quarta-feira, 28 de agosto de 2019



GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão

SONHOS DE FELICIDADE E SIGNIFICADO EXISTENCIAL

Conquistas e projetos de felicidade iniciam na mente. A mente é muito importante na construção dos valores humanos e do significado existencial.

É preciso sonhar, para que as inspirações do amor sejam transformadas em realidade, enriquecendo assim a vida de atos dignificantes e saudáveis.

A conquista da felicidade vai depender de como se espera ser feliz, de quais os fatores que a proporcionam, da maneira mais eficiente de alcança-la.

Desde que não seja uma aspiração do que é efêmero passageiro e logo se transforma, alterando totalmente o seu sentido, é importante que o ser humano aspire pela harmonia interior, pela aquisição do que lhe é necessário a uma existência honrada, a partir do alimento que nutre, até as questões referentes à educação, à saúde, ao trabalho, ao repouso, mas também ao cultivo dos ideais de beleza que enriquecem o Espirito de estímulos para a continuação das lutas edificantes.

  Nessa busca da realização pessoal, base de sustentação para uma vida feliz, surge o desafio do significado existencial, no momento em que a sociedade vive a pandemia psicopatológica das vidas vazias.


Normalmente se acredita que a felicidade impõe como condição principal o poder que facilita a aquisição de poder e de compra, e de todas as coisas que a complementam. Embora, o numero de vidas perdidas no vazio existencial, por estarem marcadas pelo tédio, pelo desinteresse, seja maior que os poderosos que buscam realização através das fugas psicológicas lamentáveis. Por ser muito fácil conseguir tudo quanto lhes satisfaz, descobrindo aos poucos a perda do sentido existencial, por terem acreditado que seria um efeito da posse.

Essa fuga psicológica, resultado do temor do autoenfrentamento, transforma-se em transtornos de conduta como irritabilidade, insatisfação, melancolia, solidão, por supor que todos quantos se lhes acercam estão mais interessados naquilo que tem do que neles mesmos, nos seus problemas, preocupações e afetividade, que, de certo modo, quase sempre é  real...

Faz-se imprescindível, nesse momento, uma introspecção, uma análise intima de como se encontra o indivíduo, no intuito de descobrir a maneira pela qual possa fruir de realização e de paz, tendo a coragem de fazer uma revisão de conceitos e entregar-se à nova busca.

A felicidade deve constituir o significado existencial, essa busca incessante do amor no sentido mais expressivo da palavra, a entrega efetiva em todas as maneiras de manifestar-se, facultando o preenchimento interior de alegrias e de esperanças, de belezas, de realizações relevantes, de emoções plenificadoras.

A intencional crença de que o amor sempre está vinculado à satisfação sexual deve abrir espaço ao sentimento correto da afetividade ampla e sem tormentos da libido, expressando-se como intercambio de ternura, de equilíbrio emocional, de gratidão.

A gratidão é fundamental no comportamento do amor dirigido a Deus, à natureza e a todas as suas criaturas, animadas e inanimadas, sem e com a benção do pensamento.

Surge então o trabalho que dignifica, essa terapia que acalma, que produz a autorrealização e que promove a sociedade, facultando o progresso sob todas as formas  possíveis.

Quando o ser humano percebe o significado do trabalho na sua vida, amadurece psicologicamente e ama o labor, seja ele qual for, entregando-se sem paixão, mas também sem revolta ao mister de edificar.

Aquele que trabalha e retira do seu esforço a remuneração usufrui a satisfação compensatória da sua dedicação, enquanto experimenta o bem-estar que resulta do estado consciente de que é útil, de que produz benefícios para a humanidade.

O trabalho também nesse caso é como recurso psicoterapêutico para manter a harmonia interior, o prazer de contribuir pelo bem geral.

Dois homens conversavam em uma rua pavimentada de uma grande cidade. Um era modesto operário semianalfabeto, enquanto o outro era um pensador de renome internacional.

Porque admirasse muito a companhia honrosa que lhe estava ao lado, o diligente trabalhador que não trazia títulos acadêmicos que impressionassem, mas que era amado pelos seus valores morais, num momento de entusiasmo durante o dialogo apontou para as lágeas do piso por onde seguiam e disse com  alegria:

- Veja este piso. Fui eu quem o pôs nesta rua, há alguns anos, quando trabalhava numa empresa que servia a Prefeitura local.

Nele havia uma alegria rara, uma gratidão sem palavras pela oportunidade de ter trabalhado em algo que lhe dava felicidade.

E, de fato, as lajes estavam muito bem colocadas, demonstrando a habilidade do obreiro que as arrumara no solo...

Realizado psicologicamente, porque a sua era uma jornada de trabalho e de amor ao que fazia, como corolário do amor que nutria pela família e por todos.

A sombra - (dificuldade, limites, que lhe causam dor)-  nele diluía-se suavemente no self  - (o ser imortal, o espírito)-  consciente da sua realidade e dos seus limites.

Pensa-se que um enfermo, alguém que sofreu  um desastre emocional, ou que sofra dores quase insuportáveis, alguém que sofre saudade de um ente querido levado pela morte prematuramente, vítimas de tragédias e até mesmo aqueles que se encontram imobilizados já não dispondo de um sentido existencial para continuarem vivendo. É é um grande engano, pois o significado existencial se encontra acima de circunstancias felizes ou menos agradáveis, sendo um desafio aos valores morais do indivíduo que, diante do infortúnio, ainda descobre razões para suportar os sofrimentos e ultrapassá-los, considerando tais infortúnios bastante importante e útil para a sua realização interior e sublimação dos sentimentos.

Sentindo-se honrados pela situação de se tornarem modelos para outras pessoas menos resistentes ao sofrimento, tornam-se exemplos da coragem, da permanência na situação em que se encontram, anelando o prosseguimento da vida física ou confiando nos resultados superiores decorrentes do comportamento depois da morte, quando isso ocorrer.

Imortal, o ser psíquico passa de uma para outra dimensão da vida, utilizando-se do corpo físico ou deixando-o, conduzindo as experiências de valor ou degradantes da sua existência orgânica.

O significado, de uma existência madura psicologicamente vai além do fisiológico e continua na direção da imortalidade, em que todos se encontram situados como condição da vida que deu origem.

Se o significado existencial terminasse no corpo  todos os sacrifícios que enobrecem o ser humano perderiam completamente o seu sentido.

O sentimento que predomina nessa e outras circunstancias logo se percebe: é o sentimento da gratidão, filha do amor, do trabalho e da resistência às situações penosas...  

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 28/08/2019.

sábado, 3 de agosto de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
AMBIÇÕES PSICOLOGICAS E TRANSTORNOS DE CONDUTA

Infelizmente, o ser humano renasce hoje  num contexto cultural imediatista, utilitarista, em que os valores reais são colocados em plano secundário sendo a ele exigido conquistar aqueles que são valores passageiros, que fazem parte das coisas materiais.

A formação cultural e educacional destaca como meta os triunfos de fora, a conquista dos recursos que exaltam o ego, que o alienam, que entorpecem os melhores sentimentos de beleza e de amor, que são substituídos pelo poder e pelo ter, acreditando-se triunfador na  sociedade, no setor econômico, político, religioso e outros...

Pouco se pensa na construção interior saudável do ser que (re) inicia a jornada carnal, incutindo-lhes propostas nobres da autorrealização pelo bem, pelo reto cumprimento do dever, pelas aspirações da beleza, da harmonia e da imortalidade. Considerados de significado modesto, que os podem reservar para a velhice ou para quando chegarem as doenças. Essa filosofia da comodidade suplanta a busca do equilíbrio emocional e moral, ficando no padrão dos prazeres sensoriais.

Com esse comportamento, o egoísmo marca o percurso da preparação do ser jovem, registrando na mente que é preciso destacar-se na comunidade a qualquer preço, que o perturba nesse período de formação da personalidade e da própria identidade, tomando como modelo o que chama a atenção: os comportamentos exóticos, alienantes, as paixões de efeito imediato, sem que os sentimentos educados possam fixar-se nos painéis dos hábitos para a construção  da conduta do futuro.

Surgem as culpas que lhe dormem no inconsciente e ressurgem as qualidades negativas, que deveriam ser corrigidas, mas que encontram campo para se expressar através da irresponsabilidade moral e comportamental em uma sociedade leniente, que tudo aceita, desde que esteja nos padrões do exibicionismo, da fama, da fortuna, da passageira mocidade do corpo e da sua estética...

Tem-se também os vícios sociais como forma de participação dos grupos em que se movimentam, como o tabaco, o álcool, quando não se apresentam simultaneamente, abrindo espaço para as drogas alucinógenas e  destrutivo dos neurônios, do discernimento, da saúde orgânica, emocional e mental.

Nessa conceituação, o importante é o prazer, que é considerado natural, normal, alegre, mesmo sendo via substancias químicas devastadoras e de comprometimentos sexuais desgastantes.

A cultura permissiva e cruel, na qual a ética e a moral são consideradas amolecimento do caráter, debilidade mental, conflito de inferioridade disfarçado de pureza, em lamentável ironia contra os tesouros espirituais, únicos que trazem saúde real e equilíbrio.

Lentamente, o exibicionismo do crime que se torna legal estimula ao desrespeito às leis da vida, quando os multiplicadores de opinião e pessoas ditas famosas, mais pela exuberância do desequilíbrio do que pela construção edificante, apresentam-se na mídia para narrar as experiências dolorosas dos abortos praticados, das traições conjugais, das mudanças de parceiro em adultérios chocantes ou relacionamentos múltiplos e promíscuos, como novos padrões de conduta.

Caminhando para a decrepitude que logo chega e se instala no organismo gasto na futilidade e na corrupção, de repente percebem que se encontram no exilio, ao abandono, no esquecimento, com o surgimento de outros biótipos mais ousados e paranoicos, experimentando remorso e fazendo lamentáveis quadros de depressão tardiamente...

Conforme envelhece diminuindo a vitalidade orgânica e a morte se aproxima, quando os não surpreende nas bacanais, nas overdoses, na luxúria e no despautério, desesperam-se e buscam novos escândalos para serem notícias que desapareceram da mídia que os explorou e consumiu, logo se apagando no silencio do anonimato ou sendo estigmatizados pelos novos deuses da ocasião...

Passam a manifestar os transtornos psicológicos, nas áreas da afetividade, da conduta, das emoções.

Sem as necessárias resistências morais para os enfrentamentos naturais que ocorrem com todos os seres vivos, apegam-se à negativa, posição cômoda para justificar a falta de valor íntimo, permitindo que a sombra lhes governe os sentimentos angustiados.
Abre-se-lhes, então, a comporta emocional para a fuga psicológica e a transferência de responsabilidade para os outros, variando de algoz, culminando no governo, em Cristo e mesmo em Deus...
               
Em consequência da necessidade de realizar a compensação interna, libertando-se do auto enfrentamento para se transformar em vítima da família, da sociedade, da vida...

O significado da existência também se encontra no caminho em que se viaja para a meta escolhida como determinante para o bem-estar.

Nesse sentido, é necessário manter-se em atitude receptiva em relação aos dons do existir, tirando os melhores resultados de cada momento, sem angústia nem projeção para o objetivo da luta.

Qualquer indivíduo que busque o bem e o amor trabalha-se interiormente e busca os relacionamentos afetivos ou não, sentindo satisfação a cada momento, porque a experiência de ambos os sentimentos transforma-se em alegria de viver pelos conteúdos de que se revestem.

Há muita coisa no mundo da ilusão de que não se tem necessidade. O apego egóico às quinquilharias, às quais se atribui valor, faz sofrer o ser que as não possui, levando-o a uma permanente inquietação para aumentar a posse, acumulando inutilidades em prejuízo dos bens internos  que enriquecem a vida.

A preocupação em consumir ainda continua, sem valorizar as bênçãos da saúde, da lucidez mental, dos movimentos harmônicos, da afetividade compensadora.

O ideal era que cada um que desperta para os bens imateriais afirmar, sorrindo: “Quanta coisa eu já não necessito! Agradeço, portanto, a Deus, a dádiva de haver superado essa fase da minha existência.”

Vencendo o conflito e o transtorno psicológico, a emoção gratulatória assoma e a satisfação existencial toma sentido no constructo pessoal.

Quando surgem os sinais da gratidão, mesmo diante do que se considera falta ou insucesso, percebe-se a conquista da normalidade emocional e mental do indivíduo.

As cidades antes se celebrizavam pela suntuosidade das suas catedrais, demonstrando o poder e a grandeza. Aqueles santuários vem sendo substituídos pelos shoppings centers e pelos motéis atraentes e perversos...

Houve, de certa forma, a superação da beleza, da arte, da fé religiosa, mesmo que arbitrária anteriormente, para o consumismo, o tormento das aquisições e o relaxamento no prazer sexual de origem duvidosa e de efeitos perturbadores.

Daí vem as crises, cada uma mais forte, até o  indivíduo despertar para a mudança interior, agradecendo o que lhe foi infortúnio, desventura mas que o despertou para a realidade.

Pessoas que tiveram morte clínica e retornaram, que estiveram a um passo da desencarnação por acidentes, que foram vítimas de ocorrências danosas, de perdas significativas, logo superado o período de aflição, mudam de conceituação a respeito da vida e dos seus valores.

E tornam-se agradecidas ao que lhes aconteceu.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/08/2019.





quinta-feira, 25 de julho de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão     
A GRATIDÃO: META ESSENCIAL DA EXISTNCIA HUMANA

Visitado por qualquer transtorno emocional, como; ansiedade, anorexia, bulimia, distimia, medo, solidão, depressão, e outros, o indivíduo debate-se em aflições intimas sem a capacidade mental lúcida para discernir a melhor maneira de conduzir-se. A queixa e a reclamação são bengalas psicológicas de quem busca apoio para manter o estado mórbido, reagindo inconscientemente às possibilidades de refazimento e recuperação.

O sofrimento dali decorrente atira-o ao abismo do egotismo e da autocomiseração, tornando-se incapaz de adotar a conduta afetiva que é  indispensável para viver a gratidão, o que lhe caracteriza o primarismo emocional.

Já havendo, amadurecimento psicológico, apesar da situação penosa, ele percebe o esforço que precisa fazer, para conquistar a harmonia, naquele momento desorganizada.

O self  lucido, sofrendo as imposições da sombra, aturde-se, e o ego enfermo predomina, criando dificuldades para recuperar a saúde emocional.

Graças ao desenvolvimento psicológico, a disciplina moral e aos hábitos saudáveis proporcionam a vitória sobre os transtornos emocionais, evitando que se instale a depressão com todos os prejuízos que ela traz.

Os estímulos vindos do hábito de pensar corretamente contribuem para produzir os neurotransmissores do bem-estar e o self  acaba superando as situações doentias, controlando o comportamento que restaura a saúde.

Nesse embate exitoso, o sentimento de gratidão exterioriza-se como importantes emoções de reconhecimento que possibilitam experiências psicológicas de plenitude.

Equivocadamente se pensa em gratidão só diante de acontecimentos felizes, quando são recebidos benefícios de qualquer tipo, abrindo espaço para a retribuição como ética do bom proceder.

Não desmerecendo a sua importância, defrontamos, nesse caso, marcas de egotismo, por significar reconhecimento pelo bem que ao ego foi oferecido, e não pelo prazer de ser-se agradecido.

A gratidão real e nobre vai além da retribuição gentil, afável e benéfica, manifestando-se também nas situações desagradáveis de dor, de sombra, de enfrentamentos agressivos.

Diante das mais graves tragédias, sempre se encontram razões para as manifestações gratulatórias.

Situações funestas que surpreendem em clima de terror e de debilitações das forças morais podem ser encaradas com menos angustia se pensar-se que, estando-se vivo, haverá sempre como lhes diminuir as consequências perversas e cáusticas. Enquanto se pode lutar, embora as circunstâncias negativas, dispõe-se de possibilidades de futuro encantamento e prazer, construindo-se novos fatores de alegria e de paz, superando a noite tempestuosa e encontrando o amanhecer benfazejo.


Situações que parecem insuportáveis, como a     dos fenômenos sísmicos destrutivos, do terrorismo e de outros crimes perversos, quem os sobrevive conduz recursos morais e emocionais para louvar e agradecer. Porque, continuando a vida orgânica, tem-se meios para diminuir os danos e recomeçar experiências evolutivas, tendo em vista que a vida verdadeira vai além das dimensões biológicas...

A filosofia das vidas sucessivas ensina que o que ocorre ao ser humano, especialmente  relacionado ao sofrimento, e ele não o provocou, se origina no passado espiritual, e é para o seu bem.

Quando Jesus falou que no mundo somente se teriam tribulações, não estava trazendo uma tese pessimista, mas realista, ligado ao processo evolutivo em que se encontram os Espíritos mergulhados no corpo físico, ou seja reencarnados. E acrescenta: “(...) mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jó 16:33), querendo dizer que a vitória é natural e inevitável se houver esforço e dedicação para consegui-lo.

Resumindo, ao invés do receio e da rebeldia ante tais insucessos, apresentemos a benção da gratidão, entendendo que a dor somente se expressa como investimento da vida em favor da plenitude do ser.

Nenhuma conquista ocorre sem o esforço, a temperança, a constância, o sacrifício.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 25/07/2019.

domingo, 7 de julho de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
AURORREALIZAÇÃO E PAZ


A verdadeira paz é conquistada através da autorrealização, que resulta do autoconhecimento e do dever, trazendo verdadeiro prazer.

Só o amadurecimento psicológico é que leva o individuo com segurança ao auto aprimoramento.

As heranças que esse indivíduo conduz, do período de inconsciência e, mais tarde, do predomínio dos instintos sobre a razão, é responsável pelo retardar do discernimento, levando-o a mais reagir do que agir, a mais atender ao egoísmo do que ao altruísmo, envilecendo-se e não sublimando, com as disciplinas naturais que promovem os ideais de beleza, de elevação e de paz.

Há muitos exemplos de autorrealização, independente de posição social relevante, de posses expressivas, de conquista universitária, de grandes destaques.

Trata-se de um estado interior de satisfação e de confiança nas possibilidades que se tem e estão sendo sempre colocadas a serviço do melhor.

Contam que uma senhora, precisava de uma faxineira e uma amiga lhe recomendou uma pessoa credora de confiança com excelentes qualidades.

Contratou-a, por telefone, marcou o dia e a hora em que ela deveria iniciar o serviço.

Quando viu, ficou surpresa, notando que era bastante jovem, muito bem vestida e veio no seu próprio automóvel.

Explicou-lhe os deveres, e autorizou-a a realiza-los.

A jovem, com desenvoltura, fez tudo com esmero até concluir a limpeza.

Quando terminou, a auxiliar pediu licença para fazer uma ligação telefônica, e foi atendida.

O diálogo foi rápido e claro.

A jovem perguntou:
- A senhora está necessitando de uma faxineira?

E a outra pessoa respondeu:

- Não, eu já tenho uma.

- Eu, porém, sou muito boa, cuidadosa e posso fazer um preço muito acessível.

- Agradeço, porém, já tenho uma com esses requisitos.

- Insisto, porque não apenas cuido da limpeza, mas também aspiro, lavo, encero e tiro o lixo, deixando os banheiros brilhantes como ninguém o faz, assim como a louça muito bem cuidada e arrumada...

- Infelizmente não necessito, porque a minha faxineira é excelente e faz tudo isso.

Assim que ela desligou, a nova patroa disse penalizada:

- Ouvi a conversa e lamento que você tenha perdido uma nova cliente...

-Não senhora!- respondeu a faxineira. – Eu sou a faxineira dela e estava somente fazendo um teste de avaliação, de como é visto o meu trabalho, o qual me proporciona uma grande satisfação.

Na busca da autorrealização, todo serviço é digno e relevante, de acordo com o desenvolvimento com que ele é executado.

Enquanto houver no ser humano a presunção e a falsa consciência de superioridade por qualquer ocorrência que o projete na sociedade, o brilho da situação confortável dificilmente vai lhe trazer paz interior, porque a sombra vai estar predominando no seu comportamento.

Quando não se é capaz de reconhecer a transitoriedade das circunstancias e a fragilidade orgânica na qual o Espírito viaja no processo evolutivo, os conflitos estabelecem-se, como falsos triunfos e preconceitos mórbidos, doentios.

Allan Kardec, num estudo sobre os períodos da evolução da sociedade, após examinar o poder responsável pelo controle do grupo social, considerou que a primeira etapa do fenômeno foi de ordem patriarcal, pela natural força moral do chefe do clã, numa fase de predomínio dos instintos. Depois,  a força do grupo elegeu o portador de mais resistência e poder de luta, surgindo o controle político e social mediante a autoridade do força bruta, assim se estabelecendo uma segunda aristocracia. Os poderosos, pelos recursos que possuíam, os passavam para os descendentes, incluindo a autoridade de que se revestiam. Os débeis sempre se deixam levar pelos mais audaciosos, submetendo-se aos que sucedem aos transitórios governantes, surgindo assim uma terceira classe, chamada de aristocracia do nascimento. As ambições e desmandos disso decorrentes culminaram no direito divino dos reis, tornando-os respeitados e temidos.

Se lembrarmos Júlio César, o grande conquistador e extraordinário escritor latino, vamos ver que a sua obsessão pelo poder fez com que ele se proclamasse como Augusto, portanto divino, apesar da sua fragilidade orgânica e dos seus conflitos de vária ordem, que transmitiria o título para outros títeres também insanos do fabuloso império romano...

A evolução cultural e ética da sociedade a pouco e pouco desmontou a arbitrária maquina do poder aristocrático do berço, demonstrando que em todas as classes o ser humano pode atingir culminâncias, tornando-se digno e poderoso pelo esforço e o conhecimento, nascendo então a potencia do dinheiro, porquanto através dele se podem conseguir servidores, áulicos, palaciano, cortesão, bajuladores, soldados, ao lado das coisas que satisfazem as necessidades emocionais e os tormentos psicológicos.

Logo se manifestaram os valores da inteligência, do idealismo que removeram tronos e retiraram  os dominadores perversos, abrindo espaços para uma nova aristocracia, que se tornaria resultado da união da inteligência e da moralidade, surgindo aquela que ficou denominada pelo Codificador do Espiritismo como sendo a intelecto-moral.

Essa condição, na qual se reúnem os legítimos valores da evolução, naturalmente conduz a autorrealização e, em consequência, à paz.

As grandiosas aquisições das leis que já fomentam o respeito pelos direitos do próximo atestam o desenvolvimento da sociedade que avança na direção da plenificação dos seus membros.

Certamente, ainda predominam povos na atualidade que se encontram sob a governança infeliz de títeres violentos que estabelecem suas próprias leis e tornam legais o crime hediondo, o furto e o roubo por eles perpetrados, a perseguição infeliz aos inimigos, às raças e etnias que denominam como inferiores... Por mais, no entanto, que se detenham no poder, conforme a história tem demonstrado, passam, deixando a sua marca de selvageria, que fica apagada ante os novos condutores dos destinos daqueles mesmos povos antes submetidos à crueldade, então avançando no rumo das conquistas éticas da civilização que nunca para .

As guerras, que são decorrência da usura e da presunção desses infelizes pigmeus que se acreditam gigantes, logo cessam com o saldo terrível de sofrimentos que são impostos, e a consciência social que renasce abominam aqueles abutres humanos, ambicionando pela paz e pela solidariedade com todas as demais culturas e valores humanos respeitados.

Tal ocorrência assim tem lugar porque a marcha do progresso é ascendente e ninguém, força alguma pode deter, embora ainda permaneçam alguns bolsões de ignorância e de atraso moral, que o amor e o conhecimento conseguirão iluminar no momento próprio que nunca tarda.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 07/07/2019.

domingo, 30 de junho de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
Psicologia da Gratidão
CONFLITOS EXISTENCIAIS E FUGAS PSICOLÓGICAS

Cada um vive as emoções de acordo com o seu nível de consciência, não o ultrapassando de um para o outro momento. Sendo assim, os conflitos existenciais e as fugas psicológicas tem papel determinante no seu comportamento.

 Esses conflitos vem do passado, quando cometeu-se atos contra a ética e ao bem proceder, contribuindo com o surgimento da culpa que se transforma em aflição e desgaste do equilíbrio.

Também surgem aqueles decorrentes do processo de desenvolvimento ético moral, quando não se fazia presente ainda a capacidade de discernimento importante na censura dos comprometimentos perturbadores, considerados como naturais quando na realidade são frutos da sombra que ditava as atitudes conforme com a natureza arquetípica.

Nesse momento ocorrem os problemas emocionais que desgastam o ser perturbando-lhe a capacidade de orientação e de saúde, demorando-se por longo tempo que acabam gerando distúrbios passando de uma para outra existência.

Habituando-se de que lhe é impossível atingir degraus  mais elevados de bem-estar e de harmonia, aceita o self enfermiço dominado pelo ego, em estranha vitória no campeonato da evolução.

É então, urgente e indispensável buscar ajuda psicoterapêutica, para distinguir de forma saudável o que é melhor para conquistar a alegria de viver e os caminhos a serem adotados para vencer as dificuldades internas ameaçadoras.

As batalhas mais difíceis a serem vencidas são as que ocorrem na intimidade da psique, a partir do instante que o indivíduo começa a querer alcançar as motivações para a continuação da vida planetária nos padrões de normalidade.

Seja qual for o conflito existencial que surja, a criatura perturba-se e fica na dúvida de qual será o melhor caminho para o autoencontro, sendo esse o primeiro passo da autoiluminação.

Não pode existir um comportamento equilibrado, se na psique as informações emocionais não se encontram estabelecidas sob a inspiração e os anseios elevados e pacificadores.

Toda vez que surge um conflito sob a forma de aflição e de insegurança emocional torna-se necessário o enfrentamento logico e frontal com ele para libertar-se com o instrumento da razão  e do ajustamento psicológico necessários. É esse tipo de distúrbio que leva ao vício, à dependência de drogas aditivas, à dissimulação e à fuga da realidade transferindo a responsabilidade para os outros.

O paciente, nesse caso, assume a atitude infeliz e acredita que tudo que lhe ocorre resulta da antipatia que os outros lhe demonstram, escondendo-se nos escuros porões da comodidade, não fazendo esforços para a luta que deve travar, no começo mentalmente, diluindo as desculpas e justificativas pelo estado mórbido que o possui, para logo iniciar o esforço de compartilhar das atividades no grupo social, ajustando-se e modificando a sua observação dos fatos.

Apoiando-se, porém, na indiferença pela situação em que se encontra, ficando em lamentável postura que quer transformar em arma de acusação contra as outras pessoas .

Nesses pacientes, não surge o sentimento da gratidão que é sempre espontâneo, por se sentirem vítimas indefesas da sociedade e, como efeito, guardam ressentimento e amargura que mais os desajustam.

Os conflitos existenciais são parte do processo da evolução, porque, à medida que se vai saindo de uma faixa de experiência, leva-se todo material que foi armazenado, qualquer que seja o seu conteúdo.

Como aprender novos hábitos é um processo lento e a superação dos atavismos perturbadores pede coragem, determinação e insistência, no começo da luta são como tentativas de acerto e erro até que se definam as características que passam a alterar a conduta, dando lugar a novos acontecimentos.

Somente uma atitude racional e grande equilíbrio emocional traz a coragem para reconhecer as próprias deficiências que resultam do processo evolutivo, alias perfeitamente normais durante o seu transito no rumo do desenvolvimento psíquico e psicológico.

Conta-se, com algumas variações embora com o mesmo conteúdo, a história de um monge budista que indo na direção do monastério com alguns dos seus discípulos, quando, passando por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pela correnteza em que se debatia, afogando-se.

O monge, apiedado, correu pela margem do rio, pegou-o na água salvando-o da morte certa.

Alegre por havê-lo salvado da situação, quando o trazia para o solo, o escorpião picou-o, produzindo-lhe uma grande dor, que o fez derrubá-lo novamente nas águas...

Nesse momento, o monge correu e, tomando um pedaço de madeira, novamente entrou nas águas e retirou-o, salvando-o.

Retornou ao caminho calado após o seu gesto nobre, quando um dos discípulos, surpreso pelo que viu, pergunta:

- Mestre, penso que o senhor não está bem. A sua tentativa de salvar esse aracnídeo nojento e perverso, que lhe agradeceu o seu gesto nobre com uma picada dolorosa, redundou inútil e perniciosa para o senhor. Não seria natural que o deixasse morrer, ao invés de tentar por segunda vez salvá-lo, correndo novamente o mesmo risco?

O monge escutou com um sorriso e respondeu com bondade:

- Ele agiu conforme a sua natureza, enquanto eu agi conforme a minha. Ele reagiu por instinto, defendendo-se com a agressão, e eu agi conforme o meu sentimento de amor por tudo e por todos...

Nessa historieta se encontra a superação dos conflitos tormentosos sem a tentativa de fuga psicológica para transferir a responsabilidade.

A emoção consciente da sua realidade é sempre lógica e nobre, contribuindo com a ordem e o dever.

Não se escusa, não se justifica, não transfere as atividades que lhe dizem respeito para os outros, contribuindo com o bem onde for necessário. Não se inquieta com a ingratidão, porque reconhece que cada um se movimenta no nível de consciência e de discernimento que lhe é próprio.

Há aqueles que, por um bom período da vida só esperam receber, fruir, desfrutar dos favores de todos sem nenhum compromisso com a retribuição ou com o bem-estar geral. Desde que se sintam atendidos e fisiologicamente satisfeitos, tudo está bem. Ainda se encontram no período egocêntrico da evolução psicológica, agindo conforme a sua natureza. A ingratidão e-lhe uma característica definidora do comportamento, fazendo que sempre exijam e projetando a imagem de que as demais pessoas estão equivocadas, quando não fogem para a postura do martírio, para inspirarem compaixão, provocando conflitos de culpa nos demais.
A gratidão é benção de amadurecimento psicológico que felicita o Espírito, possibilitando-lhe ampliar os sentimentos de amor e de compaixão, porque reconhece todos os bens de que desfruta, mesmo quando surge alguma circunstancia menos feliz.

Não se expressa apenas quando tudo transcorre bem e comodamente. Mas especialmente quando o testemunho e a dor se apresentam chamando à reflexão.

A vida é, um hino de gratidão a Deus em todas as suas expressões e de amor.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 30/06/2019.

domingo, 9 de junho de 2019




GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
HERANÇAS AFLIGENTES

Os atavismos, que são heranças do
processo antroposociopsicologico, se encontram no ser humano com a mesma força dos velhos hábitos, em predomínio dos instintos agressivo-defensivos, o que mutila algumas aspirações nobres, dificultando a vivencia de novas atitudes, caracterizadas pela razão, pelo sentimento, pelo ideal de servir e de dignificar a sociedade. A ingratidão, que evidencia o primarismo do comportamento, na sua fase do egocentrismos, momento que não valoriza a contribuição das pessoas, por crer-se merecedor de todos os serviços, sem a obrigação de retribuir ou, de respeitar o outro.

A sombra nessa fase da evolução é o arquétipo dominador da conduta psicológica do ser humano.

O predomínio do instinto de conservação da vida modela o caráter humano com tanta força que coloca o indivíduo em atitude defensiva, armando-o esse indivíduo contra tudo e todos, mesmo que esse alguém se proponha a ajudar.

Com a crença falsa de que todas as pessoas são exploradoras, interesseiras, incapazes do afeto legítimo, com atitude, disfarçada ou não, de tirar proveito de todos os esforços empregados. Mesmo que os fatos mostrem o contrário, se encontra presente aí uma insegurança vegetativa muito forte nesse indivíduo, que considera os demais conforme os seus padrões de conduta, incapaz como  se sente de ser útil, de auxiliar sem colher os frutos imediatos desse procedimento.

Conforme desenvolve o self e diminui o predomínio do ego, o ser passa a compreender a finalidade da vida na Terra, ampliando a capacidade de sentir amizade, de corresponder às expectativas, de contribuir pelo bem-estar alheio, que sempre traz satisfação pessoal, embora não seja esse o principal objetivo.

Toda atitude dignificante que abrange o grupo social já é benéfica àquele que a assume.

Toda vez que alguém coloca obstáculo no processo de crescimento da sociedade, sofre a sua constrição inevitável, tornando-se presa da sua própria prepotência.

Esses diferentes estágios evolutivos, favoreceram ao surgimento dos dominadores dos outros, os ditadores impiedosos, as classes poderosas como consequência do status econômico, os presunçosos que se creem superiores, iludidos pelo conceito da raça ou etnia em que renasceram no corpo, da astúcia que é uma herança do instinto felino e não efeito da inteligência...

Allan Kardec, faz uma bela análise desse comportamento no livro Obras póstumas, no capítulo “As aristocracias”, quando analisa os  níveis da humanidade, em relação ao espiritismo, que oferece os recursos da iluminação, portanto da perfeita integração do eixo ego-self como indispensável para a harmonia pessoal, o reconhecimento amoroso à vida por tudo que possui e frui, a infinita gratidão pela honra da vida terrena.

Allan Kardec refere-se que a verdadeira aristocracia, é a intelecto-moral, em que a inteligência e o sentimento unem-se, abrindo espaço para a sabedoria, à libertação das paixões primeiras, à superação das heranças negativas e dos atavismos perturbadores.

O conceito de aristocrata, pelo sangue, pelos títulos nobiliárquicos adquiridos por meios nem sempre dignificantes, que caracterizaram o passado da sociedade, propiciando os privilégios dos descalabros, causadores da decadência, da desorganização generalizada, o perverso direito divino dos reis, como se não fossem constituídos pela mesma argamassa em que transitam os camponeses e o poviléu, detestados pelos iludidos terrestres, hoje se encontra em decadência total.

Encontramo-los em todas as épocas da História, desde as lamentáveis classes sociais da Índia, no passado, e possivelmente ainda hoje, embora não legais, mas infelizmente morais, até faraós egípcios... e os chefes tribais, nem sempre valorosos e dignos para exercerem o mandato de comando do grupo étnico ou do país por eles governado.

As religiões, também, aproveitando as circunstancias criaram as suas aristocracias privilegiadas pelo poder temporal em nome da fé que deve estar acima das questões da vaidade humana...

Na interpretação dos ensinamentos religiosos de todos os tipos, os indivíduos com as chamadas responsabilidades pelo rebanho adaptam a mensagem, retirando dela a essência superior e apresentando as suas paixões que transferem para Deus. E com esse mecanismo de temor submetem os crédulos ao seu domínio, dominando-os e mantendo aqueles   menos evoluídos, na revolta ou no egoísmo.

Se fossem apresentadas a grandeza do amor que trazem todas as doutrinas religiosas, conseguiriam com mais facilidade libertar os prisioneiros do primarismo, conduzindo-os aos elevados patamares da iluminação.

Jesus convocou a todos com os mesmos direitos e os mesmos deveres, dando oportunidade de trabalho e de evolução aos diferentes seguimentos sociais, sendo respeitoso aos poderosos do seu tempo, que o buscavam, assim como a chamada ralé, à qual preferia por motivos óbvios da sua missão iluminativa e libertadora.

O inevitável progresso moral vem diminuindo o perverso comportamento, anulando o poder das classes dominadoras por circunstancias adversas e ancestrais, abrindo espaço para os direitos humanos, ampliando as possibilidades de igualdade entre todas as pessoas, não importando as posses, a hereditariedade, mas valorizando as qualidades de inteligência e de sentimento, as suas conquistas morais que os destacam no cenário humano.

Pelo processo evolutivo que é inevitável, essas heranças cederão espaço às outras, às nobres que as sucederam e que, no seu momento próprio, passarão a ressumar com a força ética da solidariedade e do amor entre todos os seres, incluindo a natureza.

Apesar desse fenômeno incoercível, incontido, que é o progresso, muitos  indivíduos tentam resistir aos seus impositivos, escolhendo a condição de infelizes, em razão da sombra que os submete aos caprichos da inferioridade.

A Divindade, tem mecanismos que se impõem favoravelmente ao desenvolvimento das faculdades morais do ser, pelas expiações em que expurgam os miasmas que os asfixiam na inferioridade, sem perderem as conquistas importantes das vivencias experimentadas no passado em encarnações outras.

Desse modo, o processo de crescimento em relação à própria plenitude é impostergável, inadiável e  ninguém foge dele, porque ele faz parte dos instrumentos universais do amor divino.

Serão sinais demonstrativos da sua presença, quando surgirem os primeiros vagidos de compaixão e de ternura, de amizade desinteressada e o desejo de retribuição, pelo menos de parte daquilo que amealha. A solidariedade é, a maneira de expressar a alegria de viver e de desenvolver os relacionamentos que edificam os sentimentos ou os despertam quando se encontram adormecidos.

A gratidão é a impressão digital do desenvolvimento intelecto-moral do Espírito, que se liberta das heranças afligentes.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 09/06/2019.

sábado, 25 de maio de 2019


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS
A GRATIDÃO COMO RECURSO PARA A AQUISIÇÃO DA PAZ

Uma vida sem significado psicológico é vazia sem motivo de ser vivida, nenhum ser humano a suporta, e quando se movimenta nela, normalmente cai na busca de soluções sem conteúdos libertadores.

O Espírito foi criado para alcançar o infinito e conseguir a sabedoria superior que o transforma em arcanjo...

A caminhada, dolorosa muitas vezes, na escola terrena lembra o diamante bruto submetido à remoção da ganga, para poder brilhar como uma estrela na sua transformação.

Nas vidas vazias, aquelas que não tem objetivos psicológicos, existe muito espaço para a inquietação e a desconfiança, o autodesprezo e o ressentimento, o acolhimento dos transtornos da emoção e dos desequilíbrios mentais, pela falta de significado existencial.

Que é facilmente identificada pelos indivíduos solitários ou não, caracterizados por grande necessidade de conquistar coisas externas e de projetar a imagem, porque o ser real está incompleto, inseguro, sem estímulo para continuar a jornada.

Constrangidos pelas circunstancias amargas a continuarem no corpo físico, buscam os  prazeres exaustivos ou as experiências perigosas a que submetem o self, em desafios que quase sempre resultam em fracassos, quando não em mortes sem dignidade. Entre eles tem-se alguns dos desportistas radicais, que buscam chamar a atenção para a coragem, que  pode significar desamor à vida e zombaria ao bom senso e à precaução, ou sob a ação exasperada da adrenalina esquecem-se de si, transferindo-se para o aplauso em que se irão destacar, demonstrando aos outros a sua superioridade.

Se entregam a competições buscando sempre ultrapassar os limites anteriores, como novos deuses, dominados pelos mitos das personagens de quadrinhos que se transformam em heróis do absurdo, revivendo outros heróis adormecidos no inconsciente coletivo...

O ser humano saudável é cuidadoso, vive nos padrões éticos que trazem bem-estar e  alegria de viver. A sua coragem não é medida pelo destemor e pela busca do perigo, mas pela resistência que oferece às circunstancias perturbadoras, sempre digno e lutando tranquilo.

Sente-se afortunado pela harmonia que vive no eixo emoção-psique e no apoio aos equipamentos físicos de que se utiliza para o crescimento interior e para a vitória sobre as heranças prejudiciais que lhe permanecem no comportamento.

Pela harmonia presente na sua vida, é cheio de alegria e de objetivos edificantes, proporcionando-se satisfação pela oportunidade que desfruta, contribuindo na comunidade em que se encontra, para faze-la sempre melhor.

A gratidão é-lhe condição natural, pois sabe valorizar tudo que lhe chega, sendo abençoado pelas facilidades ou pelos sofrimentos que, eventualmente, o alcançam.  Porque o bem-estar não são apenas às questões agradáveis e que trazem alegria, mas também àquelas de preocupação e da análise das variadas situações do processo humano em desenvolvimento.

O apóstolo Paulo, por exemplo, dizia que se comportava da mesma forma, seja estando coroado de alegrias, ou que experimentando o cárcere e a provação... Porque o sentido psicológico da sua vida era servir a Jesus, e onde estivesse, conforme estivesse, nada lhe era impedimento de continuar na vivencia do seu significado emocional. Na alegria, demonstrava gratidão pelas bênçãos, e na dor, ainda agradecia por poder confirmar a grandeza da sua fé e da sua entrega.

Quem só espera frutos saudáveis da árvore da vida não aprendeu ainda a viver, desconhece  que os acontecimentos, fazem parte do esquema existencial.

Há pessoas que nem sequer agradecem as dádivas que lhes são oferecidas, estando sempre queixosas, insatisfeitas, insaciáveis, porque é baixa a sua capacidade de autoestima, e assim fuge para a situação egotista. Outras sempre agradecem todas as alegrias que fruem,  e esquecem de agradecer os embaraços que não ocorreram, os insucessos que não aconteceram... E outras que sabem agradecer a alegria que vivenciam, as dificuldades que não se tornaram dificuldades para as realizações edificantes e as dores que as alcançaram, esclarecendo que tal acontecimento se encontra na lei de causa e efeito, pois só lhes acontece o que é de melhor para o seu processo de evolução. Agem assim porque sabem da justiça presente em todos os mecanismos do desenvolvimento espiritual e moral de cada um.

Quando se aprender a agradecer e a louvar, certamente a saúde integral se constituirá o resultado feliz do fenômeno agradável do júbilo presente em todas as situações existenciais trabalhando a elevação do ser.

Com essa compreensão, aos poucos o eixo ego-self propicia a unidade sem choque, a harmonia que deve haver no processo da recuperação da anterior fissão da psique...

Essa é uma batalha silenciosa,  significativa, cheia de aprendizagem e descobertas, porque se vai ao mais profundo dos sentimentos, para avaliar o sentido e o significado psicológico da vida física.

Dessa forma, encontra-se a maturidade emocional, aquela que auxilia no discernimento  de tudo quanto se pode e se deve realizar, e não daquilo que se pode mas não se deve fazer, ou se deve mas não é lícito executar.

A maioria das criaturas vive de forma tão automática que nem apercebe os mecanismos existenciais, as possibilidades de desenvolvimento da inteligência e dos sentimentos, tornando a jornada um encantamento em que as experiências de autoiluminação multiplicam-se, toda vez que os acontecimentos são bem administrados. Não há pessoas privilegiadas, nem às que parecem totalmente felizes, porque o transito carnal é recurso de que a Divindade se utiliza, para permitir o desenvolvimento dos valores adormecidos no íntimo do ser.

Como consequência, devemos viver observando atentamente tudo que acontece na jornada humana, colhendo e distribuindo simpatia e solidariedade, afeição e renuncia aos impositivos do ego, na incessante busca da plenitude.

Só quem luta e se aprimora é que consegue  superar os vícios, os arquétipos inquietadores que veem do passado.

Viver, na Terra é uma excelente ocasião de avançar para a imortalidade feliz.

Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 25/05/2019