domingo, 13 de abril de 2014


  INTROJEÇÃO 

A introjeção é uma internalização dos objetos. Uma forma de identificação na qual o indivíduo tenta igualar-se ao outro através da assimilação de elementos de sua personalidade, podendo ser normal ou patológica. Alguns autores consideram a introjeção o inverso da projeção, por um ser para dentro e o outro para fora.
Um exemplo de introjeção normal é a do menino em processo de formação da personalidade, que se identifica com algumas posturas, atitudes ou ideias de seu pai, procurando padrões apropriados de comportamento masculino. No entanto, caracteriza-se como mecanismo de defesa patológica à medida que o sujeito assimila posturas para fugir daquilo que é, desejando aquilo que não é.
Joanna de Ângelis no livro O Ser Consciente, dirá que na introjeção o ego acredita que as qualidades das pessoas lhe pertencem por ser parecido com elas. Por exemplo, ao assumir um hábito ou o modo de falar ou se comportar, o indivíduo tenta fugir da realidade interior e atender as exigências exteriores, alimentando as ilusões, levando o sujeito à alienação.
Esse processo de se esconder atrás daquilo que não se é pode também ser entendido como a criação das máscaras.
Whitmont explica este processo através da seguinte observação:

 

Temos de aprender a nos adaptar às exigências culturais e coletivas em conformidade com nosso papel na sociedade – com nossa ocupação ou profissão e posição social – e ainda ser nós mesmos. Precisamos desenvolver tanto uma máscara como um ego adequados. Se essa diferenciação fracassar, forma-se um pseudo-ego: o padrão de personalidade se baseia na imitação estereotipada ou numa atuação meramente zelosa em relação ao papel atribuído coletivamente à pessoa na vida. (WHITMONT, 2008,p.140)

 

O conceito de máscara é muito mais amplo do que a reflexão apresentada. Mas passamos por ele para pontuar a possibilidade do ser humano de assumir papeis sociais, desejados ou valorizados, que são construções externas e que se tornam extremamente prejudiciais ao processo de transformação moral a partir do momento em que o sujeito se confunde com estas máscaras, como se já houvesse dado conta de suas questões morais.
Transformação moral não é um processo de identificação exterior ou “assimilação” de virtudes.

Texto escrito por Marlon Reikdal, no livro REFLETINDO A ALMA. Postado no dia 13/04/2014

 

A PSICOLOGIA DA DIGNIDADE
Algumas escolas psicológicas insistem que o indivíduo nasce plasmado pelos fatores genéticos e torna-se fatalmente o resultado da programação hereditária. Ainda afirmam que a contribuição da educação é suspeito de ser produtivo na sua transformação moral, quando as suas tendências são perturbadoras e responsáveis pelo comportamento alienado ou desastrado, dócil ou afetivo, pacífico ou violento...
Não se podendo negar a importância da genética na construção do aparelho fisiológico, o indivíduo é, antes de tudo, o self responsável por seus conteúdos psíquicos, o Espirito, que herda de si mesmo as experiências vividas em existências pretéritas. Não sendo a concepção fetal o momento da criação da psique, nem a morte biológica o fim das suas funções, o ser energético e pensante evolui lentamente, como aconteceu com as formas biológicas desde os ensaios grotescos dos seres primários que se tornaram os protótipos iniciais da atual organização humana... Pode-se mesmo recuar esse período aos das primeiras expressões moleculares no fundo dos oceanos, quando fascículos de luz, que vieram de outra dimensão, mergulhando nas águas salgadas, passaram a estimular as referidas moléculas, formando os organismos unicelulares, ordenando-se em expressões pluricelulares e seguindo o processo evolutivo... Esses fascículos de luz desenvolveram-se no que viria a ser a energia vital, o psiquismo animal, o ser espiritual do período de humanidade...
Vê-se que não são, desse modo, os caprichos dos genes que formam o ser, as suas características físicas, emocionais e psíquicas, embora prevaleçam, mas o Espirito que registra neles as necessidades de desenvolvimento intelecto-moral.
Desse modo, a educação desempenha um papel de grande importância no seu desenvolvimento cultural, emocional, comportamental, trabalhando-lhe os valores internos e levando-o à conquista do infinito.
A conquista de hábitos saudáveis, os  considerados edificantes e produzem harmonia emocional no grupo social, a transformação das tendências agressivas e dos sentimentos de baixa estima para melhor, o esforço para qualquer realização  por meio dos processos educativos, especialmente os de natureza moral, que são os exemplos, ao mesmo tempo que, através do estudo, ocorre o desenvolvimento cultural e intelectual, numa soma de valores que enobrecem o ser humano.
À educação, no seu sentido amplo, está reservada,  a grande tarefa de construir o homem e a mulher melhores e mais sociáveis, desenvolvendo neles os germes do amor e da dignidade, com os quais progride espiritualmente, tornando-se úteis à comunidade, após transcenderem os limites egoicos, quando lhes é possível conquistar a consciência de paz e dos valores éticos que constituem a vida pensante.
Se o fatalismo genético não tivesse chance de mudança, o significado do progresso desapareceria, permanecendo a brutalidade ancestral, o primitivismo arbitrário, sem as claridades do saber, do comportar-se, da autoiluminação. Dessa forma, nenhuma das doutrinas científicas e filosóficas teria razão de existir, porque a psique estaria incapacitada para as assimilar, na sua condição de independente dos fenômenos fisiológicos automatistas.
É incontestável no universo a presença da força do deotropismo como fonte convergente de tudo e de todos.
À semelhança da luz que atrai os vegetais vitalizando-os e auxiliando-os nos milagres que se iniciam na germinação e prosseguem a inflorescência e frutificação, a atração de Deus como Criador torna-se a poderosa emulação para os fenômenos que acontece em toda parte.
Fonte inesgotável de energia é a causa transcendente de tudo...
Lucigênito, o ser humano, através dos complexos processos e mecanismos da evolução, avança na busca do estado numinoso, da perfeição que lhe está destinada.
Uma ordem moral, em consequência, responsável pelo equilíbrio galático existe no cosmo e manifesta-se em tudo como lei de progresso que comanda o desenvolvimento ético e espiritual, nada ficando incólume à sua ação de convergência.
Por isso, a evolução é inevitável, e incessante.
Com alguns instantes de reflexão em torno da vida, em todas as suas expressões se percebe essa fatalidade iniludível, que se manifesta no impulso inicial, facultando a complexidade das formas e das apresentações, fixando a sua historiografia caracterizada pelos fenômenos cada vez mais nobres e melhores, estruturados em incessante desdobramento. Não ocorre, nessa progressão, nenhum tipo de retrocesso, de volta aos momentos caóticos do princípio, nos quais, de alguma forma, sempre houve ordem...
Essa ordem moral foi detectada no século XIX, pelo teólogo inglês, mestre em Oxford, C. S. Lewis, que a denominou de lei moral, dessa maneira evitando a designação de Deus, que desagradava os cientistas de então...
Com esse conceito, o eminente pensador estabeleceu que se encontra na lei do comportamento correto, que oferece a melhor conduta para as situações diversas, pautadas na ética do bem, filho nobre do dever. Logo propôs o conceito do certo e do errado, que é universal entre as criaturas humanas, embora as diferentes manifestações encontradas entre os povos primitivos e os civilizados, efeito natural da lei de progresso.
Allan Kardec, o preclaro estudioso dos fenômenos da vida e da imortalidade, por sua vez detectou a lei natural, que é a lei de amor, defluente de Deus, e apresentou um complexo e completo esquema sobre as dez leis morais que dela se derivam, abarcando tudo quanto se faz necessário para o estabelecimento da psicologia da dignidade humana, do comportamento correto.
O esquema kardequiano começa analisando “A lei divina ou natural” e acaba no capítulo “Da lei de justiça, de amor e de caridade”, para deter-se num estudo pleno a respeito “Da perfeição moral”, que antecede os esforços da psicologia junguiana estabelecendo como o instante pleno da vida aquele que se refere à individuação, ao estado numinoso.
O insight kardequiano encontrava-se em germe no universo e todos que sintonizavam com as leis cósmicas da mesma forma o captaram vestindo a ideia de acordo com as suas características emocionais, culturais, religiosas.
Em todo esse grande edifício filosófico de natureza moral sobressaem os valores que dignificam a existência da vida na Terra, o natural esforço de cada criatura humana para superar os vícios ancestrais e a conquista das virtudes, que são as realizações edificantes do processo evolutivo.
Todas as propostas da vida humana estabelecem a ética do comportamento correto, em razão de outra lei, a de causa e efeito, que demonstra a harmonia em tudo, concedendo ao ser pensante o livre arbítrio, mas também a responsabilidade dos seus pensamentos, palavras e atos, porque se ele é semeador também é o ceifador de tudo quanto plante.
Esse impositivo estabelece o princípio da consciência, da responsabilidade que favorece a instalação da culpa ou da tranquilidade, conforme o comportamento de cada indivíduo.
Todos são livres para as condutas mentais, emocionais e morais que lhes convier, assim como das suas consequências.
É indispensável, manter a lei moral, que induz à conduta psicológica saudável.
Texto trabalhado do livro PSICOLOGIA DA GRATIDÃO, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Postado no dia, 13/04/2014.

 

A POSSIVEL SAÚDE INTEGRAL 

À medida que o ser humano evolui, abençoado pelas imensas conquistas da ciência e da tecnologia de ponta, mais aspira pelo bem-estar, pela saúde integral. 

As incomparáveis realizações médicas, nos seus muitos aspectos, tornaram a vida terrena mais agradável e digna de ser vivida, conseguindo debelar epidemias que, periodicamente, ameaçavam de extinção a Humanidade, tornando possível o uso da anestesia e dos analgésicos em relação à dor, as cirurgias salvadoras, o combate aos vírus e bactérias destrutivos por intermédio de antibióticos poderosos,...Do ponto de vista psicológico e psiquiátrico, diversos transtornos neuróticos, psicóticos e de comportamento foram minimizados  e alguns curados, dignificando a criatura humana que jazia encarcerada nas prisões sem grades da loucura e dos distúrbios de conduta. 

A vida moderna, por outro lado, criou então, mecanismos escapistas para fugir à realidade exigente, propondo inúmeros divertimentos, desde os mais singelos até os esportes radicais, sem  consideração pelo equilíbrio orgânico, que vai submetido a esforços sem sentido, nos campeonatos de exibição narcisista dos seus aficionados. Por outro lado, os exercícios físicos, trabalhando as formas por uma beleza estética, pecam pelo excesso de musculação, de caminhadas cansativas, do uso de anabolizantes, de enxertos de silicone, de cirurgias corretivas, tornando-se um distúrbio psicológico... O excesso de compromissos, muitos insignificantes, como; estar presente em todos os eventos, ser conhecido em toda parte,  buscar integrar-se em todos os movimentos, diminui o tempo que deveria dedicar à reflexão e ao estudo, à meditação e à interiorização, correndo-se de um para outro lado, na busca de coisa nenhuma, como fruto azedo que são os vazios interiores. 

Nessa sensação do prazer, não se dispõe de paz nem de oportunidade para escolher os alimentos saudáveis, cozer ou não corretamente, fugindo para os enlatados, os pré-cozidos, os fast food, com excesso de gordura..., bebidas com exagero de gás, álcool e tabaco nos encontros sociais, quando não predomina a escolha das drogas aditivas e destruidoras, nos vários setores em que todos se movimentam. 

O numero de obesos é surpreendente, diante da alimentação mal orientada e da falta de exercícios saudáveis, tornando-se uma enfermidade de natureza pandêmica, impondo despesas volumosas aos cofres públicos nas diferentes nações, por desrespeito ao programa de saúde. 

Dietas complicadas surgem e somem como neve que o sol derrete, para conseguir-se o corpo ideal, como se todos os indivíduos, com suas próprias características genéticas, pudessem ser transformados em um padrão único de harmonia e de beleza, dando lugar aos transtornos de anorexia e de bulimia com graves consequências. 

Por outro lado, cirurgias de diminuição do estomago, com a colocação de balões inflados para reduzir a capacidade alimentar, quando o esforço pessoal, a decisão honesta e sincera de cada qual melhor cuidar-se poderia resolver o impasse... 

A ânsia pelo corpo ideal tem levado pessoas neuróticas à retirada de costelas, para melhorar a silhueta, parecendo-se a bonecas famosas como a Barbie, ao invés da consciência de que a mesma foi feita não para servir de modelo, mas inspirada em alguém especial na sua constituição física... 

As contradições multiplicam-se e os âncoras de programas de rádio e de televisão, muitas vezes aturdidos e a serviço do mercado infeliz, sugerem, irresponsavelmente, o uso de produtos salvadores para a saúde, de SPAs, sigla do velho conceito salute per acqua, que tornam-se famosos pela facilidade com que todos emagrecem e libertam-se de vícios, atormentando os ouvintes e televidentes desprevenidos. 

O sexo promíscuo transformou-se em elemento vital aos relacionamentos, às atividades de qualquer natureza, e o seu desempenho passou a ser motivo de comentário e de exibicionismo em todo lugar, buscando vender sensações, já que outro não é o interesse dos seus propagadores... 

Cresce também o número dos gurus astutos e psicologicamente enfermos orientando pessoas também perturbadas impondo-lhes comportamentos estranhos, fora do normal, como recurso possível de conseguir a meta que se deseja. 

Inúmeros outros fatores de perturbação da saúde, colocados a serviço do falso bem-estar e do equilíbrio injustificado, enganam e desviam as pessoas dos objetivos essenciais da vida, mas lesando a confiança e a esperança da paz. 

Cultos religiosos extravagantes e enganosos prometem saúde total, como se oferecem produtos num mercado, atraindo as massas ansiosas e necessitadas, que têm exauridos os seus salários, na compra dos favores divinos, quando os seus líderes não são mais atrevidos e exigem que Deus os atenda nas suas imposições teatrais, que levam os adeptos ao delírio. 

As práticas mística do passado, junto ao mediunismo atormentado, também são buscadas para resolver problemas de todo tipo, incluindo, os da saúde. 

Tudo, porque o ser humano perdeu o senso de direção dos objetivos essenciais da existência terrestre, confundida com uma viagem ao país do prazer e às praias do divertimento insensato. 

O trabalho honesto e dignificante vai sendo colocado à margem, como cansativo e cruel, exigindo-se sempre leis que diminuam a sua carga horária, que mais beneficiem o servidor, sem igual compromisso com a qualidade que cada um deve apresentar, com a pontualidade exigida, com a responsabilidade que lhe vincula. 

É importante, no entanto, para o equilíbrio psicofísico o trabalho sério e bem executado, que tem função terapêutica valiosa, sustentando os ideais humanos, gerando bons hábitos e convivência social edificante  entre aqueles que se encontram em ação nos grupos que se movimentam, desincumbindo-se dos compromissos para os quais foram contratados. 

Nesse quadro, algo deprimente, desempenha papel importante, a vida interior do individuo, as suas construções e aspirações mentais, os anelos do sentimento, as mágoas e ressentimentos originadas na existência, o cultivo de ideias vulgares ou perversas, contribuindo de forma vigorosa para o surgimento, instalação ou prolongamento de enfermidades de diferentes portes... 

A autoconsciência a respeito dos deveres que dizem respeito à encarnação e à necessidade de a utilizar de forma adequada, é fator primordial para o bem-estar e a paz, que não tem recebido consideração. 

Na perturbação, que toma conta das pessoas e da vida social, a conquista dessa consciência de Si-mesmo fica relegada a segundo plano, ou nem é valorizada sob justificações infantis de nenhuma relevância. 

Há uma necessidade imperiosa e inadiável de o indivíduo voltar-se para dentro, examinar-se honestamente e compreender-se, para, em seguida  definir os rumos que deverá seguir, buscando a meta principal que é a felicidade possível que lhe está ao alcance.
 
Trabalho elaborado com base no livro EM BUSCA DA VERDADE, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Postado, dia 13/04/2014.

sábado, 5 de abril de 2014


A GRATIDÃO COMO SENTIDO MOTIVADOR DA EXISTENCIA

O ser humano é um conjunto eletrônico maleável que a consciência administra. A sua harmonia ou desconcerto é resultado da psique que é o agente acionador dos equipamentos,  a exteriorização do self, que armazena, através do psicossoma, as informações das experiências evolutivas, desde as primárias manifestações de vida, registradas no inconsciente profundo, sobrevivendo espontaneamente ou quando provocadas pela hipnose.
Nada se perde no conjunto das vivências que começam nos automatismos biológicos e alcançam as manifestações da transcendência espiritual.
Todo o funcionamento é liderado pelo  automatismo do processo da evolução até quando o self lúcido passa a elaborar os conceitos do discernimento e da razão. Toda a harmonia dos equipamentos que funcionam  conforme o estágio em que estagia amplia-se de acordo com os atos responsáveis, e desorganiza pelas intemperanças e primitivismos que predomine em o ser psíquico.
Todo esse desenvolvimento, que se perde no tempo em mais de dois bilhões e duzentos milhões de anos transcorridos, quando da sua origem em forma de primeiras moléculas atraídas umas às outras através da lei das afinidades, é uma sinfonia de bênçãos, que estimula a inteligência e a emoção ao sentimento da gratidão, a partir do momento em que se pode identificar-lhe a grandeza inimaginável.
É a máquina mais perfeita vista pela razão humana que a tem copiado e tentado imitá-la através da robotização e de outros mecanismos tecnológicos, o que tem ficado sempre aquém da sua complexidade infinita...
Considerando dessa forma, o corpo, mesmo ferido por deficiência ou disfunções, representa uma oportunidade rara para  restabelecer as peças  estragadas pela invigilância daquele que o utiliza como recurso de autoreparação.
Assim também, os belos conjuntos corporais, caracterizados pela beleza da harmonia das suas formas, é de grande responsabilidade para aquele que o utiliza transitoriamente, motivo de importantes reflexões do que nos limites em que se debate, nas provas e expiações depuradoras... Por isso todo futuro sustenta-se nas circunstancias de como vai ser utilizado pelo Espirito que agora o comanda.
A gratidão pela glória de estar nele deve expressar-se pelo respeito com que é utilizado, pela maneira como é conduzido com o objetivo de preservá-lo saudável e forte para as situações inevitáveis do processo de crescimento para Deus. Apesar de toda a sua harmonia, uma picada de alfinete infectado pode produzir-lhe danos irreparáveis, assim como uma emoção descontrolada é capaz de alterar-lhe o funcionamento, proporcionando desajustes e transtornos físicos, emocionais e psíquicos de dolorosa recuperação.
O desconhecimento sobre a imortalidade do ser, em revide aos sacrifícios que se impunham ao corpo no passado, na busca da sublimação dos instintos e desejos normais, os cilícios e abstinências perversas, como revide às sensações de que era objeto, surgem, hoje, no culto às formas, na conquista do que é considerado ideal, programadas por personalidades nem sempre equilibradas emocional e sexualmente, responsáveis por estabelecer os padrões de beleza de que a mídia divulga e consome.
As cirurgias responsáveis, as lipoaspirações, os implantes e os transplantes de peças, os tratamentos de preservação e de embelezamento, os exercícios exagerados, as ginásticas de vários significados, a alimentação que leva a anorexia e a bulimia tornaram-se fundamentais no campeonato da vaidade, sem  preocupação com a mente e o comportamento moral, fundamentais, pela vestimenta carnal...
Como o tempo é invencível e não para de avançar para a eternidade, aos poucos impõe as suas marcas no funcionamento da máquina, que se altera e registra os hábitos viciosos, os conflitos interiores na célula, fazendo com que os deuses de um momento acordem expulsos do Olimpo onde estiveram por um dia, perdidos nos porões do Hades do desencanto e da amargura, para onde foram atirados...
Graças à evolução genética das formas físicas, pode-se dizer que os biótipos atuais, após haverem superado as experiências evolutivas, alcançaram um padrão de harmonia e beleza que aponta para a sua procedência, conquistando mais equilíbrio estético com relação ao passado, com expectativas mais belas para o futuro.
Mesmo assim, Espíritos menos evoluídos podem utilizar-se dessa conquista e reencarnar com bela aparência, sem que os valores correspondam ao que se pode esperar daquilo que exteriorizam de forma agradável e atraente.
Os impulsos interiores, como também os atavismos morais, levam-nos para os grupos primitivos de onde vêm, fazendo com que revivam as situações e hábitos que deveriam estar superados.
Por isso, cabe a educação grande responsabilidade, para que sejam dissolvidas as construções morais viciosas, auxiliando-os a conquistar novos comportamentos que o ajudarão a libertar-se das fortes marcas que os caracterizam, oferecendo-lhes o treinamento de novos costumes, o anseio de aspirações mais elevadas, acima do imediato e fisiológico.
A dualidade amor e responsabilidade dão-se as mãos para a sua edificação interior, trabalhando os condicionamentos ancestrais e instalando novas condutas que se transformarão em a natureza ética e social, guiando-os no empreendimento fabuloso da reencarnação.
Esse programa salutar, formado pela consciência do dever, estará sempre enriquecido de valores espirituais que despertam para a realidade de cada qual, apontando-lhe os rumos da iluminação, que perseguirá como sentido existencial, agradecendo a oportunidade e bendizendo-a.
O apóstolo Paulo, na sua epístola aos Colossenses, no capítulo 3, versículo 16, exorta os discípulos, convidando-os a louvar “Deus com gratidão em seus corações.” Oportunamente, referira-se, noutra epístola, aos Coríntios, à sua gratidão pelos sofrimentos, pelas  aflições que lhe chegavam em razão da sua vinculação com Jesus.
Gratidão pelo sofrimento reparador, como gratidão pela alegria da fé iluminativa.
Nele a gratidão habitava como sentido existencial, por reconhecer que dedicar-se ao ideal libertador do evangelho era-lhe uma benção, e que tudo no universo ocorre em troca de valores.
As dádivas fruídas são os frutos abundantes e dadivoso da sementeira produzida a suor e luta, mas com alegria feita de reconhecimento pela oportunidade de fazer algo dignificante, não apenas para si mesmo, mas que pode transcender o ego na direção de outrem, da comunidade.
Sem esse entendimento, a vida humana não tem significado, resumindo-se no automatismo vegetativo, sem a significação psicológica que enobrece.
Os fenômenos automáticos da nutrição, do repouso e da reprodução também são encontrados nos vegetais e nos animais da escala zoológica.
O ser humano que pensa tem deveres para com a vida, começando com as responsabilidades em relação a si mesmo, ao ato de viver e sentir, de compreender e de amar...
E assim, a gratidão também é transcendência existencial, enriquecimento emocional e saúde comportamental, pela visão otimista que ultrapassa as barreiras do ego para se tornar significado motivador de plenitude.
Quem se comporta dessa forma não só encontra o sentido, o significado existencial, como encontra também a própria vida em toda a sua exuberância, sem a doentia presença que é a sombra com as suas várias máscaras, as bengalas psicológicas de fuga da responsabilidade que mantém o ser humano no estágio do primarismo do qual procede.
A evolução instala-se nele, a partir do momento em que, discernindo entre o que aparenta e o que é realmente, permite-se insculpir a consciência harmônica da responsabilidade moral proporcionadora da saúde integral.
Texto trabalhado com base no livro Psicologia Espírita, escrita por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Postado dia 05/04/2014

 

 

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014


 

FORMAÇÃO REATIVA 

Este mecanismo nos parece mais elaborado do que a negação e mais contido que a projeção que se mostra exterior. Encontramos na formação reativa um movimento interior, tentando provar para si mesmo e, por consequência, para o mundo, que se é oposto àquele afeto. A formação reativa é trabalhada por Joanna em O Ser Consciente com o nome de compensação.
Religiosamente somos filhos do pecado, movidos pelo medo de errar, do inferno, do purgatório, que no Espiritismo se traduziu pelo medo do umbral. Trocamos o diabo que nos prejudica pelos obsessores que nos fazem infelizes, sem compreender a nova dimensão que estes conceitos nos abrem, embora parecidos.
O pecado merece a eliminação e o Diabo merece o cárcere eterno do inferno. De uma maneira semelhante, reproduzimos esta estrutura em nossas vidas nomeando simbolicamente de pecado aquela parte de nós que não está de acordo com a moral, que não é bem vista pelas pessoas e portanto precisa ser eliminada para que também nós não sejamos conduzidos ao “umbral” e mais do que esta negação, o desejo de ir para o céu, mal-elaborado em nós mesmos, nos obriga a posturas semelhantes às dos anjos... mas o que ocorre é que nestes comportamentos há sempre um excesso que nos demonstra o contrário, como exemplifica Joanna: 

O fanatismo resulta da insegurança interior, não consciente, pela legitimidade daquilo em que se pensa acreditar, desse modo compensando-o. (...) O excesso de pudor, a exigência de pureza, provavelmente são compensações por exorbitantes desejos   sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscuos, vigentes no ser profundo. (ÂNGELIS, 2000, p.104) 

A mentora nos ensina que pessoas buscam refúgio nos ideais, especialmente nas doutrinas religiosas – das quais fazemos parte -, adotando comportamentos nobres que são nada mais do que fuga da realidade, mascarando assim seus conflitos, ou podemos dizer em outras palavras que o ego se exacerba para tentar esconder o eu debilitado. Quem se preocupa em anunciar o que já conquistou moralmente corre o risco de esquecer o que ainda tem a melhorar.
 Fenichel (1981) ressalta que na formação reativa as atitudes são tolhidas e rígidas, que obstam a expressão de impulsos contrários, os quais, de tempos em tempos, irrompem constrangendo o sujeito. E em termos de afeto o autor ainda argumenta que na formação reativa é possível ver-se o despudor como defesa contra o sentimento de culpa, ou a coragem contra o sentimento de medo.
Mas transformação moral não é um processo de fuga de nossos defeitos, muito menos de construções exteriores.
Texto escrito por, Marlon Reikdal, no livro Refletindo a Alma. Postado no dia 03/04/2014.  

quarta-feira, 2 de abril de 2014


O SER HUMANO PLENO

 
Frederico Nietzsche, dominado por terrível pessimismo, sofrendo contínuas crises de depressão e amargura, considerou o super-homem como aquele que venceria o niilismo e com a sua sede de poder tudo conquistar. Esse modelo dominante em muitos indivíduos, estimulando-os à conquista desse símbolo representado na personagem fictícia americana do Superman, é um sonho sofrido que não encontra apoio nos conteúdos psicológicos e somente tenha existência na imaginação.

Quando concebeu esse modelo, Nietzsche não imaginou o modelo ariano como ideal, que  detestava, mas alguém que superasse o homem morto, do Assim falava Zaratustra, pois podia não suportar os grandes conflitos à sua volta. Esse conceito por algum tempo gerou incompreensão em torno do autor, quando sua irmã, que com ele conviveu nos últimos tempos, deu a Hitler uma bengala que havia lhe pertencido, deixando transparecer simpatia do filosofo pelo nazismo...

Idealizar um super-homem é tentativa frustrada de desprezar-se o homem e as potências que se lhe encontram em germe.

Porque o seu processo de experiências é feito por etapas caracterizadas por incertezas e dificuldades, aspira-se, inconscientemente, à possibilidade mitológica de tornar-se alguém inacessível aos  sofrimentos, as angústias e a morte, de acordo com a compreensão a respeito do Superman.

A conquista dessa fortaleza e grandeza moral só é possível invertendo os valores, do mundo exterior como condutores de poder e de gloria,  adormecidos no Si-mesmo, que deve ser conquistado com decisão, em processos vigorosos de reflexão e ação iluminativa, de forma que nenhuma sombra consiga predominar na conquista da plenitude.

A conquista de humanidade conseguida pelo psiquismo após os bilhões de anos de modificações e estruturações, transformações e adaptações, favorece, nesse período da inteligência e da razão, a fantástica conquista do pensamento, essa força dinâmica do Universo que o sustenta e revigora constantemente.

Não foi sem sentido psicológico profundo que o astrofísico inglês Sir James Jeans disse: O universo parece mais um pensamento do que uma máquina, coroando-se com a declaração do nobre Eddington dizendo que: A matéria-prima do universo é o espirito.

Por isso, quando o ser humano autoexamina-se, percebe-se como um todo com possibilidades independentes de qualquer  condição externa, mas quando abre os olhos percebe o meio ambiente, as circunstâncias e as imposições sociais, fazendo parte do conjunto, com alguma independência. A partir daí surgem-lhe, as necessidades de autoafirmação, autorrealização, a integração no conjunto sem perda da sua identidade, da sua individualidade, do Si-mesmo.

Logo surgem as ambições pelo poder, pelo ter, que o levam a lutar, a vencer os obstáculos que se colocam na marcha, criando dificuldades para a conquista dos seus objetivos.

A sua insistência na luta fortalece-o ajudando-o a definir o caminho do progresso, para depois, conforme amadurece psicologicamente, percebe que aquelas conquistas do ego são interessantes, trazem comodidade, e prazeres, mas que não lhe plenificam plenificação.

Amadurecido, sem sofrer frustrações, mas  analisando as ocorrências e as posses descobre outra ordem de valores interiores, de aspirações mais importantes, de sentido mais lógico e importante para a vida, aspirando pela plenitude, esse estado de samadi, conservando o movimento de crescimento sem fim.

Considerando que a evolução é infinita, quanto mais consciente o ser humano, aspira sempre mais e melhores desejos trabalham-lhe o íntimo, porque o seu entendimento da realidade é abrangente e compensador.

Quem anda num vale tem a visão limitada, apesar da beleza da paisagem. Com empenho, inicia a subida montanha acima, amplia-se-lhe o horizonte visado, apesar da distancia dos contornos dos montes e dos abismos... Porém, quando atinge o ponto mais alto, percebe-se vencedor e pequeno frente a grandeza do que abarca visual e emocionalmente, não se satisfazendo apenas em  ver, mas quer também fazer parte significativa desse conjunto, que não havia para ele até o momento que passou a contemplar...

O observador existe quando detecta o que antes não tinha vida para ele, que, passa a ser observado pelo que observa.

No contexto dos conflitos existenciais, o  homem apequena-se e parece consumido pelas situações psicológicas que o envolve, como alguém num vale em sombras, sem perspectivas que lhe possibilitem horizontes de infinita alegria e bem estar.

Os sofrimentos cegam a razão, o egoísmo limita os passos, limitando as aspirações que querem abarcar tudo, sem ter possibilidade para fruí-lo, o que é lamentável, fazendo do  possuidor possuído pela posse possuidora...

Quando se liberta dos tentáculos que arrasta e atrai para o centro do ego, respira o oxigênio saudável da alegria inexprimível por se encontrar livre dos acontecimentos tormentosos do ter e do medo de perder, do ser admirado pelo que tem, não pelo que é, de ser visto como vencedor de fora, no que é admirado, mas dificilmente amado... Livre de qualquer  dependência factual do cotidiano das coisas, pode voar pela imaginação e pelos sentidos em qualquer direção, sem medo,  sem ansiedade, porque se encontra pleno.

A aventura existencial é uma saga, e a psicologia analítica, moderna, avançando com o progresso da Humanidade, vem trazendo os recursos para as conquistas interiores importantes, sem bengalas de apoio, mas  com a contribuição da lucidez e do autoconhecimento para atingir a vitória sobre as imposições da caminhada orgânica.

Os avanços e as conquistas provavelmente não são conseguidas de uma só vez, mas aos poucos, mesmo porque aquele que salta rapidamente no topo do monte, usando veículo aéreo, sente a diferença atmosférica, o ar rarefeito, acostumando-se de forma lenta para poder beneficiar-se.

Psicologicamente, as mudanças interiores  também são oxigenadas pelas experiências conseguidas em fases anteriores, nos passos iniciais de sustentação das futuras conquistas, somando recursos para conquistas mais audaciosas.

Despojar-se dos instrumentos de que o ego se vem utilizando para manter-se, de um para outro momento, causa-lhe transtorno inevitável, por isso a integração com o Self deve acontecer naturalmente, para que haja equilíbrio, um perfeito estado de individuação.

Existem pessoas que buscam o sacrifício, o holocausto, num êxtase de fé religiosa para aproximar-se mais de Deus.

Não se creia que Deus assim o deseje, pois sendo a Sua a mensagem de amor, o autoamor faz parte da Sua agenda de evolução para todos.

Acontecendo de forma não buscada, é oportunidade de sublimação, em que o ego abre espaço ao divino que nele existe. Mas, o sacrifício pode também ser visto como o abandono das coisas, dos apegos que  agradam, trocando-os pela espiritualização libertadora, e o holocausto refere-se ao desprezo pelas paixões inferiores, pelos vícios que dão prazer, pelas pequenezes a que muitos se prendem, tornando-se de grandiosa e de grande valor.

Com sabedoria, Allan Kardec, no O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XVII, item3, faz um perfil psicológico de O homem de bem, que traduz com perfeição a conquista do ser pleno.

Diz o Codificador do Espiritismo:

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém têm qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.
 
Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.

Possuindo o sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem, sem esperar paga alguma, retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar, nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa...

...O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus...

...Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgencia e tem presente esta sentença do Cristo: - Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.

Não se compraz em rebuscar os defeitos alheios, tampouco em evidenciá-lo. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros...

...Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo a satisfação de suas paixões...

...Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus... (52ª, edição da FEB)

Raramente se pode desenhar um ser humano pleno, conforme o notável educador lionês o fez, como notável psicólogo não acadêmico, mas Espírito incomum que conseguiu a individuação, tornando a sua existência um mundo luminoso para todos quantos se lhe acercaram, permanecendo a claridade dos seus ensinamentos como diretriz de libertação de consciências e de perfeita identificação dos mitos na realidade do ser, assim como o perfeito equilíbrio na vivencia de inúmeros arquétipos, proporcionando sabedoria e paz..

Texto trabalhado com base no livro EM BUSCA DA VERDADE, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Postado no dia 01/04/2014.

segunda-feira, 31 de março de 2014


 

A TRADIÇÃO E A PERDA DO SENTIDO EXISTENCIAL

Por muito tempo, a tradição, que é a transmissão oral da cultura, dos hábitos, transmitida de geração a geração, era um princípio ético que se deveria respeitar a qualquer preço, por pertencer ao pretérito,  tornou-se um paradigma da evolução. Porém, nem tudo que a tradição vem transmitindo merece a consideração que lhe era dada, sem uma avaliação, empírica, do seu significado.

O valor dos conceitos morais não pode ser atribuído a uma tradição que se baseia na castração e na violência à liberdade de pensamento, de expressão, de idealismo, submetendo todas as questões ao crivo do aceito e considerado digno de respeito.
Na educação doméstica, por exemplo, o temor a Deus e aos pais tornou-se uma tradição que a experiência científica da psicopedagogia erradicou da sociedade, porquanto toda forma de submissão pelo medo é punitiva e destruidora, produzindo incalculáveis prejuízos nas pessoas que se submetem.
A educação como processo de criar bons hábitos, não tem o direito de tornar-se virulenta na observação dos seus preceitos, castigando e impondo-se para ser considerada  legítima. Mas, conquistar o educando com os recursos poderosos de que se forma, especialmente pelo sentido de amor e dignidade que a envolve.
Por outro lado, no mesmo campo educacional, o respeito aos pais, aos mestres, aos mais velhos era estabelecido pela tradição como obediência a todas e quaisquer imposições, por mais absurdas que fossem, sem direito a discussão, a análise, a observação racional.
O respeito é uma conquista que cada um consegue pela maneira como se comporta, pelos atos e palavras, pela convivência e forma de conquistar os demais. Toda vez que se estabelecem normas de imposição, violenta-se o livre-arbítrio, o direito de optar-se pela aceitação do outro com todas as maneiras absurdas que lhe são características. Certamente, não libera a rebeldia, nem a repulsa, nem a animosidade que resulte da presunção ou da prepotência daquele que se deseja impor. Mas impõe-se o direito de considerar os valores reais que formam o caráter de cada qual.
Desse modo, no imenso elenco de tradições morais, está embutida sempre a submissão irracional, a aceitação ilógica, violentando a personalidade do outro, daquele que deve ceder sempre.
Porém há, tradições morais, sociais, religiosas, culturais louváveis, credoras da melhor simpatia, que merecem ser experienciadas pelos significados de que se revestem.
Como aquela que se refere ao amor que deve haver entre os membros de uma mesma família. Essa proposta busca estabelecer o clima de amizade e consideração necessário no clã familiar, para que se preparem os indivíduos para a convivência geral com as demais pessoas pertencentes aos diferentes grupos e etnias. O treinamento no lar, mesmo com os inamistosos por vários motivos, inclusive pelas imposições de circunstancias anteriores, vividas em existências passadas, auxilia o comportamento racional diante das dificuldades que sempre surgem no grupo social além de favorecer com uma real compreensão dos problemas que afligem outras pessoas, tornando-as incapazes para uma convivência produtiva.
Sendo o lar um laboratório para a formação da personalidade, do caráter, dos sentimentos, a proposta da afeição recíproca entre os membros da família contribui para o equilíbrio emocional de todos, mesmo que se registrando diferenças de conduta, de companheirismo, de fraternidade, o que não se pode transformar em campo de batalha, reduto de ódios recíprocos, desenvolvimento de emoções reativas de uns contra os outros.
O exercício da tolerância que envolve a amizade em predomínio entre os familiares supera as antipatias, que possam existir, criando um clima de respeito entre todos, cada um com a sua maneira de ser.
Também existe tradição de conduta que  importa seja analisada para lhes dar expansão, não generalizando-as apenas por haverem existido no passado, quando os valores éticos tinham outro significado.
Então, as tradições absurdas que violentam a personalidade e que são consevadas nos grupos mais severos e engessados da sociedade, por motivos religiosos ou políticos, de moral suspeita ou de outra ordem, são responsáveis pela perda de significado existencial de indivíduos que desde a infância reprimem os sentimentos, as aspirações, e desejam a liberdade, o momento de poderem viver conforme os seus padrões ou o daqueles  observados fora do seu circulo familiar.
Cada vez se torna inadiável a conduta do indivíduo que deve ligar-se a si mesmo, demorando-se em analise dos seus recursos e aplicando-os, ampliando o circulo das suas aspirações e lutando, avançando sobre as dificuldades com a persistencia de quem os vencerá ou os contornará, para encontrar a sua missão, a sua vida, descobrindo a sua transcendência, o significado com relação a outra vida, a outras pessoas, ao mundo em que se encontra. A preocupação aparente consigo mesmo tem o sentido de crescimento interior e de desenvolvimento das suas possibilidade para os colocar a serviço dos demais, não se detendo em si, mas avançando para o grupo, no direção da humanidade. Deve ir além do ego, para ultrapassar os imites estreitos da sua realidade. Assim agindo, será fácil encontrar com a transcendência, com a realidade existencial, podendo lutar com firmeza e sem descanço, mas envolvido por fascinante alegria de viver.
Quem não age assim mergulha na autocomiseração, buscando a falsa autorrealização de sentido egoísta.
A vida vale pelo que se lhe soma de bom, de belo, de útil, sem a valorização exagerada do esforço para consegui-lo.
O individuo necessita de um comportamento rico de religiosidade, ou seja, de convicção interior, não de uma religião formal que muitas vezes o entorpece na ritualística ou na presunção de ser eleito em detrimento dos outros. Pelo contrário, é necessário estimulá-lo a desenvolver a consciência de que todo serviço dignificante e operoso é ato de religiosidade, de entrega emocional compensadora pela alegria de agir e de produzir.
Se lhe é possível vincular esse comportamento a uma religião que o impulsione ao crescimento ético e à liberdade de ação fraternal sem impedimento ou preconceito, mais fácil será a conquista dessa transcendência responsavel pelo sentido existencial.
Enriquecido de emoções que se renovam em alegria e bem-estar, uma imensa gratidão por existir, por estar apto a servir, por poder contribuir em favor de todos, assoma do íntimo e o veste, iluminando-o, dando-lhe brilho ao olhar e entusiasmo para viver, rompendo-lhe todos os limites, embora anele pelo infinito.
Nesse esforço fascinante ocorre a perfeita integração do eixo ego-self, o desaparecimento dos resíduos ancestrais, numa renovação que  lembra a transformação da lagarta lenta que se arrasta na borboleta leve e colorida que flutua no ar suave da natureza, após o sono que lhe proporciona a histólise e a histogênese...
No processo da transcendência, muitas vezes ocorre esse letargo: um desinteresse pelo convencional, pelos impositivos das tradições, uma insatisfação interior incômoda em torno dos padrões vivenciais, para logo ter lugar um processo de histólise psicológica a fim de alcançar a histogênese emocional e libertar-se do mecanismo pesado que sempre retém o idealista na dificuldade para discernir e encontrar o sentido existencial da vida...
Texto trabalhado com base no livro Psicologia da Gratidão, escrito por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Postado no dia 31/03/2014.