sexta-feira, 27 de março de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

DIGNIDADE E GRATIDÃO

Na pirâmide da autorrealização que Abraham Maslow o grande psicólogo apresentou  demonstra de forma cuidadosa uma hierarquia das necessidades humanas, iniciando pelas  fisiológicas, de preservação da vida como, alimento, água, oxigênio.

Para ele o ser humano, lutará sempre para atender essas necessidades fundamentais, em processos de seleção em níveis diferenciados até alcançar o das experiências limites, tornando-se o clímax do processo do amadurecimento psicológico saudável, portanto ideal.

Nessa grande busca, todas as experiências permitem conquistas novas, como  libertando-se de umas alcançando outras como necessidades assim abandonando o plano físico e se transformando em anseios emocionais e idealísticos superiores.

Já o dr. Frankl, adotou a proposta do significado existencial como a mais importante, considerando que, quando se atinge a autorrealização em determinada área, o indivíduo pode continuar incompleto em noutra, porém quando ele, se encontra vinculado a um sentido sociológico, torna-se-lhe mais fácil  o crescimento interior caminhando para a conquista da individuação.


Já Epicuro ensina que; “as pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo”

Nessa atitude epicurista, o ser humano mantém a sua meta existencial, agradecendo tudo que lhe aconteceu no passado e tornou-se-lhe base para as alegrias de hoje, dispondo agora de coragem para os futuros enfrentamentos, certo da conquista da beleza, da ética, da harmonia.


Preparando-se no seu início para a vitória sobre as dores físicas, logo percorre o caminho da coragem ante os insucessos emocionais, morais e as demais vicissitudes, numa atitude hedonista que lhe favorece com alegrias contínuas e uma antevisão do porvir abençoado pela superação das ocorrências que o infelicitam.

Tal atitude reveste-se, de dignidade, desse valor moral que enriquece aqueles fieis aos princípios do dever e da honra.

Sendo a dignidade resultado das conquistas éticas decorrentes dos comportamentos baseados na justiça, na honradez e na honestidade.

Essa conduta digna é sempre a mesma, vigorosa e forte, que suporta as zombarias dos pigmeus morais, não se submetendo ao desconhecimento proposital proposto pelos servos da ignorância e áulicos das situações deploráveis.

Muitos dos desfrutadores das oportunidades mundanas sem o compromisso nem a responsabilidade de alimentar e dinamizar o progresso, sempre sorridentes e parecendo felizes nos carros alegóricos das fantasias, terminam vitimas da síndrome da ansiedade esquiva, que os leva aos conflitos  graves, especialmente porque tentam disfarçar os medos e as angustias que lhes sitiam o self, sem o caráter moral para o autoencontro, que traria o equilíbrio emocional.


 Pascal dizia :“A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos, pois, pensar bem. Nisto reside o princípio da moral.”

Todas as construções começam pelo pensamento, na elaboração das ideias, na área psicológica. Quando a finalidade é o desenvolvimento dos tesouros morais, o pensamento enfloresce-se de corretas elaborações, as elaborações que promovem o bem, abrindo espaço para a conduta moral.

Com esse comportamento que é psicoterapêutico preventivo em relação a muitos transtornos  que são evitados, o ser amadurece emocionalmente, dispondo-se a enfrentar qualquer situações desafiadoras com coragem ética, não se utilizando de expedientes reprováveis para atingir as metas que busca.

Definindo a direção da arte de pensar, surgem as avenidas do bem viver, contribuindo de forma decisiva para o bem geral.

Fica então compreensível a necessidade do comportamento digno, construído e trabalhado pelos pensamentos e as ações saudáveis, incluindo o sentimento de gratidão que se encarrega de envolver tudo nas vibrações da afetividade. Sem essa afetividade que discerne os significados existenciais  e os bens decorrentes da experiência humana, desaparecia o sentido psicológico proposto para a jornada.

O homem e a mulher gratos são elementos decisivos na estrutura da sociedade, que mais se valoriza e engrandece, quando se compõe de seres que dignificam a própria condição de humanidade.

Já o ingrato, por sua vez, torna-se morbo no grupo em que vive, no conjunto social e em todos os grupos em que se encontra.

A sua presunção e conflitos, somados às tendências perturbadoras da inferioridade, trabalham pela decomposição do organismo geral, em que se encontra, como a planta parasita devastadora, que surge frágil e acaba destruindo o cavalo que a hospeda...

A educação com base em princípios de dignidade estatui a gratidão como norma de conduta saudável, sem ela torna-se difícil, senão impossível, a estruturação de um conjunto humano equilibrado.

Receber e não valorizar é um antigo hábito vicioso que se instala desde a infância nos indivíduos, visando sempre o preço, a grife, a aparência, como se tivesse direito a todos os sacrifícios dos outros, sem nenhuma consideração pelo que recebem, não demonstrando gratidão alguma.

Essa conduta egotista trabalha pela indiferença afetiva dos demais, que passam a desconsiderar esses ingratos, afastando-se deles e vacinando-se contra o hábito superior da gratidão... são muitas as pessoas que, após desconsideração dos rebeldes insensatos e cheios de si, desanimaram-se da vontade de bem servir e ajudar, temendo as recusas, os humores negativos, passando a cuidar dos próprios interesses.

Aquele que assim age, que valorizam a ingratidão dos enfermos espirituais, ainda não traz o sentimento nobre consolidado, estando em experiência, em exercício, aguardando resposta favorável do seu gesto. Mas é natural que assim aconteça, pois ninguém atinge o cume de um monte sem iniciar a caminhada pelas suas baixadas...

A medida que ocorre o amadurecimento psicológico e a dignidade atinge alto nível de emoção, nada diminui o comportamento honorável nem o sentimento gratulatório.

Um executivo costumava adquirir o jornal do dia, após o expediente, numa banca defronte ao edifício onde trabalhava. Sempre que pedia o jornal ao responsável, ele o jornaleiro o atirava com mau humor na sua direção, e ele o cliente retribuía o gesto infeliz com palavras de gratidão.

Um dia, um homem que trabalhava junto e que  cansou de ver a cena desagradável, perguntou ao cavalheiro:
- Por que o senhor volta sempre a adquirir o jornal na banca desse estúpido, que sempre o trata mal?

Após pensar um pouco, o gentil-homem respondeu:
- Por questão de princípio. Eu me impus a tarefa de não permitir que a sua grosseria me fizesse fugir ou me tornasse deseducado ou igual a ele, já que sou muito grato à vida por tudo quanto me tem favorecido.

O mal não afeta o bem, mesmo quando ultrajado ou desconsiderado, transforma-se sim no desafio de saúde moral no comportamento social, a fim de modificar, trabalhando por uma nova mentalidade que será estabelecida entre todos no futuro.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 27/03/2020.

terça-feira, 3 de março de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
Heranças perturbadoras

A indiferença moral por tudo que se recebe da vida, dos missionários do passado que contribuíram para os benefícios hoje utilizados como longevidade, conforto, saúde, ciência e tecnologia, repouso e convivências agradáveis, responde pela ingratidão.

O ingrato causa dissabores, sentimento de tristeza ,e desencantos que afetam o núcleo familiar e o grupo social onde se movimenta em ação.

Se a claridade é benção que facilita as realizações, a treva cria dificuldades para as mesmas atividades.

Assim é o ingrato, que respira prepotência e soberba, na sua condição de explorador do esforço alheio.

Um motorista de taxi percebeu que, quando deixou um cliente no aeroporto, ele deixou a pasta que ficou no banco traseiro. Preocupado, o motorista parou na volta para a cidade, parou o carro, olhou a pasta encontrando-a cheia de documentos e de valores. Temendo o transtorno para o desconhecido, fez a volta, acelerando, estacionou o veículo, correu ao terminal, e lembrando-se vagamente da companhia que o senhor apontou, à porta que deveria estacionar, correu na sua direção.

Muito feliz, encontrou o proprietário do objeto que havia acabado de fazer o cheque-in e parecia buscar a pasta entre as que tinha  nas mãos.

Sorridente, aproximou-se e entregou-lhe a maleta com os seus bens.

Ele não esperava retribuição. Estava feliz por fazer o bem. Mas, o passageiro, agressivo e insensível, olhou-o espantado, como se suspeitasse que ele havia guardado propositalmente o seu volume, e não lhe disse uma palavra sequer, saindo rapidamente para a sala de embarque...

O motorista sentiu um frio percorrer-lhe a espinha e uma angustia muito grande.

Meneou a cabeça, e tomou o carro para a cidade.

No mesmo momento em que dava-lhe a partida, outro passageiro sinalizou que necessitava do veículo, ele parou e o estranho entrou no carro.

Pediu o endereço e partiu.

Estava preocupado e, de quando em quando, como se estivesse num monólogo pesado, meneava a cabeça.

O passageiro perguntou o que estava ocorrendo.

Necessitado de desabafo, ele contou o que ocorreu, dizendo ainda:

_ Nunca mais devolverei qualquer coisa que fique no meu carro por esquecimento. E porque sou honesto, não ficaria para mim, mas vou preferir jogar no lixo do que voltar para entregar.

E disse:

_Eu não queria nada, nem o reembolso da despesa que me deu para lhe devolver. Tudo seria para ele somente prejuízo, porque ele nunca saberia onde procurar o seu volume, pois nem anotou o número da placa do meu carro...

Fez uma pausa e concluiu:

__O pior foi o seu olhar severo de dignidade ferida, como a dizer que eu fosse responsável pelo seu esquecimento, ou que lhe furtei a maleta...

A gratidão é combustível para a claridade da vida, como a cera para o pavio da vela manter-se aceso.
A ingratidão é bafio pestilento que contamina os outros com os seus miasmas podendo fazê-los semelhantes.

Por que alguém se atribui tanto mérito que não tem algumas palavras de agradecimento pelo que recebe? Onde está a sua superioridade que exige que os outros é que estejam sempre dispostos à servi-lo?

A ingratidão é síndrome de atraso moral e de perturbação emocional que infelizmente sempre grassou na sociedade de todos os tempos.

Herança perturbadora, que procede dos atavismos iniciais do processo evolutivo, mantem o indivíduo no estágio de predador e está demonstrado que o ser humano é o maior dentre todos os outros, causando sempre prejuízos à natureza, à comunidade, à família e a si próprio...

Esse patrimônio infeliz faz parte do conjunto de outros vícios morais e espirituais que fixam as suas vítimas no atraso social. Sombra perversa, prejudica o discernimento do self, demonstrando o estágio ancestral em que o indivíduo se detém. Presente em pessoas que  muito simpáticas em relação aos estranhos, com o fim de os conquistar, e são grosseiras com aqueles com os quais convivem, que as ajudam em silencio e dignidade, e que os detestam, porque lhes reconhecem a superioridade. A ingratidão descende da inveja mórbida que não consegue perdoar aqueles que tem recursos superiores aos que conduz. É rude de propósito, porque não podendo igualar-se, gera perturbação e desconfiança, para puxar para baixo quem se lhe encontra em situação melhor.

Egotista, o ingrato só sorrir quando busca lucro e apenas é gentil quando espera projeção do ego.

Sob o ponto de vista psicológico, a ingratidão é síndrome de insegurança e de graves conflitos íntimos que aprisiona o ser atormentado.

A gratidão deve ser treinada, para que se possa ser vivenciada.
Como as heranças perturbadoras predominam nos comportamentos humanos, pela duração do período em que se estabeleceram, é necessário que novos hábitos sejam fixados, substituindo os negativos, até poderem transformar-se em condutas naturais.

O convívio social torna-se, muitas vezes,  difícil, por causa dessas heranças perversas do ego, que recalcitra em abandoná-las, satisfazendo-se na censura, quando podia educar, na acusação, quando seria melhor socorrer, na maledicência, quando se torna perfeitamente viável a referencia enobrecida, desculpando os acidentes morais do próximo.
O ser humano está em constante evolução como tudo no planeta, melhor dizendo, no universo. Não há uma lei de estancamento, que  conspiraria com o fatalismo da evolução e do processo ininterruptos.

Tudo evolui, passando por muitas etapas do programa de crescimento.

Sob o ponto de vista moral, esse mecanismo proporciona sempre conquistas novas, enriquecimento interior se o indivíduo encontra-se lúcido para o registro em cada etapa, para a alegria e gratidão pelos novos passos que mais o aproximam da meta proposta, que busca alcançar.

Transformar, portanto, essas heranças doentias em experiências renovadoras é uma das metas a que se deve dedicar todo aquele que aspira ao bem, ao belo, ao amor, à vida...    

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/03/2020.

sábado, 8 de fevereiro de 2020



GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
A AQUISIÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA
A essência do ser humano é o self  que se origina no Divino Psiquismo
O grande desafio na caminhada evolutiva do ser humano, é a busca da dignidade humana,  culminando no sentido existencial até alcançar a sua transcendência.
Como se fosse um diamante bruto, no seu começo, ele passa pela lapidação até alcançar a transparência que o torna uma estrela brilhante.

Etapa a etapa, no processo de desenvolvimento, vão surgindo o ego, a sombra, as expressões da anima e do animus, no momento encontram adormecidos, para os sintetizar numa grande harmonia, como no princípio, quando unidade...

a unidade no seu começo era grotesca, sem discernimento, um conjunto que se deveria expressar, como a semente necessitando dos fatores mesológicos para desabrochar a vida em latência.

Conforme houve a sua fissão, que permitiu o surgimento do ego, surgiram os outros arquétipos com o predomínio da sombra responsável pela situação de ignorância que permaneceria por todo o seu desenvolvimento.

Adquirida a consciência, mesmo quando na  fase embrionária no reino animal, em forma de uma inteligência primária, o discernimento entre o certo o que produz prazer e gera bem-estar emocional e o errado que traz sofrimento e desgaste, vindo assim o bem e o mal, abrindo espaço para as necessidades de elevação, de mudança de patamares que deveriam ser vivenciados, até alcançar a harmonia entre os opostos: o yang e o yin. Significando yin escuridão, yang claridade.

Essa identificação entre as duas partes diferentes numa unificação de identidade representa a benção da sombra no self, que após os resultados positivos desse conhecimento dilui-a, absorvendo-a num processo de assimilação dos seus conteúdos, transformando os chamados obstáculos em impulsos para conquistas maiores.
                                            
Nessa ampliação de percepções éticas, descobrindo-se a ética moral, a necessidade de conduta digna logo apresenta-se no self,  que passou a vivenciá-la superando aos poucos as síndromes perturbadoras dos mecanismos inferiores que foram ficando na história do passado.

Essa dignidade,  supera algumas convenções sociais em que predomina a sombra, em consequência dos interesses mesquinhos vindos do comportamento das pessoas.

Nessa conduta, o egoísmo prevalece, como consequência dos conflitos que marcam os medos, disfarçados as desconfianças inquietantes, as inseguranças e as culpas não absorvidas, as  invejas, formando como um pano de fundo para os esconder, vivendo-se as manifestações da persona em prejuízo do si-mesmo...

Tais convenções também são responsáveis por alguns transtornos nas constituições emocionais frágeis, que reclamam da falta de possibilidade de participação nos aglomerados vitoriosos, barulhentos, de embriaguez dos sentidos, que os marginalizam e os isolam nos guetos onde se escondem, infelizes...

A dignidade humana é o degrau moralizado e emocional tranquilo que o self, como representação do objetivo do homem inteiro, na realização da sua totalidade e da sua individualidade, com ou contra a sua vontade.

Sendo a sua dinâmica o instinto, que cuida para que tudo o que pertence a uma vida individual, esteja ali, com ou sem a concordância do sujeito.

Ele o alcança, após a superação da sombra, buscando alimentar-se na psicologia de Jesus, aquele que reverteu os padrões éticos dominantes no seu tempo, com novas propostas de integração no pensamento cósmico.

Até Ele enunciar os postulados da autoedificação moral, o vencedor era sempre  aquele ser agressivo que anatematizava o outro que se lhe submetia pela força, pelas manobras, que era derrotado e submetido a humilhação, ao desdouro social.

Com Ele, o verdadeiro   vencedor é aquele que se autovence, superando as paixões primeiras e conflitivas do ser fisiológico, dos primórdios do ser psicológico, todo dúvidas e angústias, para se apresentar em equilíbrio, mesmo quando as circunstancias não sejam as melhores.

Com Ele, a vitória máxima de um ser humano é a conquista da capacidade de amar e de entrega aos ideais de nobreza que o promovem a uma situação psicológica mais feliz e resulta na constituição de um grupo social sem sombra e sem desarmonia.

Ele demonstrou que a finalidade existencial que deve atrair o ser humano encontra-se no sentido da autoiluminação, da superação dos próprios limites, num continuum  incessante que leva à paz.

A dignidade, portanto, é esse valor conseguido pelo próprio esforço que destaca o indivíduo do seu grupo pelos valores intrínsecos de que se investe, tornando-se líder e possuidor da honra e da posição especial conseguidas através dos tempos.

Mas isso não o deixa arrogante ou vaidoso, o que significaria estar escravizado à sombra, nem o deixa diferente na maneira de conviver com as pessoas.

É simples, porque integro, manso, mas não conivente com os comportamentos heterodoxos, pacífico, mas não leniente com o ultraje ou o crime, humilde, sem preocupar-se de andar em molambos nem descuidos da higiene com o corpo, que reconhece ser o corpo o sublime instrumento para a sua evolução.

Quem poderia se apresentar com a dignidade de Jesus,
ultrajado mas não ultrajante,
vencido mas não submetido,
crucificado e com os braços abertos simbolizando um infinito afago dirigido a todas as criaturas?!...

... E quando tudo indicava que se encontrava destruído, Ele ressurge da sepultura em momentosa manhã de imortalidade.

O self  que se cobre de dignidade exterioriza todo o sentido profundo da lei da gratidão e da sua psicologia
que exalta a vida, que a fomenta e
a mantém em todas as fases e circunstancias em que se apresente.

Nos conceitos sociais de hoje, a dignidade tem sido confundida, com o poder político, econômico, religioso, comunitário, legislativo, governamental...
Por isso se confunde destaque exterior com enriquecimento íntimo de valores transcendentais.
Por isso também aqueles que atingem lugares de relevo na sociedade acabam decepcionando as massas que esperam deles outros comportamentos e não os que apresentam nos seus grupos da corrupção, de desmandos, de acobertamentos dos crimes praticados pelos seus comparsas.

Não é a posição que define, pois podemos encontrar dignidade em alguns indivíduos que alcançaram esse destaque, especialmente naqueles que vivem no desconhecimento das massas, os anônimos e nobres construtores da humanidade melhor.
Mantendo a herança do passado como advertência registrada no inconsciente profundo, o self sempre cresce, graças à  compreensão do que é de valor real em relação aos que são aparentes.

Qualquer situação que se vivencie e que se ligue a erros do passado vem a lembrança inconsciente e logo se recompõe, toma comportamentos diferentes através dos quais não se permite mais a instalação da sombra que já foi superada.

Há uma necessidade urgente da construção da dignidade humana em todos os passos da vida física e da gratidão envolvendo cada sentimento que se exterioriza do ser, tornando-se doce e suave encantamento enriquecedor.
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 08/02/2020.

domingo, 5 de janeiro de 2020


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

A psicologia da dignidade
sendo um ramo da ciência que estuda a mente e os processos mentais, no que se relaciona ao comportamento do homem e de outros animais

Algumas escolas psicológicas creem que o indivíduo nasce plasmado pelos fatores genéticos, - (transmissão de caracteres hereditários no indivíduo, tornando-se fatalmente o resultado da programação hereditária) -. Ainda negam a contribuição da educação na sua transformação moral, quando ele traz tendências perturbadoras e responsáveis pelo comportamento alienado ou desastrado, dócil ou afetivo, pacífico ou violento...

Não se pode negar a importância da genética na construção do aparelho fisiológico, o indivíduo é, antes de tudo, o self responsável pelos seus conteúdos psíquicos, o Espírito, que herda de si mesmo as experiências vivenciadas em existências passadas.

Não é a concepção fetal o momento da criação da psique, nem é a morte biológica o fim das suas funções, o ser energético e pensante evolui lentamente, como aconteceu com as formas biológicas desde os ensaios estranhos, - que sugere riso, descrença - dos seres primários que se tornaram os primeiros protótipos da atual organização humana... pode-se recuar a esse período das primeiras expressões moleculares no fundo dos oceanos, quando fascículos de luz, que vieram de outra dimensão, mergulhando nas águas salgadas, passaram a estimular as referidas moléculas formando os organismos unicelulares, ordenando-se em expressões pluricelulares e seguindo o processo evolutivo...

Esses mesmos fascículos de luz desenvolveram-se no que viria a ser a energia vital, o psiquismo animal, o ser espiritual do período de humanidade...

Por isso, não são, os caprichos dos genes, que como unidade fundamental, física e funcional da hereditariedade, constituída pelo segmento de uma cadeia de ADN que determina a síntese de uma proteína; cístron, que formam o ser, as suas características físicas, emocionais e psíquicas, embora a sua prevalência, mas é o Espírito que neles imprime as necessidades de desenvolvimento intelecto-moral.

a educação então desempenha um papel de alta relevância no seu desenvolvimento cultural, emocional, comportamental, trabalhando-lhe os valores internos e impulsionando-o à conquista do infinito.

A aquisição de hábitos saudáveis, os  considerados edificantes e produzem harmonia emocional no grupo social,
a transformação das tendências agressivas e dos sentimentos de baixa estima para melhor,
o esforço para qualquer realização
dão-se por intermédio dos processos educativos, especialmente os de natureza moral, que são os exemplos, ao mesmo tempo que, através do estudo, ocorre o desenvolvimento cultural e intelectual, numa soma de valores que enobrece o ser humano.

É a educação, no seu sentido lato, que cabe, portanto, a grande tarefa de construir o homem e a mulher melhores e mais sociáveis, desenvolvendo nele os germes do amor e da dignidade, levando-os a progredir espiritualmente, tornando-se úteis à comunidade, após transcenderem os limites egóicos, quando lhes é possível a consciência de paz e dos valores éticos que constituem a vida pensante.

Se houvesse o fatalismo genético sem chance de mudança, o significado do progresso desapareceria, permanecendo a brutalidade ancestral, o primitivismo arbitrário, sem as luzes do saber, do comportar-se, da autoiluminação. E, nenhuma das doutrinas científicas e filosóficas teria razão de existir, porque a psique não teria capacidade de as assimilar, na sua condição de independente dos fenômenos fisiológicos automático.

Não há duvida da força do deotropismo no universo como fonte convergente de tudo e de todos.

Assim como a luz atrai os vegetais vitalizando-os e auxiliando-os nos milagres que começam na germinação e vai até a inflorescência e frutificação, a atração de Deus como Criador torna-se o poderoso estimulo para os fenômenos que ocorrem em toda parte.

Fonte inesgotável de energia, é a causalidade transcendente de tudo...

Lucigênito, o ser humano, avança pelos complexos processos e mecanismos da evolução, na busca do estado numinoso, da perfeição que lhe é o destino.

Uma ordem moral, em consequência, responsável pelo equilíbrio galáctico vige no cosmo e manifesta-se em tudo como lei de progresso que comanda o desenvolvimento ético e espiritual, nada escapando a sua ação de convergência.

Por tal razão, a evolução é inevitável, incessante.

Bastem alguns instantes de reflexão em torno da vida em todas as suas expressões e se perceberá essa fatalidade iniludível, que se manifesta no impulso inicial, facultando a complexidade das formas e das apresentações, fixando a sua historiografia caracterizada pelos fenômenos cada vez mais nobres e melhores, estruturados em incessante desdobramento.

Nessa progressão não ocorre, qualquer retrocesso, de retorno aos momentos caóticos do princípio, nos quais, de alguma forma, sempre houve ordem...

Essa ordem moral foi detectada no século XIX, entre outros, pelo teólogo inglês,  Mestre em Oxford, C.S. Lewis, que a chamou de lei moral, e assim evitando a designação de Deus, que desagradava os cientistas da época..,

Com esse conceito, Lewis, o eminente pensador estabeleceu o conceito presente na lei do comportamento correto, que sugere a melhor conduta para as situações mais diversas, baseada na ética do bem, filho do dever. Propôs então o conceito do certo e do errado, que é universal entre as criaturas humanas, apesar das diferentes manifestações encontradas entre os  primitivos e os civilizados, efeito natural da lei de progresso.

Allan Kardec, o estudioso dos fenômenos da vida e da imortalidade,  também detectou a lei natural, que é a lei de amor, que vem de Deus, e apresentou um complexo e completo esquema sobre as dez leis morais que dela se derivam, abarcando tudo que é necessário para o estabelecimento da psicologia da dignidade humana, do comportamento correto.

Kardec começa com a analise “Da lei divina ou natural” e termina com a “ lei de justiça, de amor e de caridade”, para deter-se num estudo pleno “Da perfeição moral”, que antecede os esforços da psicologia junguiana estabelecendo o instante pleno da vida aquele que se refere à individuação, ao estado numinoso.

O insight kardequiano encontrava-se em germe no universo e todos que sintonizavam com as leis cósmicas igualmente o captaram, vestindo a ideia conforme as próprias características emocionais, culturais, religiosas.

Nesse grandioso edifício filosófico de natureza moral ressaltam os valores que dignificam a existência da vida na Terra, o natural esforço de cada criatura humana para a superação dos vícios ancestrais e a aquisição das virtudes, que são as realizações edificantes do processo evolutivo.

Todas as propostas da vida humana estabelecem a ética do comportamento correto, considerando a lei,  de causa e efeito,  que demonstra a harmonia em tudo, concedendo ao ser pensante o livre-arbítrio, mas também a responsabilidade dos seus pensamentos, palavras e atos, pois sendo ele o semeador ele também é o ceifador de tudo quanto ensemente.

Esse impositivo estabelece o princípio da consciência, da responsabilidade que abre campo para a instalação da culpa ou da tranquilidade, conforme o comportamento de cada indivíduo.

Somos todos livres para as condutas mentais, emocionais e morais que nos aprouver, contando também com as suas consequências.

É preciso, portanto, a manter a lei moral, que conduz a uma conduta psicológica saudável.
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 05/12/2020.

sábado, 23 de novembro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

A GRATIDÃO COMO SENTIDO MOTIVADOR DA EXISTENCIA

O ser humano é um conjunto eletrônico flexível administrado pela consciência. Sua harmonia ou desarmonia é o resultado da psique que o utiliza, a exteriorização do self, que armazena, através do psicossoma, as informações das experiências evolutivas, desde as primeiras manifestações de vida, gravadas no inconsciente profundo, remanescendo espontaneamente ou quando provocadas pela hipnose.

Nada se perde das vivencias que se iniciam nos automatismos biólogos e vão até as manifestações da transcendência espiritual.

O seu funcionamento é comandado pelos mecanismos automáticos do processo da evolução quando o self lucido passa a elaborar os conceitos do discernimento e da razão. Toda a harmonia dos equipamentos que funcionam conforme o estágio da evolução em que se encontram, cresce com os atos responsáveis, ou desorganizam-se pelo descuido e primitivismos que predominem no psíquico.

Todo esse desenvolvimento, há mais de dois bilhões e duzentos milhões de anos, desde a sua origem nas primeiras moléculas atraídas umas às outras pela lei das afinidades, são bênçãos, que estimula a inteligência e a emoção ao sentimento da gratidão, desde que percebe a grandeza inimaginável.


Sendo a maquina mais perfeita que a razão humana já contemplou,  copiando e tentando imitá-la pela robotização e outros mecanismos tecnológicos, que ficam sempre aquém da sua complexidade infinita...

E assim considerando ainda que com deficiências e até com disfunções, o corpo, é  oportunidade impar para o restabelecimento das peças estragadas pela invigilância daquele que o utiliza como possibilidade de autorreparação.

Como também, os belos conjuntos corporais, caracterizados pela beleza da harmonia das suas formas, é de grande responsabilidade para quem o utiliza transitoriamente, solicitando sérias reflexões daquele que se encontram, nas provas e expiações depuradoras...
Porque o futuro estará sempre relacionado em como será utilizado pelo Espírito que o comanda naquele momento.

A gratidão pela gloria de se encontrar naquele corpo deve ser expressa pelo respeito como ele é utilizado, pela maneira como é conduzido com o objetivo de preservá-lo saudável e forte para as situações inevitáveis no processo de crescimento para Deus. Embora toda a sua harmonia, uma picada de alfinete infectado pode trazer-lhe prejuízos muito sérios, uma emoção descontrolada é capaz de alterar o funcionamento, trazendo desajustes e transtornos físicos, emocionais e psíquicos de difícil recuperação.

A ignorância da imortalidade do ser, em revide aos sacrifícios que se impunham, na busca da sublimação dos instintos e desejos normais, cilícios e abstinências perversas, em revide às sensações de que se fazia objeto, manifestam-se, hoje, no culto das formas, na busca da aquisição do que é considerado ideal, que são programadas por personalidades nem sempre equilibradas emocionalmente e sexualmente, responsáveis por estabelecer os padrões de beleza que a mídia divulga e consome.

As cirurgias irresponsáveis, as lipoaspirações, os implantes e os transplantes de peças, os tratamentos levianos de preservação e de embelezamento, junto aos exercícios exagerados, das ginásticas de variadas significações, os cuidados alimentares que levam aos transtornos da anorexia e da bulimia tornaram-se fundamentais no campeonato da vaidade, sem preocupar-se com a mente e o comportamento moral, fundamentais, estes sim, pela indumentária carnal...

Como o tempo é imbatível e não deixa de avançar para a eternidade, calmamente impõe as suas marcas inexoráveis no funcionamento da maquina, que se altera e que imprime os hábitos viciosos, os conflitos interiores na argamassa celular, fazendo que os Deuses de um momento despertem expulsos do Olimpo onde estiveram por um dia, perdidos nos porões do Hades do desencanto e da amargura, para onde foram atirados...

Graças à evolução genética das formas físicas, podemos dizer que os biótipos atuais, após superar as experiências evolutivas, alcançaram um padrão de harmonia e beleza que indica a sua procedência, adquirindo mais equilíbrio estético em relação ao passado, com expectativas mais formosas para o futuro.

No entanto, Espíritos menos evoluídos podem utilizar-se dessa conquista e reencarnar-se com bela aparência, sem que os valores correspondam ao que se pode esperar daquilo que exteriorizam de forma agradável e atraente.

Mas os impulsos interiores, como os atavismos morais, levam-nos aos grupos primitivos de onde vem, fazendo-os reviver as situações e hábitos que já deviam ter superado.

Por isso, à educação cabe grande responsabilidade, para que sejam dissolvidas as construções morais viciosas, auxiliando na conquista de novos comportamentos que o ajudarão a libertar das fortes marcas que os caracterizam, possibilitando o treinamento de novos costumes, o anseio de aspirações mais elevadas, acima do imediato e fisiológico.

Nesse sentido, a dualidade amor e responsabilidade se dão as mãos para a sua edificação interior, trabalhando os condicionamentos antigos e instalando novas condutas que se transformarão em a natureza ética e social, guiando-os no empreendimento fabuloso da reencarnação.

Esse programa salutar, formado pela consciência do dever, estará sempre enriquecido dos valores espirituais que despertam para a realidade de cada um, apontando-lhe os rumos da individuação, que perseguirá como sentido existencial, agradecendo a oportunidade e bendizendo-a.

O apóstolo Paulo, na sua epístola aos Colossenses, no capítulo 3, versículo 16, exorta os discípulos, convidando-os a louvar “Deus com gratidão em seus corações.” Também, referira-se, noutra epístola, aos Coríntios, à sua gratidão pelos sofrimentos, pelas aflições que lhe chegavam por estar vinculado a Jesus.

Gratidão pelo sofrimento reparador, como gratidão pela alegria da fé iluminativa.

A gratidão nele habitava como sentido existencial, pois reconhecia que a dedicação ao ideal libertador do evangelho era uma benção, e que tudo no universo ocorre em troca de valores.

As dádivas fruídas são os frutos abundantes e opimos da sementeira produzida a suor e luta, mas com alegria feita de reconhecimento pela oportunidade de realizar algo de dignificante, não apenas para si mesmo, mas que pode transcender o ego na direção de outrem, da comunidade.

Sem esse entendimento, a vida humana não tem sentido, ficando no automatismo vegetativo, sem a significado psicológico enobrecedor.

Os fenômenos automáticos da nutrição, do repouso e da reprodução também são encontrados nos vegetais e nos outros animais da escala zoológica.

O ser humano que pensa tem deveres para com a vida, iniciando-a nas responsabilidades em relação a si mesmo, ao ato de viver e de sentir, de compreender e de amar...

Dessa maneira, a gratidão é também transcendência existencial, enriquecimento emocional e saúde comportamental, pela visão otimista que ultrapassa as barreiras do ego para se tornar motivador de plenitude.

Aquele que assim se comporta não apenas encontra o sentido, o significado existencial, mas a própria vida em toda a sua exuberância, sem a presença mórbida que é a sombra com as suas diversas máscaras, as bengalas psicológicas de fuga da responsabilidade que mantém o ser humano no estágio do primarismo do qual procede.

A evolução nele instala-se a partir do momento em que, discernindo entre o que aparenta e o que é realmente, permite-se insculpir  a consciência harmônica da responsabilidade moral proporcionadora da saúde integral.
Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 23/11/2019.

domingo, 10 de novembro de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

A TRADIÇÃO E A PERDA DO SENTIDO EXISTENCIAL

Por muito tempo, a tradição, que é a transmissão oral da cultura, dos hábitos, que passa de geração a geração, era um princípio ético que deveria ser respeitado a qualquer preço, por ser do pretérito, tornando-se  modelo da evolução. Mas, nem tudo que a tradição transmite merece ser considerado, sem antes passar por uma avaliação empírica, pelo menos, do que significa.

O valor dos conceitos morais não pode ser atribuído a uma tradição baseada na castração e na violência à liberdade de pensamento, de expressão, de idealismo, submetendo todas as questões ao crivo do aceito e digno de respeito.

Na educação doméstica, por exemplo, o temor a Deus e aos pais tornou-se uma tradição que a experiência científica da psicopedagogia erradicou da sociedade, pois toda submissão pelo medo é punitiva e destruidora, que produz muitos prejuízos nos que a isso se submetem.

Sendo a educação o processo de criar hábitos saudáveis, não se pode permitir o direito de tornar-se virulenta na observação dos seus preceitos, castigando e impondo-se para ser considerada legítima. Ela deve conquistar o educando com os recursos poderosos de que se forma, especialmente pelo sentido de amor e de dignidade de que se reveste.

Ainda na educação, o respeito aos pais, aos mestres, aos mais velhos a tradição determinava como obediência a quaisquer imposições, por mais absurdas que fossem, sem direito a discussão, a analise, a uma observação racional.

Respeito é conquista de cada um pela convivência e conquista dos demais. Quando se colocam normas de imposição, está-se violentando o livre-arbítrio, o direito de se escolher, a livre aceitação do outro com  maneiras absurdas que o caracterizam. Não se libera a rebeldia, nem repulsa, nem a animosidade que resulte da presunção ou da prepotência do que se quer impor. Impõe-se sobre o direito de considerar os valores reais que formam o caráter de cada um.

E assim, no elenco das tradições morais, sempre se encontra a submissão irracional, a aceitação ilógica, violentando a personalidade do outro, daquele que deve ceder sempre.

Mas há, tradições morais, sociais, religiosas, culturais louváveis, que merecem a melhor simpatia, que merece ser experienciadas pelos significados de que se revestem.

Como aquela que se refere ao amor que deve haver entre os componentes de uma mesma família. Essa proposta busca criar clima de amizade e de consideração necessário na família, assim preparando os indivíduos para a convivência com pessoas pertencentes aos diferentes grupos e etnias. O treinamento no lar, mesmo com os não amistosos por vários motivos, inclusive por contingencias pregressas, vividas em existências passadas, auxilia o comportamento racional para as dificuldades que sempre surgem no grupo social e para a real compreensão dos problemas que afligem outras pessoas, tornando-as incapazes para um convívio produtivo.

O lar sendo um laboratório para a formação da personalidade, do caráter, dos sentimentos,   afeição reciproca entre os membros da família contribui no equilíbrio emocional de todos, mesmo havendo diferenças de conduta, de companheirismo, de fraternidade, não podendo se transformar em campo de batalha, lugar de ódios recíprocos, desenvolvimento das emoções reativas de uns contra os outros.

O exercício da tolerância que envolve a amizade em predomínio entre os familiares supera as antipatias, que talvez exista, criando um clima de respeito entre todos, cada um na sua maneira de ser.

Também há tradições de condutas que valem a pena analisar-se para lhes dar expansão, mas não generalizando somente porque são remanescentes do passado, quando os valores éticos tinham outro significado.

E assim, as tradições absurdas que violentam a personalidade e ainda se encontram nos redutos mais severos e engessados da sociedade, por motivos religiosos ou políticos, de moral suspeita ou de outra natureza, são responsáveis pela perda do significado existencial de muitos indivíduos que desde a infância recalcam os sentimentos, as aspirações, e desejam a liberdade, para poderem viver conforme os seus padrões ou os daqueles que são observados fora da sua família.

Cada vez se torna inadiável a conduta do indivíduo que deve ligar-se a si mesmo, refleonando demoradamente na analise das suas possibilidades e aplicando-as, ampliando o círculo das suas aspirações e lutando, avançando sobre as dificuldades com a certeza de quem os vencerá ou os contornará, a fim de encontrar a sua missão, a sua vida, descobrindo a própria transcendência, o significado em relação a outra vida, a outras pessoas, ao mundo em que se encontra. A preocupação aparente consigo próprio tem o sentido de crescimento interior e de desenvolvimento das suas possibilidades para os colocar a serviço dos demais, não parando em si, mais avançando para o grupo, em direção da humanidade. Deve ir além do ego, para ultrapassar os limites estreitos da sua realidade. Assim agindo, será fácil o encontro com a transcendência, com a realidade existencial, podendo lutar com esforço e sem descanso, mas emoldurado por fascinante alegria de viver.

Quem assim não age esconde-se na autocomiseração, buscando a falsa autorrealização de sentido egoísta.

A vida vale pelo que se lhe pode acrescentar de bom, de belo, de útil, sem a valorizar demais o esforço para  o conseguir.

O ser necessita de um comportamento rico de religiosidade, de convicção interior, não de uma religião formal que muitas vezes o entorpece na ritualística ou na presunção de ser eleito em detrimento dos outros. Pelo contrário. É necessário estimulá-lo a desenvolver a consciência de que todo serviço dignificante e operoso é ato de religiosidade, de entrega emocional compensadora pela alegria de agir e de produzir.

Se for possível vincular esse comportamento a uma religião que lhe leve ao crescimento ético e à liberdade de ação fraternal sem dificuldade ou preconceito, mais fácil será a conquista dessa transcendência responsável pelo sentido existencial.

Cheio de emoções que se renovam em alegria e  bem-estar, uma imensa gratidão por existir, por estar pronto para servir, por poder contribuir com todos, vem do íntimo e o veste, iluminando-o, dando-lhe brilho ao olhar e entusiasmo para viver, rompendo-lhe todos os limites, embora busque o infinito.

   
Nesse esforço fascinante ocorre a perfeita integração do eixo ego-self, o desaparecimento dos resíduos ancestrais, numa renovação que lembra a transformação da lagarta lenta que se arrasta na borboleta leve e colorida que flutua no ar suave da natureza, depois do sono que lhe proporciona a histólise e a histogênese...

No processo de transcendência, muitas vezes ocorre esse letargo: um desinteresse pelo convencional, pelos impositivos das tradições, uma insatisfação interior e incomoda em torno dos padrões vivenciais, leva ao processo da histolise, na sua deteriorização e dissolução psicológica para alcançar a histogênese na sua formação e desenvolvimento  emocional e assim libertar-se do mecanismo pesado que  retém o idealista na dificuldade para discernir e encontrar o sentido existencial da vida...

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 10/11/2019.

domingo, 3 de novembro de 2019



GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
A NEUROSE COLETIVA

Afirma-se que a nova geração está desequilibrada, como se os sofrimentos que a atormentam surgissem apenas nela mesma. Esses que pensam dessa forma não se dão conta para todo efeito há sempre uma causa, que os transtornos que surgem na juventude de hoje de alguma forma se encontravam presentes ou tem suas bases nas gerações passadas e que, por sua vez, implantaram novos ideais e comportamentos nos conceitos tradicionais do período em que viveram, causando dessa forma choque na tradição daquele tempo...

Ademais, as heranças transmitidas por leviandade e desamor dos mais velhos; a despreocupação com a família, que vem passando, desde há algumas décadas, para plano secundário no grupo social; os comportamentos eminentemente egoístas dos cidadãos; o consumismo desenfreado; a busca pelos prazeres insaciáveis; a indiferença pelo próximo contribuíram com vigor para o  estado de alienação coletiva, de hoje, que especialmente afeta os jovens sem discernimento nem madureza emocional.

Os esportes, que deveriam representar conquistas psicológicas para catarses emocionais, espairecimentos, renovação de energias, afirmação de valores em relação aos melhores,  são transformados em campo de batalha, momento em que as torcidas fanáticas e radicais agridem-se mutuamente, depredam, matam e se matam.

Trazendo de volta as arenas romanas, onde o prazer era sanguinário e as vítimas sacrificadas inspiravam zombaria sem nenhuma consideração ao significado de humanidade...

Nesse ambiente de desordem psíquica e emocional, as chamadas torcidas organizadas marcam pela internet o lugar dos enfrentamentos, da mesma forma como ocorria nos caminhos de batalha do passado, e como selvagens agridem-se de forma asselvajada, ferindo, humilhando, assassinando, enquanto a sociedade perplexa contempla as cenas hediondas e vai-se acostumando a elas.

O terror assume proporções não imaginadas.

É comum os jovens matarem pelo prazer de fazer alguma coisa diferente, para experimentarem emoções fortes, e mais tarde procuram anestesiar a culpa nas drogas, entrando em profunda depressão, mais matando para adquirir novas quotas para a manutenção do vício ao mesmo tempo matando-se lentamente ou de uma vez, em desespero suicida.

O índice de suicídios nos países civilizados é espantoso, porque a cultura é materialista, vivendo no inconformismo, e o prazer é o único motivo do significado existencial. Em consequência, as taxas de delinquência juvenil em toda parte são volumosas continuando crescendo.
Tem-se assim, instalada a neurose coletiva e destrutiva.

A divulgação infeliz dos dramas e tragédias do cotidiano, através dos veículos de comunicação, ao invés de apresentar propostas salvadoras, terapias preventivas e curadoras, estimula indiretamente os comportamentos frágeis a se tornarem heróis,  a se fazerem destacados pela mídia, a desafiarem a cultura e a ética, crendo no falso martírio que se origina na covardia moral e na desestruturação psicológica em que se encontram.

As almas dos jovens encontram-se ansiosas e desorientadas, seguindo estranhos caminhos por falta de equilibrado roteiro para o encontro com a segurança interior. A educação no lar e a formal, nos institutos que a elas se dedicam, encontram-se também sem estrutura por aqueles que a propõe serem, estúrdios (extravagante) e desestruturados  ensinando teoria e vivenciando os desequilíbrios em que se tornam exemplos vivos, que logo são seguidos.

Disseminam-se com ufanismo (com orgulho exagerado) a necessidade da autorrealização da autoidentificação por meio de processos estapafúrdios e mórbidos que os chamam a atenção e os igualam nas tribos em que se homiziam.

Sem dúvida, a problemática é muito grave e está a exigir cuidados especiais de todos: pais, educadores, governantes, religiosos, sociólogos, psicólogos, pessoas sensatas que se devem unir, a fim de combaterem o inimigo comum: a falta de sentido existencial que se estabeleceu na sociedade.

Para se viver com dignidade necessita-se de um objetivo, de um sentido ético que se transforma em meta a ser conquistada.

Se for a busca da felicidade nos padrões mentiroso do consumismo ou do ´prazer, fruto do imediatismo, logo veem a decepção e a falta de motivação para novos empreendimentos.

É indispensável, despertar em todos a necessidade da autotranscedência, da superação das exigências do ego em sombra para o significado do self imperecível.

Essa autotranscedência deverá ser sugerida habilmente, não imposta, despertada em todas as mentes como o caminho seguro para a harmonia interior, para a existência adquirir sentido de gratidão, de correspondência com os demais, de significados libertadores.

É comum as pessoas perguntarem a respeito do significado das suas existências, tão acostumadas estiveram por múltiplas gerações a lhes serem imposto o mesmo.

No passado, as religiões dominantes estabeleciam que o primeiro filho deveria pertencer às armas, para salvar o Estado, o segundo pertenceria a Deus, servindo à religião e entregando-se-lhe totalmente, mesmo sem nenhuma vocação nem desejo. O mesmo ocorria em relação à filha que deveria servir à Deus, educar-se em serviços domésticos , sendo-lhe negado o direito ao conhecimento, à cultura, por ser considerada inferior, sem alma, sem discernimento...

O absurdo imposto ressurgiu como hipocrisia, mediante a qual havia a postura convencional,  
que a sociedade aceitava, e o desvario oculto, criminoso muitas vezes, a que os indivíduos se entregavam, como forma de sobrevivência à asfixia imposta pela neurose religiosa.

As aberrações e extravagancias eram praticadas, mas não constituíam crime nem sofria censura, desde que não fossem divulgadas...

É natural que esse perverso atavismo ressurja do inconsciente coletivo e pessoal e imponha ao indivíduo a necessidade de que alguém lhe diga qual é o sentido da sua existência. Mesmo quando recorrem a determinadas psicoterapias, inadvertidamente alguns profissionais transformam-se em gurus, respondendo pelas vidas e comportamentos dos seus pacientes, numa tentativa de eliminar-lhes as preocupações, o que os mantém sempre na ignorância, na dependência doentia, na aflição mascarada de bem-estar...

O valor psicoterapêutico se percebe quando começa a libertar o paciente do pensamento do seu orientador, encontrando-se com a sua realidade e descobrindo-se, bem como as próprias possibilidades de realização pessoal e de objetivos essenciais para o bem-estar.

Desse modo, tem faltado honestidade e sinceridade intelectual nos formadores de opinião, nos educadores, nos psicoterapeutas da mesma forma problematizados, reservando-se às exceções normais à conduta saudável.

Uma visão nova da vida deve ser instituída por  processos psicoterapêuticos sadios, libertadores da neurose coletiva, trabalhando o indivíduo e depois o grupo social, a fim de que se torne possível a conquista do significado existencial.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/11/2019.