segunda-feira, 18 de junho de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS

O SIGNIFICADO DA GRATIDÃO

O verbete gratidão vem do latim gratia que significa graça, ou gratus que quer dizer agradável. Significando reconhecimento agradável pelo que se   recebe ou lhe é concedido.

A ciência da gratidão é a mais elevada expressão do amadurecimento psicológico do indivíduo, que o leva à vivencia do sentimento nobre.

Os hábitos de receber ajuda e proteção desde a fecundação, passando pelo desenvolvimento fetal  até a idade adulta, sem ter consciência do que lhe é oferecido, constrói o ego interessado apenas em ferir sem maiores responsabilidades.


Acumulando os favores que o promovem, só conquista a noção de valor do que lhe é oferecido quando o discernimento se faz presente na personalidade e o convida, à contribuição pessoal, que por não ter o hábito, de repartir, faz-se soberbo e presunçoso, atribuindo-se méritos que  ainda não acumulou.

A medida que os instintos abrem espaço para as emoções, o amor faz os seus primeiros passos em forma de bondade e gentileza com os outros, deixando perceber o desenvolvimento ético-moral. O amor está presente, nessa fase, pelo desejo de servir, de contribuir, de gratular...

Nessa fase, a da gratulação, o significado existencial torna-se relevante, trazendo mudança do comportamento egoísta e ensaiando as primeiras manifestações de gentileza, de altruísmo.

Quanto mais se desenvolve o sentimento afetivo, o sentido retributivo torna-se mais expressivo.  

No começo, é como uma emoção-dever, que auxilia libertando da ânsia de acumular e de reter. O entendimento facilita a compreensão de que tudo é movimento no universo, uma forma de dar e de receber, de conceder e de retribuir, e qualquer conduta estanque propicia a instalação de enfermidades, desajustes e morte.

A recompensa, sendo uma maneira simplista de retribuição, é o primeiro passo  para a futura gratidão.

Poucas vezes ocorre no adulto a emoção espontânea de agradecer, de bendizer os que contribuíram de maneira automática, mas também pela afetividade, para que ele alcançasse o patamar da existência em que se encontra. Quando se conscientiza dessa evocação, um hino de alegria canta no seu mundo íntimo. Não há lugar para exigência ante qualquer carência ou reclamação por não haver fruído de benesses que antes lhe pareciam importantes. Pensa que também age pelo hábito em  favor de outras vidas, da ordem, do progresso, do bem, ou, infelizmente, pelos fenômenos perturbadores que vigem na sociedade...  Descobre-se participando do contexto social, um tanto amorfo, sem sentido existencial feliz, deixando-se levar pelos acontecimentos...

O despertamento para a gratidão começa como uma forma de  louvor a tudo e a todos.

O santo seráfico de Assis, quando alcançou o estado numinoso, logo exaltou na sua volata de gratidão, ora doce, ora suave, o hino em favor de todas as criaturas: irmão Sol, irmã Luz, irmã chuva, vegetais, animais, e tudo que vibra e glorifica a criação.

Quanto mais exaltava o que parece a muitos insignificante ou sem valor, a sua riqueza gratulatória dignificava, ressaltando-lhes as qualidades.

Conforme um filósofo popular, a beleza da paisagem se encontra nos olhos daquele que a contempla. Não é exatamente assim que ocorre, mas há  uma dose alta de razão no conceito, porque só quem traz beleza e harmonia pode identificá-las em qualquer lugar que se encontrem. Não havendo essa sensibilidade no ser humano, não há como distinguir o banal do especial, o grotesco do belo, e etc... .

A gratidão, para ser legítima, pede que haja no intimo da criatura esse encanto pela vida, o doce enlevo que a torna preciosa em qualquer manifestação que se compreenda a magia do existir, percebendo-se as dádivas que se multiplicam em várias expressões de troca.

No outro sentido, o ingrato é aquele que se mantém no primarismo, sem perceber o objetivo essencial da existência. Criança maltratada que se detém na injúria e nas circunstancias iniciais do processo de desenvolvimento ético moral. Que se nega a crescer, conservando ressentimentos de acontecimentos de pequena ou grande importância, mas que encontraram aceitação emocional profunda, marcando com revolta a experiência do desenvolvimento emocional. Ninguém pode fecundar-se emocionalmente se reage aos fatores  mecanismo de maturação. É indispensável deixar-se triturar pelas ocorrências e superá-las pela autoestima e o autorreconhecimento.

A gratidão é sempre em relação a outrem, aos fenômenos existenciais, jamais ao orgulho e a presunção. Como se pode ser reconhecido a si mesmo, sem a queda no abismo do ego sem discernimento? Como ser grato ao ego,  incapaz de liberar da sua conjuntura o self,  responsável pela magnitude do ser em aprimoramento? Imagine-se a concha bivalve da ostra que não permite ser recolhida a pérola nela acrisolada. Para que tenha sentido real, rompe-se a crosta vigorosa e esplende a gema pálida e primorosamente construída.

Muitas vezes ou quase sempre é através da ruptura, da fissão que se pode encontrar além do exterior a pérola  adormecida na intimidade de tudo: o diamante mergulhado no carvão grosseiro, a estrela escondida além da nuvem e da poeira cósmica...

Agradecer, quer dizer inebriar-se de emoção lúcida e consciente da realidade existencial, não somente pelo que se recebe, mas também pelo que se gostaria de conseguir e pelo  que ainda não se é emocionalmente.

Despojando-se da escravidão da posse, colore o ser de bênçãos que distribui em sinfonia de gratidão.

Agradecer o bem que se frui e o mal que não aconteceu ainda, mas especialmente, quando ocorrer, fazer o mesmo, visando que só ocorre o que é necessário para o crescimento espiritual, conforme programado pela lei de causa e efeito.

Gratidão é como a na sua velocidade percorrendo os espaços e clareando todo o percurso, sem se dar conta, sem o propósito de diluir-se no facho incandescente conforme a sua conquista.

Um dos motivos fundamentais para a gratidão se expressar  é a humildade que faz com que se compreenda quanto  se recebe, desde o que se respira gratuitamente até os nobres fenômenos automáticos do organismo, preservadores da existência.

Nessa percepção da humildade, vem o sentimento de alegria por tudo quanto é feito por outros, mesmo que sem ter ciência, em favor, em benefício de outros. Essa identificação propicia o amadurecimento psicológico, facilitando compreensão de que ninguém é autossuficiente a tal ponto que não dependa de nada nem de ninguém, numa soberba que fica clara a fragilidade emocional.

Sem o sentimento de identificação das manifestações gloriosas do existir, a gratulação não vai além do devolver, de nada ficar devendo ao outro, de passar seguro pelos caminhos da vida, sem carregar débito...

Quando se é grato, alcançasse a individuação que liberta. Para  se alcançar, esse nível, o caminho é longo, mas atraente, fascinante e desafiador.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 18/06/2018.



domingo, 10 de junho de 2018


          GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS

A benção da gratidão

Entre os sentimentos nobres que caracterizam o ser psicológico maduro, a gratidão é um dos mais importantes.

A vida, é um hino de louvor à Vida, portanto, de gratidão incontida.

Vida, é vibração de harmonia presente em todo o universo.
Limitada nas várias expressões através das quais se manifesta, é um desafio em constante desdobramento na busca de significado.
Quando o processo de crescimento emocional liberta o Espírito da sombra  que o perturba, se apresenta nele a luz da verdade, que é o discernimento a compreensão  dos valores que o integram na harmonia do cosmo, do Universo.
Buscando a perfeita identidade, na fusão do eixo ego-self, entende que viver é vivenciar gratidão por tudo quanto lhe ocorre e tem oportunidade de experienciar.

A gratidão,  é então a força que consegue desintegrar a discussão confusa da queda ou da perda do sentido existencial.

Filha da maturidade alcançada pela  razão, sobrepõe-se ao instinto, é conquista de elevada magnitude porque propicia equilíbrio àquele que a sabe ofertar.

É comum, na imaturidade emocional, acreditar-se que a gratidão é uma retribuição pelo bem ou pelos favores que se recebe, como se fosse uma devolução, pelo menos em parte.
É certo que, quando se devolve algo do que se recebeu, que tem significados saudáveis, é um  reconhecimento. Sendo isso apenas resultado de uma convenção, efeito do mercado da oferta e da procura ou vice-versa.

O instinto de preservação da vida, trabalhando pelos interesses imediatistas, age, muitas vezes, com ações retributivas se levado ao prazer.

Mas a gratidão na realidade é um sentimento mais profundo e significativo, porque não se resume na recompensa habitual. Ele é  maior trazendo satisfação por ser psicoterapêutico.

Aquele que é grato, que entende o que significa a gratidão real, tem saúde física, emocional e psíquica, porque sente alegria de viver, compartilha de todas as coisas, é membro atuante na organização social, é criativo e alegre.

Vê-se comumente, nas massas, que  diluem a identidade do individuo, confundindo os valores éticos e comportamentais, a ingratidão, filha infeliz da soberba, e muitas vezes do orgulho ou da prepotência,  remanescentes do instinto, transformados em sombra perturbadora. Como consequência, vivem-se em inquietação, perturbam-se e desequilibram os demais, cultivando as enfermidades parasitas da agressividade, da violência ou da autocompaixão, entregando-se aos conflitos em mecanismos de transferência de responsabilidades. Sem conseguirem compreender a finalidade existencial, a busca de um sentido para a autorrealização, tornando-se omissos, até no que se refere aos próprios insucessos, entregando-se a condutas esdruxulas, estranhas até mesmo esquisitas crendo poder escamotear, ou disfarçar ou esconder os conflitos em que se encontram.

Essa estranha conduta é responsável por alguns mitos que continuam no inconsciente, e esses arquétipos desculpistas são-lhes recursos de auto apaziguamento, dessa forma tentando conciliar a consciência que exige lucidez com o ego que prefere a ilusão.

O self imaturo- o ser interno, o Espírito, o Ser imortal que vem se construindo, acumulando experiências - sofre o efeito do ego dominador e atribui-se méritos que não tem, acreditando-se credor de todas as benesses que lhe são dadas, sempre desejando mais recursos que infelizmente não o plenificam. Nesse estágio conquista bens que não sabe usar e amontoam-se em armários ou em bancos, acumulando presunção e despotismo, sem se integrar no conjunto social em que se movimenta. E quando o faz, destaca-se pelo orgulho e pelo falso poder externo, compensando as angustias internas com a bajulação e o aplauso dos outros, que se transformam em estímulo para exibir qualidades que gostaria de ter.

Aspira sempre por ter mais, sem a preocupação de ser melhor.

Busca ser respeitado, quer dizer temido, antes que ser amado, pela dificuldade que tem de amar, o que lhe traz insegurança e mal-estar disfarçados com os vícios sociais, como o álcool, as drogas da moda, o tabaco, o sexo apressado e sem sentimento emocional compensatório.

Recebe onde não semeou, por crer-se possuidor de direitos que ainda não possui, não se dando o dever de repartir solidariedade e harmonia.

Assume postura agressivo-defensiva, para amealhar sem oferecer, descobrindo inimigos onde na realidade  são apenas desconhecidos que não foram conquistados e simpatizantes que não foram atraídos ao seu fechado circulo de egoísmo.

Armado, em vigília contínua, em vez de amando em todas as situações, pela irradiação de desequilíbrio que é o seu estado interno.

Introverte-se, quando deveria espraiar-se como as águas generosas do regato, diluindo as fixações que o prende à infância da evolução antropológica...

O sentido existencial é de conquistas internas, aplicadas em favor da gratificação.

Conforme se recebe, doa-se, e, na mesma razão que se é aceito e querido, mais ama e mais agradece.

A gratidão é benção de valor desconhecido, porque tem sido considerada apenas na sua forma simplista e primaria, sem o conteúdo psicoterapêutico de que ela trás.

Quando se pensa na gratidão, se pensa em devolver parte do que foi recebido, o que a torna insignificante e sem valor. Revelando -se com isso uma visão material imediatista, sem os conteúdos psicológicos renovadores.

Quando vemos uma rosa exteriorizando perfume levado pela brisa, estamos diante da gratidão do vegetal que transformou terreno orgânico e água em aroma delicado.

Assim como o Sol, responsável pela preservação do milagre da vida em incontáveis manifestações oscula o charco sem assimilar dele os odores apodrecidos e acaricia as pétalas das flores sem lhes roubar o aroma agradável. Sendo aquela a sua maneira de agradecer a finalidade para a qual foi criado...

Quando o Espírito alcança o objetivo do seu significado imortal e o entende com compreensão clara, abençoa tudo e todos, sendo grato pela oportunidade de fazer parte do seu conglomerado.
                              
A gratidão deve ser um estado interior que cresce e mimetiza com as dádivas da alegria e da paz.

Por isso, aquele que agradece com um sorriso ou uma palavra, com uma expressão facial em silencio ou numa canção oracional, com o bem que esparze, é sempre feliz, vivendo pleno. Mas, aquele que sempre espera receber, que faz e busca a resposta gratulatória, que se movimenta e realiza atos nobres, contando com o reconhecimento do outro, de forma imatura ele está negociando, permanecendo instável, neurastênico, em inquietação.

Quando se é grato, nunca experimenta qualquer decepção ou queixa, porque nada espera em resposta ao que faz.

A busca, da autorrealização é alcançada a partir do momento em que a gratidão predomina no Self (Eu profundo, ser imortal, o Espírito ou Ser verdadeiro) sem sombra perturbadora, constituindo-se uma sublime benção de Deus.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 10/06/2018.

domingo, 3 de junho de 2018


GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS

Caros amigos leitores e seguidores de nosso blog, muito grata pela assiduidade a essa página toda programada e elaborada com muito carinho e respeito pelo momento em que passamos mas também pelo paladar de cada um.
Dada a frequência daqueles que nos acompanham e às suas solicitações é que, após encerrar o trabalho de mais um Livro de Joanna de Ângelis psicografado por Divaldo Pereira Franco intitulado ILUMINA-TE,
estamos agora atendendo às solicitações voltando a publicação dos trabalhos que já fazemos há alguns anos sempre buscando como ser o mais fiel possível ao estilo e a integridade dos  textos publicados.
Agora repetindo o livro Psicologia da Gratidão da mesma autora, com a única preocupação a de ser fiel o mais possível ao pensamento da tão querida Mentora.
Mas por outro lado, sempre buscando  facilitar a leitura e o entendimento daqueles que com Ela se identificam sem a dificuldade tão repetidas vezes colocadas por alguns leitores.  

Para melhor entendimento, procuramos de alguma forma facilitar a leitura daqueles irmãos e amigos que se referem ao estilo rebuscado e ao rico vocabulário já tão bem explicado por ela mesma através de Divaldo Franco, rico na sua proposta de contribuição, de entendimento da Doutrina Espírita .

Com essa explicação, iniciamos então os nossos trabalhos em GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS, passando a estudar o livro:

 Psicologia da Gratidão:

“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”. (Mário Quintana)

“A psicologia da gratidão
deve ser vivenciada em todos os momentos da existência corporal.
Filha do amadurecimento
psicológico, enriquece de paz e de alegria todo aquele que a cultiva.”
                      Joanna de Ângelis


Os mitos sempre fizeram parte do inconsciente coletivo da sociedade pelos difíceis caminhos da História.

Através deles, ou seja dos mitos, dos contos de fadas e do folclore, conseguiu-se explicações lógicas para as complexidades dos fenômenos da vida, que foram aceitas por abarcar todas as questões referentes ao ser humano.

Os ensinos dos grandes mestres do passado foram todos realizados de forma simbólica, inclusive os de Jesus, que utilizando-se das parábolas fez perpetuar as sua lições na psique dos ouvintes, insculpindo-as nos vinte séculos passados desde que aqui esteve conosco.

Admiráveis psicoterapias, com nomes diferentes, são aplicadas em pacientes graves, contando-lhes histórias e curando-os, utilizados ainda hoje por especialistas que com os símbolos mitológicos, uns reais outros extraídos do Velho ou do Novo testamento, vem trazendo a conquista da saúde.

A mitologia, tornou-se então a psicologia essencial que contribui para o despertamento do indivíduo, para que ele se resolva a movimentar os recursos que se encontram no seu inconsciente, em favor de si mesmo.

É sempre válido buscar os mistérios dos mitos, com objetivos relevantes, trabalhando-os pela renovação interior das pessoas, ou para revalidar conceitos e propostas que não se firmaram ainda no comportamento individual nem no coletivo.

Os mitólogos, apresentam formas  diferentes das mesmas narrações, talvez  como resultado da maneira como as veem ou as interpretam.

O mito de Perseu, como o da caverna de Platão e muitos outros, tem sido interpretadas de formas variadas, adaptando a coragem do herói ao objetivo psicológico do narrador.

Nas presentes páginas, numa síntese simples, é demonstrado a força dos valores morais na defesa dos seres amados e das lutas baseadas no perdão, para a construção da harmonia e da felicidade.

Sabe-se, conforme a mitologia grega, que Perseu era filho de Dânae, um ser mortal, e de Zeus, o rei do Olimpo. Foi dito ao pai de Dânae por um oráculo que, um dia, ele seria assassinado pelo  neto. Imediatamente ele tomou providencias para manter afastado da filha qualquer pretendente. Mas Zeus, a desejava e dessa maneira entrou na prisão em forma de chuva de ouro, e desse encontro nasceu Perseu.

Tomando conhecimento de que era avô, o rei Acrísio prendeu a filha e o neto em uma caixa de madeira, lançando-os ao mar para que morressem por afogamento.

Informado dessa artimanha perversa, Zeus soprou ventos brandos que levaram a caixa à costa da ilha onde foi recolhida por modesto pescador que os abrigou com a concordância do rei local.

Mas sua mãe, passou a sofrer séria perseguição desse rei, que Perseu enfrentou. O rei propôs, como condição para salvar a mãe de Perseu, que este trouxesse a cabeça de uma das Górgonas, a Medusa, monstro ameaçador que transformava em pedra todo aquele que lhe visse o rosto horrendo.

Para vencê-la, Perseu precisava da ajuda dos deuses, e seu pai, Zeus, num gesto de puro amor, designou que Hades, rei do mundo subterrâneo, emprestasse-lhe um capacete com o qual ficaria invisível, Hermes deu-lhe sandálias aladas e Atenas ofereceu-lhe uma espada afiada e um escudo especial tão polido que se transformava em espelho, refletindo a imagem de tudo que o alcançasse.

Com esse escudo, Perseu pôde apenas olhar o reflexo da Medusa, evitando vê-la diretamente, e decepou-lhe a cabeça.

O herói em triunfo voltou ao lar em alegria, mas, quando voltava, encontrou uma linda jovem acorrentada a um rochedo próximo ao mar, esperando que um monstro viesse devorá-la.

O herói soube do seu nome, Andrômeda, e que seria sacrificada porque sua mãe ofendera os deuses que, a castigaram.

Perseu apaixonou-se imediatamente e a libertou, apresentando ao monstro marinho a cabeça da Medusa que o transformou em pedra. Levando em seguida a jovem para conviver com sua mãe, que se transferiu para o templo de Atena, para fugir às investidas do rei ambicioso e depravado.

Desesperado, Perseu transformou em pedra todos os inimigos da sua genitora, erguendo a cabeça da Medusa, que foi oferecida a Atena, que a insculpiu no seu escudo, tornando-se o emblema da deusa.

Perseu,  agradecido aos deuses, devolveu-lhes os preciosos presentes e permaneceu feliz com Andrômeda.

Certo dia, porém, nos jogos atléticos, ao arremessar um disco, os ventos levaram-no para fora do estádio, matando um idoso. Lamentavelmente era Acrísio, o seu avô, confirmando-se a previsão do oráculo.

Como Perseu não era ambicioso, emocionado e triste, não quis governar o reino que lhe pertencia por herança ancestral, solicitando ao rei de Argos que com ele trocasse de região, o que aconteceu, facultando-lhe construir a bela cidade de Micenas, com sua esposa e seus filhos.

O nome Perseu significa destruidor,  e na mitologia vários elementos psicológicos têm curso: o medo de Acrísio, o receio de não chegar à velhice, a temeridade das punições àqueles que poderiam ser o veículo da sua morte, mas também a clemencia de Zeus que protegeu a mulher amada e o seu filho, que arriscou a vida para salvá-la da situação desagradável e saiu para matar o monstro que destruía vidas ; também está presente o amor por Andrômeda, transformando Perseu em libertador de vítimas inocentes.

No mito, Perseu castiga os maus e cruéis, tem a generosidade de devolver os presentes e ser grato aos deuses que o ajudaram na empreitada exitosa, sofrendo pela morte do avô e renunciando ao seu reino, que troca por outro.
Em todos os seres humanos encontram-se esses arquétipos, havendo ocorrido o triunfo da coragem por amor, da gratidão por maturidade emocional, da proteção aos fracos em ato de compaixão, da renuncia aos bens transitórios.

Perseu triunfou porque descobriu o significado psicológico da sua existência, que era salvar a genitora, vencer os inimigos internos, perseverar nos propósitos elevados e reconhecer a própria vulnerabilidade ante as vicissitudes existenciais.

Quando alguém deseja alcançar a vitória sobe os fatores externos, eliminando as Medusas que se encontram no íntimo, nenhum medo mais o assusta ou aflige, porque a sua onda mental se encontra no idealismo do amor e do bem incessante, que prevalecem com alto significado, não se permitindo que o ressentimento ou a vingança lhe assinale a conduta.

Essa caminhada contínua leva o lutador a individuação, após passar por todas as tormentas do ego e da sombra.

A psicologia da gratidão torna-se um instrumento hábil no eixo ego-self, e deve ser vivida em todos os momentos da existência corporal como roteiro de segurança para a conquista da sua realidade.

Filha do amadurecimento psicológico, enriquece de paz e de alegria todo aquele que a cultiva.

Nesses dias de violência e de crueldade, de indiferença pelos valores morais e emocionais relevantes, a gratidão tem  papel importante a desempenhar, na  saúde integral dos seres humanos.

Vive-se o afã dos prazeres grosseiros e tóxicos sem dá-se oportunidade para o Espírito que se é, ante as fortes pressões do materialismo que domina a nossa sociedade terrestre.

São convidados para essa luta sem quartel os Perseus destemidos, capazes de superar as circunstancias difíceis, fixados na proteção de Deus que cuida de todas as Suas criaturas.

Esperamos que essa modesta contribuição psicológica consiga ajudar o homem e a mulher na luta da auto conquista.

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Psicologia da Gratidão. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 03/06/2018.

domingo, 20 de maio de 2018


“GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS”
NOITE EXTRAORDINARIA

Vivia-se submetido ao poder absoluto sobre as pessoas e as nações.

O ser humano era, como, alimária sub o jugo das paixões dos conquistadores e dos regimes perversos.

Os direitos repousavam em poderes  que não faziam diferença entre justos de injustos, nobres ou serviçais, todos colocados na mesma lixeira de degradação gerada nas glórias mentirosas de um dia.

A terra debatia-se sob as tropas dos exércitos romanos que, embora tolerassem alguns cultos dos vencidos e as suas tradições, exploravam ao máximo as possibilidades de sobrevivência, com impostos absurdos e perseguições sem nome.

Sobressaia o império em glórias da literatura, da arte, da beleza, principalmente da guerra.

Espalhadas por quase todo o mundo conhecido, não havia fronteiras que delimitasse o poder de Roma, que se apoderara do planeta através das suas forças poderosas.

Antes desse período, haviam passado Alexandre Mágno, da Macedônia, Ciro, rei dos persas, Aníbal, o cartaginês e outros sanguinários dos povos, deixando rastros de destruição e de desgraça, marcando as suas conquistas com o pesado tributo das  vidas que eram arrebatadas.

O mundo sofria a opressão dos mais perversos e a lei era sempre aplicada pelas armas de aniquilamento das vidas.

Israel tinha perdido a direção do seu pensamento vinculado ao Deus único, sofrendo as imposições arbitrárias dos seus governantes insanos, sob jugo de Herodes, o Grande, que nem era judeu, mas indomeu. Tentando harmonizar a sua origem com a raça hebreia, casou-se com Marianne, de origem hasmoniana, filha de nobre sacerdote do Templo, a quem mandou matar por suspeita sem fundamento, de adultério, como fez com alguns dos seus filhos, temendo que lhe tomassem o poder.

Tentando diminuir os ódios da raça que administrava, embelezou o Templo, decorando-o com uma parreira de ouro maciço numa das laterais da entrada, e continuando a construção grandiosa, derrubada por Tito, no ano 70 d.C., não ficando pedra sobre pedra...

O seu detestado governo deixou marcas inapagáveis de imoralidade e de perversão por toda parte, permitindo que o povo sofresse todos os tipos de perseguição e aumentasse os ódios entre as diferentes classes.

A religião foi ao fundo do poço do desrespeito às leis mosaicas e as tradições proféticas, tornando-se um negócio rendoso que enfeixava os frequentadores do Templo de Jerusalém e das sinagogas, mais caracterizados pelos formalismos do que, pelo significado espiritual que desapareceu quase totalmente.
                                         
Poucos sacerdotes eram escrupulosos e respeitáveis, a  maioria estavam aliados aos governantes em acordos de exploração da ignorância e da superstição.

Nessa hostilidade e no surgimento de uma fase nova na governança do império romano é que Jesus nasceu.

Diverso das construções luxuosas e das hospedarias erguidas na ostentação, Ele veio ter com a humanidade numa gruta modesta de calcário, nas proximidades de Belém, numa noite de estrelas fulgurantes, em orquestração de luzes.

Ao invés da elite e dos destacados administradores do país, em volta do seu berço, esteve cercado pelos pais e pelos animais domésticos que dormiam na modesta brecha da natureza.

O vento frio que soprava fora não perturbava o aquecimento pela fogueira no pequeno espaço que Ele dormia.

Uma insuperável musicalidade angélica espalhava as vibrações harmônicas em toda parte, anunciando a chegada à Terra do seu rei e senhor.

Nunca mais a degradação ganharia prêmios nem se destacaria nas comunidades humanas, porque Ele veio para que os oprimidos experimentassem o arrebentar das algemas, os vencidos pudessem respirar o ar da liberdade, os infelizes pudessem cultivar a esperança e os abandonados recebessem carinho onde quer que se encontrassem.

Jesus foi o homem que marcou a história com a Sua presença, assinalando todos os registros antes e depois da Sua estada entre nós.

Mais tarde, cumprindo a tradição, seus pais levaram-No ao Templo, onde foi reconhecido como o Messias e distinguido por Simeão e Ana que logo O identificaram.

Jovem, voltou ao grande santuário durante as celebrações da Páscoa, que mais tarde se tornarão trágicas, enfrentando os astutos sacerdotes num diálogo extraordinário,  confundindo a todos com a Sua palavra excepcional.

...E mais tarde saiu a ensinar e a viver o amor em toda a sua dimensão, modificando a paisagem humana do planeta que, embora ainda não haja absorvido todos os Seus ensinos, caminha para o clímax após a transição que hoje experimenta.

Jesus não é um símbolo da grandeza do amor, é o amor mesmo em nome do Pai, alterando a legislação dos homens, sempre interesseiros, e da governança, invariavelmente injusta, em novas condutas para a felicidade dos povos.

Sob todos os aspectos considerados é excepcional o Seu ministério terrestre e incomparável a Sua dedicação.


Ruiu o império romano, outros o sucederam, modificaram-se as organizações terrestres, a Sua doutrina foi ultrajada pelos interesses mesquinhos dos infiéis seguidores, mas ela permanece imutável na mensagem moral de que se reveste, renascendo sob outras formas de dedicação e de caridade, como caminhos de autoiluminação e de vida para todas as criaturas.

Logo mais, celebrar-se-ão as festas evocativas daquela noite inexcedível.

Faze silencio de oração e deixa-te mimetizar pelo psiquismo do Mestre a quem amas, dedicando a tua existência ao serviço do amor, nestes tormentosos dias da humanidade.

Não permitas que o Natal seja apenas uma festa vulgar de trocas de presentes e de comilanças, mas, sobretudo, de espiritualidade, contribuindo para que a dor seja menos sofrida e o desespero ceda lugar à alegria em memória Dele, o conquistador inconquistado.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Ilumina-te. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 20/05/2018.

sábado, 12 de maio de 2018



“GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS”

ASCENSÃO E QUEDA

A História é, um repositório complexo cheio de acontecimentos que se referem a humanidade.

As suas narrações luminosas e trágicas mostram a impermanência da prosperidade e da desgraça, quase sempre sucedendo, um após o outro, às vezes nem na mesma ordem, mostrando que a arvore que o Pai não plantou é sempre arrancada.  

Acompanhamos através dos seus registros, a ascensão de impérios grandiosos, que parecem  indestrutíveis, que o tempo destruiu e as guerras de extermínio aniquilaram, nações que surgiram do pó dos desertos ou da lama dos pântanos e submeteram outras a sua vontade belicosa, que brilharam por um tempo caindo logo depois, ficando somente pedras queimadas e muralhas gastas, ou as páginas emocionadas dos seus escritores, e as calamidades dos seus governantes insensíveis...

A Babilônia gloriosa de Nabucodonosor e os jardins suspensos construídos em homenagem a sua mulher hoje se reduzem a pó, os colossos de pedra como templos monumentais e pirâmides guardadoras de segredos ainda  nem decifrados no Egito dos faraós se encontram corroídos pelos ventos e submersos em areais áridos, a índia dos marajás opulentos e dos párias desprezados hoje com as cidades abandonadas umas pela falta de água,  outras destruídas pelas guerras contínuas entre as diferentes etnias, seguida de misérias sem nomes, o poder de Esparta desaparecido e esquecido nas ruínas em cinzas, a beleza de Atenas e sua filosofia transferidas para Roma dominadora e, mais tarde, destruída...

Nos tempos modernos, também se levantaram impérios quase invencíveis, como o otomano, o austro-húngaro, o britânico, o nazista, o soviético e outros da mesma importância,  apresentando-se hoje devorados pela loucura dos seus construtores ambiciosos, sofrendo o efeito dos crimes perversos feito contra os povos que submeteram e os mártires que assassinaram cruelmente...

As glórias do poder terreno transformam-se em lembranças doloridas, que deveriam ensinar as novas gerações de governantes as superiores lições de edificação do bem e da justiça, da equanimidade e da fraternidade pelas quais podem tornar-se destemidos, permanentemente vivos no conjunto que deve preparar o mundo melhor, mais digno de ser considerado e com conteúdos morais e espirituais mais elevados.

Até o cristianismo, que transformou a humilde manjedoura em templo ornamentado de ouro e de purpura, saindo da simplicidade das praias gentis da Galileia e alcançando os tronos reais, segurando o cetro do poder nas mãos vigorosas da prepotência e da presunção, vem caindo no descrédito e no desrespeito dos seus príncipes e nobres representantes, por ter perdido a inspiração divina do Cristo,  adulterado as Suas lições, transformando-se em organização politico-religiosa arbitrária e falaciosa em queda...

Com o tempo, tudo passa, ficam apenas as lembranças dolorosas ou sublimes dos que  viveram aquele tempo, deixando as imortais páginas das vidas que se permitiram.

A simbólica Esfinge devora tudo, menos as construções do bem, do amor, da verdade de que Jesus Cristo se fez instrumento, cuja vida e obra inscrevem-se como os mais felizes momentos da humanidade.


A sublime proposta do Mestre Galileu, em ternura e em compaixão, exteriorizada com mansidão e misericórdia em nome do amor, vem atravessando os dois últimos milênios  como a mais bela página da vida de todas as vidas.

Trazendo ao mundo das ilusões o definitivo reino de Deus, colocou suas bases nos sentimentos das pessoas, pondo a criatura humana no mais elevado nível de dignidade e de beleza, enriquecendo-a de saúde e de harmonia.

Todos os que são convidados a participar desse incomparável império de grandeza devem despir-se das capas pesadas em que se aprisionam nos tecidos dos vícios e disparates, não despertaram para a cidadania espiritual.
compreendendo que é indispensável a veste nupcial para o banquete permanente da fraternidade e da compaixão em relação aos infelizes que ainda para a cidadania espiritual.

Enquanto as nações do mundo se celebrizam pelo exterior, pela opulência e extravagancia, sugando o sangue e a vida daqueles que se lhes submetem, roubando-lhes a alegria e o encantamento, o reino dos céus  não vem com a aparência exterior, libertando os prisioneiros dos desejos servis e ajudando-os a conquistar a autoconsciência que os trabalha para a conquista da verdadeira harmonia.

A traição, a infâmia, a perseguição, a fraude, a subserviência, a hipocrisia, o medo e outros títeres dos sentimentos humanos são as moedas do comercio social e politico dos grandes povos que se levantam no cenário internacional, combatendo a guerra e vendendo armas de alta destruição aos belicosos, pregando justiça social e progresso com o seu povo feito escravo da sua tecnologia e indústria do terror, para alcançarem o lugar dos aplausos por pouco tempo, logo caindo vencidas pelos desastres da natureza ou das suas ambições desordenadas.

A misericórdia, a caridade, a ternura, a compreensão e a solidariedade são os extraordinários recursos disponíveis para a instalação e convivência em o novo reino, onde não existem separatismos nem exclusivismo de classes e de governantes, cada um sendo responsável pelos seus atos ante a consciência lúcida em relação ao dever e à vivencia pessoal.

Desconhecendo preconceitos e exaltações egóicas, as leis que nele vigoram se originam na responsabilidade pessoal, são estabelecidas pelos soberanos códigos de equilíbrio universal, todas derivadas do amor de Deus com os Seus filhos.

Das ruínas que ficaram das obras grandiosas do passado, nascidas no orgulho e na ostentação de homens e mulheres atormentados, levantam-se hoje construções de tolerância e solidariedade  para acolher todos os indivíduos, sem nenhuma distinção, sob o estrelado céu da complacência do Seu Engenheiro Sideral...

Ainda passarão muitos dias de lutas dolorosas entre os mantenedores da opressão, que detestam a liberdade, dos caprichosos dominadores de outras vidas, que continuarão investindo contra as novas realizações, dos atormentados mentais que se comprazem na vilania e nos desvios morais, criando embaraços, daqueles que se transformam em inimigos do bem acionados pelas mentes enfermas da espiritualidade inferior, afligindo os novos obreiros do Senhor, perseguindo-os com instintos destrutivos, sem perceberem que a morte também os arrebatará, levando-os ao país de origem, onde se encontrarão com a consciência desestruturada...

Que a tua ascensão moral seja resultado do esforço para tornar-te cada dia melhor do que na véspera, ambicionando e lutando por aprimorar-te mais no dia seguinte, já que aspiras o reino de Deus que necessitas edificar ou construir dentro de ti mesmo, sem desprezo pelos impérios passageiros da Terra, em que exercitas a fraternidade e o bem.

Talvez não sejas agraciado pelas simpatias e enriquecimentos convencionais, chamado mesmo a testemunhos silenciosos como ocorre quando se está em um mundo de paixões infamantes, mas mantém a tranquilidade que deve caracterizar todos quantos se vinculam ao Divino Construtor da Terra, servindo com empenho da maneira mais eficaz e duradoura possível.

Amanhã constatarás amanhã o que significa ascensão e queda no mundo das convenções que, é a abençoada escola de aprimoramento moral dos Espíritos no seu processo de crescimento e de autoiluminação.
Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Ilumina-te. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 12/05/2018.

domingo, 6 de maio de 2018



“GRAVITANDO EM TORNO DE DEUS”
CONSCIENCIA DE DEVER

Com muita sabedoria, os Espíritos nobres responderam a pergunta de Allan Kardec a respeito de aonde se encontram inscritas as leis de Deus, informando que estão na consciência.

A conquista da consciência pelo ser a foi um dos mais importantes momentos do processo da evolução antropológica.

Saindo do instinto e dos seus impulsos automáticos, a inteligência desabrochou e surgiu o discernimento, logo a razão pode identificar os objetivos existenciais, compreendendo as funções que lhe dizem respeito e atingindo o voo da imaginação em torno de algumas questões em torno de difíceis significados, alcançando quase as abstrações.

Lentamente foi surgindo a consciência lúcida, capaz de tomar conhecimento da realidade, selecionando os valores edificantes daqueles que se caracterizam pela perturbação e pelo sofrimento, aprofundando-se na constatação do comando da transcendência e da percepção objetiva, cósmica...

Alcançado o estágio de ser pensante,  o Espírito faz-se responsável pelas suas ações, por já ser capaz de distinguir o bem do mal, o que o promove e o que o rebaixa moralmente, nascendo-lhe o senso de responsabilidade.

A partir desse momento, a consciência o induz ao cumprimento dos deveres estabelecidos pelas leis sociais e, principalmente, por aquele que tem sido padrão através dos últimos milênios exarada por Moises: o Decálogo.

Dada a severidade de que se constitui, Jesus amenizou-a, propondo a lei de amor através da qual mais facilmente se pode adquirir a paz interior e avançar-se no rumo do conhecimento desenvolvendo os incalculáveis tesouros da inteligência.

Desde o Código de  Hamurábi até as modernas leis que reconhecem os direitos humanos e trabalham contra qualquer tipo de exploração da mulher e do homem e, buscam eliminar os hediondos preconceitos de raça, de credo, de nascimento, de classe, de penalização de morte, a lei de amor atinge o auge, dando-lhes o toque de compaixão e de misericórdia quando a severa balança da justiça impõe a aplicação austera dos impositivos estabelecidos e de caráter punitivo.

As leis humanas buscam estabelecer regras de convivência saudável dos indivíduos com eles mesmos, suas famílias, a sociedade, dando espaço ao clima de respeito e de trabalho que proporcionam o progresso e propõe a harmonia de todos.

Sempre que desrespeitadas, trazem dispositivos de punição ou de reeducação do infrator, proporcionando-lhe o soerguimento moral e social, assim como o reequilíbrio para prosseguir no conjunto das demais pessoas.

As leis divinas estabelecem a harmonia cósmica, estendendo-se aos grupos humanos de forma que a fraternidade e o dever sejam responsáveis pela conquista dos direitos de todos.

Sem a lei de amor, a recuperação dos equivocados, a disciplina dos rebeldes, o desenvolvimento dos mais primitivos e perversos que ainda se encontram nas faixas primárias da evolução, seria muito mais difícil.

Respeitar todas as leis é dever do cidadão que deseja a ordem e o desenvolvimento da comunidade em que se encontra localizado.


A reta consciência do dever é o estágio de amadurecimento psicológico do ser humano que descobre o objetivo primordial ou principal da existência na Terra e labora no atendimento de todas as responsabilidades que lhe dizem respeito.

Percebe, por exemplo, que a reencarnação é oportunidade sublime na edificação de si mesmo, da autoiluminação, da constituição digna da família universal, de aprendizagem do bem inefável.

As alegrias vindas dessa conscientização transformam-se em bênçãos que passam agora a estimular e aumentar o desejo de mais servir, tornando-o um exemplo vivo de fé robusta e de ação libertadora.

Quanto mais a consciência aprofunda o autoconhecimento, mais fáceis se tornam os esforços para a conquista da plenitude, do que Jesus chamou o reino dos céus de cada um.

Não é indispensável esperar a desencarnação para fruí-lo, pois, encontrando-se em germe durante a jornada humana, amplia-se e enche-se de harmonias siderais que prosseguem após a desencarnação, quando a morte liberta o encarcerado na matéria.

O sentimento de gratidão acompanha sempre o a consciência do dever, por permitir o entendimento do significado da oportunidade concedida ao empreendedor, que se esforça por aproveitá-lo com sabedoria e valorização da oportunidade.

Essa consciência do dever não pode ser transmitida, por ser resultado das reflexões em torno da existência terrena, da sua transitoriedade, das ilusões anestesiantes e passageiras, da escolaridade que representa, proporcionando o conhecimento integral da vida.

Os vários comportamentos morais e espirituais da sociedade, percebe-se os diferentes níveis de consciência em que se encontram os seus membros, mas todos caminhando, inevitavelmente, para a conquista do mais elevado.

Nesse sentido, a reencarnação é o recurso valioso de que se utilizam as divinas leis, propiciando a mudança de estágio em que todos se encontram, podendo galgar outros degraus mais elevados e felicitadores.

Aqueles que, não se interessam pelas conquistas mais profundas e preferem as experiências sensoriais, os prazeres imediatos, o letargo da consciência do dever, também são convidados pela vida à mudança de comportamento, porque a lei de progresso é inevitável.

O ser humano está destinado à sublimação, apesar de vivenciarmos no momento  inquietações e desafios que domina a sociedade aturdida, extravagante e consumista.

Ninguém poderá fugir do impositivo da evolução, que faz parte do esquema projetado por Deus para todos os Seus filhos.

Indispensável, portanto, cada um com sabedoria, utilizar, desde já, das possibilidades  ao alcance, trabalhando as anfractuosidades, as protuberâncias, as imperfeições do caráter abrutalhado, esmar ou avaliar os sentimentos e aspirar pela individuação.

Se a tua consciência aponta o caminho da harmonia pelo trabalho e pela renuncia dos insultos e suas propostas, não temas prosseguir estoicamente, resignado ante o sofrimento.

Compreendido ou caluniado, avança com coragem, vencendo-te a ti mesmo e ampliando os horizontes das tuas aspirações na direção do Mestre incomparável que te serve de guia, e modelo de toda a humanidade.

Nunca desistas de fazer o bem, embora perseguido e mal afamado.

Numa sociedade onde os deveres de consciência ainda não são respeitados, e os subornos, as concordâncias indignas se colocam onde não deveriam estar, que sejas aquele que age com retidão e vive obedecendo aos postulados das leis divinas, respeitando ainda aquelas que são humanas.

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco no livro, Ilumina-te. Trabalhado e editado por Adáuria Azevedo Farias. 06/05/2018.