quarta-feira, 13 de janeiro de 2016


A INDIVIDUAÇÃO

A buscar do significado da vida humana deve ser dirigido para a individuação, a sua identidade, que não se limita ao individualismo, mas a individualidade, que leva ao conhecimento do que se é e não apenas do que parece ser na multidão das exteriorizações do ego.
Para Jung, o criador do termo, o significado é que a vida ocorra como individualidade do Self, (eu profundo, eu real, o ser espiritual) como perfeita integração do Si-mesmo, da sua totalidade, o que não quer dizer sua perfeição,  que ainda é um ideal...
È o esforço que se deve fazer para atingir a perfeita consciência da sua realidade, sem disfarces, como realmente cada um é, sem o conflito de apresentar-se com características que não são as suas verdadeiras.
Esse é um esforço gigantesco, porque o arquétipo numinoso do Self (repetimos que Self aqui quer dizer o Ser real, o Espírito, o Ser profundo ) apresenta-se como tentativa que pode ter repercussão perturbadora inesperada, como o, da auto-presunção de querer tornar-se um super-homem – Ubermensch – conforme sonhou Frederico Nietczsche, no seu delírio masoquista, ou um homem-deus...
Indispensável evitar essas ambições, considerando que a conquista não pode levar ao esquecimento da realidade do ser individual que se é, os limites naturais de humanidade que o caracterizam.
Enquanto o Self é a expressão da divindade interna no ser humano, na busca da individuação, deve apequenar-se até a postura do ego, tornando-se consciente da sua condição imensurável da psique, sendo, ao mesmo tempo, o seu conteúdo mais significativo e real.
Isso pede um grande confronto em luta contínua com os constructu do inconsciente, eliminando, ou iluminando as condensações da sombra, das experiências dolorosas umas, infelizes outras, abençoadas algumas e frustrantes diversas...
É a conquista dos valores que estão programados para o vir-a-ser, e que podem ser conseguidos pelo esforço de superação sobre o ego, através das renuncias e compreensão do significado da vida.
Tal meta não se consegue como uma aventura, sob entusiasmos e exaltação da persona, mas, por conquistas diárias, lentas e seguras, que vão sendo incorporadas no inconsciente, essa individuação pode apresentar-se num conteúdo espiritual, artístico, cultural, científico, de qualquer natureza, porque sua meta é ampliar a consciência além dos limites habituais em  compreensão da vida em todas as suas dimensões.
Que ocorre pelas transformações dos conceitos existenciais, levando o individuo à superar os arquétipos perturbadores – persona, sombra, anima-us – em uma consciente integração.
Aceitando a vida – a realidade existencial – conforme ela é, e trabalhando para melhorá-la, desenvolvendo o autoamor – respeito por si mesmo, autotransformação, intelectualização e  moralidade – para poder entender e participar do convívio com as outras pessoas,..
Essa integração do Self (do eu verdadeiro) com a realidade dá responsabilidade ao individuo que supera as injunções habituais dos percalços das enfermidades, das fugas psicológicas, das transferências da culpa, da criança maltratada, para a conquista da maturidade libertadora.
No processo da evolução, ocorreu alienação com relação aos instintos, por castração, por imposições de falsa moral, da censura ao mundo, distanciando assim a consciência da realidade tornando-se necessário no momento como impositivo voltar à compreensão de todos os valores e à conduta saudável das ocorrências do cotidiano.
O desenvolvimento da inteligência contribui de forma objetiva para a conquista da individuação, mas não através do intelectualismo sem a cooperação do conceito moral, do sentido ético-filosófico do comportamento.
No conceito de jung, não se pode conseguir a individuação plena e total, por claras razões, por transcender à consciência, quer dizer é  impossível o Espírito alcançar no momento os horizontes da perfeição, que só a Deus pertence.
Nesses limites que lhe dizem respeito, a plenitude é um estado de iluminação e de paz, não de conquista absoluta, na relatividade do seu processo evolutivo.
Cada indivíduo traz seu programa existencial, trabalhando com os recursos das conquistas alcançadas em reencarnações anteriores, não sendo a etapa atual o ultimo passo, a situação definitiva, mas um segmento do conjunto que abarcará, um dia, quando libertar-se do impositivo da evolução.
Todo o seu esforço deve se dirigir para superar os impulsos dos instintos agressivos e egóicos, desenvolvendo os sentimentos de identificação com a harmonia e o bem-estar, com os trabalhos da solidariedade que favorecem o progresso de todos, a autoiluminação.
O Self (o Ser profundo, o Ser real, o Ser espiritual) portanto é específico e individual, embora o seu caráter coletivo, ainda no conceito junguiano, porque representa a unidade que deve ser conquistada como o destino que o aguarda.
Nessa realização individual, o Self reunirá os conteúdos inconscientes aos conscientes, conseguindo uma harmonia que permite a perfeita lucidez do destino humano sem os atavismos perturbadores do passado nem as ambições desenfreadas em relação ao futuro. Esse  trabalho é possível,  na razão em que o mesmo vai penetrando nos depósitos do inconsciente e libertando as fixações e imagens ancestrais, que responsáveis pela desorientação do individuo sempre quando emergem, criando conflito com a consciência, com os valores éticos estabelecidos, com as necessidades que se impõem.
Quando se inicia a identificação desses conteúdos graves, normalmente surgem a angústia, a rejeição de si mesmo, a surpresa com os significados mórbidos e perversos, vulgares e sem sentimento que se encontravam adormecidos, podendo produzir alguns transtornos neuróticos... Mas, perseverando-se no objetivo, passa-se para outro nível do inconsciente, com diferentes conteúdos agradáveis e estimulantes. É normal que isso ocorra, porque toda vez que se mergulha em águas acumuladas, chega-se até aos depósitos de lama, que após vencidos permitem a transparência cristalina do líquido armazenado.
Com o esforço feito, vão ocorrendo as transformações emocionais e os aspectos da saúde sob vários ângulos considerada, sendo grande motivo de prazer e alegria, pela perspectiva do encontro com o repouso, a paz, o Nirvana...
Após as primeiras experiências nirvânicas, a sede de progresso, de imortalidade, de sublimação volta, e o trabalho interior continua, porque o repouso absoluto seria a negação da própria vida, a perda de sentido psicológico da evolução.
Por isso Jesus enunciou que o reino dos Céus está dentro de cada indivíduo, propondo a reflexão profunda e a autoconquista como meios para a libertação das conquistas anteriores alienantes e dos desejos do ego presunçoso.
O conceito, de individuação, de totalidade, abrange a conquista dos conteúdos possíveis de conscientização, que desaparecem nos significados psicológicos elevados que cada um coloca como sua meta existencial.
Essa tentativa propõe novos paradigmas de comportamento que surpreendem, porque o novo e desconhecido são sempre motivo de preocupação e de mal-entendimento. Esses paradigmas, encontram-se no ser, por ser uma visão nova de perspectivas de conduta e de aspiração de vida, interpretação diferenciada do aceito e comum, das circunstâncias caóticas que devem ser modificadas e do esforço pessoal em benefício do equilíbrio geral. Quando tal não ocorre, estabelece-se a neurose moderna como a que toma conta da sociedade atual.
Esse tipo de transtorno neurótico expressa-se como ansiedade, insatisfação, frustração, desconfiança e  solidão, asfixiando os mais belos ideais da humanidade intelectualizada, tecnologicamente rica e profundamente infeliz em seu sentimento pessoal.
Tendo como efeitos imediatos as depressões bipolares na afetividade, a síndrome do pânico, as fugas pelo suicídio, pelo homicídio, as opções pela violência, pelo estupro, pelo esdrúxulo e primitivo no comportamento para chamar a atenção, pelo desprezo que a sua vítima sente por si mesma. Pela impossibilidade de considerar o seu valor pelos significados nobres, assume posturas agressivas  que lhes atendem ao desconforto interior, tornando-se temíveis, por saber que não são amadas,  em carência profunda e em estado de criança abandonada...
A busca da individuação também é a maneira psicológica de encontrar o melhor meio para o bom relacionamento com o Si-mesmo, com o outro, com a sociedade.
Não se pode viver saudável sem considerar-se a presença de outro no contexto social, sendo, por sua vez, o outro daquele...
Algo somente existe na consciência quando é pela mesma detectado. Observar-se algo ou alguém é também ser observado por esse objeto ou pessoa em observação. Nesse momento, dá-se um relacionamento, um descobrimento do outro, a necessidade de intercambio com ele, a sua convivência, que é a forma de cada um existir e ter valor no mundo.
Por isso, o isolamento, o distanciamento da sociedade sob justificativa de encontrar Deus e melhor serví-lO, esconde uma alienação vinda de algum conflito forte em relação ao próximo, uma agorafobia que pode ter razão profunda na libido atormentada, na culpa maldisfarçada. Fugir do mundo não impede que o indivíduo se leve até onde for esconder-se.
No início da divulgação da doutrina cristã, especialmente no século lll d.C. houve uma epidemia de eremitas, de pessoas que buscavam a solidão, de processos autopunitivos ou de busca pela autoflagelação, caracterizando a morbidez da cultura e o alto indicie de tormentos que assolavam a ética e a sociedade que se comprazia no deboche e nos absurdos de conduta, fugindo para se libertar dos conflitos. Infelizmente, tornaram-se mais exemplos de inutilidade e de egoísmo do que de serviço ao bem, às propostas de Jesus, que optou pelo convívio com os infelizes, para ajudá-los a libertar-se de si mesmos, das suas misérias, das suas dores.
Convivendo com a ralé, manteve no entanto a sua aristocracia espiritual, demostrando o mais elevado nível de individuação, do Self (o Eu) totalizado e em integração perfeita com Deus, em nome de Quem viera para amar e ensinar a conquista da saúde total e da felicidade às criaturas, constituindo-se o mais elevado exemplo de vitória sobre as circunstâncias e ocorrências de quem se tem notícias.
Seguir-Lhe o exemplo, reflexionar nas Suas palavras e sobretudo nos Seus exemplos, é o mais seguro caminho para encontrar-se a individuação.
Com a conquista da individuação, a fissão da psique torna-se unidade.

Texto do livro Em Busca da Verdade. Ditado por Joanna de Ângelis, Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria AzevedoFarias. 13/01/16.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A TRADIÇÃO E A PERDA DO SENTIDO EXISTENCIAL
Por muito tempo, a tradição, a transmissão oral da cultura, dos hábitos, de geração a geração, foi um princípio ético respeitado a qualquer preço, por vir do passado, tornando-se um paradigma da evolução. Mas, nem tudo que a tradição transmite deve ser considerado, sem uma avaliação experimental, pelo menos, do que significa.
O valor dos conceitos morais não pode ser atribuído a tradição baseada na castração e na violência à liberdade de pensamento, de expressão, de idealismo, submetendo todas as questões ao crivo do aceito e do tido como digno de respeito.
Na educação doméstica, o temor a Deus e aos pais tornou-se tradição que a experiência científica da psicopedagogia eliminou da sociedade, porque qualquer submissão por medo é punitiva e destruidora, com sérios prejuízos dos que se submetem.
A educação é o processo de criar hábitos saudáveis, não se permite o direito de tornar-se virulenta na observação dos seus preceitos, castigando e impondo-se para ser legítima. Mas, sim conquistar o educando através  especialmente do sentido de amor e de dignidade de que se reveste.
No mesmo campo educacional, o respeito aos pais, aos mestres, aos mais velhos a  tradição estabelecia obediência a quaisquer imposição, por absurda que fosse, sem discussão, análise, ou qualquer observação racional.
Respeito é conquista feita por cada um  conforme se comporta, pelos atos e palavras, pela convivência e forma de conquistar os demais. Ao criar-se normas de imposição, violenta-se o livre-arbítrio, o direito de escolha com a aceitação do outro e todas as formas mesmo absurdas que lhe caracterizam. O que, não libera a rebeldia, a repulsa, nem a animosidade resultante da presunção ou da prepotência do que se quer impor. Se dando o direito de considerar os valores que formam o caráter de cada um.
Nas tradições morais, sempre se encontra a submissão irracional, a aceitação ilógica, violentando a personalidade do outro, daquele que deve sempre ceder.
Existem, tradições morais, sociais, religiosas, culturais louváveis, merecedoras de simpatia, que merecem ser vividas por seus significados.
Exemplifiquemos a do amor que deve existir entre os familiares. Essa proposta busca criar um clima de amizade e  consideração necessários na família,  para que os indivíduos se preparem para conviver com outras pessoas de diferentes grupos e etnias. O treino no lar, mesmo com os inamistosos por varias razões, inclusive pelas imposições do passado, ajuda com o comportamento racional para as dificuldades que surgem no grupo social e para  compreender os problemas que afligem outras pessoas, tornando-as incapazes para uma convivência produtiva.
Como o lar é um laboratório de formação da personalidade, do caráter, dos sentimentos, a proposta de afeto recíproco entre os componentes da família ajuda ao equilíbrio emocional de todos, mesmo com diferenças de conduta, de companheirismo, de fraternidade, mas não se pode transformar em campo de batalha, local de ódios recíprocos, desenvolvimento de reação de uns contra os outros.
A tolerância que envolve a amizade entre os familiares supera as antipatias, que por acaso existam, gerando clima de respeito entre todos, cada um na sua maneira de ser.
Também, há tradição de conduta que precisa ser analisada para lhes dar mais expansão, não generalizando-as só porque são do passado, quando os valores éticos tinham outro significado.
As tradições que violentam a personalidade e que ainda continuam nos guetos mais severos e engessados da sociedade, por razões religiosas ou políticas, de moral suspeita ou de outra natureza, são responsáveis pela perda do significado existencial de muitos indivíduos que desde a infância recalcam os sentimentos, as aspirações, e desejam a liberdade, o instante de  viverem conforme seus padrões ou daqueles  observados fora da sua família.
Cada vez mais urgente e inadiável é a necessidade de o indivíduo  ligar-se a si mesmo, analisando os próprios recursos e aplicando-os, ampliando o  universo das suas aspirações e lutando, avançando sobre as dificuldades com a obstinação de quem os vencerá ou os contornará, para encontrar a sua missão, a sua vida, descobrindo a sua transcendência, o significado em relação a outra vida, a outras pessoas, ao mundo em que se encontra. A preocupação aparente consigo próprio tem o sentido de crescimento interior e de desenvolvimento das suas possibilidade para os colocar a serviço das pessoas, não parando em si, mas avançando na direção do grupo, para a humanidade. Deve ir além do ego, ultrapassando os limites estreitos da sua realidade. Agindo dessa forma, o encontro com a transcendência, com a realidade existencial, será fácil podendo lutar com valentia, sem descanso, mas emoldurado por uma fascinante alegria de viver.
Quem assim não age, mergulha na autopiedade, buscando a falsa autorrealização de sentido egoísta.
A vida vale pelo que lhe soma de bom, de belo, de útil, sem supervalorizar o esforço para conseguir.
Há necessidade de um comportamento cheio de religiosidade, ou seja, de convicção interior, não de uma religião formal que entorpece no ritual ou na presunção de ser um escolhido e não os outros. É preciso estimular para desenvolver a consciência de que todo serviço dignificante e operoso é ato de religiosidade, de entrega emocional compensadora pela alegria de agir e de produzir.
Se for possível unir essa conduta a uma religião que leve ao crescimento ético e à liberdade de ação fraternal sem obstáculo ou preconceito, será mais fácil conquistar a transcendência responsável pelo sentido existencial.
Cheio de emoções que se renovam em alegria e bem-estar, uma imensa gratidão por existir, pela capacidade de servir, por poder contribuir com todos, vem do íntimo vestindo-o e iluminando-o, dando brilho ao olhar e entusiasmo para viver, quebrando os limites, embora busque o infinito.
Nesse esforço atraente ocorre a integração do eixo ego-self, o desaparecimento dos resíduos antigos, numa renovação que  lembra a transformação da lagarta lenta que se arrasta na borboleta leve e colorida que flutua no ar suave da natureza, após o sono que lhe proporciona a histolise e a histogênese...
No processo da transcendência, ocorre muito essa indolência: um desinteresse pelo convencional, pela imposição das tradições, uma insatisfação interior incômoda dos padrões vivenciais, para logo iniciar um processo de histólise psicológica a fim de alcançar a histogênese emocional e libertar-se do mecanismo pesado que prende o idealista na dificuldade de discernir e encontrar o sentido existencial da vida...
Texto do livro Psicologia da Gratidão, ditado por Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 12/01/16.




sábado, 9 de janeiro de 2016

OS SOFRIMENTOS NO MUNDO 
A dinâmica da vida é construída nas experiências que capacitam o Self (o Eu profundo, o Ser espiritual, ) à sua plenificação.
Os sofrimentos então, faz parte da contexto existencial, como mecanismo de valorização do equilíbrio interior como diretriz de segurança para o bem-estar.
Crer na ausência dos sofrimentos no mundo é utopia criada pela ilusão do mito do paraíso perdido, onde tudo contribuía para a felicidade que,  depois de um tempo se tornaria fastidiosa, desinteressante, pela falta de estímulos para novas conquistas e realizações.
O homem precisa de desafios constantes que lhe possibilitem desenvolver recursos não conhecidos, que despertam sob os desconforto pessoal, das dores, das incertezas, das lutas possibilitando novas conquistas.
A ânsia de liberdade plena, por si, já gera sofrimento quando na impossibilidade de eleger-se apenas o bem em detrimento do mal, em face dos impulsos primários e das circunstancias hostis do convívio social, que se encontram no inconsciente individual e no coletivo...
A estabilidade orgânica também é relativa, por alterar-se a cada momento, pelo processo da renovação celular, das condições emocionais, dos fatores existenciais e reencarnatório, produzindo os inevitáveis sofrimentos. Portanto, temos o sofrimento de natureza física, emocional, mental, social, econômica e de outras expressões.
Observando esse sofrimento o príncipe Sidarta Gautama, o Buda, refletiu e concluiu que tudo no mundo é sofrimento, apresentando as suas Quatro nobres verdades, estudando as suas causas e consequências, os mecanismos de libertação e as técnicas da harmonia integral.
Descobrindo a sombra não aceita ainda para a maioria dos humanos, sugeriu então a sua compreensão e sua aceitação, trabalhando o eixo ego-Si mesmo para diluí-la, quando causada ou gerada pelo sofrimento.
É normal que o indivíduo é livre para escolher a forma de viver apenas o bem e, defronta com os limites dessa liberdade, como efeito das circunstâncias em que passa no corpo. A opção negativa apresenta o efeito do sofrimento hoje como o recurso para a conquista do equilíbrio mais tarde. O que se chama de mal é presença natural no psiquismo, como as experiências negativas do primarismo, que se registraram na intimidade do ser, definindo os rumos que se alteram quando a dor se instala e a necessidade de ser feliz  torna-se urgente.
Iniciam-se então as experiências reencarnacionistas, que, quando em uma existência se reparam os erros da anterior, transformando em conquista o que foi antes prejuízo, aperfeiçoando os sentimentos e desenvolvendo o intelecto, para enriquecer o Self predispondo-o à real individuação.
Surgem muitos obstáculos, nesse momento, vindos da sombra e outros arquétipos construídos no processo evolutivo.
A criatura maltratada que se encontra no ser, continua precisando do colo de mãe, de apoio, de compreensão, para encontrar a libertação que somente existe no esforço pessoal de cada um ou através da orientação dos estudiosos do comportamento humano, conhecedores da dificuldade da sombra, do conflito do anima-us, do ego insatisfeito nos processos psicoterapêuticos especializados...
Enquanto houver ambições infantis, disfarçadas em aspirações do amadurecimento psicológico, os sofrimentos continuarão dominando as criaturas em todos as faixas sociais, pelo falso conceito de que bem-estar é ausência de preocupações, de responsabilidades e de doenças, levando à perda de identidade dos objetivos essenciais à existência, substituídos pelo prazer do imediatismo fisiológico.
Os sofrimentos encontram-se no mundo, porque os Espíritos que o habitam ainda vivem no período de desenvolvimento ético-moral em que a dor lhes é uma necessidade psicológica. Agir bem, para não sofrer, cumprir os deveres, para não ser penalizado, trabalhar pelo progresso da sociedade para ter benefícios, é uma transferência do Deus-temor antigo pelo negocismo interesseiro, em que Deus retribui em bênçãos tudo que se faz de bom, punindo quando se faz o mal.
 O mal e o bem são relativos, sem conceito  absolutista, por seus próprios significados, permitindo ao discernimento as boas ações como frutíferas para os que as praticam, pela satisfação de praticá-las não apenas pelos interesses pessoais em jogo. Quem carrega perfume impregna-se, assim também ocorrendo com quem carrega putrefação...Quando se age na saúde emocional e no significado psicológico, satisfações profundas vem do inconsciente e tomam conta da realidade consciente, estimulando à continuação do comportamento e da sintonia com  a imago Dei, ampliando o raio de pensamento na direção de Deus.
Nesse aprimorar do arquétipo divino em si-mesmo, estabelece-se um canal com a Causa Absoluta, proporcionando a conquista do Reino do Céus, portanto, o não-sofrimento, porque, mesmo um desconforto, uma perda, prejuízos de uma ou de outra natureza perdem o significado que lhe é dado, tendo-se em vista o essencial para a psique, que são as aspirações do belo, do quase inatingível, do transcendente...
Os sofrimentos no mundo, portanto, vem dos dramas existenciais dos indivíduos em desajuste e em carência afetiva, tresmalhados do rebanho, esperando que o pastor abandone as demais ovelhas para buscá-los. É nessa fase conflitiva que o herói adormecido assume a postura do filho pródigo que vai para um país distante, sendo as experiências inusitadas, transformando-se às vezes  em sofrimentos que o trazem de volta ao regaço do pai misericordioso que o espera, sempre olhando a estrada que ele deve palmilhar na volta ao lar.
Podem-se considerar também os sofrimentos como talentos concedidos para dignificar os seus possuidores que os deverão aplicar de forma produtiva com a resignação e a coragem, como ocorreu no mito de Jó, quando ele, testado e espoliado pela Divindade, continuou fiel e confiante. Ele amava a Deus, não pelo que dEle havia recebido, mas pelo efeito da Sua paternidade. Apostando com Satã, outro mito arquetípico do inconsciente humano, Deus experimenta Jó para provar que ele Lhe era fiel, e o servo tornou-se digno de receber a recompensa que o levou de volta à paz e a alegria de viver.
Esse Deus, antropomórfico, na visão Junguiana, é um tremendum, pelo aspecto aterrador que assumiu, quando, na sua antinomia, apresentou a outra face, a da misericórdia e do amor, recompensando aquele que continuou confiante, mesmo quando o sofrimento alcançou limites quase insuportáveis.
Compreende-se, assim, a resistência de muitos indivíduos que, sob sofrimentos e aflições terríveis, continuam confiantes e seguros da misericórdia divina, na certeza de que nunca serão abandonados.
Os mártires de todos os tempos, as vítimas dos holocaustos de todas as épocas deram o testemunho de Jó, mantiveram o Self,(o Eu profundo) na fragmentação individual da Divindade mesma, harmonizando-se e continuando vinculados a Deus.
Encontramos essa antinomia nos dois Testamentos: no Velho, Deus é inclemente e gosta de ser temido,  no Novo, Ele é misericordioso e compreensivo, querendo apenas ser amado como Pai. Se encontra  no Self essa fissão da psique, esperando a fusão com a superação da sombra pela presença do amor.
E assim, o mal não desaparecerá de um para outro momento do mundo, porque ele é o inverso do bem a se transmudar, adquirindo as qualidades do ultimo. Mesmo no auge das amarguras, dos desaires, das aflições, de tudo que significa o mal gerador dos sofrimentos, há uma luz uma réstia em plena treva (sombra) apresentando a solução, propondo o reencontro com Deus.
Além da consciência do ser, no psiquismo profundo, temporariamente Deus apresenta-se com esse aspecto ambivalente: o temor e o amor, que atendido pelo Self capaz de discernir, funde-se no amor, no processo de iluminação interior, saindo da sombra existente.
Quando se vê o sofrimento como uma necessidade de entendimento do ego com as suas máscaras, inclusive a do bem aparente, o trágico e o desvalimento transformam-se em alicerce para a construção da realidade humana, no seu sentido divino e transcendente, porque o ser, o si mesmo, é indestrutível, é imortal.
Importante contribuição para a vitória nesse teste da evolução, a prece, que é a comunicação com Deus pelo pensamento otimista e confiante, proporciona a captação de energias poderosas que dão resistência para as lutas que se encarregam de eliminar as sucessivas camadas de primitivismo, de paixões asselvajadas em predomínio, diluindo-as até o cerne onde está a imago Dei gentil e pura esperando ser encontrada para tomar conta do indivíduo todo.
Os sofrimentos, portanto, no mundo, são portadores de variada conceitos e significados específicos e próprios, dependendo dos indivíduos que os experimentam, tornando-se grande mal para uns e superior bem para outros.
Estranham-se, as resistências morais de determinados indivíduos que, postos a provas de sofrimentos difíceis, continuam tranquilos e estoicos, como ocorreu durante o holocausto do povo judeu nas mãos dos nazistas.
Muitas vítimas, após a libertação, ao invés de se deixarem consumir pelo ódio pelos seus algozes, buscaram auxiliá-los e trabalhar pelo renascimento do país. Quando interrogados, afirmaram: - O ódio não nos trará de volta os afetos assassinados, as alegrias roubadas, a saúde vilipendiada, a vida perdida... Somente pelo amor poderemos demonstrar que nenhuma força física, política ou social é mais poderosa do que a confiança em Deus...
Entre muitos desses sobreviventes, um de nome o Alegre Gui, que sofreu horrores no campo de extermínio de Auschiwitz, continuou sorridente e gentil auxiliando o povo que o havia esquecido e os que o infelicitaram em perversos processos de crueldade...
Apesar dessas reflexões, há indivíduos emocionalmente fragilizados que, diante do sofrimento, vinculados teoricamente a qualquer religião sentem-se enganados e perguntam, aflitos : - por que Deus permite que isso me aconteça? Onde está Deus que não me vem em socorro? Será que, realmente, existe Deus?
O seu conceito a respeito da Divindade é mágico, vem do período primário em que o arquétipo do miraculoso predominava no seu inconsciente, tudo resolvendo, impedindo que acontecessem as experiências iluminativas, ou cujas conquistas podiam ser conseguidas pela o comercio de milagres por meio de dízimos, doações materiais...
Ainda hoje na sociedade há muitos, portadores dessa estrutura emocional deficitária.
A verdadeira fé, aquela racional fundamentada na experiência da imortalidade, é a única a trazer resistências morais para  enfrentar, a solidão, o sofrimento, o silencio, a expectativa, a angustia...
Quando um desses fenômenos psicológicos que produzem dor se abatem sobre os portadores de espiritualidade ou de maturidade emocional, ei-los que como possuem um reservatório de forças transcendentes buscadas em Deus, conseguem superar as situações mais perigosas e os acontecimentos mais afligentes.
Tal fato é de fácil constatação, nos doentes por quem se ora, que melhoram, sem saber dessa contribuição dos estranhos. Quando os pacientes,  oram, adquirem mais resignação, enfrentam a situação de forma saudável e recuperam-se mais rapidamente. Já, quando se ora por eles, e, sabendo eles também oram, os efeitos são mais imediatos e durante a enfermidade as terapias tornam-se mais eficientes.
Compreende-se que, essas pessoas, pela fé, e pela força mental de que dão mostras, estimulam os neurônios a produzirem as substancias propiciadoras do reequilíbrio, da saúde, da harmonia.
Quando Jesus era convidado a curar alguém, Ele  perguntava: - Tu crês que eu te posso curar? Ou – tu queres que eu te cure? Assim, possibilitava a contribuição do paciente no seu processo de recuperação, produzindo neuropeptídios responsáveis pelo refazimento orgânico, emocional e até psíquico, tornando-se receptivos à força que dEle emanava.
A ação, da vontade, em qualquer área de comportamento é muito importante, por propiciar a produção de nerurocomunicadores que promovem a saúde.
A fé religiosa saudável bem dirigida, também conquista e dá significado à vida humana, estimulando o crente a continuação dos compromissos que abraça, dignificando-se pelos esforços que faz para ser melhor e numinoso como resultado das disposições internas dirigidas para a felicidade.
Os indivíduos dúbios, imaturos psicologicamente, estão despreparados para o sofrimento, esperando que a solução venha de fora, do outro, ficando na mesma dependência em que passa a sua vida, sem se esforçar para a conquista da consciência lúcida e produtiva.
Conforme vai conquistando a consciência de si, a compreensão do significado existencial o dever de superar a sombra após aceita-la, o sofrimento   cede espaço ao estágio de harmonia proporcionadora de individuação.

Texto do livro Em Busca da Verdade. Ditado por Joanna de Ângelis, Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria AzevedoFarias. 09/01/16.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A NEUROSE COLETIVA
Diz-se que a nova geração está desequilibrada, parecendo que os sofrimentos  que a afligem começassem nela. Os que assim falam nem percebem que não há efeito sem causa, que as perturbações que arruína a juventude de hoje caracterizaram as gerações passadas que, estabeleceram novos ideais e comportamentos nos conceitos tradicionais do período em que viveram, causando choque na tradição da época...
As heranças transmitidas sem responsabilidade e desamor dos mais velhos para os mais novos; a despreocupação com a família, que há décadas vem passando para plano secundário no grupo social; os comportamentos egoístas dos cidadãos; o consumismo sem medida; a busca de prazeres constantes; a indiferença pelo próximo contribuíram com o atual quadro de alienação coletiva que afeta os jovens sem discernimento nem maturidade emocional.
Os esportes, que representariam conquistas psicológicas, para catarses emocionais, espairecimentos, renovação de energias, afirmação de valores em relação aos melhores tornaram-se campo de batalha, quando as torcidas fanáticas e radicais agridem-se, depredam, matam e se matam.
Ressuscitam-se com essa conduta as arenas romanas, onde o prazer era sanguinário e as vítimas sacrificadas inspiravam zombarias em total detrimento do significado de humanidade...
Nessa desordem psíquica e emocional, as torcidas organizadas marcam pela internet o lugar para os enfrentamentos, como nos campos de batalha do passado, assassinando, enquanto a sociedade estarrecida contempla e vai se acostumando as cenas perversas.
O terror assume proporções não esperadas.
É comum os jovens matarem pelo prazer de fazer algo diferente, para experimentarem emoções fortes, e mais tarde procurarem anestesiar a culpa nas drogas, entrando em profunda depressão, mais matando para adquirir novas quotas para a manutenção do vício e matando-se lentamente ou de uma vez, em desespero suicida.
O numero de suicídios nos países civilizados é grande, resultante de uma cultura materialista, vivendo no inconformismo, sendo o prazer o único motivo do significado existencial. Como consequência, sempre crescente são as taxas de delinquência juvenil por toda parte.
Está então instalada a neurose coletiva e destrutiva.
A divulgação dos dramas e tragédias do cotidiano, pelos veículos de comunicação, ao invés de trazer propostas salvadoras, terapias preventivas e curadoras, estimula  os comportamentos frágeis a se tornarem heróis, a se destacarem pela mídia, a desafiarem a cultura, e a ética, crendo no falso martírio da covardia moral e da destruição psicológica em que se debatem.
As almas dos jovens ansiosas e desorientadas, seguindo estranhos caminhos por falta de  roteiro equilibrado para o encontro com a segurança interior. A educação no lar e a formal, nos institutos que se lhe dedicam, se encontram desestruturados por serem, os que a propõem, também  desestruturados, ensinando teoria e vivendo os desequilíbrios em que se tornam exemplos vivos, a serem copiados.
Disseminam-se com vaidade ser necessário a autorrealização e a autoidentificação por  processos estranhos e doentios que lhes chamam a atenção e os igualam nos grupos em que se satisfazem.
A problemática é grave e  pede cuidados de todos: pais, educadores, governantes, religiosos, sociólogos, psicólogos, pessoas sensatas que se devem unir, para combateram o inimigo comum: a falta de sentido existencial que se estabeleceu na sociedade.
Para se viver com dignidade é preciso ter um objetivo, um sentido ético que será meta a  ser conquistada.
Se a busca da felicidade for feita nos padrões do consumismo ou do prazer, fruto do imediatismo, cedo vem a decepção e a falta de motivo de novos empreendimentos.
É preciso, despertar em todos a necessidade da autotranscedência, da superação das exigências do ego em sombra para o significado do self imortal.
Essa autotranscedência deve ser sugerida habilmente, não imposta, despertada em todas as mentes como caminho seguro para a harmonia interior, para a existência adquirir sentido de gratidão, de correspondência com os demais, de significados libertadores.
E as pessoas perguntarem sobre o significado das suas vidas, tão acostumadas estiveram por muitas gerações a lhes serem imposto o mesmo.
No passado, as religiões dominantes impunham que o primeiro filho deveria pertencer às armas, para salvar o Estado, o segundo à Deus, servindo a religião e entregando-se totalmente, mesmo sem vocação nem desejo. A filha deveria servir a Deus, educar-se em serviços domésticos, sem direito ao conhecimento, à cultura, por ser a mulher considerada inferior, sem alma, nem discernimento...
O absurdo imposto ressurgiu como hipocrisia, onde havia a postura convencional, que a sociedade aceitava, e o desvario oculto, criminoso às vezes, a que os indivíduos se submetiam, para sobreviver à asfixia imposta pela neurose religiosa.
As aberrações e extravagancias praticadas,  não eram crime nem censuradas, bastando não serem divulgadas...
É natural que esse atavismo ressurja do inconsciente coletivo e pessoal e imponha a necessidade de alguém lhe dizer qual é o sentido da sua existência.
Mesmo quando recorrem a psicoterapias, alguns profissionais transformam-se em gurus, respondendo pelas vidas e comportamentos dos seus pacientes, tentando eliminar-lhes as preocupações, mantendo-os ignorantes, na dependência doentia, na aflição mascarada de bem-estar...
O valor psicoterapêutico é percebido quando  começa a libertar o paciente do pensamento do seu orientador, encontrando-se com a sua realidade, descobrindo-se, e com as suas  possibilidades de realização pessoal e de objetivos essenciais para o bem-estar.
Falta honestidade e sinceridade intelectual nos formadores de opinião, nos educadores, nos psicoterapeutas também problematizados, com as exceções normais à conduta saudável.
Deve-se instituir uma nova visão da vida por  processos psicoterapêuticos sadios, libertadores da neurose coletiva, trabalhando o indivíduo e depois o grupo social, para tornar possível a conquista do significado existencial.

Texto do livro Psicologia da Gratidão, ditado por Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Trabalhado por Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 06/01/16.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O BEM E O MAL
Desde que a razão e a consciência começaram a desenvolver-se no ser humano, a dicotomia do bem e do mal apresentou-se de forma conflitiva.
Antes, no período mitológico do Jardim do Éden, a  inocência não sabia o que significava o bem, o que representava o mal, por vivenciarem o estado paradisíaco de total ignorância moral. No momento em que os impulsos, especialmente os da sexualidade, quebraram a harmonia existente, impondo-se, tudo era natural, por virem das necessidades biológicas. Mas aos poucos, os sentimentos e o discernimento apresentaram-se para estabelecer o que era edificante e o   perturbador e destrutivo. Com esse surgimento do Self, percebeu-se o quanto era preciso  estabelecer-se critérios, começando pela condenação do incesto, proibindo-se e impedindo-se comportamentos que se consideravam prejudicial, abrindo espaço ao claro-escuro da fronteira entre o bem e o mal.
Com o tempo, estabeleceram-se diretrizes definidoras do que representa um e o outro.
As várias doutrinas religiosas do oriente e as filosofias do ocidente apresentaram normas de significado para a felicidade e a vivencia do que se considerava o bem contrários aos comportamentos que produzem o mal.
O maniqueísmo, criado por Manés, que nasceu na Pérsia, no século lll d.C. após a visão de um anjo, por duas vezes, levou-o a selecionar os princípios de algumas doutrinas orientais existentes, do zoroastrismo e do cristianismo, estabelecendo que o bem e o mal estão presentes na vida de todos os indivíduos e que o mundo divide-se nessas duas constantes, sendo que o objetivo da vida é a vitória da luz contra a treva, da verdade contra a mentira...
O maniqueísmo espalhou-se com facilidade pelo mundo, apresentado os dois lados do comportamento como sombra e claridade, em que os justos, que a tudo renunciassem, conseguiriam a plenitude.
Embora o cristianismo, muito antes, tivesse mantido,  a mesma observância, o conceito de Jesus a esse respeito é mais amplo, demonstrando que todas as experiências humanas contribuem para o processo de libertação do ser, da ignorância que nele predomina, sendo o mal uma conjuntura passageira, em que apenas o bem prevalece. O apóstolo Paulo, por sua vez, prescreveu que se deve vencer o mal com o bem.
Essas propostas, especialmente a maniqueísta, ainda em voga, produzem comportamentos fanáticos, definitivos, criando graves conflitos na cultura, na sociedade, porque, aquilo e aquele que é bom, que representa o bem para determinados grupos humanos, é mau para outros...
Condutas aceitas e dignas em um povo são censuradas em outro, por considerar-se agressiva e  primitiva.
Esses conceitos, não podem ser absoluto.
Então, o que é, o bem? Tudo que contribui pela vida, o seu desenvolvimento ético e moral, a sua construção edificante e traz satisfações emocionais, é considerado o bem. É preciso, não confundir o de natureza física com a emoção de harmonia, de equilíbrio interior, de felicidade que se adquire por meio de pensamentos, palavras e ações dignificantes, não geradoras de culpa.
O mal, é tudo quanto gera aflição, que se transforma em problema, que trabalha pelo prejuízo de outrem e do grupo social, levando ao desconforto moral, à destruição... na visão educacional, se for olhada criteriosamente essa ocorrência,  se constatará que muito mal de um momento, se administrado de forma correta pode transformar-se em grande bem. O que pode parecer um mal para um indivíduo, traz-lhe o despertar da consciência, o caminho que o levará ao autodescobrimento.
A dificuldade, em diferenciar-se no íntimo, o que é bem e o que é mal, originam a sombra, que também se enraíza no ego dominador e arbitrário.
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, perguntou aos Espíritos superiores, conforme a questão de nº 630:
Como se pode distinguir o bem do mal?
Eles disseram:
“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.”
O ser humano é portador de fenômenos lógicos, que nem sempre sabe reconhecer, que se apresentam conscientes e inconscientes. No começo, no processo evolutivo era só instinto e paixão adquirindo através do desenvolvimento antropológico da evolução a consciência de si, a conquista da razão, numa área restrita, que ainda não pode abarcar a totalidade das ocorrências interiores e emocionais, auxiliando-o no comportamento conforme o estágio de lucidez alcançada.
No seu íntimo estão os desejos do prazer e a realidade, conforme as conclusões de Freud. Esses impulsos dominadores têm, que enfrentar a cultura de cada época, os hábitos estabelecidos, os códigos impostos, dando lugar a que as pulsões fossem erradamente consideradas como manifestações demoníacas, forças que o arrastariam para o sofrimento, mais tarde decodificado como o Inferno das religiões castradoras.
Para superar o mal que há nele, vem-se tornando necessário estabelecer símbolos de transferência ou de projeção, para superar a situação incomoda em que vive.
Por isso, os sentimentos perversos do ódio, dos desejos irrefreáveis, dos ciúmes, das ambições desmedidas levam-no a transferi-los para os outros  que passam a figurar como as representações demoníacas ou satânicas, suas adversárias. Esse mecanismo é inconsciente, para fugir da situação vigente para a transformação dirigida ao bem que busca inconscientemente.
Nessa visão insensata, surge a luta, em que o bem deve destruir o mal, fazendo todos os esforços, mesmo os mais infames para a vitória, o que é uma derrota interior, porque os mecanismos de batalha são nefastos, portanto, também maus...
Esse fenômeno sempre ocorre quando se quer eliminar um adversário, que pode ser um indivíduo ou uma raça inteira, uma ideia ou um grupo idealista, apresentando-a como personificação demoníaca contra a qual todas as armas podem e devem ser usadas para aniquilá-los.
Substituir o mal pelo bem, conforme o conceito paulino, é o melhor recurso para  estabelecer o equilíbrio emocional no indivíduo e no grupo em que se encontra.
Toda vez, que alguém se coloca contra algo ou alguém, se arma, o que passa a ser um mal. Quando se coloca a favor do bem, desarma-se e ama, modificando a questão, mostrando a excelência do seu propósito.
Há uma regra de identificação do bem em relação ao mal, a utilização do amor no sentido amplo e universal, que oferece resposta mais hábil para a condução equilibrada de si e o trabalho para todos.
Nesse momento, alcança-se a consciência moral, que discerne o que se deve e o que se pode fazer, do que se pode, mas não se deve fazer, ou se deve, mas não se pode fazer...
Com as reencarnações, o Espirito aprende a compreender o que o ajuda na evolução, o que o entorpece e o retarda, identificando os mecanismos  para a libertação da psique do primarismo dos instintos – demônios – possibilitando-lhe a luz do esclarecimento – a angelitude.
A imago Dei, que nele existe, traz-lhe a pulsão do bem, da vida, que rompe as camadas grosseiras dos tecidos cerebrais, para expressar-se em pensamentos, palavras e ações, que marcam o estágio de saúde real ou de patologias vindos dos comportamentos impostos pelos instintos.
Responsável por compreensão maior, ajuda a racionalizar o mal pela observação dos seus resultados e dos instrumentos que poderiam ter sido utilizados para trazerem mais efeitos de bem-estar e o prazer, e não da culpa, do arrependimento e da angustia que lhe instalam no íntimo...
A individuação é, como o esforço para unir as duas pulsões numa única expressão de vida, aquela encarregada de trazer harmonia, superando os desvios do passado responsável pelos sofrimentos e conflitos individuais e coletivos atuais.
O estado numinoso, resulta da vivencia do bem, da luz, do entendimento, da consciência de si.
A dualidade do bem e do mal no ser humano é fenômeno natural de desenvolvimento da psique, apresentando situações antagônicas, como alto e baixo, belo e feio, claro e escuro, bom e mal, certo e errado...
Jesus, o psicoterapeuta incomum, usou uma bela imagem para essa dualidade quando se referiu ao joio e ao trigo, o que é danoso na seara e o que é benéfico, porque fomentador de vida. Propôs também, que não se resistisse ao mal, ou, que pela ação cordial e perseverante, sem se opor ao pernicioso, consegue-se o ideal, a vitória sobre o que é prejudicial.
O bem, portanto, não é ausência do mal assim como o mal não pode ser considerado como fora do bem, mas experiências que podem ser conduzidas criteriosamente pela consciência para a autoconquista.
Muitas vezes, em face da ausência de consciência moral, o indivíduo interpreta equivocadamente uma ou outra dessas situações, sendo, portanto, a responsabilidade da escolha conforme o nível de conhecimento, de estrutura moral e espiritual.
Do ponto de vista psicológico, a adoção do bem representa saúde emocional e discernimento moral, ambos propiciadores de bem-estar, dando significado à existência, porquanto, à medida que o indivíduo se educa, disciplinando os impulsos  decorrentes do primarismo, experiencia verdadeiro estado de plenitude. Isso não o impede de viver momentos de definição, de dúvida, de incerteza, avançando, porém, na linha direcional do equilíbrio que se impôs.
Pensa-se, erradamente, que a prática do bem impede que o mal se apresente. Enquanto não for diluído nos painéis do inconsciente, periodicamente ressuma, em forma da fissão da psique, como força demoníaca que deve ser orientada, jamais impedida. Reconhecer, portanto, a presença do mal no Si- mesmo  já é uma forma de identificar o bem.
Também se confunde o não fazer-se o mal como se fosse grande bem, mas, não fazer o bem é um tremendo mal, não basta, deixar de praticar o mal.
Toda vez que se pode iluminar, espraiar o trigo  generoso e não se realiza esse dever, amplia-se a área de sombra e domina o escalracho prejudicial. .

E como regra fundamental, para que ninguém tenha dúvida quanto a um e outro no cotidiano, asseverou Jesus com sabedoria: “ Vede o que queríeis fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.” (O Livro dos Espíritos, resposta à questão nº 632).

sábado, 2 de janeiro de 2016

A GRATIDÃO COMO TERAPÊUTICA EFICAZ
Vive-se, hoje, a ansiedade das buscas tecnológicas e científicas, levando à rapidez com relação a tudo e a todos.
O tempo, torna-se responsável por ser impossível  atender-se a todas as necessidades  impostas pelas circunstâncias.
Os equipamentos eletrônicos que diminuíram as distancias e facilitaram a vida, transformaram-se em inimigos de quem os utilizam.
Uma correspondência demorava um tempo entre ir ao destino e voltar a resposta. Um telefonema se esperava um tempo para conseguir-se. O rádio e a televisão, eram de precária eficiência. Mesmo assim, junto a outros recursos de que se tinha, tinha-se tempo para manter os contatos pessoais, as correspondências, acompanhar os acontecimentos...
Rapidamente, a eletrônica e a cibernética encarregam-se de melhorar os recursos técnicos e os instrumentos tornaram-se mais eficientes, permitindo comunicações imediatas, ao vivo em branco e preto, depois em cores, e a velocidade tomou conta, tornando tudo instantâneo.
O intercâmbio virtual mudou as paisagens terrestres, tornando o mundo mais belo e mais trágico, os contatos mais rápidos e perigosos, o excesso de informações e de possibilidades de conhecer-se e de amargurar-se também...
Apesar disso, no computador ou num dos equipamentos modernos de telefonia com outros recursos, como a máquina fotográfica, atendimento de internet e e-mail, mapas orientadores do trânsito, jogos, armazenamento de dados e outros instrumentos, quando, por acaso, a operação está sendo executada e prolonga-se por poucos segundos, o indivíduo se impacienta, irrita-se, e pensa em trocar de aparelho por estar sobrecarregado...
O consumismo devora suas vítimas que se  entregam sem reação, crendo em gozo sem o sentido da felicidade, em poder sem a paz interior.
Perturba-se o homem nesse labirinto de grandezas e  misérias, perdendo a direção pessoal e a autoidentificação.
Fascinado pelas facilidades, escraviza-se a essa tecnologia de ponta e perde a noção da realidade no dia a dia da vida.
Vive-se, uma neurose coletiva assustadora.
Desapareceram os limites do organismo pela exuberância de recursos para realizações e prazeres simultâneos, possibilitando também aumentar a criminalidade, graças às mentes perversas e doentes, que se utilizam da invisibilidade para darem campo às suas perturbações e delírios mentais.
Sites de morbidez multiplicam-se atraindo os jovens desequipados emocionalmente, que se tornam presas fáceis da sordidez desses psicopatas, por invigilância dos pais que dão os equipamentos de comunicação virtual, mas não as orientações devidas ou os deixam diante dos aparelhos de televisão banqueteando-se com as películas de sexo explícito e degenerado a qualquer hora do dia...
Dá-se um tipo de amadurecimento psicológico dos jovens, relativo ao tempo, distorcido, mórbido, sem significado dignificante.
Tornando-se adultos antes do tempo, permitem integrar tribos e grupos criminosos por desafiarem o status quo, transformando os conflitos em sentimentos normais. A astúcia e a perversidade instalam-se-lhes no comportamento, levando-os a se tornarem hackers, se satisfazendo na invasão da intimidade dos outros, contaminando os computadores com vírus, formando gangues ameaçadoras e perigosas.
A loucura torna-se normal e o perigo ronda a vida.
Essa alucinação deixa o indivíduo soberbo, exigente, ingrato, bloqueando-lhe os sentimentos de amor e de justiça e desenvolvendo-lhe os instintos agressivos que deveriam ser disciplinados, odiando a sociedade, porque se detestam interiormente.
Desamados, desde cedo, pelo desinteresse dos pais, com algumas exceções, vivenciam o abandono  nas mãos de funcionários remunerados, pouco interessados na sua harmonia psicológica e educação moral, e perdem o calor da afetividade que não receberam, vendo, os pais, apenas como provedores dos recursos para manter a vida, desligados dos seus problemas, das suas necessidades reais...
Iniciados desde cedo nos prazeres do sexo sem compromisso, os vícios se lhes instalam, começando pelos medicamentos para dormir, para despertar, para se excitar e para se acalmar, passando para drogas químicas e alucinógenas.
O desvio toma conta da sociedade que se equipa de recursos eletrônicos para se defender, quando se deveria equilibrar com sentimentos de amor e de compaixão para manter a saúde e a paz.
Apesar das inconsequências do comportamento humano, floresce na intimidade do ser a presença da paz e da saúde esperando oportunidade para expressar-se.
É necessário, buscar o sentido existencial, o amadurecimento pessoal pela reflexão, através das ações de generosidade, para que se modifiquem as paisagens humanas da sociedade aflita destes dias.
Esse transtorno neurótico perturbador resulta do que Jung chamou de “o sofrimento da alma que não encontrou seu sentido.”
Esse sentido não é dado por ninguém, nem o psicoterapeuta tem recursos para dá-lo, por ter origem e significado pessoal, propiciando o nascimento do sentido existencial que vai sendo desdobrado pelos valores morais conquistados nas experiências da reencarnação.
É necessário que cada um descubra a responsabilidade de ser ele mesmo, como pessoa humana com valores que devem ser multiplicados e vivenciados como modelos de significado iluminativo. Para alcançar o estado numinoso, é preciso tornar-se luz desde cedo ou quando possível, ampliando com a consciência da responsabilidade pelos atos, sem temores nem aflição.
Compreendendo-se responsável por tudo que lhe diz respeito, nele se instala o significado existencial que lhe permite o dever para tomar posições avaliadoras. O dever representa saúde ética e moral, física e emocional, psíquica e espiritual, proporcionando-lhe, o vir a ser sem traumas nem culpas do passado.
A sombra que dominava o ego dilui-se no self consciente da superação dos desafios.
Eis, como encontrar o sentido da vida.
Texto trabalhado do livro Psicologia da Gratidão, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco. Elaboração de Adáuria Azevedo Farias. Publicado em 02/01/16.