quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Efeitos da fé religiosa

Os adversários das religiões, sejam materialistas, agnósticos ou não, sempre se referem aos inconvenientes das crenças de que são portadoras, relacionando os crimes perversos praticados pela maioria delas através dos tempos e justificando a sua animosidade em relação as mesmas.

De fato, em uma análise imparcial, o grande numero de guerras no mundo, direta ou indiretamente, tinham suas raízes nas religiões, tornando-se responsável pela crueldade inimaginável.

Em outros momentos, embora se estivesse vivendo períodos de paz, em perseguições sistemáticas de umas contra as outras mantiveram estados desesperadores esticados por séculos, sem qualquer forma de compaixão ou de misericórdia entre os seus adeptos.

O fanatismo de que dava mostra os profitentes sempre se expressou de maneira perversa e iníqua, fazendo que o terror dominasse as vidas, inspirando delações injustas, acusações mentirosas, denuncias covardes, compensadas com os haveres daquelas vítimas que lhes tombavam na indignidade.

Os ódios dividiam as famílias e levantavam barreiras que dificilmente podiam ser transpostas, mantendo princípios absurdos que serviam de sustentação à intolerância e ao ressentimento.

Direcionado, muitas vezes, para raças completas, não permitiam que os indivíduos fossem vistos e considerados  criaturas humanas, marcados pela hereditariedade que os fazia cumplices dos demais, embora portassem sentimentos antagônicos aos dos seus coevos e ancestrais.

Esse sentimento de rancor era transferido de uma para outra geração e mantido com o mesmo ardor, como se nunca fosse permitida a reabilitação ou mudança de conduta pelo grupo e a nação a que pertencessem.

Embora tal comportamento seja  lamentavelmente do ser humano e não da crença religiosa que ele professa.

Existe a mesma conduta em relação à política, quando as paixões exacerbadas definem um ou outro regime que consideram melhor, dando lugar aos mais terríveis sanguinários combates, que estarrecem a lógica e a razão.

As divisões partidárias, as oligarquias, os impérios, os reinados, os ducados, os sistemas de governos capitalistas, comunistas, fascistas, nazistas, ditatoriais, democráticos conduzem nos seus comportamentos crimes hediondos de toda espécie, trágicas lições de horror, de destruições e de mortes incontáveis.

As lutas de classe são responsáveis por outros terríveis flagelos impostos à sociedade, que ainda não alcançou o clima de paz e de direitos igualitários para todos os seus membros

O sistemático desprezo de umas por outras raças, tidas como inferiores, tem promovido insanas guerras que se iniciam nas etnias ainda atrasadas da África até as cidades cultas e famosas do denominado Primeiro Mundo.

Tudo isso ocorre porque o ser humano é belicoso e, na sua inferioridade, permite o predomínio da natureza animal em detrimento da natureza espiritual, impondo sempre o seu sentimento egóico em prejuízo da solidariedade que deveria viger em todos os seguimentos da Humanidade.

A intolerância religiosa, portanto, não é da doutrina mas do seu adepto, daquele indivíduo que deseja impor, atormentado pelos conflitos insuportáveis que o tornam revel.

Todas as religiões, com raras exceções, predicam a imortalidade do Espírito, a justiça divina, o amor, a renovação moral dos seres humanos, o progresso pessoal...

Nada obstante, a inferioridade moral dos seus seguidores exalta-os, levando-os a delírios da fascinação, com que investem contra os que considera inimigos.

Não tem procedência, portanto, a justificação acusatória dos ateístas, dos materialistas, dos inimigos da fé religiosa...




Como realmente existem os enfermos morais que fazem das religiões trampolins para alcançarem os seus fins doentios, multiplicam-se de maneira expressiva outros que, nas religiões, encontram o suporte e o estímulo para a abnegação, o sacrifício, a renuncia e o trabalho em favor da sociedade.

Desfilam, através da História, os  construtores do progresso e da cultura, da ética e da moral, dos direitos humanos e dos valores dignificantes, que encontram nas religiões que professam a inspiração e a força para se dedicarem ao bem do seu próximo e a não-violência que serve de base para a vigência do amor entre as demais criaturas.

Todos, nas diferentes escolas de fé, são responsáveis pelas mais belas construções de fraternidade, de iluminação de consciências, de coragem, que a muitos conduzem ao martírio cantando hosanas aos Céus, sem queixas nem reclamações...

Muitos dedicaram-se às artes, ao pensamento filosófico, às investigações da ciência, à política, à cultura em geral, mas principalmente ao humanismo e ao humanitarismo, tornando-se modelos de bondade, de persistência nas realizações edificantes, de sacrifício, dominados por grandiosa compaixão pelo seu próximo.

Graças ao Iluminismo, no século XVIII, logo depois, da Revolução Francesa, que confundia os interesses dos reis com as imposições da igreja romana, interessados em sua própria promoção e dominação da sociedade, fez surgir o grande ressentimento contra ambos, havendo tentado exterminá-los através dos mesmos métodos perversos que condenavam...

Iniciada pelos filósofos e idealistas da liberdade de consciência, de pensamento, de comportamento, não escapou aos loucos dias de Terror nem aos assassinatos em massa, através da arma de José Guilhotin, que também terminou como sua vítima...

As religiões são caminhos que devem conduzir o crente à paz e à felicidade, utilizando-se da metodologia do amor e da compaixão, a fim de serem superadas as más inclinações e induzi-lo ao autoconhecimento, a fim de compreender os limites que o caracterizam e as notáveis possibilidades de crescimento que estão à sua frente.

O processo de evolução moral é muito lento, permitindo ao Espírito a libertação das paixões inferiores, de pouco e pouco, nunca de um para outro momento.

Compreende-se, que os processos transformadores para melhor estejam marcados pelos acontecimentos do passado, embora as conquistas edificantes realizadas posteriormente.

Não se pode, condenar um ideal apenas pela conduta dos que o abraçam. É certo que o seu comportamento nobre falaria mais alto do que as suas palavras, demonstrando a excelência da doutrina elegida. Porém, os hábitos antigos infelizes, que lhes predominam na intimidade do ser, responde pelas infelizes atitudes de que são portadores.

Também, encontramos em todas as profissões homens e mulheres que as dignificam, e outros as denigrem, embora sejam nobres e relevantes para a sociedade.

E assim, as justificativas apresentadas pelos adversários das doutrinas religiosas não são sustentáveis.

Quem ler o Sermão da Montanha, perceberá a proposta de Jesus às criaturas humanas, iniciando a Era de amor e de paz, de perdão e de misericórdia, de humildade e de compreensão, de esperança e de caridade. No entanto, o que tem feito muitos religiosos, nos últimos vinte séculos, a respeito desses postulados incomparáveis?

Qualquer religião experienciada com respeito e dignidade permite à criatura o encontro consigo mesma, com o seu próximo e com Deus.

A fé religiosa, é luz na escuridão,  medicamento na enfermidade, caminho de segurança no labirinto das incertezas.

Vive-la com sentimento de fraternidade para com todas as criaturas é dever de todo crente que despertou para a vida imortal.


Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, no livro, Libertação do Sofrimento, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 18/02/2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

HEROÍSMO INCOMPARÁVEL

Não é demais considerar a coragem da fé que caracterizam mulheres e  homens que abraçam as causas nobres em favor da humanidade.
Estão em todos os campos que permitem o progresso: nas ciências, nas artes, na filosofia, nas pesquisas mais variadas, nas religiões, na política, no serviço social, no exercício das diversas profissões, se destacam pela superioridade moral com que se comportam e enfrentam tanto os desafios como as incompreensões que os afligem.
Trazem animo superior, não desistem dos objetivos que abraçam, não desanimam na ação, mesmo quando tudo parece contra eles, atentos ao menor sinal de simpatia para conquistarem adeptos para os ideais que conduzem.
Afadigam-se até a exaustão, mas não se queixam, mesmo quando os resultados não sejam como esperavam, sabendo que o que hoje não consegue é por falta de oportunidade, continuam sempre esperando melhores dias.
Reconhecem a própria pequenez diante da grandeza do objetivo que devem alcançar e, por isso, não se vangloriam, nem se inflam de presunção, suportando altas cargas de sofrimentos interno sem queixas nem lamentações.
Fascinados e convictos do dever que a desenvolver, são amparados pelas forças do Bem em toda parte, recurso indispensável para a continuação da tarefa a que se dedicam.
Uns, parecendo frágeis, adquirem  resistência incomum nas lutas diárias, continuando fortes na confiança em Deus.
Outros sem qualquer beleza física nem cultura intelectual, renovam-se na oração e na persistência no trabalho, sendo inspirados e conduzidos pelos Mensageiros da Luz que os amparam com carinho, continuamente.
Diversos tímidos e simples, de repente alteram o comportamento e são capazes de suportar as circunstancias mais severas, sobrepondo-se às situações mais adversas, sem perderem a alegria de viver ou diminuírem o entusiasmo na ação.
Quando humilhados, sorriem de contentamento, porque sabem estar sendo depurados de velhas cargas morais perturbadoras, preparando-se para situações mais vantajosas.
Se combatidos, não se perturbam, porque não valorizam as opiniões dos dissidentes do amor nem dos invejosos do caminho, ou mesmo as dos sistemáticos adversários de tudo que não seja apresentado por eles.
Ridicularizados pelas mentes vazias de conteúdo cultural e ricas de ideias presunçosas, mais seguros se reconhecem a respeito da tarefa que devem realizar.
Em todas as situações encontram motivo para a continuação do labor, fixados no futuro que os aguarda, com a certeza de que alcançarão os resultados perseguidos.
Esses idealistas e servidores incansáveis são os obreiros de Jesus em todos os campos da ação humana, trabalhando em favor da felicidade geral.
Podem ser reconhecidos pelas condecorações que trazem ocultas no sentimento: as cicatrizes das injúrias e perfídias, das agressões e perseguições contínuas que vem suportando com estoicismo.
Sabem perdoar e entender os outros, nunca se impondo, nem se intrometendo no que não lhes diz respeito, por serem fiéis ao seu dever, que não retardam nem renunciam por nada.
São os heróis do Bem, entregues a Deus e cuidados por Jesus.


Eles são encontrados nos combates espirituais da fé religiosa, sofrendo infâmias e vivenciando testemunhos grandiosos que mais os dignificam.
Não nos referimos àqueles que o fanatismo devora, desejando impor as suas convicções à força, distantes da solidariedade, do amor e da verdadeira fraternidade, mas a todos quantos, fascinados por Jesus e Sua doutrina, trabalham pela sua vivencia no mundo, o que modifica as estruturas da sociedade inquieta e atormentada, facultando as experiências de paz entre todos os seus membros e facilitando a felicidade geral.
Os cristãos primitivos, que renunciavam a todas as comunidades desde o momento em que eram tocados no coração pelo Mestre, são exemplos vivos de ser lembrados, já que aqueles tempos chamados apostólicos ainda não terminaram.
Alteraram-se as circunstancias, modificaram-se as estruturas e comportamentos sociais, porém, continuam os mesmos conflitos e lutas internas e externas no cerne das criaturas, que jornadeiam aturdidas, sem segurança interior, sem respeito quase pela vida...
Esses vanguardeiros do porvir estão atentos ao serviço de socorro a todos quantos tem sede de compreensão, de amizade, de orientação, de paz...
Procuram promover o progresso moral e social dos grupos humanos, dedicados à caridade que socorre as sociedades imediatas, mas especialmente aquelas que iluminam por dentro, anulando toda treva de ignorância e perversidade...
Em alguns momentos parecem deslocados no contexto em que se encontram, porque os seus interesses diferem daqueles padronizados pelo egoísmo e pela prepotência, distantes do poder temporal e das competições danosas por lugares de destaque.
Noutras circunstancias, são taxados de ingênuos, quando não de idiotas, por renunciarem prazerosamente aos engodos terrestres, perseguindo o que os inimigos chamam de fantasias ou utopias...
A sua convivência, porém, é agradável e saudável, pelo temas que abordam, a maneira como se comportam, os ideais que sustentam.
Ignorados, não se perturbam, continuando na lavoura da esperança.
Bajulados, não se entusiasmam, prosseguindo na simplicidade a que se entregam.
São verdadeiros heróis do amor, porque sabem escolher o que há de melhor, tudo que merece consideração, em detrimento do que significa apenas ilusão.
Na dor, suportam o fardo com resignada coragem.
Na saúde, conduzem-se com disciplina, a fim de prolongar os dias da existência terrestre.
Vivem momentos de angustia que procuram superar, experienciam situações perturbadoras que lhes chegam em forma de provas necessárias, mas não perdem o rumo por onde seguem.
Não estão preocupados com os aplausos nem a gratidão dos indivíduos ou das massas, porque se interessam pelo bem de todos, o que lhe é realmente importante.
Silenciam o mal e alardeiam o bem, demonstrando as vantagens do amor e da alegria, da solidão com Deus, em vez do júbilo embriagador com os festeiros que estão fugindo de si mesmos.
Esses heróis multiplicam-se, embora não sejam muito percebidos, nem citados na mídia devoradora, nas rodas sociais, nos grupos de empolgados pelo vício...

Foram eles que melhoraram a Terra, que transformaram o mundo, que dignificam a existência de bilhões de seres, renovando as estruturas do pensamento e as condições humanas.
São eles que constituem os pilotis do mundo novo de harmonia.
Serão eles os abridores de caminhos seguros para o porvir.
Tiveram, tem e terão como modelo Jesus, o Herói incomparável a quem oferecem a existência e de quem recebem as orientações e forças.
Se puderes, imita-os, e encontrarás sentido para a tua jornada atual.

Texto de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. 18/02/2017

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO
O ser humano é em essência constituído por Espírito, perispírito e matéria, quando caminha na Terra.
Desde a sua criação por Deus, o Espírito é imortal. Protegido por delicado envoltório semimaterial, através desse envoltório interage com a matéria, imprimindo nela o que lhe é necessário a sua evolução. A matéria é o instrumento indispensável ao desenvolvimento dos valores que lhe dormem em germe, através das sucessivas reencarnações.
A Terra é, desse modo, um sublime educandário, na qual se exercita as aptidões de amor e de conhecimento, a fim de elevar-se, libertando-se dos atavismos decorrentes das experiências anteriores por onde passou, como ser imortal que é vivenciando as fases mineral, vegetal, animal, culminando no estágio hominal, a fim de rumar para outras categorias superiores como anjo, arcanjo, potestade...
Na falta de símiles terrestres convencionais para a compreensão da escala evolutiva, lembramos que se trata de uma conquista ilimitada, pois aguarda-o a eternidade do tempo e do espaço...
A experiência educativa da reencarnação busca equipar o Espírito, desde as suas primeiras experiências, com instrumentos hábeis para a sublimação adquirida a esforço próprio, além do deotropismo (movimento irresistível para Deus) (deo significando Deus) e (tropismo significando movimento irresistível, ou atração irresistível) e os fatores de auxilio que o Divino Amor coloca ao seu alcance.
Enquanto emerge das fases mais ásperas, é como o diamante que é arrancado da grosseira ganga em que a sucessão dos milhões de séculos trabalhou na sua consolidação.
Logo depois, a pedra bruta precisa do buril para a lapidação que a despedaça, para apresentar-lhe a beleza oculta, que refletirá a gloriosa claridade em brilho incomum.
Nesse educandário que lhe está destinado, o Espírito encontra todos os elementos indispensáveis ao crescimento interior, como o infante que é amparado no grupo maternal, depois na creche, passando aos diferentes níveis da grade escolar, onde descobre o mundo e a vida, tornando-se membro consciente da sociedade em que está sendo convidado a crescer e a ser útil.
À medida que conquista compreensão e conhecimento, lucidez e consciência, adquire maiores possibilidades culturais, descobrindo a excelência dos valores morais em que se deve sustentar, para encontrar a felicidade, que lhe passa a ser meta prioritária. Quando erra, dispõe da oportunidade de repetir a experiência até fixa-la corretamente, descobrindo que o conhecimento é infinito, portanto, quase inalcançável, pelo menos, em um breve período de tempo...
Mesmo quando terminado o currículo acadêmico, abrem-se-lhe novos desafios culturais e morais, para continuar atualizando-se com a pós-graduação, o mestrado, o doutorado, pesquisando e estudando sempre.
A mãe Terra é, o berço generoso onde todos os Espíritos que se lhe vinculam ascendem a outros mundos mais felizes, após as conquistas que lhes são propiciadas.
Como é um planeta de provações e de expiações no seu programa evolutivo ainda predomina o sofrimento que se apresenta de varias formas, convidando o aprendiz à mudar de atitude com relação ao seu processo de crescimento.
Em todos os períodos, mesmo nos mais primitivos, não faltaram orientações e guias para contribuir pela sua ascensão, superando as fases mais difíceis, por se encontrarem ainda distantes da razão e do sofrimento.
Conforme foram surgindo possibilidades para entender melhor as Leis da Vida, missionários do amor e do esclarecimento renasceram ao seu lado, despertando-lhe as aspirações para a beleza, para o bem, para a harmonia.
Depois dos estágios de muitos apóstolos da sabedoria, veio Jesus pessoalmente demonstrar que o sofrimento é escolha decorrente da ignorância e do primarismo, resumindo todos os códigos até então revelados na vivencia do amor, oceano onde todas as águas revoltas se acalmam, desaparecendo a sua impetuosidade desastrosa...
Entendendo, que não havia maturidade espiritual naqueles ouvintes nem possibilidades de entendimento na cultura daquele tempo vigor, apontou a possibilidade de encontrar-se a felicidade, com a promessa de enviar em Seu nome O Consolador, que viria repetir Seus nobres ensinos. Ele sabia que tais ensinos seriam esquecidos, confundidos, adulterados pela astúcia das mentes perversas, como aconteceu. Para que se pudesse compreender de maneira mais fácil a transitoriedade terrena e a perenidade da vida após o desencarne do corpo.
Quando a cultura rompeu em grande parte a ignorância dominante, e a ciência, apoiando-se  tecnologia que surgia, e dispondo de equipamento para entender melhor o mundo e os seres que o habitam, no século XIX, O Consolador surgiu na revelação espírita, com que o codificador Allan Kardec, sob a inspiração do Mestre de Nazaré, apresentou os postulados básicos da realidade espiritual, trazendo uma doutrina científica, filosófica e ético-moral de consequências religiosas.
Fundamentando a Justiça Divina na reencarnação, graças aos mecanismos sublimes do determinismo e do livre-arbítrio, o sofrimento passou a ser considerado um processo de crescimento moral, através dele cada um é responsável pelo que lhe ocorre, contribuindo assim para o entendimento da vida com a esperança e a alegria de viver.
Dessa forma o que antes apresentava-se como uma absurda punição divina passou a ser um instrumento educacional a que cada um faz jus conforme o seu comportamento.
Com essa visão psicológica otimista, o sofrimento surge como um método pedagógico passageiro próprio do planeta terrestre, que desaparecerá quando os Espíritos que o habitam se renovarem, respeitando os recursos naturais e morais que existem em toda parte.
Ninguém está no mundo para sofrer, e pode libertar-se dessa compreensão aflitiva, quando escolher pela obediência aos códigos que regem o destino do Universo, não sendo, a Terra, uma exceção.
A libertação do sofrimento é de fácil conquista, basta apenas a iluminação do aprendiz e a sua contribuição em favor da harmonia pessoal que se expande na geral.
A vida humana na Terra tem por finalidade contribuir para conquista do numinoso, esse estado de luz contínua e mirífica mostrada pelo Evangelho de Jesus, que é a Luz do mundo.
Mantendo a consciência da transitoriedade carnal, do compromisso firmado antes do berço, no mundo espiritual, a respeito do esforço pela transformação moral para melhor, é o grande desafio que todos se devem esforçar por conseguir como valioso empreendimento iluminativo.
Apesar das dificuldades de o indivíduo manter-se em equilíbrio num mundo em convulsão, dominado pela violência dos espíritos primários, que estão tendo a oportunidade de renovar-se, reencarnando-se, durante esta grande transição moral do planeta, aquele que encontrou Jesus tem os melhores recursos da coragem e da alegria para enfrentar e, com a contribuição do Espiritismo, resolver todos os problemas com a mente lúcida e em paz.

Texto trabalhado por Adauria Azevedo Farias de Medeiros. Do livro Libertação do Sofrimento, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. 14/09/2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

CONQUISTA DA INDIVIDUAÇÃO E DA GRATIDÃO
Individuação é a mais importante conquista da  evolução do ser humano. É a vitória do self em relação à sombra e ao ego, a superação dos arquétipos responsáveis pelos transtornos emocionais e outras enfermidades que vão permitir ao ser humano a perfeita compreensão da vida e das suas finalidades.
É quando a consciência toma conhecimento dos conteúdos inconscientes e segue fazendo a sua superação, através da integração dos arquétipos, para evitar os conflitos habituais ou o surgimento de novos.
Parece difícil de acontecer, porque pede grande esforço pela depuração da personalidade, pela escolha de valores mais nobres do Espírito.
A individuação corresponde a autoiluminação dos místicos ou a conquista do reino dos céus proposta por Jesus, é quando o indivíduo se liberta das exigências imediatistas do ego e se transforma num oceano de amor e de tranquilidade, passando a viver emoções superiores, sem sofrimentos nem ansiedades.
Os instintos fazem parte do conjunto fisiológico, a expressar-se nas necessidades primárias (básicas) automaticamente sem os impulsos da violência ou  das paixões asselvajadas.
Diluindo a sombra, ocorre a harmonia do eixo ego-self, enquanto outros arquétipos como a anima e o animus, a persona, proporcionam equilíbrio psicológico, como ocorre em Jesus, modelo da verdadeira individuação.
Viagem feita pelo self integrado, núcleo energético e central da personalidade.
Sendo o self o arquiteto da vida humana, desde seu período infantil que se manifesta nos momentos oníricos, em que se apresenta através de símbolos arquetípicos, é natural que haja uma grande ansiedade no paciente que busca a integração no self, a autoconsciência, podendo assim orientar os arquétipos perturbadores que antes geravam os conflitos e os transtornos de comportamento por faltar o conhecimento da sua realidade.
Todos podem alcançar esse momento culminante da evolução psíquica pelo esforço para interpretar os símbolos e as angústias que antecedem a ocorrência.
Santa Tereza d’Ávila alcançou-o mediante os momentosos êxtases que a levaram ao estado de plenitude, de iluminação interior, assim como São Francisco de Assis, ou Michelangelo quando acabou de esculpir a estátua de Moisés, que o deslumbrou a  ponto de exclamar, emocionado:
- Parla!
Era tão viva a obra faltando apenas falar, para se tornar um ser real...
Músicos e artistas, cientistas e mártires, filósofos, éticos e místicos conseguiram essa integração, vivenciando o estado de plenitude que os acompanhou até o desencarne.
Um psicoterapeuta experiente pode conduzir os seus pacientes ao momento culminante da libertação dos seus transtornos quando os leva à individuação, como estágio superior e culminante da saúde integral.
Jung, o mestre suíço conseguiu individuar-se através de métodos psicoterapêuticos elaborados por ele.
Esclarecendo ser possível conseguir a individuação após assimilar as quatro funções descritas por ele como sensação, pensamento, intuição e sentimento. Ele comparou a meta da individuação com o Opus ou Grande obra que os alquimistas tentaram vivenciar.
Ele dizia ser, um processo lento, contínuo e de elevação emocional.Podendo ser alcançado também pela oração, pelos fenômenos mediúnicos e paranormais, pelas regressões psicológicas que levam à fase infantil ou até a uterina, como à existências passadas. A meditação, de forma que todos os conteúdos inconscientes geradores do medo e da ansiedade, das angustias e inquietações possam ser diluídos pelo enfrentamento consciente, nada deixando de enigmático nos painéis do inconsciente que  ressurja de forma assustadora...
Essa bela conquista torna o ser diferenciado, libertando-o dos clichês e das imposições sociais que o escravizam, exigindo-lhe condicionamento, quando aspira por liberdade. Com essa conquista o ser humano torna-se consciente de si mesmo, das suas responsabilidades na sociedade, encorajando-o assim para os ideais, sabendo que novas situações relevantes surgirão, mas que serão vencidas naturalmente.
A individuação pode ser considerada, no início,  como a participation mystique, de Lévy-Bruhl. E no  final, situando-se o self como a Imago Dei, numa conquista de unidade, que não isola o indivíduo, ao contrário, favorece a sua interação ou troca com as outras pessoas que passa a ver de forma diferente de quando o ego predominava.
Ela é tão complexa que podemos dizer que começa mas nunca termina, porque é a busca pela perfeição, no mundo relativo em que o ser humano se encontra.
No processo de individuação, pode-se examinar o desenvolvimento da sociedade desde os seus primórdios e a maneira consciente como vem lidando com as suas projeções e superando-as, com as conquistas do conhecimento cultural nos seus vários aspectos, especialmente nos de natureza psicológica.
A identificação dos conflitos vem permitindo que se aspire à conquista do bom e do belo, como meta de saúde e de bem-estar.
Vencendo as etapas do desenvolvimento emocional, surgem os primeiros sinais da individuação, pela superação ou conscientização dos arquétipos que geram sofrimento.
As chamadas virtudes religiosas, consideradas  heranças místicas, no momento da individuação adquirem sentido de realização, como o amor, que se transforma numa conquista relevante, indispensável para uma vida harmônica, a bondade, que multiplica os bens dos sentimentos elevados; a fé no futuro, como estímulo – sentido e significado psicológico – para se continuar nas lutas naturais do processo evolutivo; a compaixão, em forma de solidariedade e de compreensão das aflições do próximo; a gratidão, como coroa de bênçãos por tudo que se conseguiu e que pode realizar-se.
A gratidão, filha do amor sábio, enriquece a vida de beleza e de alegria porque com a sua presença tudo tem significado nobre, ampliando os horizontes vivenciais daquele que a cultiva como recurso de promoção da vida em todos os sentidos.
Conta-se que certo dia, em Boston, nos Estados Unidos da América do Norte, um rebanho de carneiros era levado por uma das avenidas centrais da cidade. De repente um dos carneiros caiu sem forças...
Uma criança pobre e mal cuidada, vendo a cena, achou que deveria ser por sede que o animalzinho perdera as resistências. Tomou o seu gorro, correu a uma bica próxima e colheu algum liquido, trazendo-o ao carneiro quase desfalecido e deu-lhe de beber.
Poucos minutos depois o animal correu e juntou-se ao grupo que seguia em frente.
Uma das pessoas que nada tinha feito, em tom irônico, disse ao menino:
- Obrigado, titio!
E pôs-se a rir zombeteiramente.
Um cavalheiro que viu a cena disse ao irônico:
- o carneirinho pediu-me para agradecer por ele, escusando-se de fazê-lo. Como eu sou dono de uma  editora, sou conhecido como Eduardo Baer, e estou sempre procurando crianças dotadas de sentimentos nobres para cuidá-las, acabo de encontrar mais uma.
A partir deste momento, você estará sob a minha responsabilidade... – disse para a criança aturdida.
Mais tarde, a sociedade acompanharia a trajetória do dr. Carlos Mors, que tornou-se conhecido pela  bondade com que tratava todas as criaturas.
A gratidão do carneiro alcançou a sua nobre finalidade, por não desanimar nem perder o seu sentido.
Poder-se-ia incluir esse fato na extensa relação daqueles de natureza mitológica, da mesma forma que Hercules combateu o mal, vencendo todos os inimigos do bem pelo imenso prazer de ser grato à vida pelo seu poder.
O carneiro, símbolo da mansuetude, e o menino gentil, que pode ser considerado como um arquétipo de misericórdia e compaixão, unindo-se no mesmo sentimento de ajuda recíproca, produziram o missionário do amor e da bondade.
Porque a gratidão é um dos mais grandiosos momentos do desenvolvimento ético-moral do ser humano e está inserida na individuação, quando tudo adquire beleza e significado.
A gratidão é, portanto, um momento de individuação, quando o ser humano recorda o passado com alegria, considerando os trechos do caminho mais difíceis que foram vencidos, alegrando-se com o presente e encarando o futuro sem nenhum receio porque os arquétipos responsáveis pelas aflições foram diluídos na consciência, não restando vestígios da sua existência.
O ego, que os mantinha em ação, alargou a sua percepção psicológica da vida e tornou-se parte vibrante do self, que ama sem distinção nem interesse de retribuição e é grato a Deus por existir, ao cosmo por viver nele, à mãe -Terra por ser o seu habitat, a todas as cores e vibrações da natureza, que lhe facultam contemplação e emotividade especial, aos sons maravilhosos que o fazem vibrar, ao oxigênio que nutre e à psique responsável pelo seu pensamento e pela faculdade de discernir que a consciência alcançou.
Quando o ser humano perceber que necessita abandonar as faixas menos harmônicas em que se encontra, aspirará pela conquista da individuação, exercitando-se na sublime arte do amor a Deus, ao próximo e, com certeza, a si mesmo, abandonando o egotismo e vivenciando o altruísmo como forma segura de realização plena, no caminho da gratidão...
A gratidão abrange, num abraço afetuoso, os sentimentos que dignificam os seres humanos tornando-os merecedores de felicidade, momento em que estarão instalando no íntimo o decantado reino dos céus, conforme Jesus propôs o maior psicoterapeuta da humanidade.

Do livro Psicologia da Gratidão, ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 29/04/16.

quinta-feira, 21 de abril de 2016


ENCONTRO COM O SELF
Jung definiu o self como, representação do “objetivo do homem inteiro, realização de sua totalidade e de sua individualidade, com ou contra sua vontade. A dinâmica desse processo é o instinto, que vigia para que tudo o que pertence a uma vida individual figure ali, quer o sujeito concorde ou não, tenha ciência do que acontece, ou não.”
Conduzido pelo instinto, o self experimenta o seu comando, vivenciando em transformação contínua e sublimante para a individuação.
Experimentando a sombra, busca auxiliar o ego na sua integração plena durante a vigência do eixo que os vincula e os influencia reciprocamente.
Mesmo considerando que a sombra dá origem a muitos conflitos, em muitas situações ela  produz alegria, relacionamentos felizes, razão de viver, trazendo outra face contrária à sua constituição primitiva como arquétipo.
Na integração da anima com o animus, para conseguir a harmonia, a sombra contribui com  uma parcela de entendimento das suas finalidades, possibilitando a vivencia de ambos sem perturbação da persona. Resultante da repressão de muitos sentimentos que não puderam ser vividos, emerge do inconsciente e expressa-se como aflição.
Acredita-se que a função do médico é curar, que ele deve estar sempre preparado, às ordens. Mas existem, fatores que o faz mudar essa estrutura da persona, assumindo também o comportamento de esposo e pai, de cidadão e idealista com direito a outras atividades, desde antes da concepção, que são as heranças do inconsciente coletivo.
A compreensão dos ensinos espiritas, diz que esses arquivos do inconsciente coletivo  resultam de vivencias do Espirito em reencarnações passadas, trazendo tais heranças no períspirito. Não é de estranhar que se tornem rejeições da consciência, que as mantém estáticas e uniformes, aguardando o momento de se expressar.
O indivíduo nasce com essas informações adormecidas, que vão ressumando através dos tempos e tornando-se conscientes pelo self.
A imagem apresentada por Jung sobre o inconsciente é bem fundamentada, por o imaginar como um iceberg, com apenas 5% do seu volume visível (consciência), tendo os 95% da sua massa submersos (o inconsciente). Assim se encontra a consciência no ser humano. Já Freud com o mesmo conceito, o comparou a um oceano, sendo a consciência uma casa de noz sobre o inconsciente.
Os arquivos das experiências passadas vividas  nas existências corporais é grande, presentes no inconsciente vão sendo revividas pela consciência, nos momentos de grandes transes de sofrimento, nos estados alterados (de consciência), durante os estágios oníricos, sendo liberados automaticamente, permitindo que o Espírito volte a vivê-los.
Por causa, desse imenso arsenal presente no inconsciente é que pode flutuar na consciência, muitos conflitos e complexos da personalidade tomam corpo, e leva as pessoas a transtornos de vários nomes.
Quantos pacientes resignados na miséria, confiantes na escassez, nobres e honestos nas situações socioeconômicas mais lamentáveis da existência  em que se encontram!
Eles mesmo em tal situação continuam exercendo os caracteres morais da vida anterior, quando se encontravam em posição de relevo, no poder, no conforto, na dignidade, e hoje experimentam o oposto, contribuindo pelo self harmônico, com o ego nele integrado, formando a unidade.
Os soberbos e malcriados na pobreza, agressivos e raivosos, ostentando recursos que não tem, (re) vivendo situações anteriores que não puderam ser  cumpridas com dignidade, e voltaram a terra em provas e expiações rigorosas, para valorizarem as oportunidades existenciais, especialmente os desafios ou provações da riqueza, do poder, da beleza, das situações invejáveis que  são transformadas em sítios de escravidão para os quais o self volta quando das  recordações inconscientes.
Os complexos de inferioridade ou de superioridade em que muitas pessoas se encontram, não conseguindo esconder as magoas da situação em que se encontram, projetando o que está no inconsciente, na difícil condição em que vivem no mundo, se originam nas condutas em existências passadas que não souberam utilizar, aplicando de forma irresponsável.
Essas pessoas – portadoras do complexo de inferioridade – são rudes, ingratas, exigentes, satisfazendo-se em humilhar os auxiliares,  dominadoras e inacessíveis... Assim também as – portadoras de complexo de superioridade – nem se permitem ao convívio familiar e social saudável em que estagiam, não escondendo o conflito que as amargura...
Heranças marcantes de vidas passadas são mais comuns do que parece, consumindo suas vítimas, que os conservam.
Cabe ao self diluir tais construções impressas na persona pelo inconsciente pessoal desde que a psique começou a animar a matéria na concepção fetal.
Adotar condutas saudáveis disciplinando a sombra, que se apresenta como instrumento de execução dessas frustrações do processo evolutivo, é inevitável e pede aplicação imediata.
Com a reflexão é possível ao self constatar o que é e como se conduz, esforçando-se por alterar as emissões mentais direcionando para condutas mais equilibradas, escolhendo padrões de saúde que propicia relacionamentos edificantes e compensadores.
Com as imagens reprimidas no inconsciente, esses pacientes não percebem o quanto devem à vida, tornando-se ingratos e reacionários, quando, ocorrendo uma mudança de atitude que se adquire através da analise que permite identificar as mazelas, pode começar a bendizer a vida, por ascender na escala de valores, por vencer a empáfia, e agradecer a oportunidade de crescimento real para a felicidade.
É com esse esforço que o ego se integrará no self, sem que desapareçam os seus valores de alto significado.

Do livro Psicologia da Gratidão, ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 21/04/16.

terça-feira, 19 de abril de 2016


EXPERIÊNCIAS VISIONÁRIAS

Na aplicação da imaginação ativa há um tempo ou fase em que o indivíduo que busca à individuação, alcançando um grau maior de compreensão das experiências e vivências que não viveu, após desfrutá-las, avança mais corajoso e espera que ocorram as experiências visionárias.
A vivência dessas vidas não vividas dá uma ressignificação à vida terrena, eliminando do inconsciente frustrações e inseguranças por não as ter experimentado, nem pela imaginação criativa.
As experiências visionárias ocorrem em duas etapas: a primeira quando o aprendiz está preparado, conforme a tradição esotérica, o mestre aparece; a segunda, quando fenômenos paranormais ocorrem, chamando a atenção para outra dimensão da vida que não é exclusiva da vida material.
Nos dois casos os mais importantes psicólogos dizem poder ser delírio do inconsciente ou  fantasias místicas. Apesar da, importante posição, elas demonstram a indestrutibilidade do Espírito, expressando-se como o self. (o Eu profundo, o Ser espiritual, Imortal, o Si).
Há as de caráter psicopatológico, unidas à fenômenos mediúnicos de obsessão, e as portadoras de iluminação para o sensitivo que se torna instrumento do mundo além da matéria, demonstrando que o significado da vida continua  após o túmulo, onde ela (a vida) não acaba.
Na visão materialista da psicologia, Deus – como figura mitológica ou transferência neurótica do pai fisiológico para o transcendental – usou muitas representações humanas para encarar a Sua criação, como a da escada de Jacó no estado onírico, que a construiu para o acesso ao céu e descida para a Terra. O inconsciente coletivo da humanidade construiria essa escada em forma de visões humanas, atendendo a necessidade de compreensão dos mistérios da vida.
Tais fenômenos, são considerados anímicos, por se originar no  sensitivo, outros, transcendem a psique mostrando vir de outra dimensão, como a psicografia com duas mãos, as correspondências cruzadas, o profetismo, a xenoglossia – comunicação em idioma desconhecido do paciente, incluindo línguas mortas ou extintas -, ou em manifestações ectoplásmicas, de materializações.
Despertar o ser humano para a sua imortalidade, para os deveres com a sua iluminação, para a conquista da saúde integral, para a gratidão pela honra de viver no corpo e libertar-se dele, continuando vivo. (grifo meu)
Normalmente produzem grandes mudanças no comportamento para melhor, porque liberta o paciente de constrições espirituais danosas, como os transtornos obsessivos, da culpa, em razão de se pacificar com aquele a quem afligiu ou infelicitou em experiência anterior, trazendo-lhe alegria de viver, ao superar o entendimento da morte como fim da vida.
Essas experiências mediúnicas ocorrem pela vontade ou não daquele que lhe é instrumento desde a infância ou surgem em qualquer período da vida física.
Pode ter início durante uma enfermidade, ou em plena saúde e, ou em harmonia psicofísica.
Dilatando a percepção psíquica como um sexto sentido como definiu o Prof. Charles Richet, que a estudou mais de quarenta anos...
Surge suavemente, como brisa emocional ou como tempestades trazendo preocupação, precisando de cuidados especializados, para que sejam portadoras de equilíbrio e de utilidade.
Allan Kardec estudou-as longamente, trazendo observações práticas e cuidadosas com mais de mil portadores da faculdade, classificando suas manifestações e catalogando-as como orgânica, por localizar-se no cérebro, como ocorre com a inteligência, a memoria, as aptidões artísticas e culturais, religiosas e científicas... 
O preconceito vigente no século XIX com tudo que transcende aos padrões estabelecidos e às superstições em que se alicerçavam algumas crenças religiosas castradoras e punitivas procurou erradicar dos seus estudos nas áreas acadêmicas tudo que parecesse místico, como fez Sigmund Freud. A sua intolerância foi tamanha, quando abraçou a ditadura da libido, que interrompeu seu relacionamento com Jung, a partir de quando este em visita à sua residência em Viena acompanhou os estalidos produzidos na estante de livros, procurando esclarecer que era uma emanação catalíptica e que se iriam repetir, como ocorreu...
Receoso de que os misticismos pudessem incorporar-se à psicanálise que nascia, procurou proteger de qualquer confusão, mantendo-se adversário inclusive da religião, que considerava uma neurose da sociedade.
Quando em Paris, participando das experiências hipnológicas realizadas pelo anatomopatologista Jean-Martin Charcot, recebeu de Charles Richet, auxiliar do mestre, o Tratado de metapsíquica humana, que era a síntese das pesquisas do sábio fisiologista, não a lendo nem superficialmente. Quando o fez quarenta anos depois, lamentou-se pelo tempo passado, dizendo que, se o tivesse feito antes, teria encontrado muito material para as suas próprias pesquisas e conclusões.
Os fenômenos foram estudados por outros nobres cientistas que os confirmaram, após submeterem os médiuns aos mais rigorosos instrumentos de controle, como impedimento de fraude, comprovando assim a realidade das manifestações espirituais que ocorriam simultaneamente em diferentes países do mundo...
Garimpando todas as informações e observando as manifestações espirituais que ocorriam diante dele, Allan Kardec apresentou O livro dos médiuns,  tratado raro sobre a fenomenologia paranormal, partindo da possiblidade de que existem Espíritos até às conclusões da sua realidade e da sua interferência na vida humana, no comportamento e na saúde, nos relacionamentos afetivos, nas animosidades, nos fenômenos da natureza, nos enigmas da psicometria, do profetismo e das aparições...
Com essa contribuição, diante do grande número de portadores de transtornos de varias origens, podem-se inserir as perturbações obsessivas também como responsáveis por transtornos e problemas afilgentes.
No quadro das experiências visionárias podem-se incluir os fenômenos anímicos e mediúnicos como responsáveis por grande número delas, convidando o ser humano à individuação.
Nesse particular há lugar para a gratidão aos  imortais, por se preocupar com os que ainda se encontram no envoltório material e não lembram da procedência espiritual, ajudando-os a preparar-se para a volta inevitável ao grande lar.

Do livro Psicologia da Gratidão, ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 19/04/16.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

GRATIDÃO COMO CAMINHO PARA A INDIVIDUAÇÃO
A vida humana é uma bela jornada que capacita o indivíduo para conquistar seus objetivos psicológicos.
Uma vida sem significado psicológico não tem sentido e nem busca. É um monte de fenômenos fisiológicos, os automatismos funcionando com mais vigor do que os sentimentos e as expressões da razão, do discernimento, que, mesmo estando adormecidos, surgem e desaparecem, não conseguindo ser aplicados pelo self (o Eu real, o ser eterno) o Espírito).
O predomínio do ego é caracterizado por interesses mesquinhos, num estágio de consciência de sono, sem entrever a realidade.
Sem ideais importantes, o sentido existencial é tímido, contentando-se com as satisfações orgânicas e os prazeres dos instintos, preso às sensações. Faltando a capacidade da estesia e da estética, da emotividade superior, a sombra mantém-se vigilante e ativa, escolhendo apenas o que basta, fazendo o ser humano transitar entre as alegrias sensoriais e os desencantos físicos. Enquanto, conseguir manter os gozos, tudo está bem e lhe é suficiente até o instante em que outros fenômenos inevitáveis, os que atingem o corpo no processo degenerativo, como as enfermidades, os transtornos emocionais, as dificuldades sociais e a perda daquilo em que se compraz, transformam a caminhada terrestre num martírio, num verdadeiro sofrimento em que a revolta e a queixa se instalam perversamente.
A lei de progresso está incumbida de impulsionar o Espirito, mesmo quando negligente e irresponsável, a outras experiências que o despertem para o vir a ser. O sofrimento é instrumento que a vida utiliza para demonstrar ao inadvertido que a existência física não é uma viagem agradável exclusivamente, ao desfrutar dos contentamentos imediatos, sem  respeito pelo esforço pessoal, pelas lutas e pelas reflexões afligentes que alteram a percepção da realidade.
Nos dias alegres, festivos, o discernimento ainda em gérmen não consegue romper as algemas do primarismo para entender a necessidade do crescimento ético e da real conquista da saúde. Esse movimento do adormecimento para o despertar se apresenta quando se é obrigado a caminhar pela noite escura da alma, como São João da Cruz, que a viveu demoradamente até conseguir a crucificação do ego e das suas paixões, morrendo em holocausto pessoal, para ressuscitar em madrugada de bênçãos e de conhecimentos da verdade, lúcido e feliz.
Quando se é convidado a transitar por essa noite, os que ainda não se adaptaram aos processos de mudança dos estágios inferiores, em que as necessidades fisiológicas predominam, para  estágios menos orgânicos e mais emocionais e psíquicos, em vez do esforço para conseguir, esse paciente rebela-se, entrega-se as queixas, faz das experiências um rosário de lamentações, de infelicidade.
Nele vive a criança maltratada, ansiosa por apoio e carinho, negando-se ao crescimento psicológico, ao desenvolvimento dos valores espirituais que existem no seu interior como em todos os seres humanos.
O amadurecimento psicológico exige muita aflição e cansaço da situação de comodidade que perde o encantamento, na razão direta em que é vivenciada, produzindo saturação emocional no gozador.
Certo genitor trabalhador e dedicado ao dever tinha um filho que, era fútil, vivendo como parasita explorador do pai. Gastava o tempo nos gozos materiais e na consumpção das energias morais, mesmo que escassas.
O pai, maduro e sábio, o advertia e explicava que, pelo fenômeno natural da vida, seria o primeiro a morrer, e que os bens, mesmo abundantes, se gastos sem renovar tendem a desaparecer, a extinguir.
Dizia que os amigos não lhe estimavam, tinham sim interesse nos recursos que ele detinha e, quando os recursos acabassem, eles também iam desaparecer.
Os conselhos eram como velha balada conhecida e recusada.
O idoso trabalhador mandou construir nos fundos da propriedade um celeiro, onde colocou uma forca, com uma placa dizendo: ”Eu jamais ouvi os conselhos do meu pai”.
Ao terminar, chamou o filho, levou ao celeiro e explicou:
- Filho, estou velho, cansado e doente. Quando eu morrer, tudo que me pertence será seu. Se você fracassar, porque atirará fora todos os bens que lhe transfiro, peço me prometer usar esta forca, como reparação pelo mal que nos fez.
Sem entender o que o pai queria dizer, calou, para não o contrariar.
O pai desencarnou tempos depois e o jovem herdou-lhe os bens, passando a dissipá-los com mais extravagancias e desperdícios. Pouco tempo depois, percebeu ter desperdiçado os negócios e recursos, e estava na miséria, na solidão, mesmo porque os falsos amigos o haviam abandonado.
Lembrou do pai e chorou, recordando a promessa que fez, de que se enforcaria após o fracasso. Tremulo, foi ao celeiro e lá viu a forca junto aos dizeres terríveis. Tendo uma iluminação, concluiu que aquela era a única vez na sua vida que agradaria ao homem nobre que foi seu pai de viver decepcionado com a sua conduta.
Subiu à forca, colocou o laço no pescoço e atirou-se ao ar...
O braço da engenhoca era oco e partiu-se caindo varias joias: diamantes, rubis, esmeraldas, uma  fortuna com um bilhete, dizendo: “Esta é a sua segunda chance. Eu o amo de verdade. Seu pai...”
Depois do acontecido sua vida tomou novo rumo  com nova maneira de encarar a oportunidade.
Quando a vida é vã e inútil, sempre há uma segunda chance, sendo melhor que cada um cresça com o esforço pessoal e saiba aproveitar o processo de amadurecimento, para não ser forçado à mudança após situações desesperadoras.
O amadurecimento psicológico é inevitável, mesmo que tenha dificuldades no momento.
O filho teria evitado o sofrimento e a amargura, se tivesse atendido ao pai, agradecido ao que recebia sem credito ou mérito e desprezava.
Se tivesse um pouco de gratidão, compreenderia que o esforço do pai, cansado e trabalhador, merecia ao menos o seu respeito.
 A gratidão pode expressar-se como respeito e consideração pelo que os outros fazem, oferecem e a que se dedicam de enobrecedor.
A sua falta faz surgir um tipo de cupim emocional que devora interiormente o ser, como ocorre com o inseto de vida social que se nutre da planta viva ou morta, alimentando-se com voracidade, enquanto a consome.
Do livro Psicologia da Gratidão, ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 11/04/16.