o labor de diluição, despreocupando-se com o exterior, sem
lhes dar vitalidade emocional.
Além das palavras são os
atos que devem ser considerados como recursos de dignificação humana.
A paz de fora começa na
intimidade de cada ser. Da mesma forma é
a gratidão. Ao invés do anseio de recebê-la, importa tornar-se-lhe o doador
espontâneo e curar-se de todas as chagas, propiciando harmonia
generalizada.
A
vida sem gratidão é estéril e sem significado existencial.
Do livro Psicologia da
Gratidão, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis. Postado dia
10/09/2014.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
DESPERTAR
DO SELF
O irmão mais velho da
parábola daquele que se pode chamar como o pai misericordioso, é o
protótipo do ego desconcertante.
Enquanto estava a sós com o
pai, parecia amá-lo, respeitando-o e obedecendo-o. Porém, após a volta do irmão de quem se encontrava livre,
magoou-se, revelou-se, apresentando o outro eu, chamado de “demônio interno” amoral
e indiferente. Nem procurou saber como voltou
o irmão. Se estava feliz ou não, concluindo que, se encontrava na miséria, pois do contrário
não estaria de volta. Estaria só ou consorciado, com filhos ou perseguido?
Nada
lhe ocorreu, senão o espaço dado à mágoa por ter sido colocado de lado, nem
sequer foi consultado para o banquete oferecido ao outro.
Ficar
distante do perigo, protegido dentro do lar, garantido pela proteção do pai é
uma atitude bastante cômoda e protegida dos desafios.
Seria bastante ao filho mais velho aguardar o
desencarne do pai, se apropriar de todos os bens e libertar-se da submissão, sendo convidado aos enfrentamentos que
antes o genitor resolvia.
Esse comportamento é psicologicamente infantil, porque a existência
humana é construída de forma a propiciar crescimento emocional, destemor e
renovação constantes. Quem não se renova de dentro para fora, não consegue o
desenvolvimento do self, (o ser essencial) sempre envolvido pela sombra, deixando
que tudo ocorra ao acaso.
Existem muitos desafios no processo criativo do ser espiritual que
busca o numinoso, a vitória sobre a
ignorância e o demônio do mal interno.
A
imagem que ele, o irmão mais velho mantinha com relação ao pai, de
um homem benigno para com ele, que considerava ser merecedor de toda a
compensação, diluiu-se, quando houve o
confronto com o seu irmão, de
quem se viu livre, abrindo espaço para a exteriorização de que o não amava.
Havia se liberado do
competidor que, na realidade, eram os
seus próprios conflitos, os dois eus, um ambicioso, o outro sereno,
pacífico o mais ponderado era pacífico, demoníaco o mais atrevido que naquele
momento o dominava.
No seu Interior, nos seus
muitos conflitos, ele também não se
amava, passando essa emoção na forma de suspeita para o pai e para os demais,
por isto quisera festejar com amigos, atraí-los, conquistá-los, comprá-los,
como sempre acontece.
Todo indivíduo inseguro
desconfia dos demais e transfere para eles os motivos do seu temor, do seu
sofrimento. Distanciam-se, para não lhes
acompanhar a vitória ou tenta conquistá-los com oferendas, não pela afeição,
doam coisas que não têm valor.
E assim para ele,
o amor paterno teria que ser parcial, exclusivista, com relação a ele, com
animosidade pelo desertor.
Costuma-se censurar o jovem que viajou para o país
longínquo, também fugindo de si mesmo, e elogia-se
o que ficou ao lado do ancião, mais por conveniência do que por fidelidade,
sem uma análise mais profunda das duas atitudes.
Esta é uma visão psicológica
imperfeita a respeito da realidade.
O
filho fiel é o mito representativo de Abel, generoso e bom, que
será sacrificado por Caim... Todavia, esse Abel gentil não amava Caim, o seu
irmão mais jovem e extravagante, considerado perverso e insensível por haver
abandonado o pai idoso...
Preferido pelos mitos Adão e
Eva, perdeu o contato com a realidade e o seu irmão o assassinou.
Agora, o mito Abel no filho mais velho, gostaria de assassinar Caim, que
se torna bom, que volta tomando-lhe o lugar, ou, parte dele, no sentimento do pai que o mantinha no
Éden.
Mas
o genitor, misericordioso, que não censurou o desertor e
recebeu-o com alegria, também não agiu com reclamação em relação ao filho magoado.
Foi buscá-lo fora e
convidou-o a entrar na festa, a
participar da alegria de todos.
É comum a solidariedade na dor, mas não no júbilo, em face da inveja e da
amargura.
O
irmão mais velho submetia-se ao pai, mas não o amava, como
fingia, porque logo o censurou, expressando sentimentos de recusa
inconscientes, por nunca haver-lhe
oferecido um cabrito ao menos para que se banqueteasse com os amigos, enquanto
ao insano ofereceu o melhor novilho...
O ciúme é terrível chaga do ego que expele purulência
emocional.
O
pai gentil e afetuoso, sensibilizado com o jovem que retornou,
pediu um manto para cobri-lo, já que o outro também o possuía, evocando a
proteção e o amparo que lhe eram oferecidos.
- Criança – diz o pai ao filho que o censura – tu sempre estás comigo, e
tudo o que é meu é teu; entretanto, cumpria regozijarmo-nos e alegrarmo-nos,
porque este teu irmão era morto e reviveu, estava perdido e se achou.
O
pai percebeu que o outro filho, o mais velho, também estava
morto porque expressava amargura, encontrava-se
perdido, porque não participava da sua e da alegria de todos que
encontraram aquele seu irmão que era morto e reviveu, que estava perdido e
se achou.
O
ego encontrava o Self, despertando-o para uma
futura integração, liberação da fissura na psique...
O
Self do filho mais velho
está envolto pela sombra ameaçadora,
criminosa.
A parábola não informa qual
a atitude do mais velho, em relação ao mais moço, após as informações dúlcidas
e os esclarecimentos compreensíveis do seu pai.
Certamente,
o eixo ego-Self se tornou mais forte, em
face do amor do arquétipo primordial,
sem limite, libertando-se dos mitos hostis e vingativos.
Prometeu, por exemplo, foge
de Zeus, engana-o com artifícios contínuos para não morrer, até que cai na
armadilha da própria existência física temporária, e Zeus recebe-o,
aprisiona-o, suplicia-o num rochedo, onde foi colocado para sofrer calor, frio
e uma águia fere-lhe o fígado durante o dia, que se refaz à noite, até quando
os deuses intercedem por ele e a sua punição é anulada...
O
filho mais velho quer fugir do pai amoroso após censurá-lo
asperamente, evita olhá-lo nos olhos e receber-lhe o abraço, mas não poderá
viver sempre sob as picadas da mágoa,
remoendo a prisão no rochedo do
desencanto, ao frio e ao calor das reflexões doentias... O Self é levado a despertar com a intercessão dos sentimentos de
nobreza que se encontram no íntimo, como divina herança da sua procedência.
O irmão chegou quase
descalço, sandálias rasgadas e imprestáveis. O pai providenciou calçados novos, porque os pés são as bases
importantes de sustentação do edifício fisiológico, que não se mantém em
segurança quando lhe falta alicerce...
A mãe Terra oferece os recursos para o organismo e os transforma; o
hálito da vida, porém, vem do Amor.
Cuidar
das bases caracteriza o despertamento do Self, da responsabilidade diante da vida.
O
irmão jovem iluminou o ego com a consciência de si, reconheceu o erro, renovou-se pela
humilhação que o fez crescer, enquanto o
mais velho liberou das
estruturas profundas do inconsciente as paixões da vingança e da maldade, a
Erínia mitológica encarregada de ferir Sísifo, conduzindo a pedra ao topo da
montanha de onde ela escapa e rola para baixo, obrigando-o a erguê-la sem
parar...
A parábola poderia ser dos
dois filhos ingratos, que o amor reúne sob o mesmo manto protetor do pai,
ligando-os pelo anel da família, traço de união com toda a Humanidade.
A família vem do clã
primitivo que se une para a defesa da vida, do grupo animal, é um arquétipo de
grande importância psicológica.
A força do animal que caça
encontra-se no instinto de astúcia, no grupo famélico, na agressão automática e
simultânea contra a presa.
Desestruturar a família é
também desnortear-se.
A
reencarnação, com a força de diluir os velhos arquétipos perturbadores e criar
outros benéficos, reúne indivíduos de caráter antagônico ou em situação de vingança para resgates, ou afetuosos e bons para
fortalecer a evolução e preservar o instituto doméstico.
Aqueles
dois irmãos, que não eram antagônicos na aparência,
viviam intimamente em oposição, faltando apenas o momento de demonstrá-lo.
A paternidade zelosa, o
divino arquétipo de Zeus ou de Júpiter, ou de Apolo, ou de Yahveh,
todo-poderoso, reúne-os e tenta ampará-los.
O
filho jovem era leviano e desperta com o desconforto do
sofrimento.
A sandália rasgada, as
vestes em trapos, a cabeça raspada, a atitude genufletida diante do pai são os
destroços que demonstram o insucesso, o esforço para o recomeço, o entrar novamente no ventre materno para
renascer, por isso, voltou para dentro de casa.
Na realidade estava no pátio
da casa de seu pai, ainda não entrara, não teve tempo nem oportunidade.
O
filho mais velho era angustiado e disfarçava os sentimentos
doentios.
Não quis participar da
alegria do reencontro, porque isso demonstraria a sua falta de afeição, a sua
contrariedade por ter que voltar a competir com o irmão vencido pelo sofrimento.
A oportunidade ameaçava
passar sem ser utilizada.
Na vida humana cada momento
tem seu sentido profundo, seu
significado essencial, sua magia.
A infância dá início ao
processo de crescimento interno do Self,
porém, ele continua imaturo em qualquer período da existência humana, se não
receber os estímulos para desenvolver-se, para desvelar-se em sabedoria e luz.
O primeiro filho demonstrou imaturidade psicológica – a infância.
O segundo expressou
pessimismo e depressão, apresentando primarismo
emocional, outro estágio da infância
emocional.
A
terapia saudável para esses males
foi o amor do pai, sua compreensão e misericórdia, sua paciência e confiança na
força do seu afeto.
Com essa contribuição de
fora despertou o Self dentro de cada
qual dos membros da parábola, de cada criatura que possa se identificar com algum dos membros da
narrativa.
A parábola poderia ser
concluída, esclarecendo que o pai devotado levou o filho ressentido para dentro
de casa – uma viagem interna ao encontro do Self
– e o aproximou do irmão arrependido – Caim ressuscitado!
Olharam-se silenciosos por longo
tempo de reflexão, superando distancias
emocionais, culminando em demorado abraço de integração dos dois eus num Self coletivo rico de
valores e sentimentos morais entre as lágrimas que limparam as mazelas, as
heranças lamentáveis do ego soberbo e primário.
Texto do livro, Em Busca da Verdade, escrito por
Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis. Postado em 08/09/14.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
PREDOMÍNIO DA SOMBRA
A presença da sombra
no comportamento humano facilita a fragmentação da psique, nos dois
eus, com isso o paciente perde a identificação entre os arquétipos do bem e do
mal, do certo e do errado.
Herdeiro dos instintos
agressivos, predominantes na sua natureza
íntima, o ser humano segue entre revoltado e medroso, herança das condutas
passadas.
A preservação da vida leva
ao imediatismo, a sensação do prazer, ao
desconhecimento dos valores ético-morais, ou ainda que os conhecendo, não considera
aqueles que representam sacrifício, luta nobre,
abnegação...
Levado ao prazer sensorial,
assevaljado, as emoções superiores dos sentimentos, da beleza, do idealismo são
dispensadas por não valorizar ou até pela falta do hábito de as vivenciar.
Nessa fase os sonhos, são
tumultuados e os símbolos de que se revestem expressam as heranças
perturbadoras e os sofrimentos sexuais, que se tornam condutas psicológicas
doentias, ou somatizam em disfunções orgânicas com vária denominações.
Na parábola de Jesus, o ego
do filho é perverso e ingrato.
Ao pedir a herança que diz
pertencer-lhe, inconscientemente está buscando a morte do pai, acontecimento
legal para adquirir a posse dos bens sem problema. Mascara o conflito dizendo
que seria para aproveitar a juventude, já que mesmo envelhecido, o pai não
morria...
Indo para um país longínquo querendo arrancar as
raízes existenciais, as marcas, destruir a sua origem desagradável, ficando na
ignorância de si mesmo, fugindo para o Éden onde parecia feliz.
O conflito traz uma carga
psicológica de alta tensão nervosa destruidora.
O eu filial que percebe a
necessidade de ficar no lar – aqui representado no domicílio carnal, o Paraíso
– abre espaço emocional ao outro eu, o da fragmentação da psique, a sombra,
leviano e distante dos sentimentos que enobrecem que ainda se encontram
adormecidos no Self.
Esgotado pelas ambições e
prazeres, o leviano se surpreende, mais tarde, pela solidão – a miséria econômica,
a fuga dos companheiros que o exploraram, os excessos que agora o deixam
abatido – somando à culpa que o censura, propondo reflexão, ou, a volta à
segurança do lar que abandonou...
Para que ocorra o
autoencontro sempre será imperioso vltar às origens, para o autoencontro.
Tomado, pelo instinto de
autodestruição transforma-se em chiqueiro moral em direção da degradação
máxima, do suicídio, quando tem um insight e pensa na generosidade do pai, o
Self, em despertamento, decide então voltar, sendo esse
o primeiro passo para a autorrealização, a autoconscientização, uma possível
integração das duas partes da fissura dolorosa da mente.
Essa fuga para um país
estrangeiro e longínquo seria uma arquetípica busca do princípio da
individuação, se surgisse de algum ideal, como diminuir a carga do pai, e não
de desejar-lhe, ainda que inconsciente a morte.
Há, nesse conflito, o mundo
do pai, o mundo do filho, o mundo do irmão, como sombras perturbadoras,
efeito da fissura da psique com relação ao ego.
Jesus deixa transparecer na
parábola o seu caráter terapêutico, no momento em que o filho volta buscando a
paz (e a saúde), embora humilhado, mas certo de que será recebido.
O Self que se unifica em
relação ao ego é o caminho seguro para a autocura, para o estado numinoso de
tranquilidade e bem-estar.
Viajar para longe é uma
busca arquetípica de heroísmo, da conquista do desconhecido, de infinito, que
não se concretiza porque o objetivo consciente era o prazer, a não-responsabilidade,
a violência do abandono ao pai idoso, a exuberância do egotismo e o desprezo do
irmão mais velho que trabalha.
A viagem de volta ao lar que
faz o filho mais jovem não é por amor ao pai, nem por qualquer sentimento
nobre, mas porque passa fome e sabe que, no lar, terá mais conforto e alimento,
assim como ocorre com os empregados da fazenda... A sua sombra interesseira vem
do ego sofrido que não conseguiu unir-se ao Self.
Já, a sombra dolorosa no
irmão que ficou faz dele um miserável que inveja o irmão jovem despudorado, que tem
ciúme da atenção que o pai lhe dá, que se revolta, experimentando o conflito de
inferioridade e as torturas no psiquismo.
Sente-se rejeitado, apesar
de ter sido devotado, talvez para ficar com toda a herança, e não por ficar com o
pai, já que se queixa que nunca recebeu um cabrito para festejar com os amigos.
Uma projeção inconsciente da
raiva que guardou pelo abandono que sentiu quando o irmão fugiu, surge agora
como desforço, recusando-se a participar da festa de boas-vindas.
O ego deve adquirir
estrutura para conquistar consciência da sua realidade não permitindo conflito
com o Self que o direciona, única maneira de libertar a sombra .
Na parábola, tem-se um
arquétipo coletivo representando os interesses imediatos em prejuízo dos
valores que libertam das paixões primárias, diante do egoísmo do filho jovem, o
pai generoso não reclama, não transmite mágoa, embora sofrendo.
Assim é que as criaturas
escapam da proteção segura da psique integrada que abre espaço ao ego daninho, da fragmentação, retardando
a oportunidade para serem felizes.
A experiência, no país
longínquo – desejo inconsciente de não ser encontrado, nem saber-se onde se encontra
o fugitivo – acaba em desastre, porque toda extravagância acaba em prejuízo e
toda malversação de valores, em perdas parciais ou totais, como no caso do
jovem presunçoso.
A sua sombra leva-o ao gozo
do prazer, da irresponsabilidade, da incontinência moral, porque os deveres nos
cuidados dos sentimentos lhe desagradam.
A firmeza moral do irmão
mais velho, trabalhando sem demonstrar cansaço nem aborrecimento, produz-lhe
antipatia e faz que o deteste, deixando ao lado do pai idoso, sem considerar os
laços de família, numa participação mística coletiva simbolizando a sociedade
como um todo.
A totalidade da psique,
representada pelo pai e o filho mais velho que cumpre o dever, incomoda o
egoísta que vive insatisfeito porque quer cortar o vínculo, ser livre, cair no
abismo de si mesmo como ocorrerá.
Como as experiências oferecem
o despertar da iluminação, ele cai em si refletindo que no lar, até os
servidores mais simples usufruem de apoio, alimento e segurança, enquanto ele nem
com suínos pode desfrutar as alfarrobas
que não lhe dão, resolvendo retornar.
Busca o mundo íntimo
fragmentado e tem o insight de como
agir.
O arrependimento é o alívio
da culpa, reconhecendo que pecou contra o
céu e contra ti (o pai), seguro
de ser bem recebido, mesmo que não fosse digno de ter o nome de seu filho.
O indivíduo comum, não
iluminado, perdido na ilusão, pode ser comparado ao Filho Pródigo, leviano e
insensato, que apenas convive em busca de prazer pessoal e interesse mesquinho,
afastado das propostas éticas e dos deveres morais.
Vítima da libido exagerada,
entrega-se ao gozo na ilusória conduta de que nada se acaba e que as suas
forças exaustas se renovam...
Esse arquétipo também pode surgir
nos indivíduos inseguros, instáveis, solitários, que em ninguém confiam,
perdendo grandes oportunidades de crescimento pela interiorização e reflexão,
superando as heranças prejudiciais do processo evolutivo anterior.
De temperamento facilmente
perturbado, vive com ressentimentos e invejas, enfermo interiormente, que não
aceita o tratamento acreditando que não precisa, já que considera os outros
responsáveis por sua situação psicológica, masoquistamente dizendo-se
incompreendido e perseguido.
O querer fugir dos outros também
é o sofrimento da fuga de si mesmo, pela dificuldade de autoenfrentar-se, de
reconhecer a inferioridade e ser levado a trabalhá-la para conquistar a
vitória.
Fica mais fácil jogar tudo
para o alto (ou para baixo) numa atitude de libertação e seguir o sofrimento,
para voltar andrajoso, imundo, humilhado...
O ego presunçoso acorda aos
poucos da sombra para o estado numinoso,
que precisa ser conquistado sob os instrumentos do sofrimento, que são os
importantes recursos para a vitória.
Quando o genitor pede ao
servo que lhe traga o anel, confirma psicologicamente o arquétipo da antiga Aliança de Deus com os homens, pelo Arco-Íris, demonstrando vinculação e
amor.
As roupas limpas e novas, o
novilho nutrido para a festa são os arquétipos que se encontram nos mitos,
particularmente no panteão grego, quando os deuses comungavam com os homens e
banqueteavam-se, chegando, algumas vezes, ao descontrole pelos excessos.
O pai abraçando o filho de
volta é a luz do amor que nele dilui a sombra em que ele se debate.
Do livro em Busca da
Verdade, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis. Postado
dia, 27/08/2014.
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