quarta-feira, 16 de julho de 2014


 

EXPERIÊNCIAS VISIONÁRIAS 

Na aplicação da imaginação ativa há um período   que o indivíduo que aspira à individuação, tendo atingido maior grau de interpretação das experiências e vivências não fruídas, após desfrutá-las, pode avançar com mais coragem e esperar que ocorram as experiências visionárias.
A vivência dessas vidas não vividas traz uma ressignificação à vida terrena, eliminando do inconsciente as frustrações e inseguranças surgidas do não as haver experienciado, nem pela imaginação criativa.
As experiências visionárias acontecem em duas etapas: a primeira quando o aprendiz está preparado, conforme a tradição esotérica, o mestre aparece; a segunda, quando fenômenos paranormais ocorrem, chamando-lhe a atenção para outra dimensão da vida não exclusiva da jornada material.
Nos dois casos alguns psicólogos dizem que podem ser delírio do inconsciente ou de fantasias místicas. No entanto, são reais, demonstrando a indestrutibilidade do Espírito, expressando-se como o self.
Existem sim aquelas que tem caráter psicopatológico, englobadas como fenômenos mediúnicos de obsessão, e as condutoras de iluminação para o sensitivo que se torna instrumento do mundo invisível, demonstrando que o significado da vida continua após o túmulo, onde a vida não é consumida.
Numa visão unilateral materialista da psicologia, Deus – como figura mitológica ou transferência neurótica do pai fisiológico para o transcendental – utilizou-Se de muitas representações humanas para encarar a Sua criação, como a escada de Jacó no estado onírico, que a construiu para servir de subida  ao céu e descida para a Terra. Dessa forma, o inconsciente coletivo da humanidade construiria essa escada em forma de visões humanas, atendendo assim à necessidade de entendimento dos mistérios da própria vida.
Sem dúvida ocorrem fenômenos dessa ordem,  catalogados como de natureza anímica, por se originarem no próprio sensitivo, outros, porém, transcendem-lhe a psique e revelam-se procedentes de outra dimensão, como nos casos da psicografia com duas mãos, das correspondências cruzadas, do profetismo, da xenoglossia – ou faculdade de comunicar-se em idioma desconhecido do paciente, incluindo línguas mortas e às vezes extintas -, nas manifestações ectoplásmicas ou de materializações.
Sendo a sua importante finalidade despertar o ser humano para a sua imortalidade, para os deveres com a própria iluminação, para a conquista da saúde integral, PARA A EXCELSA GRATIDÃO PELA HONRA DE VIVER NO CORPO E PODER LIBERTAR-SE DELE, PROSSEGUINDO VIVO.
Produzem grandes mudanças no comportamento para melhor, por libertar inicialmente o paciente de situações espirituais danosas, como nos transtornos obsessivos, na culpa, por se pacificar com aquele a quem afligiu ou infelicitou em experiência anterior, trazendo-lhe alegria de viver, após superar o fantasma da morte como aniquilamento da vida.
Essas experiências mediúnicas sucedem-se com a vontade ou não daquele que lhe é instrumento desde a infância ou surgem nos mais diferentes períodos da vida física.
Podem surgir durante processos de enfermidade, ou em fase de saúde e de harmonia psicofísica.
Dilatando a percepção psíquica constitui um sexto sentido conforme definiu o Prof. Charles Richet, que  as estudou por mais de quarenta anos...
Surgem às vezes suavemente, como uma brisa emocional ou como tempestades que causam preocupação, pedindo cuidadosos procedimentos especializados, para que se tornem condutoras de equilíbrio e de utilidade.
Allan Kardec estudou-as por longo tempo, realizando observações práticas e cuidadosas com mais de mil portadores da peculiar faculdade, classificando todas as suas manifestações e catalogando-as como de natureza orgânica, por sediar-se no cérebro, tal como ocorre com a inteligência, a memoria, as aptidões artísticas e culturais, religiosas e científicas...
O preconceito vigente do século XIX com tudo quanto transcendesse aos padrões estabelecidos e às superstições em que se baseavam algumas crenças religiosas castradoras e punitivas procurou erradicar dos seus estudos nas áreas acadêmicas tudo quanto pudesse parecer místico, como fez  Sigmund Freud. A sua intolerância foi tamanha, quando abraçou a ditadura da libido, que cortou o relacionamento com Jung, a partir da  visita deste à sua residência em Viena quando ao registrar os estalidos produzidos na estante de livros, procurou esclarecer que era uma emanação catalíptica e que se iriam repetir, como aconteceu...
O mestre, receoso de que os misticismos pudessem incorporar-se à nascente psicanálise, procurou livrá-la de qualquer futura confusão, mantendo-se adversário inclemente inclusive da religião, que considerava como neurose da sociedade.
Quando em Paris, participando das experiências hipnológicas feitas pelo eminente anatomopatologista Jean-Martin Charcot, recebeu de Charles Richet, auxiliar do mestre, o Tratado de metapsíquica humana, que era a síntese das pesquisas do sábio fisiologista, não a examinando nem superficialmente. Quarenta anos depois, ao fazê-lo, lamentou-se do tempo passado, dizendo que, se o tivesse feito antes, teria encontrado muito material para as suas pesquisas e conclusões.
Os fenômenos foram estudados por outros nobres cientistas que os confirmaram, após submeterem  médiuns a rigorosos instrumentos de controle, para os impedirem de fraudar, comprovando a realidade das manifestações espirituais que aconteciam ao mesmo tempo em vários países do mundo...
Coletando todas as informações e observando as manifestações espirituais que aconteciam diante dele, Allan Kardec apresentou O livro dos médiuns, que é um tratado incomum sobre a imensa fenomenologia paranormal, partindo da possiblidade de existirem Espíritos até às conclusões vigorosas da sua realidade e da sua interferência na vida humana, no comportamento e na saúde, nos relacionamentos afetivos, nas animosidades, nos fenômenos da natureza, nos enigmas da psicometria, do profetismo e das aparições...
Com essa contribuição, diante do grande número de portadores de transtornos de diversas origens, consegue-se introduzir as perturbações de ordem obsessiva como desencadeadores de transtornos e problemas afligentes.
Dessa forma, no quadro das experiências visionárias podem-se incluir os fenômenos anímicos e mediúnicos como responsáveis por grande número delas, convidando o ser humano à individuação.
Mesmo nesse caso há ainda lugar para a gratidão aos  imortais, porque se preocupam com os que ainda se encontram no envoltório material e não lembram da procedência espiritual, auxiliando-o para preparar-se para o retorno ao grande lar que é  inevitável.
Texto trabalhado do livro PSICOLOGIA DA GRATIDÃO, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Postado no dia, 16/07/2014.

segunda-feira, 14 de julho de 2014


FÉ E RELIGIÃO
Em sua essência, o ser humano, é um animal religioso. A sua busca de religiosidade leva-o a vincular-se às diferentes correntes doutrinárias, buscando segurança e harmonia na caminhada física. As suas experiências de fé religiosa dão-lhe vigor e coragem nas situações difíceis e de desafios.
 Nesse indivíduo a fé é quase genética. Há uma crença universal em Deus, não considerando o nome que Lhe dê, nem a forma como se compreenda. Atavicamente, o arquétipo divino que nele se expresse através do Self é natural. Mas  a crença religiosa, resulta de fatores educacionais, mesológicos, familiares. Têm-se então a crença natural e a religião que foi aprendida. Na infância, no período lúdico, as fantasias crescem em torno da religião, dando-lhe colorido ou criando terror conforme o conteúdo de cada uma delas. À medida que a razão e o discernimento substituem a ignorância e a ingenuidade, os conflitos que surgem também vão confrontar com a conduta religiosa, especialmente se ela é castradora, imposta, ou se tem caráter policialesco de vigiar todos os passos com ameaças de punição.
A racionalidade que tomou conta dos primeiros pensadores do século XVll, abrindo campo para os enfrentamentos entre as ciências nascentes e as doutrinas religiosas dominantes, atingiu o seu apogeu no final do XlX, quando, aparentemente, o ser humano afirmou estar distante de Deus, presumivelmente apoiando-se no arrogante conceito de Nietzsche, a respeito de Sua morte ou dos  muitos outros filósofos niilistas e materialistas, ou de eminentes cientistas. Apesar disso, quanto mais  avanços nas ciências e a tecnologia de ponta mais ampliava os horizontes da compreensão do mundo, curiosamente surgiu um paradoxo, fazendo com que muitos cientistas começassem a voltar a Deus e à crença no Espírito, como únicas maneiras de entenderem o Cosmo e a vida em si mesma.
Depois da proposta de Darwin sobre a evolução vegetal, animal e o surgimento do homem, através da seleção natural, trazendo a negação dos conceitos criacionistas bíblicos, considerados por vários séculos, com o advento das moderníssimas conquistas a respeito da decodificação do genoma humano, uma ponte foi lançada entre uma teoria e outra, demonstrando que existem verdades em ambas propostas, possibilitando, o entendimento de como Deus criou a vida.
Não é mais blasfêmia um cientista confessar a sua crença em Deus, assim como a da sobrevivência do Espírito à disjunção molecular do corpo.
As incontáveis investigações em torno da paranormalidade humana, feitas nos séculos XlX e XX, por sérios cientistas das diversas áreas do conhecimento, têm trazido material  incontestável para confirmar que a morte não destrói a vida e que o Espírito não morre, quando desaparece o seu revestimento material.
A mediunidade, após vencer os preconceitos e as superstições que a mistificavam, tornou-se objeto de estudos sérios e consagrados por homens e mulheres dos mais diversos seguimentos da cultura e da civilização, que se renderam à sua legitimidade como instrumento comprovante da imortalidade do Espírito.
Ciências que derivaram da Psicologia, como área experimental, no caso, a Parapsicologia, mais tarde, a Psicotrópica, a Psicobiofísica, ofereceram campo vasto para os estudos sérios em torno dessas questões, trazendo evidencias e fatos que não podem ser contestados e merecem todo respeito, diante daqueles pesquisadores sérios que se debruçaram sobre a pesquisa, o experimento, a comparação...
A ruptura com as colocações extremistas de alguns cientistas em relação à religião e aos fenômenos dela decorrentes, não existe mais com a mesma firmeza de antes. Neurocientistas e astrofísicos, matemáticos e biólogos, psicólogos e psiquiatras,  e outros profissionais das diferentes áreas do conhecimento científico vem defrontando a realidade transpessoal e adotando comportamento conforme com a filosofia imortalista, como a mais avançada conclusão das suas experiências nos seus campos de trabalho.
Chegamos ao momento em que as questões metafísicas podem ser discutidas nos laboratórios sem timidez pelos estudiosos, em tentativas importantes para descobrirem o que se esconde além das chamadas leis naturais, pelo menos aquelas que já detectadas.
Jung foi um dos primeiros acadêmicos a não valorizar demais o aspecto racionalista absoluto  do Universo, abrindo caminhos ainda não percorridos, para melhor compreender a criatura humana em sua profundidade e a realidade em que todos se encontram.
O ser humano não pode fugir do seu arquétipo psicóide, em razão do inconsciente coletivo, onde se encontram todos os constructos da sua existência, naturalmente, também, as expressões da fé, no seu sentido mais amplo, da religião e de Deus... Esse extraordinário inconsciente encontra-se fora do conhecido mundo consciente, sendo constituído por um campo-primordial-de-espaço-tempo.
A Psicologia, desse modo, tem por meta entender os fenômenos pertencentes à psique e às suas manifestações, não estando vinculada a qualquer compromisso com os comportamentos religiosos, sem que, no entanto, deles deva abdicar, especialmente quando estudando os diversos distúrbios que aturdem os seus pacientes, as suas alucinações e delírios também de natureza espiritual...
A fé religiosa, quando saudável, estruturada na filosofia da razão, que pode enfrentar a dúvida em todas as épocas do pensamento, contribui bastante  para a saúde mental e emocional do indivíduo, dando-lhe sustentação nos momentos de debilidade e coragem nos instantes de desafio.
A fé pode ser natural, sem subterfúgio, em que tudo se acredita sem ser investigado, e ninguém vive sem essa experiência psicológica que se expressa como fidúcia, aceitação automática... Ou resulta das lutas entre razão e  sentimento, o fato e outas explicações, passando pelo crivo da lógica, da observação, tornando-se racional, robusta.
Graças à fé natural, desenvolvem-se as aptidões humanas e os projetos desenhados para a existência transformam-se em realidade, porquanto os estímulos e a fortaleza que dela se derivam, proporcionam os meios para continuação nas tentativas até serem concluídos.
A fé é portadora de força tão excepcional, que muitas vezes o indivíduo que tem um objetivo luta contra tudo que se lhe opõe, vence as dificuldades certo de que é viável o que deseja e que conseguirá.
É a fé que tem sustentado os investigadores de todos os níveis, os cientistas que trabalham com hipóteses contrárias ao aceito e permitido, conseguindo demonstrar a sua validade após grandes esforços, confirmando que têm razão.
Ninguém atinge qualquer meta se não acredita na sua viabilidade, na possibilidade, mesmo que não a identifique conscientemente. A perseverança numa ação e a constância em um trabalho são frutos da fé em torno dos mesmos.
A fé religiosa, sustenta-se na probabilidade de que sejam reais os postulados transpessoais, espirituais, nos quais se acredita. Felizmente, graças à mediunidade, a fé religiosa dispõe hoje de grande quantidade de fatos que superam e eliminam todas as negações. Afirmava-se durante a vitória da filosofia existencialista, que era preciso ver para crer, conceito hoje ultrapassado em face das propostas da física quântica, que estabelecem ser preciso crer para depois ver, mesmo porque nem tudo em que se crê nessa área somente se encontra dentro de probabilidades e jamais será visto...
A fé produz heróis e santos, mártires e pessoas de bem.
Durante o holocausto judeu, suas vítimas que mantiveram a fé de que sobreviveriam, de uma ou outra forma conseguiram o objetivo. Aquelas que se afirmavam necessária a vida a fim de denunciarem toda a crueldade, vivenciaram todos os horrores e ficaram lúcidas para narrar ao mundo o poder da loucura, do extremismo, da solução final, meta dos  psicopatas que tomaram o poder na Alemanha...
Quando se crê, todo o organismo atende aos impulsos da psique e responde de maneira eficaz, produzindo recursos propiciatórios à sua realização.
Entra em tormento emocional com mais facilidade, o indivíduo em conflito pela dúvida, atormentado pela insegurança, desconfiado de tudo e de todos. Mediante a fé em Deus, sem exaltação e com harmonia, a saúde emocional é mais duradoura, e, quando, por alguma razão, experimenta transtorno, mais rapidamente retorna ao equilíbrio.
A fé demonstrada por cientistas e navegadores, como Cristóvão Colombo, que acreditava na existência de terras, caso viajasse na direção do oeste, saindo da Europa, conseguiu prová-lo, porque no inconsciente armazenavam-se os registros representativos de já haver estado naqueles lugares em existência anterior...
Quantas vezes, o pai da psicologia analítica em suas viagens de trem, partindo de Zurique (Suiça) com destino à Itália, antes de chegar às cidades a serem visitadas, via-as, conhecia-as, constatando a veracidade posteriormente, embora nunca ali estivesse estado, pelo menos na existência atual. Surpreendido por esses eventos, assim como pelo sonho-visão que tivera, a respeito da grande onda que destruiria praticamente a Europa, se tornou real por ocasião da lamentável Grande Guerra que sacudiu todo o planeta, nunca se escusou a narrar tais ocorrências...
Esses fenômenos que transcendem a realidade psicológica estão vinculados ao ser paranormal, espiritual e imortal, estando, desse modo, além das suas perspectivas, embora as possa penetrar.
Madame Curie, por sua vez, realizando as suas extraordinárias experiências com toneladas de pechblenda, tinha certeza, mantinha a fé segura de que encontraria expressão mais rarefeita da matéria, e insistindo, embora contra todas as opiniões, com o esposo conseguiu detectar a radioatividade. Posteriormente, continuando nas pesquisas exaustivas com diversos tipos de pechblenda conseguiu detectar o polônio e o rádio... Mesmo na viuvez, manteve a fé natural e racional em torno das imensas possibilidades que estavam ao alcance e superou-se, conquistando o respeito internacional e o Prêmio Nobel de Química, tornando-se a única pessoa a receber duas vezes o referido Prêmio em áreas diferentes...
A fé sempre a sustentou, mesmo no período de aborrecimentos e conflitos emocionais vividos após a desencarne do marido...
Jesus disse com segurança e beleza: Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível (Mateus, 17-20).
Com certeza, não se referia à montanha em si mesma, mas, aos graves problemas que crescem em torno da existência, criando dificuldades e produzindo embaraços. A fé, ainda que pequena, já que o grão de mostarda é uma das menores sementes que existem, consegue o resultado que se almeja, em razão das forças que facultam e da inspiração que propiciam.
A fé, de qualquer forma, é estímulo de alto significado para uma vida feliz e saudável, portanto para a contribuição eficaz para a individuação.
Texto trabalhado com base no livro EM BUSCA DA VERDADE, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Postado no dia 14/07/2014.

 

sexta-feira, 11 de julho de 2014


A LINGUAGEM SIMBÓLICA DE JESUS

Os ensinamentos de Jesus eram, na sua maioria, apresentados de forma simbólica. E o que passou a ser conhecido como “as parábolas de Jesus”, de acordo com Taylor no livro A Study of the Parables of Jesus, “compreende mais de um terço dos (Seus) ensinamentos.” Através de analogias com cenas do cotidiano, com as paisagens, ou mesmo através de enredos, estabelecia conexões com ensinos nem sempre de fácil entendimento.

A palavra “Parabola” é formada a partir da junção de um verbo (Ballo) e uma preposição (Para), ambos de origem grega, com o seguinte significado etimológico: Para = ao lado de; Ballo = lançar. Literalmente temos: lançar ao lado. Estabelecendo uma avaliação de cunho psicológico, pode-se considerar que os Seus ensinamentos não eram “lançados” diretamente ou exclusivamente ao ego, mas ao lado, para que a apropriação pudesse dar-se não somente no campo da consciência, mas também no inconsciente, atingindo o ser como um todo.

Para Mark Baker, no livro Jesus o maior Psicólogo que já existiu, p.14 diz:

Jesus abordava as pessoas com técnicas psicológicas que estamos apenas começando a entender. Em vez de mostrar-se superior, dando palestras eruditas baseadas no seu conhecimento teológico, ele humildemente dizia o que queria através de simples estórias...”  

Assim procedendo, Jesus demonstrava conhecer de forma profunda a linguagem simbólica, que na avaliação de Carlos Byington, no trabalho A Construção Amorosa do Saber, na p.21 diz:

“transcende a inteligência exclusivamente racional... E nos remete ao conceito de inteligência existencial, cuja avaliação é testada pela capacidade de aplicar-se o conteúdo do ensino a qualquer dimensão do Self e não exclusivamente à dimensão racional.”

E se pensarmos bem, Jesus falava a mesma língua com a qual o Self se comunica com a consciência, porquanto não são os sonhos eminentemente simbólicos?

Portanto, “narrando parábolas”, prossegue Joanna de Ângelis, no livro, Em Busca da Verdade, p.30, “facultava o acesso ao ignorado Self e despertava-o de maneira hábil, embora simples, para que dominasse o ego nada obstante as injunções perversas do Seu tempo”. Deixando oculta nos símbolos as grandes verdades universais, comunicando-se de forma direta com o Self, as parábolas de Jesus possibilitam que, em todos os tempos, homens e mulheres possam delas extrair valiosos conteúdos para a jornada de individuação.
Texto escrito por Cláudio Sinoti, no livro Refletindo a Alma. Postado dia, 11/07/14

GRATIDÃO COMO CAMINHO PARA A INDIVIDUAÇÃO

A vida humana é uma bela caminhada que torna o indivíduo capaz para conquistar os elevados objetivos psicológicos a que se propõe.
Uma vida sem significado psicológico é uma existência destituída de sentido e de busca. Limitando-se ao amontoado de fenômenos fisiológicos, onde os automatismos funcionam com mais força do que os sentimentos e a razão, do discernimento, que, embora ainda adormecidos, surgem e desaparecem, não conseguindo ainda ser aplicados pelo self.
O predomínio do ego caracteriza-se pelos interesses mesquinhos, num estágio de consciência de sono, sem vislumbrar a realidade.
Sem ideais importantes, o sentido existencial é tímido, satisfazendo-se com o orgânico e os prazeres dos instintos, preso nas sensações. Faltando a capacidade da estesia e da estética, da emotividade superior, a sombra mantém-se atenta e ativa, elegendo apenas o que lhe basta, fazendo o ser humano passar entre as alegrias sensoriais e os desencantos físicos. Enquanto, consegue manter os gozos, tudo segue bem e lhe é suficiente até o instante em que outros fenômenos inevitáveis, os que atingem o corpo no processo degenerativo,  como as enfermidades, os transtornos emocionais, as dificuldades sociais e a perda daquilo que se satisfaz, fazem da encarnação um martírio, um  sofrimento onde a revolta e a queixa se instalam perversamente.
A lei de progresso, impulsiona o Espirito, mesmo o negligente e irresponsável, a outras experiências que o despertem para o vir a ser. O sofrimento de qualquer ordem é normalmente o instrumento de que a vida se utiliza para demonstrar ao inadvertido que a vida física não é uma viagem agradável exclusivamente, ao vivenciar as satisfações imediatas, sem respeito pelo esforço pessoal, pelas lutas e pelas reflexões afligentes que alteram a percepção da realidade.
Nos dias de alegria, o discernimento ainda embrionário não consegue quebrar as algemas do primarismo para entender que é preciso o crescimento ético e a real conquista da saúde. Essa caminhada do adormecimento para o acordar sempre se apresenta quando se é obrigado a caminhar pela noite escura da alma, como dizia São João da Cruz, que a viveu demoradamente até conseguir crucificar o ego e as suas paixões, morrendo em holocausto pessoal, para ressuscitar em madrugada de bênçãos e de conhecimentos da verdade, perfeitamente lúcido e feliz.
Muitas vezes, quando se é convidado a caminhar por essa noite, aqueles que ainda não se adaptaram aos processos de mudança dos estágios inferiores, em que as necessidades são predominantemente fisiológicas, para outros menos orgânicos e mais emocionais e psíquicos, em vez do esforço pelo conseguir, esse paciente rebela-se, queixa-se, transformando as experiências em rosário de lamentações, de infelicidade.
Nele encontra-se a criança maltratada, sempre buscando apoio e carinho, negando-se ao crescimento psicológico, ao desenvolvimento dos valores espirituais que existem no seu interior assim como em todos os seres humanos.
O amadurecimento psicológico exige muitas vezes muita aflição e cansaço da situação de comodidade em que vive, que perde o encantamento, na razão direta em que é vivenciada, produzindo saturação emocional no gozador.
Certo genitor laborioso e dedicado ao dever tinha um filho que, era fútil, vivendo como parasita explorador do pai. Aplicava o tempo nos gozos materiais e em consumir as energias morais, mesmo que diminutas.
O pai, maduro e sábio, sempre o advertia e lhe explicava que, pelo fenômeno natural da vida, seria o primeiro a morrer, e que as riquezas, por mais abundantes, quando gastas sem renovação tendem ao desaparecimento, a extinção.
Explica que os amigos que o cercavam não lhe tinham a menor estima, mas se interessavam pelos bens de que possuía e, quando esses escasseassem, também desapareceriam...
Os conselhos pareciam velha balada conhecida e não aceita.
O idoso trabalhador mandou construir nos fundos da propriedade um celeiro, colocando no seu interior uma forca, com uma placa fixada que dizia: ”Eu jamais ouvi os conselhos do meu pai”.
Quando tudo estava terminado, chamou o filho, levou-o ao celeiro e explicou-lhe:
- Filho, encontro-me velho, cansado e enfermo. Quando eu falecer, tudo que me pertence passará à sua propriedade. Caso você fracasse, porque atirará fora todos os bens que lhe deixo, me prometa que usará esta forca, como medida de reparação do mal que nos fez a ambos.
O moço, sem entender exatamente o que o pai queria dizer-lhe, calou, para não o contrariar.
O genitor desencarnou tempos depois e o jovem herdou-lhe os bens, gastando com mais extravagancias e desperdícios. Pouco tempo depois, percebeu que havia malbaratado todos os negócios e recursos, e estava reduzido à miséria, à solidão, até mesmo porque os falsos amigos o abandonaram.
Lembrou-se do pai e chorou copiosamente. No pranto, recordou-se da promessa que havia feito, de que se enforcaria após o fracasso. Tremulo de emoção desordenada, dirigiu-se ao celeiro e lá encontrou a forca junto aos dizeres terríveis. Teve uma iluminação, crendo que essa seria a única vez na sua vida que agradaria ao homem nobre que foi seu pai e sempre viver decepcionado com a sua conduta.
Subiu então na forca, colocou o laço no pescoço e atirou-se ao ar...
O braço da engenhoca era oco e partiu-se caindo dele várias joias: diamantes, rubis, esmeraldas, uma verdadeira fortuna com um bilhete, que dizia: “Esta é a sua segunda chance. Eu o amo de verdade. Seu pai...”
A partir dali sua vida tomou novo rumo e ele mudou completamente a maneira de encarar a oportunidade.
Quando a existência é vã e inútil, sempre surge uma segunda chance, mas o melhor será que cada um cresça com o esforço pessoal e saiba aproveitar o processo de amadurecimento, a fim de que não se veja forçado à mudança após situações desesperadoras.
O amadurecimento psicológico do ser humano, é inevitável, mesmo quando ocorram dificuldades momentâneos.
O filho, poderia ter evitado o período de sofrimento e amargura, se tivesse atendido ao pai, agradecido a tudo quanto recebia sem crédito ou mérito e atirava ao desprezo.
Se tivesse cultivado o mínimo de gratidão, compreenderia que o esforço do genitor, cansado e sempre trabalhador, merecia ao menos respeito de sua parte.
 A gratidão pode expressar-se como respeito e consideração pelo que os outros fazem, oferecem e a que se dedicam de enobrecedor.
A sua falta abre espaço a um tipo de cupim emocional que devora interiormente o ser, como acontece com aquele inseto de vida social que se nutre da planta viva ou morta, alimentando-se com voracidade, enquanto a consome.
Texto trabalhado do livro PSICOLOGIA DA GRATIDÃO, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Postado no dia, 11/07/2014.

quinta-feira, 10 de julho de 2014


IDENTIFICANDO O INCONSCIENTE
Essa abordagem sobre o inconsciente, refere-se ao coletivo e não ao individual, onde se encontram os mais antigos arquétipos e se sediam emoções, como o medo, a angústia, a ansiedade, a vida e a morte...
Encontra-se nas camadas mais profundas da psique, sendo os arquivos mais importantes e duradouros que temos notícias.
Abarcando o conhecimento dos acontecimentos passados, é responsável por muitos conflitos que assaltam a criatura humana, revelando-se, principalmente, nos sonhos repetitivos, simbólicos e representativos de figuras de fatos mitológicos, cuja interpretação, além de complexa, torna-se grande desafio.
A psicologia analítica, através do seu fundador, nele deposita a existência dos arquétipos, especialmente do Self, anima-us, ego, persona, psicoide, sendo, realmente desconhecido, tendo também caráter de um constructo energético não localizado, sendo, uma hipótese, pela grande dificuldade de demonstrá-lo de forma concreta...
O conceito do inconsciente, nessa significação, é muito antigo, do ponto de vista filosófico desde Plotino, passando por Platão, na antiguidade, e continuando com Leibnitz, Goethe e outros pensadores de ontem como de hoje.
A sua observação não pode ser feita de forma objetiva, mas penetrada nas suas estruturas, psiquicamente, aí se lhe detecta o essencial. Não pode ser constatado, e sim aceito por conclusão,  nem também pode ser negado.
A sua concepção por Jung, resultou da lógica de que existindo uma consciência, haveria, por efeito, um inconsciente como um satélite girando em torno de um foco central...
Sendo ele o responsável pelas imposições sobre a consciência, quase comandando-a, dando lugar à existência dos arquétipos, que são as suas seguras manifestações. Enquanto a consciência é apenas uma pequena parte da realidade, ele é a quase totalidade na orientação do ser humano.
Numa analise moderna, tendo por base os conceitos reencarnacionista, afirma-se que essas fixações, que fazem parte dos tempos passados, também resultam de experiências que foram vividas pelo Self, nas épocas e situações, nos povos e culturas que tem arquivados e periodicamente expressa.
Como o Self tem sua realidade além do tempo, é mortal no corpo e imortal após ou antes do corpo,  preserva os acontecimentos em que esteve envolvido, conservando uma camada de esquecimento em cada renascimento,  no entanto, trazendo possibilidades libertadoras das impressões mais fortes, que nele se apresentam como conflitos e perplexidades, distúrbios de conduta, estados fóbicos, afetividade, idealismo, significação...
Nas psicoterapias de regressão de memória a vidas passadas, por exemplo, faz-se presente esses arquivos das vivencias perturbadoras, fatos que causaram traumas e sofrimentos que, depois da catarse e do diálogo saudável entre paciente e especialista, se diluem, libertando a consciência do causador do desequilíbrio. O inverso também é verdadeiro, porque o arquivo, em si, é neutro. Há gráficos edificantes, realizações enobrecedoras que ficaram interrompidas pela morte, anseios não realizados, importantes para o ser e sua realidade.
Essas imagens primordiais, conforme as denominou Jung no inicio de suas investigações, tem grande força de expressão, porque umas são lembranças doloridas recalcadas não permitidas de manifestar-se, por atentar contra os valores éticos aceitos, naquele tempo dando lugar a inquietações e sofrimentos. Outras são também imperiosas pelas propostas de dignificação e de ações que constroem o bem interior e ajudam no desenvolvimento da comunidade humana.
No conceito reencarnacionista e todo o seu conteúdo de lembranças arquivadas, mas não mortas, a existência atual de cada indivíduo é sempre a soma daquelas vivências que necessitam de liberação.
Muitas resurgem como tendências e aptidões guiando o Self e o ego, que também lhes sofrem as influências, conforme a natureza de cada fato que representam.
Nos sonhos, e através de imaginação ativa, consegue-se encontrar os símbolos representativos que, em se tornando conscientes, liberam o indivíduo da sua incidência e da ação morbosa da representação onírica portadora de conflitos.
Vejamos a questão da homossexualidade, que se enraíza em múltiplas vivências do Self, ora num ou noutro corpo anatomicamente masculino ou feminino, preservando as emoções de um como e de outro equipamento.
A culpa, o pavor, a timidez, que têm raízes próximas a partir da vida intrauterina – consciente individual – se originam, quase sempre, em atitudes indignas que foram praticadas em vidas passadas, sendo ignoradas por todas as pessoas menos por seu autor, que os transferiu, na condição de conflito, de uma para outra existência corporal.
As tendências para o bem, o bom, o belo, o santo, em pessoas de procedência humílima, nascidas em situações deploráveis, com ascendentes genéticos  incapazes de produzir seres bem equipados para a vida, apresentando gênios, heróis e missionários de vários tipos, que se tornam promotores da humanidade por seus exemplos, sua dedicação ao ideal que abraçam, seus sacrifícios homéricos em clima de felicidade merecem reflexões mais profundas.
A proposta da reencarnação torna-se, pelo menos, uma possibilidade a considerar, como ocorre nos fenômenos da simpatia, da antipatia, em muitos casos de sincronicidade, de premonição, nos sonhos proféticos...
Considerando os indivíduos belicosos, descendentes de famílias pacíficas, como os privilegiados pela capacidade de adquirir e multiplicar conhecimentos, habilidades, expressões de sabedoria e de arte, de tecnologia e de pensamento, tendo antecedentes  broncos, senão incapazes alguns e teremos evidencias de vida-antes-da-vida...
Estudemos em comparação sincrônica as vidas de Alexandre Magno, Júlio Cesar, Napoleão Bonaparte, e vamos encontrar o mesmo Self ambicioso, conquistador, inquieto, modificando as estruturas geográficas e históricas da Humanidade.
Examinemos também as vidas de Hipócrates, de Paracelso e de Samuel Hahnemann na luta sacrificial em favor da saúde e se poderá encontrar o Self missionário, trabalhando a ciência médica, modernizando o conhecimento num processo progressista, com destino de abnegação e serviço proporcionadores do equilíbrio psicofísico e do bem-estar. Graças as suas contribuições as doenças passaram a merecer cuidados e providências curativas, tornando a existência mais apetecível e menos sofrida.
Há um encadeamento intérmino em todos os fenômenos da Natureza, desde a formação das primeiras moléculas, suas aglutinações e complexidades até a transcendência do ser, da vida, de todas as ocorrências.
Vê o caos como caos não é correto, por nele haver algum tipo de ordem, de determinismo, de programação...
O ser humano é imanente e é transcendente.
À medida que o seu superconsciente mantém as ainda não detectadas possibilidades de sintonia com o divino, registrando o psiquismo da vida, o inconsciente individual preserva as experiências atuais, e o coletivo arquiva as lembranças de todas as vivencias pretéritas.
Meditação, prática yoga, leituras edificantes com  suas fixações e reflexões, oração bem-direcionada e frequente são mecanismos seguros de penetração no inconsciente, diluindo aí impressões infelizes, estimulando recordações honoráveis, enquanto se abrem as comportas do superconsciente para captar as forças sublimes da Paternidade divina.
Com certeza, vive-se mais sob os fenômenos automáticos, das imposições do inconsciente, em pela necessidade de liberação dos fatores de perturbação, que precisam da catarse libertadora, a benefício da lucidez e plenitude do Self, da aceitação da sombra, da harmonia do anima-us,  em direção da felicidade.
Afirmava Sêneca: O sofrimento faz mal, mas não é um mal.
A existência do sofrimento encontra-se nas ações inescrupulosas praticadas pelo Espírito, dando lugar à culpa e, por consequência, aos efeitos morais dela defluentes, nos atentados aos códigos de harmonia que vigem no universo.
Na impossibilidade de se evitar o mal, porque é um efeito, por não se poder retroceder no tempo, para impedir-lhe a causa, tem-se, pelo menos, o dever de utilizar-lhe a ocorrência em proveito da aprendizagem pessoal, a fim de mudar-se o comportamento, de escolher o melhor método para a produção da harmonia e do bem-estar, da felicidade a que se aspira.
Todos querem e lutam para a conquista da felicidade, quase desconhecida pelo inconsciente, mesmo quando se impondo sofrimentos na expectativa das sensações posteriores que representam alegria e serenidade. Nessa visão, a felicidade tem um aspecto masoquista que deve ser evitado, porque o prazer não pode estruturar-se primeiro, no desconforto como propiciatório àquela.
Em sânscrito, existe a palavra sukha, tendo como significado um estado de harmonia, de nirvana, que liberta da ignorância da verdade, abrindo espaço para a sabedoria, para o entendimento das leis geradoras de equilíbrio e de plenitude.
Enquanto o inconsciente continuar ignorado pelo ego, que se atribua a capacidade de impor-se ao Self, na tormentosa ambição do poder e do prazer, serão liberadas impressões destrutivas, porque tormentosas, insustentáveis.
Primordial para a saúde é a penetração do ser consciente nos arquivos do inconsciente, equipado,  de entendimento e de valor moral, a fim de autoenfrentar-se, não permitindo o surgimento de conflitos por descobrir-se como realmente se é e não conforme se pensa ou se projeta para o mundo exterior.
A psicologia espirita, utilizando o paradigma da imortalidade para explicar o ser real e todas as suas mazelas e grandezas, propõe o esforço bem-direcionado pelo bem-fazer, pelo fazer-se bem, na utilização do amor, da compaixão, da benevolência em relação a todos e a si mesmo, que são recursos importantes para a integração do eixo ego-Self, a conquista de sukha.
Não se trata aqui de fazer o bem para ganhar o céu, ou de praticar a caridade para conseguir a salvação. 
Céu e salvação encontram-se presentes no ato de fazer o melhor em favor de si mesmo e do seu próximo, isto porque, a satisfação com que se administram valores de bondade, de ternura, distribuindo-se alegria e generosidade, já constitui a almejada felicidade.
Feliz, portanto, é todo aquele que reparte com prazer, multiplicando os talentos com que foi enriquecido pelo Senhor da Vida, despertando da sonolência para voltar para casa, retornando do país longínquo, mesmo que destroçado, abrindo-se à aceitação do amor do Pai, sempre generoso, e do irmão mais velho, que se encontra no inconsciente em forma de mágoas e reservas, desconfianças e insatisfações em relação ao herói de volta.
Desse modo, liberar o irmão mais velho do ressentimento e da insegurança que lhe são habituais em relação aos propósitos do outro filho de seu pai, que somente agora descobriu a ventura e está trabalhando para anular o passado – sublimar as lembranças do inconsciente – transferindo-o para a consciência e avançando na direção do superconsciente, onde foram depositados os talentos que se estão multiplicando.

Texto trabalhado com base no livro EM BUSCA DA VERDADE, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Postado no dia 10/07/2014.

quarta-feira, 9 de julho de 2014


A EXCELÊNCIA TERAPÊUTICA DAS PROPOSTAS DE JESUS
 “Os judeus esperavam alguém que os libertasse do jugo romano, mas veio alguém que queria libertar o ser humano das suas misérias psíquicas”. Augusto Cury, p.23, O Mestre dos Mestres. 

São vários os desafios que nós, terapeutas e profissionais da psicologia, temos ao atender um paciente, pois nem sempre é fácil detectar as raízes dos conflitos e transtornos que se apresentam na psíque e, além disso, propor o tratamento adequado.
As escolas criaram métodos valiosos para isso, mas que sempre esbarram nas limitações das suas concepções. E como cada ser apresenta a sua singularidade, embora imerso no coletivo, as tentativas de reduzí-los a determinados tipos de comportamento terminam por limitar a capacidade de análise, embora possam conseguir resultados satisfatórios em alguns casos.
Na condição de profundo conhecedor da alma humana, Jesus propôs uma nova dinâmica terapêutica, direcionada ao ser integral. Conseguia penetrar nos escaninhos da psique, encontrar as fragilidades e limitações dos que O buscavam ou acompanhavam, e estabelecer a diretriz correta. No entanto, sempre respeitava o livre-arbítrio, o poder de escolha, advertindo a respeito das suas consequências.
Nas palavras de Joanna de Ângelis Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda, p.39, “Jesus...é sempre o Psicoterapeuta por excelência, o Instrutor incomparável que penetra o âmago do aprendiz com  a lição que transmite...o Mestre que vivencia todas as informações de que se faz mensageiro”.
O Seu “consultório” era ao ar livre. Desvinculado de qualquer escola que limitasse o Seu pensamento, Suas lições tornaram-se atemporais, e o Seu método libertador conseguiu sobreviver a dois milênios de História, nada obstante os grandes avanços de todas as ciências, pois será que existe ciência mais poderosa que o amor que se une à sabedoria?
Texto escrito por Cláudio Sinoti, no livro Refletindo a Alma. Postado dia, 07/07/14.

 

 

 

 

 

 

BUSCA INTERIOR
O mundo objetivo, a realidade das sensações exerce um poderoso controle sobre a psique humana, pelas restrições e condicionamentos vindos dos seus significados.
Encarcerado o Self nos condutores cerebrais através dos quais se expressa, registra na infância acontecimentos que serão matrizes do seu comportamento, dando espaço às manifestações do seu equilíbrio ou desarmonia que acompanharão o indivíduo por toda existência. Em razão da anterioridade ao corpo, traz também, armazenado no perispírito as contribuições de vidas passadas, que se apresentam desde cedo, como tendências, aptidões, anseios ou conflitos, inquietações, impulsos autodestrutivos, de sublimação e complexos de comportamentos que irão tipificar o ser humano.
Porém trazendo ínsita no cerne das estruturas energéticas desse mesmo Self,  a imago Dei,  aos poucos leva-o às conquistas dos espaços, à ampliação da compreensão de si mesmo e dos outros, à saída dos  limites da organização cerebral, às percepções de outras realidades, incluindo as de natureza paranormal, que muitas vezes estão fixadas na superconsciência, favorecendo a descoberta do mundo da energia com as suas variações surpreendentes.
Fenômenos incomuns, inabituais surgem na infância, estados paroxísticos apresentam-se espontâneos, alucinações surpreendentes ocorrem, durante toda a vida, chamando a atenção para a vida em outras dimensões.
A força, irreprimível, da matéria e dos seus implementos, os condicionamentos orgânicos e os mecanismos convencionais da educação e do conhecido, criam embaraços a essas manifestações, produzindo recalques e castrações, quando não produzem os fenômenos do pavor e os conflitos psicológicos que levam para alienações e desastres de conduta.
A mediunidade é uma faculdade orgânica presente em todos os indivíduos, conforme a definiu com segurança o mestre Allan Kardec, estabelecendo metodologias e disciplinas de educação e aprofundamento das suas expressões.
A vida, como consequência, rompe a barreira do mundo físico e das suas manifestações para expressar-se em toda a sua plenitude como de natureza energética ou espiritual, constituindo a realidade pulsante de onde emerge a de formação material, por onde o Espírito transita muitas vezes, em períodos breves estabelecidos entre o berço e o túmulo.
A psicologia analítica não pode negar-se a uma investigação honesta do tema, considerando as próprias experiências paranormais de que foi objeto o eminente neurologista e psiquiatra Jung, conforme as suas próprias narrações e todos os tumultos em que esteve envolvido, atraído pelo invisível e resistente ao seu apelo irrefreável.
Foi necessário que uma enfermidade o fizesse diminuir o controle sobre a sua consciência, a própria resistência, para, logo depois, escrever a sua Resposta a , realizando a extraordinária façanha quase que de uma só vez, dizendo que se sentiu pegar o espírito pelo cangote (que) foi o modo pelo qual este livro nasceu.
Importantes experiências o levaram a interessar-se pela fenomenologia mediúnica, sendo ele próprio instrumento constante para a sua ocorrência, especialmente quando, na Inglaterra, passando fins de semana numa residência assombrada no ano de 1920, confessou o estado de ansiedade que o dominava à noite, quando ocorriam diversas manifestações estranhas, ruídos que pareciam o roçar da seda e o gotejamento. Nesse momento viu uma aparição, a distancia de cinquenta centímetros, sobre um travesseiro, era a cabeça de uma mulher, em constituição semissólida com um dos olhos semiaberto fixando-o. O  fenômeno, se prolongou por alguns minutos e no seu final, ele acendeu uma vela e ficou o resto da noite sentado em uma poltrona meditando.
Essa foi, uma das muitas ocorrências para-psíquicas que lhe ocorreram na existência desde a infância, lembrando que a sua genitora era médium, e que o seu avô referia-se ao aparecimento da esposa desencarnada, que se sentava numa poltrona que mantinha no seu gabinete e lhe ditava alguns sermões.
Segundo Aniela Jaffé, sua secretária, o grande pesquisador participou, conforme fez antes com sua prima, no início da sua carreira, de experimentos com o extraordinário investigador Schrenck-Notzing, e como médium o famoso Rudi Schneider, que produzia fenômenos de materialização, no ano de 1920. Mais tarde, em 1930, assistiu a outras experiências de materialização com o referido investigador e outros cientistas.
Após muitas reflexões nesse campo, disse: Se, de um lado, nossas faculdades críticas duvidam de todo caso individual de aspecto espírita, somos, contudo, incapazes de demonstrar um caso sequer de não-existência de Espíritos. Devemos, por esse motivo, limitar-nos, a esse respeito, a julgamento non liquet, ou seja, não está claro, a coisa oferece dúvida, não está bem esclarecida, há necessidade de maiores informações.
Escreveu depois: Embora eu nunca tenha feito qualquer notável pesquisa original nesse campo (psíquico), não hesito em declarar que observei uma quantidade suficiente de tais fenômenos (participando, então, das surpreendentes pesquisas do barão Albert Schrenck-Notzing), que me convenceram inteiramente de sua realidade.
Como a tarefa científica de Jung era outra à qual deu toda a vida, abrindo horizontes quase infinitos para a psique, na construção da psicologia analítica, bastante combatida pelos adversários das novas ideias. ele não pôde dedicar-se a esse campo experimental.
O espaço das pesquisas ficou em aberto para os seguidores e discípulos do mestre do estudo da realidade esmagadora, dando continuidade a pesquisas exaustivas, nele mesmo e nos seus pacientes, para mergulhar mais no contexto histórico e psicológico da vida.
A mediunidade, inerente a todos os seres humanos, em diversos graus de desenvolvimento, influi no comportamento do ser psicológico, abrindo espaços a conflitos parapsíquicos, interpretados muitas vezes como pertencentes à realidade objetiva.
O ser humano é bem mais complexo do que a dualidade psique-corpo, mente-matéria, nele se encontra o Espírito imortal e o seu envoltório perispiritual encarregado da modelagem das formas físicas nas muitas reencarnações.
Muitos conceitos junguianos encontram conformação de grande relevância, com a visão espiritual do ser, por estarem centrados na realidade subjetiva expressa através da vasta fenomenologia mediúnica e pela conjuntura de o indivíduo possuir  recursos não próprios, que se lhe somam pelo intercambio com outros seres desencarnados que o envolvem e que fazem parte do seu comportamento psíquico, emocional e físico.
A busca interior não pode estancar na periferia da realidade física, mas  penetrar no âmago do ser e das suas faculdades, ampliando a agenda de realizações com a visão do indivíduo indimensional, o Self com os seus atributos divinos.
Texto trabalhado com base no livro EM BUSCA DA VERDADE, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Postado no dia 09/07/2014.