sexta-feira, 10 de abril de 2015


Amar para ser feliz
A Parábola do Filho pródigo compõe a trilogia narrada por Jesus como resposta ao farisaísmo hipócrita e perseguidor.
Era hábito em Jesus conviver com os  pecadores e os publicanos  atraídos por Seus ensinos libertadores.
Os doentes do corpo buscavam a cura que lhes restaurasse a saúde.
Os seus enganos eram considerados  graves compromissos pela intolerância religiosa e social da sociedade castradora e perversa da época. A sombra coletiva flutuava sobre Israel e os seus servidores mais credenciados, os fariseus, os levitas, os escribas, os sacerdotes viviam da aparência.
Tinham a preocupação de atender aos 613 preceitos de cuidados ao corpo e à sociedade, embora no interior estivessem mortos em sentimento e sustentação de coisa nenhuma.
Os seus conflitos eram mascarados por ser para eles importantes os falsos prestígios e distinções, as bajulações e a aparência impecável o mais que possível, ainda que apodrecendo de inveja, insatisfação, enfermos em espírito com mais dificuldade para recuperar-se.
Nas parábolas psicoterapêuticas contadas por Jesus, percebemos que os inimigos d’Ele não censuravam a conduta dos excluídos da vida social, por serem pecadores e cobradores de impostos que eram detestados, mas sim a conduta do Mestre por conviver com eles. Esqueciam que era natural que o Homem integral, Aquele que não tinha sombra nem conflito aproximasse dos impuros, para os recuperar, e os integrar na vida.
Esqueceram, por conveniência e pela perversidade em que se satisfaziam, da grandeza do amor, da proposta de libertação, do significado profundo de que é portador.
Por isso, considera-se que as três parábolas a dos perdidos, a do homem que deixa o rebanho para buscar a ovelha que se perdeu, a da mulher que perdeu uma dracma e a do Filho pródigo, que se perdeu, podem ser consideradas como as do encontro e do autoencontro.
Também, pode-se chama-las mensagens de júbilos e de misericórdias, porque todos, quando encontram o que haviam perdido, exultavam, chamando todos, servos e amigos, para que se banqueteassem, para que sorrissem, para que se alegrassem com os resultados felizes.
A saúde é jovial e enriquecedora de alegria, promove a tranquilidade e faz crescer a capacidade de amar.
O pai misericordioso em todos os momentos da narrativa profunda ama, tanto ao que foge buscando a autorrealização e fracassa, quanto ao que fica do lado, vivendo emocionalmente distante do carinho e do sentimento de ternura com o genitor.
Em instante algum demonstra afeto, porque está morto na sua conduta formal, pusilânime, aparentando fidelidade, mas é apenas interesseiro, pois não se refere ao que volta humilhado e destroçado interiormente, como seu irmão. Usa uma expressão dura com o pai e ferinte com o sofrido, dizendo: - Esse teu filho aí...
Havia um desprezo proposital, um ciúme doentio e um profundo sentimento de vingança. Ele agora via o irmão como competidor agora reabilitado, novamente com direito aos bens do pai, que iria disputar a herança com ele...
Mas o pai, explica com paciência amorosa, sem lhe censurar a conduta e o ressentimento: - Filho (menino), tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
O Self (o ser real, ser profundo, o Eu profundo) do pai sabia o porquê do despeito do ego do filho mais velho e procurou tranquilizá-lo, sem conseguir de imediato. E acrescenta: - Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e voltou a viver; estava pedido e foi encontrado!
Só um sentimento de amor profundo e desinteressado poderia concluir dessa maneira a análise do comportamento do filho que voltou, ao mesmo tempo, demonstrando o porque da alegria.
O amor do pai é automático em expressar-se, em oferecer-se em júbilo.
Ao ver o filho de longe corre e enche-se de compaixão, lança-se-lhe ao pescoço e cobre-o de beijos.
Esse beijo na face é sinal de perdão e  compaixão, renascimento e vida. Não deu tempo ao filho ingrato de justificar-se, demonstrando-lhe que estava novamente no seu lar.
Só aí o desertor confessou que pecou contra ele e contra o céu, não sendo mais digno de ser considerado filho.
Esperava ser tratado como empregado, porque a culpa estava registrada nele, pela deserção, pelo desinteresse pelo pai idoso, quando mais precisava de apoio e  segurança.
O amor é a terapia eficiente para os males que afligem os indivíduos em particular e a sociedade em geral, porque desperta a reciprocidade, tirando do esconderijo do egoísmo esse sentimento que é inato, mas que precisa de estimulo, de ser despertado, de ser trabalhado, de ser aceito.
O filho mais velho ficou com os sentimentos ressequidos, dedicando-se ao trabalho rotineiro e não compensador de amealhar, não para o  pai, na expectativa da herança, mas, para ele mesmo. Como consequência, não era a manifestação do amor que o deixava doente emocionalmente, mesquinho e distante.
Negando-se a entrar em casa e rejubilar-se, ficava preso ao instinto de conservação dos sentimentos doentios, não permitindo ao Self (o ser real, o espirito) desenvolver-se, mantendo-se  distante e cerrado.
Precisa entrar na casa dos sentimentos e renová-los com a alegria, com a satisfação pela felicidade dos outros. É comum chorar-se com quem chora, mas poucas vezes, sorrir com as alegrias dos outros, porque a inveja, filha do egoísmo, não permite compreender a vitória, a real alegria do outro...
Na sua solidão, o filho mais velho talvez quisesse conquistar independência depois da morte do pai, atrair amigos e afetos, pensando que só o poder e o ter permitem companhia e participação nas alegrias. No seu interior, ele continuaria ressequido, querendo ser amado, considerado com destaque, assim superando o complexo de inferioridade em que vivia por depender do pai sem o amar...
A felicidade não se encontra fora do amor, que é o elã sublime de ligação entre todas as forças vivas da Natureza, o alimento das almas, fortalecimento da psique, é vida e força espiritual.
Enquanto não vigorar o amor natural, o ser humano caminha perdido num país longínquo, gastando as posses que passam de mãos e sempre deixam só  (solitário) aquele que busca a multidão de presenças exteriores, também vazias de companheirismo.
Aquele que busca o encontro, ainda que   inconsciente do Self (do ser profundo), percebe que só com o mergulho interior, na reflexão silenciosa, é que é possível descobrir e dominar os tesouros adormecidos, trazendo-os para a ponte que facilitará a comunicação entre os dois  eus, fazendo a identificação do ego com os valores legítimos da vida.
Heranças do passado como: prevenir para sobreviver, agredir antes de ser atacado, ficar na retaguarda, são lamentáveis experiências que perturbam a saúde emocional e psíquica dos indivíduos.
Abrindo-se ao amor, cada um descobre que toda fuga é perturbadora, e todo avanço na direção do serviço fraternal, da solidariedade, do amor aponta para  próximo encontro com a saúde.
O estado de semianiquilamento físico e moral do filho mais moço demonstra que toda fantasia a respeito da vida é um perigo, e a entrega ao prazer desmedido  transforma-se em frustração, desgaste e culpa.
A autoconsciência é o elemento que deve ser buscado sempre e com clareza, para poder escolher o que se deve e se pode fazer com prejuízo do que se pode, mas não se deve, ou se deve mas não se pode fazer.
O filho mais velho tem a religião formal, a aparência social, mas ainda não encontrou o sentido da vida, o significado do amor em plenitude e varias formas de expressão.
Na censura que faz, o filho mais velho esquece-se da justiça, pensando em ser justo, pelo menos com ele mesmo, por acreditar ser o único a merecer  todas as homenagens. Assim agem os egoístas.
Esquecem-se que os haveres são do pai, e que, mesmo idoso, enquanto viver, tem o direito a reparti-los, utilizá-los conforme lhe aprouver, já que foram os seus braços que deram início ao patrimônio, foram a sua administração e a sua constância no trabalho que mantiveram os recursos agora disputados pelo infiel que se dizia fiel...
A sociedade ainda vive de maneira farisaica, censurando os pecadores e os cobradores de impostos, requerendo cada membro mais atenção e cuidado, no inconsciente com inveja dos prazeres que aqueles experimentam e eles não se encorajavam a vivenciar, em face dos preconceitos vigentes...
Não estranhe que alguém seja censurado por uma atitude, veementemente combatido porque quebrou algum tabu social, não porque se permitiu a leviandade, mas porque o seu censor gostaria de estar no seu lugar e não tem as forças para fazê-lo, vindo, no entanto, mais tarde, a viver de forma equivalente, demonstrando o conflito em que vivia, a exulceração oculta superficialmente, mas da mesma forma pútrida.
Provavelmente, esse filho mais velho via o pai como um fornecedor dos bens que desfrutaria no futuro, não como o pai generoso e amigo que também participa da vida, das alegrias, das tristezas, mesmo trazendo o coração angustiado pela saudade do filho perdido...
O amor abarca o mundo, e por mais se divida, não diminui de intensidade,  multiplicando-se e ampliando-se ao infinito.
Só no amor está a felicidade, porque nele se colhe vida e vida em abundancia, tornando possível o encontro com a consciência de si, o autoencontro com o Self (o ser profundo, ou ser real). 

Texto estudado a partir do livro Em Busca da Verdade, escrito por Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis. 10/04/2015.

segunda-feira, 6 de abril de 2015


VOLTAR PARA CASA

A volta para casa é uma viagem  de alegria, de formosas expectativas, de lembranças queridas, das raízes, de segurança do conhecido frente ao  mundo desconhecido.

O Pai misericordioso é apoio e amparo, mesmo na parábola, em nenhum momento ele recalcitra, seja quando o filho deseja aventurar-se na loucura, iludindo-se com a possibilidade do autoencontro adiante, ou na volta, sem repreensão.

Em casa, lugar de desenvolvimento dos valores profundos do ego e da afirmação do Self, há alegria em razão da simplicidade, dos recursos que trazem saúde e bem-estar, que também pode asfixiar ou afligir, por falta de liberdade total em que se possa expressar.

Não se pode ser livre in totum, por causa dos limites impostos pelas leis e pelo organismo que,  acaba sendo uma prisão necessária para a evolução.

Esse Pai, deseja a felicidade do filho, ele pode estar configurado no superconsciente, numa expectativa agradável de que tudo será resolvido, e para que isso aconteça, compreende as desilusões e as experiências frustrantes que aquele viveu, não lhe aumentando a carga de culpa nem de remorso, mas liberando-o, para que ele possa se estabelecer definitivamente na confiança e na renovação.

O filho, não censurado, não sente vergonha, nem constrangimento.

Aquele Pai misericordioso também não reclama da conduta do outro filho ciumento, em difícil trânsito da adolescência para a a maturidade, porque a dor que experimenta já é uma forma de punição em referencia à sua conduta. Esforça-se por diluir-lhe a mágoa, justificando que tudo que tem é dele, que ele tem estado ao seu lado, portanto, desfrutando de segurança e  alegria.

Importante o detalhe da oferta de um anel que o pai faz ao transviado, esse elo de vinculo profundo, para restabelecer a ligação interrompida pelo ego inquieto, doentio. O anel será um símbolo de bem-estar, ajudando a curar os sofrimentos que se demoram no seu mundo interior.

As sandálias, que também lhe manda pôr aos pés, tem grande significado, porque mostram prestígio social. Os descalçados representam a penúria e o desprezo, psicólogo daqueles que não tem apoio para a marcha, que se acreditam sem possibilidades emocionais para os enfrentamentos, já fracassados, porque perderam os chinelos de proteção aos pés andarilhos, agora sem condições de avançar, porque abertos em feridas, vitimados pelas dificuldades e pedras do caminho. Essas dificuldades são as atrações perturbadoras, os prazeres insensatos, os gozos intoxicantes...

Por ultimo, ao chegar à casa, o filho recebe um manto que o iguala ao pai e ao irmão, um suspiro de confiança, tornando-se, assim, um igual, alguém querido que merece respeito.

O Pai misericordioso abre-se ao self do filho e agasalha-o no manto de púrpura que ele mesmo veste, assim como o possuem o outro filho e os seus convidados de destaque.

Em casa, não há lugar para a inferioridade do retornado, porquanto o amor a todos iguala, dando-lhes oportunidade de crescimento e de iluminação.

As criaturas tendem a manter posturas de tristeza, melancolias continuadas, conflitos a respeito do existir. Mesmo quando tudo chama à reflexão da alegria, desde um botão de rosa que desabrocha aos beijos cálidos do Sol à magnitude gloriosa do nascer do dia.

A sombra densa dos atavismos reeencarnacionistas nelas é perturbadora, patológica, anulando a alegria natural da experiência de viver e de renascer, cultivada como transtorno masoquista e afligente.

Deus é o mais extraordinário exemplo de alegria, como Jesus sempre o decantou. É o Pai dos felizes e dos angustiados, a todos oferecendo a incomparável oportunidade de reencontrar-se na estrada evolutiva, de recomeçar quando evocado e de prosseguir enriquecido quando eficiente e produtivo.

A mensagem do Carpinteiro galileu é um hino de alegria, porque Ele não possuía sombra, era todo numem, convidando à satisfação do desenvolvimento psicológico e social, de forma que todos pudessem desfrutar de felicidade, como recomendava e vivia.

A sua mensagem é libertadora, produzindo bem-estar e autorrealização, conferindo valores existenciais que se encontram adormecidos.

A fuga para a tristeza produz infelicidade, porque as trevas de desinteresses pelo desenvolvimento do Self tornam o ego mais castrador e impeditivo de vivenciar solidariedade e harmonia. Enquanto se encontrem os conflitos originados na melancolia, na insatisfação, na queixa, pode-se fugir para a autoanulação, para a morbidez existencial.

Na parábola, as vestes oferecidas ao Filho pródigo mostram renovação e rejuvenescimento, recomeço e beleza. A sombra cede, imediatamente, lugar ao entendimento, favorecendo sentimento de igualdade em relação às outras pessoas, sem   conflito perturbador.

Os andrajosos físicos também, quase sempre estão descuidados psicologicamente, atirados ao  descaso, a indiferença, querendo não ser notados, se fazendo excluídos por conta própria do meio social. Morrendo, querendo desaparecer, não deixar marca.

O Pai misericordioso sabia que o seu filho necessitava de roupas novas, de identificação pessoal com as demais pessoas. Não era um réprobo de retorno, um fugitivo que estava sendo recebido, mas o filho que fora na busca de si mesmo e não teve êxito. Precisava estar com a veste própria para a festa que logo ocorreria em sua homenagem, de forma que não se sentisse inferiorizado.

A festa sempre é a maneira de celebrar-se a volta dos vencedores, mas, naquele caso todos celebrariam o valor do pai, a segurança do lar, a vitória do bom senso e da realidade distante da ilusão.

O amor é luz que se espalha por todas as direções, envolvendo a tudo na mesma claridade, sem excesso no epicentro nem diminuição na distancia.

Os dois filhos para o pai, eram as estrelas da velhice e as aspirações de nobreza que todos devem ter e manter em desenvolvimento contínuo no rumo da conquista da individuação.

O Filho pródigo não apenas foi recebido, mas também abraçado pelo Pai.

Há muitas maneiras de receber-se quem chega de viagem. Naquele caso, somente havia júbilo, porque há mais alegria quando se encontra a ovelha perdida, como falou Jesus.

Na sublimação dos valores egóicos, que devem se transformar em claridade no intimo do ser, há um abraço paternal da saúde real em relação aos muitos distúrbios da jornada evolutiva.

Esse abraço expande-se, acolhendo, também o outro filho, o insatisfeito, que pode ser também o eu demônio da fissão da psique.

Trabalhar pela fusão desses antagônicos eus é o desafio psicológico da busca do estado numinoso, onde não há lugar para sombra  alguma, suspeita injustificável, aceitação de sofrimento ou de conflito.

O processo da volta para casa após a jornada pelo país longínquo é feito por experiências libertadoras de crescimento e amadurecimento emocional, de superação dos tormentos infantis que permanecem dominadores na personalidade, de identificação com realidade desafiadora que deve ser vivida com entusiasmo.

O filho é uma experiência juvenil, que avança para tornar-se pai, no processo natural da perpetuação da espécie.

A longa experiência da filiação irá dá madureza para a paternidade responsável, sem os descaminhos das emoções exacerbadas.

No inconsciente individual, quando alguém se nega ao autoconhecimento, estará negando-se à futura paternidade/maternidade, que a vida impõe, sob o aspecto biológico ou afetivo.

Não apenas é genitor aquele que reproduz, mas também quem ensina, quem educa, quem se responsabiliza e guia, numa pater-maternidade espiritual de longo significado, que muitas vezes se torna mais representativa do que biológica. A biológica é automática, impositivo da união sexual, a outra é optativa, espontânea, idealista, libertadora.

Quem se isola na tristeza, negando-se a luz da alegria e a música do júbilo, aprisiona-se na solidão, sem reproduzir-se em afeto ou em dedicação, podendo ser considerado, como a parábola da figueira que secou, simbólica, em relação às vidas ressequidas, não produtivas, vidas inúteis, muitas vezes pesando na economia da sociedade, sem esforço de ser contribuinte, escolhendo a dependência,  doentia dependência infantil.

Cada período existencial é uma oportunidade de alcançar-se a próxima etapa, mais amadurecido, mais lúcido.

É o que anela o Pai amoroso da parábola. Aqueles filhos seriam pais um dia sendo preciso que compreendessem, desde cedo, que o afeto não tem limite, em qualquer circunstancia que se apresente. Quando exige, ou se impõe, torna-se capricho emocional e não alimento da vida.

Esse crescimento em direção a paternidade/maternidade independe da cultura, da posição social, de recursos financeiros, por tratar-se de amadurecimento interior, de reflexões profundas vindas das experiências existenciais nas  diferentes expressões da reencarnação.

A culpa do filho pródigo cedeu espaço para a confiança do amor do pai, de tal forma que não teve pudor em desculpar-se, em expor-se, em apresentar-se desnutrido, descalço, malvestido, em situação deplorável, mas, vivo e confiante.

Não ouviu do Pai generoso as expressões usuais do perdão, ao lado da repreensão, do acolhimento, mas também da queixa pelo tempo que foi malbaratado, ao lado da fortuna que foi desperdiçada. Encontrou abrigo e compreensão, oportunidade renovadora, como se nem sequer houvesse ido ao país longínquo, porque jamais se afastara do seu coração bondoso.

Esse é o mais elevado troféu do sentimento de paternidade, de dever humano e social, de construção da vida em todas as expressões.

Quando se deseja paz em lutas, alegria em vexames e queixas, somente sombras e nevoeiro surgem encobrindo o Sol da vida.

A volta para casa é inevitável, porque todos voltarão ao país longínquo-próximo da Espiritualidade de onde veio para a experiência de crescimento e de desenvolvimento do deus interno.

Transgrida ou não o compromisso de respeitar os tesouros que se dispõe, a volta é obrigatória, por ser essa a finalidade existencial do processo imortalista.

O ser humano é construído para a plenitude do Self, depois das inevitáveis experiências de ida e  volta para casa.

Texto trabalhado do livro Em Busca da Verdade, médium Divaldo Pereira Franco, Espírito Joanna de Ângelis.

Postado em 06/04/2015

domingo, 5 de abril de 2015


 

O INCONSCIENTE COLETIVO E A GRATIDÃO

Diante de algumas decisões, o ser consciente tem grande dificuldade em escolher qual a mais certa. Porque o inconsciente coletivo encontra-se sobrecarregado de medos, lembranças afligentes, impulsos descontrolados, de toda uma herança do primarismo ancestral, misturado com experiências gerais e pessoais, como resultado da sombra que existe na natureza de todas as pessoais.

Nas experiências da alegria ou da tristeza, da harmonia ou do desconserto, os grupos sociais podem compartilhá-las em razão do inconsciente coletivo, o que explica acontecimentos tristes ou venturosos que ocorrem ao mesmo tempo em várias partes da Terra. É com esse comportamento que, em qualquer período, a sombra coletiva surge do inconsciente coletivo,- passa individualmente de pais para filhos, ao mesmo tempo de um para outro grupo -, transformando-se em calamidade social. Os vícios sociais, como: fumar e beber, as extravagancias sexuais, o uso de drogas aditivas que invadem a sociedade, os jogos de videogame que se transformaram em modismos, entre outros, tomam conta das massas de forma contagiante,  resultante do inconsciente coletivo, que oferece à sombra uma oportunidade de participar do fenômeno. Tal acontece de forma inconsciente, por isso, revela-se automaticamente na sociedade, após aparecer no indivíduo. As sociedades se estruturam por acontecimentos e métodos pedagógicos de conduta infantil, quando se aprende a distinguir entre o que é bom e o que é mal, conforme a cultura e a ética de cada grupo. Se a questão da sombra fosse identificada na infância, quando se ensinaria como descobrir os impulsos que vem dela, favorecendo o educando com a compreensão da própria fragilidade, dos erros, desculpando-se e corrigindo-se, esclarecendo que há variações no comportamento, ora para o bem ora para o mal, tornariam mais fáceis as condutas favoráveis à sociedades e a tudo quanto se lhe vincula.

A sombra acontece no inconsciente coletivo chamada de energias contrárias que caracterizam os terroristas, os criminosos em geral ou os bons cidadãos: Hitler e Churchill, Alarico e Santo Agostinho... Na Na realidade, a aversão e animosidade que se sustentam no exterior vem do íntimo onde se tornam aliados. É como se fosse preciso que houvesse um opositor, um inimigo, para que se mostre a pessoa que se é. Nas lutas mais sangrentas ou  perversas, nas perseguições sociais sutis ou públicas é que se surgem os heróis, os santos, os mártires, em razão do lado sombrio que existe em todos nós.

O inconsciente coletivo registrou todo o processo da evolução do ser, desde quando o córtex cerebral se desenvolveu fazendo surgir as funções exteriores, dos conhecimentos abstratos, dos valores transcendentes como o amor e a misericórdia, o perdão e a caridade, a alegria e a compaixão revelando o self. As energias contrárias promoveram o surgimento da sombra que, em razão do seu lado oposto, esquece a gratidão, criando dificuldades para experiencia-la, causado pela prepotência ancestral que vem do primarismo na escala evolutiva.

Numa análise mais minuciosa constata-se que a evolução do ser humano resulta mais da  mente do que do cérebro físico, compreendendo que o self (o espírito) lhe é preexistente, permanecendo adormecido enquanto preparava os equipamentos para se revelar, é o que ainda ocorre no programa de conquista da individuação, em que impulsos éticos e conquistas iluminativas transcendem (ultrapassam) a capacidade física.

A gratidão é uma experiência moral, não cerebral, do self, não do ego, pois o primeiro tem origem divina e o segundo é de natureza humana. Herdam-se os sentimentos – egóicos, geradores da sombra – ou os sublimes estimuladores do self. Quando se odeia alguém, experimenta-se a sombra desconfiada de que o outro é que o odeia e quer prejudicá-lo. Em Mecanismo de defesa nasce, aí a animosidade. Quando se expressa o amor, o córtex proporciona bem-estar orgânico, ampliando as possibilidades de crescimento do self, dando lugar à saúde.

Somente através do amor é que o sentimento da gratidão e da vida pode manifestar-se, e sendo vivenciado por alguém irá influenciar as futuras gerações por insculpir-se no inconsciente coletivo, destruindo o império dominador da sombra.

As pessoas que ainda se encontram no comportamento sensorial, fisiológico, à medida que despertam o self, veem o mundo à sua volta de maneira totalmente contrária ao que viam, dominado por luminosidade grandiosa, por belezas nunca vistas, por harmonia ainda não observada, pela brisa perfumada, alterando a realidade anterior da paisagem sombria, sem vida, dominada por odores pútridos e por seres humanos que parecem  mais animais estranhos... Isso só vai acontecer se for possível superar os limites da sombra no inconsciente coletivo desconhecido, gerador de vários conflitos, como culpa, vergonha, julgamento, transferência, projeção, separação, através dos quais o self se debate sem conseguir vivenciar a plenitude. Indispensável à coragem para os enfrentamentos e a conscientização de que todos são débeis e erram, não se apoiando nas bengalas do desculpismo e do acanhamento, porquanto o processo de evolução é feito de sucesso e insucesso, não se permitindo os julgamentos hediondos e oriundos do complexo de inferioridade, desprendendo-se das paixões inferiores às quais se aferram. Logo depois, conscientizando-se da necessidade de iluminação o paciente terá que se desprender dos julgamentos de si mesmo e dos demais, passando ao trabalho de (re) construção dos equipamentos emocionais, deixando de refugiar-se na projeção da própria imagem nos outros, dando a cada qual o direito de ser feliz ou desventurado conforme sua eleição, sem inveja nem ciúme, sem mágoa nem amargura. Nesse ínterim, novas forças morais são acrescentadas, e o paciente entra em contato com os sentimentos superiores, não separando, mas descobrindo a sua arrogância mascarada de humildade, a defensiva persistente para estar a favor e não armado contra, bem idealizando as demais criaturas com as imagens fortes da bondade divina. Logo se vai diluindo a sombra, e os preconceitos, os ciúmes, as inseguranças abrem lugar para a ternura, a amizade, surgindo  a gratidão a tudo e a todos, até mesmo ao desagradável, é necessário no campo experimental das emoções.

O hábito da projeção leva à paranoia que se disfarça, escondendo a ansiedade asfixiante e profundamente enraizada no comportamento psicológico.

Querer o bem apenas não é suficiente, é preciso vivencia-lo, aspirar pela paz, abrindo-se à paz, porque toda vez quando se combate a guerra, o mal, em realidade se é (interiormente) aquilo que se está apontando em situação contrária, projetando a sombra, o negativo oculto do comportamento.

É comum a projeção e a separação unirem-se e agredirem os outros, quando se narram eventos constrangedores que eles praticaram, dando a impressão de estar-se aconselhando, orientando. Inconscientemente ou não, está-se censurando, embaraçando a pessoa, vingando-se da sua superioridade, aquela que lhe é atribuída.

Nessa conduta, a inveja tem papel relevante, porque filha especial da sombra ou sua promotora também, vivencia-se um prazer especial em expor o outro, em apontá-lo à censura dos demais.

Reconhecer, a negatividade presente em si é um dos primeiros passos para desmascarar-se a sombra, aceitando-lhe a presença, mas não conivindo com ela.

Por outro lado, evitar a queixa que se propõe a ganhar compaixão e solidariedade, utilizando-se dela como autojustificativa para continuar na conduta doentia, distinguindo os valores possuídos com critério, é passo decisivo na construção da gratidão. A gratidão que se deve ter à vida, em que todos estão situados.

Um dos importantes recursos para dar direito aos outros de se comportarem conforme estão, é o da compaixão, que é uma forma gratulatória de encarar a vida, porque o ato de a vivenciar com relação ao próximo é também maneira de beneficiar-se. A consciência ou superego sempre está vigilante e é preciso ouvir-lhe a argumentação, especialmente quando alguém se envolve em autojustificação. Ela sempre tem o valor independente de diluir as máscaras e mostrar o erro em que se encontra, assim como  avaliar com acerto o procedimento. É destituída de compaixão, empurrando o ser para possuí-la em relação ao outro, facultando sintonia com a misericórdia, com Deus. Quando se exerce, portanto, a compaixão, a consciência anui e compadece-se também autossuperando-se e vitalizando o self.

Na (re) construção dos seus equipamentos emocionais devem-se abrir canais para a presença da gratidão, exercitando-a sem cessar e não permitindo que o inconsciente coletivo lhe crie obstáculos, tornando-a inexequível.

Trabalho executado a partir do livro Psicologia da Gratidão, pelo médium Divaldo Pereira Franco, do Espírito Joanna de Ângelis.

05/04/2015.

sexta-feira, 3 de abril de 2015


 

Um país longínquo

um país longínquo onde a vida estua e começa, possibilitando o processo de crescimento espiritual, nas sucessivas reencarnações. Mesmo quando o viajante se encontra na terra, por não se conhecer, ainda não havendo identificado as províncias emocionais por onde pode passar com segurança ou não, permite-se identificar pelas expressões mais grosseiras das necessidades fisiológicas, das sensações orgânicas, do imediato que lhe toca os sentidos.

Periodicamente, fascinado pelo brilho  das ilusões, relaciona todos os haveres que estão ao seu alcance, mas que não lhe pertencem, e pede ao Pai que lhe permita usufruí-lo à saciedade, fugindo de casa, da segurança do lugar em que se encontra, para tentar ser feliz, conforme o seu padrão mentiroso.

Herdeiro da inteligência e do sentimento, das tendências artísticas e culturais a que não dá valor, porque lhe exigem sacrifícios e desafios contínuos, reúne os tesouros da sensualidade, das ambições desmedidas, dos jogos dos sentidos primários, do acúmulo das forças juvenis e parte para outra região onde pode refestelar-se no prazer irresponsável, esquecidos dos compromissos com a vida.

Esgota-se, junto aos seus demônios internos e anseios desregrados, até que surge a fome, por escassear os meios de continuar na loucura, e acaba  encontrando companhias nas pocilgas dos vícios mais perversos, alimentando-se dos miasmas e excentricidades que lhe chegam em decorrência do abandono dos parceiros emocionais...

Momento em que tem um insight e dá-se conta de que não é aquilo, somente se encontra daquela forma, que não necessita de chafurdar mais fundo no chavascal da vergonha e do desdouro moral, quando tem um Pai generoso que trata bem aos que lhes servem, e pensa em voltar, pedir perdão, demonstrar o sofrimento que experimenta, a necessidade de recomeço, a submissão aos seus nobres deveres.

No processo da evolução, não são poucos os indivíduos que procedem de maneira diversa. No inicio querem a independência, sem nem saber do que se trata, que buscam a liberdade que confundem com libertinagem, que anseiam o prazer, que pensam derivar-se do poder, mergulhando em aventuras doentias e perturbadoras, e amadurecem psicologicamente no sofrimento.

Abrem espaço à provações severas, como os metais que precisam do aquecimento para se tornarem plasmáveis e aceitarem as imposições dos artífices, vivendo um período angustiante, para só aí pensarem em voltar para casa.

Lembram-se que, na província de onde vieram, havia alegria, diferente, é certo, mas júbilo, e querem fruí-lo, como é natural. Enquanto no gozo desgastante, desperdiçando a herança que conduziam tudo é frustrante, o desespero é crescente, as perspectivas são negativas, o que os leva a uma nova tomada de decisão. Que é o retorno à casa, às raízes, para recomeçar e renovar-se.

As províncias do coração humano são muitas e quase sempre estão sombrias, marcadas pelo desconhecido, pelo não vivenciado, que favorecem as fantasias apenas do prazer e do gozo.

Toda província, melhor, ou pior, tem paisagens diferentes, esperando a contribuição dos que as habitam. Em umas é preciso retirar o lodo acumulado, cavando valas para escoar a podridão, noutras, alargam-se os horizontes para que a beleza e a estesia brilhe mais.

Esse país longínquo visto desde o mundo causal pode ser a Terra, para onde vêm os Espíritos com os bens herdados do Pai, para desenvolverem os mecanismos da evolução e aplicarem os recursos de que são portadores, o que nem sempre ocorre de forma favorável aos que o alcançam.

Pode ser o mundo espiritual onde se inicia a experiência evolutiva e se dispõe de recursos inapreciados para serem desenvolvidos pelos esforços empregados, ocorrendo que, nas primeiras tentativas, o esquecimento momentâneo da responsabilidade e os demônios internos que são sustentados pelas paixões primeiras, estimulam o desperdício dos bens preciosos. Saúde, pureza de sentimentos, alegria espontânea são custo, da contaminação dos fatores dissolventes do novo país, pois, na volta para casa eles serão de altíssimo significado, evitando desastres emocionais e afetivos.

Analisando-se o núcleo arquetípico do ego, vê-se que ele não se modifica de um para outro momento, desde o momento da viagem ao país longínquo, predominando as tendências ancestrais que o dirigem para os interesses imediatistas, as conveniências, sem abrir espaço ao si-mesmo  que ambiciona o infinito.

Essa consciência do ego – a superfície da psique – sofre colisões contínuas vindas das emoções habituais e das aspirações de libertação, auxiliando no seu desenvolvimento, alterando-lhe a estrutura e abrindo-lhe campo para realizações mais amplas.

Os problemas afligentes, que se podem apresentar como várias enfermidades, conflitos, à medida que ocorrem as colisões operam despertamentos e surgem oportunidades de mais acuradas reflexões, insights importantes, que irão trabalhar pelo amadurecimento do Self, viajante incansável da evolução...

O animal humano sexuado vitima da pulsão dominante, não lhe é escravo exclusivo, já que outras pulsões apresentam-se-lhe com fortes imposições não podendo ser desconsideradas.

Desde a pulsão da fome até o idealismo mais elevado, trabalham pela transformação das forças da libido em outras satisfações também plenificadoras que impulsionam para a saúde e o bem-estar

A pulsão do Filho Pródigo entregando-se ao sexo desvairado, na fase da deserção da casa paterna – o santuário do equilíbrio, o Éden da inocência  - empurrou-o para o conflito a culpa, o sofrimento e a amargura, descobrindo que o desejo sexual por mais acentuado, quase sempre quando atendido não traz a compensação esperada, produzindo frustração e ansiedade.

A ansiedade leva ao desespero, e a perda do discernimento desenvolve       transtornos de conduta que se agravam.

Raramente, nesse quadro, o ego desperta para perceber-se equivocado e buscar a volta para casa.

No conceito de que o ego é o centro da consciência, devem ser trabalhadas todas as suas manifestações, para que  valorize os bens de que dispõe, não os desperdiçando com as meretrizes nem os companheiros de orgia, esses elfos que permanecem como realidades arquetípicas no inconsciente, conduzindo-o a repetição das experiências malogradas.

Há um país longínquo a ser conquistado pelo ego, simbolizado pela conduta correta, pela consciência liberada dos conflitos.

A existência corporal é sempre um mecanismo de distrações da consciência profunda do si-mesmo, que, embora superficial, exerce uma predominância na escolha dos comportamentos humanos.

Se alguém se coloca como o irmão mais velho da parábola, valerá o esforço de considerar que o outro, seu irmão, não foi feliz na tentativa de ir para o país longínquo, mais teve a coragem de voltar a casa, embora maltrapilho, esfaimado e arrependido.

A pulsão da fome é forte em todos os seres vivos, porque nela estão os recursos para a permanência, a continuidade da vida, o equilíbrio da saúde...

A sombra do que ficou aturde-o, torna-o irascível, em mecanismo de preservação da sua sobrevivência que situa nas posses que o pai lhe legou desde antes da morte, ficando, morto psicologicamente para muitos valores mesmo durante a vilegiatura do pai.

Naquele momento, quando o irmão volta, a sua morte não lhe permite a lucidez para compreender que ele também tem estado em um país longínquo, onde residem a indiferença, a ambição, a cupidez e o egoísmo.

As mudanças arquetípicas do ego ocorrem nas fases da infância para a juventude, dessa para a idade adulta, e daí para a senectude, quando o Self, amadurecido, deve comandar o conjunto eletrônico delicado que é o ser humano.

Isso, acontece quando os indivíduos estão dispostos a despertar para a realidade, superando a sombra ao invés de cultivá-la.

Não serão essas fases, cada período, também um país psicológico longínquo do outro, que deve ser conquistado a esforço e tenacidade da vontade?

A vontade é um impulso que nasce da razão e se transforma em força que deve ser direcionada de maneira adequada para resultados relevantes de dignidade e de crescimento intelecto moral no processo dos valores da vida terrestre.

É, a vontade bem dirigida que vai impulsionar o ego a vencer cada fase, deixando-a à margem após transpô-la, para que não se revele noutro período.

Por faltar o esforço encontramos indivíduos adultos vivendo o período arquetípico da infância, ou na idade avançada com aspirações de adulto, quando o organismo já não dispõe das forças naturais para esse tipo de comportamento.

Como o processo de vida é um fenômeno entrópico, ele se desenvolve graças ao desgaste da energia, e por isso, cada período estará nutrido pelas forças hábeis e correspondentes à sua fase.

Mantendo-se o ego em harmonia com o Self, equilibra-se o eixo que os liga, e a sombra cede espaço ao discernimento, liberando toda a energia para o processo de individuação que deve ser a grande meta.

Há quem pense que a fuga do Filho Pródigo tem um significado arquetípico, referente ao estoicismo, à coragem de buscar-se, de realizar o encontro, de descobrir-se interiormente, de conquistar o Self.

Concordamos, com a tese, lamentando  o processo da ingratidão, da perda do sentido existencial no abandono ao Pai, naturalmente rompendo o cordão umbilical, num momento em que ainda não tenha a maturidade para os autoenfrentamentos, resultando a tentativa no retorno à casa de segurança, à proteção do genitor.

A conquista do si-mesmo há de ser feita em atitude interior para superar os impositivos da sombra egoísta e perversa, que seduz e ilude, dando imagens equivocadas da realidade e negando a possibilidade de libertação.

Na proposta de progressão junguiana, é necessário o bom encaminhamento da energia da libido, canalizando-a para uma  compreensão melhor da vida humana e da sua aplicação na conquista dos recursos que a edificam. Quando ela é interrompida, dá um choque, seja a perda dos interesses libertadores, passando a uma fase de regressão e perdendo-se no inconsciente, desenvolvendo complexos e conflitos perturbadores.

A psicoterapia em geral e a espírita em particular, libertando o indivíduo das amarras do erro e dos enganos, estimula-o à autossuperação das deficiências através do esforço da vontade e da contribuição da libido, agora dirigida para fins nobres, sem sofrimentos nem ansiedades de sublimação, apenas aplicando de forma saudável.

Assim, encontra-se o caminho da ida segura ou da volta razoável ao país longínquo, que pode estar no inconsciente como meta existencial a conquistar.

Trabalho executado do livro Em Busca da Verdade; Joanna de Ângelis psicografia de Divaldo Franco. Dia 03/04/2015.

sábado, 28 de março de 2015


A SOMBRA PERTURBADORA E A GRATIDÃO
Todos trazemos o lado sombra, lado obscuro da  existência, ou lado negativo do ser.
Essa sombra, responsável por muitas aflições no ego atormentando o self, conforme o dr. Friedrich Dorsch, é resultado de “traços psíquicos” do homem [e da mulher] alguns reprimidos,  outros não vividos, que, por questões sociais educativas e outras, foram excluídos do convívio.
A sombra traz valores e condições que podem ser usados de forma produtiva ou perturbadora,  e expressam-se de três formas: a) pessoal, cujos significados reprimidos são do próprio individuo; b) coletiva, representando os mesmos significados reprimidos em cada sociedade; c) e a arquetípica,  que tem caráter ancestral de destrutividade do ser humano, sem a possibilidade de diluir...
Para Jung é preciso ter consciência desses conteúdos reprimidos, pois só assim se alcançará a individuação. Após essa tentativa, é preciso trabalhar a sua integração no self ou eu profundo, ou seja esforçar-se pelo amadurecimento psicológico, não mascarando a responsabilidade pessoal mas aceitando-a conscientemente, entendendo as manifestações sombrias vividas.
Todo individuo tem aspirações que nem sempre consegue realizar, recalcando-as com mágoas e não conseguindo superá-las. Junto a esse conflito não exteriorizado, conduz a herança da cultura em que se movimenta como a presença arquetípica de autodestruição, como fuga da realidade.
Tais ocorrências vem de reencarnações, em que experimentou os conflitos gerados anteriormente e que ressumam, como sombra pessoal e coletiva, tomando o aspecto arquetípico característico dos movimentos primários antes do surgimento da consciência e da personalidade.
Com tal potencial negativo, a sombra responde pelas inconveniências que geram sofrimento e amargura, mantendo o ser na sua rede invisível e limitada.
Mas quando conscientizado desses fatores de perturbação, pode e deve trabalhar-se interiormente para superá-los pela redução da sua carga, aplicando-se contribuições edificantes e saudáveis, como otimismo, confiança no êxito, solidariedade,  esforço para manter as perspectivas de realização sem os receios injustificáveis.
A sombra pode ser vista como uma névoa ou uma ilusão que o sol da realidade dilui, proporcionando a visão do existir, onde todos estão situados. E porque as aspirações humanas saudáveis são crescentes, à medida que vão sendo superadas algumas dificuldades com o amadurecimento psicológico, ampliam-se os horizontes do equilíbrio e do despertamento para a individuação.
Há, um grande conflito entre o que se é e o que se deseja ser, no esforço por alcançar patamares em que a harmonia emocional torne-se uma realidade, proporcionando estímulos a serem conquistados.
Nada a estranhar, nessa aparente dualidade, já que existe o lado bom e o lado mau de todas as coisas, o alto e o baixo, o dia e a noite, a vida e a morte, yin e o yang, produzindo a integração, a unidade...
Em toda parte são identificadas as manifestações sombrias do ser humano, mas também o lado numinoso em toda a sua grandiosidade, resplandecente nos heróis do saber e do ser, do conquistar e do realizar, na ciência, na tecnologia, nas artes, na religião, no pensamento, na solidariedade, enquanto também vigorar o instinto de destruição pela agressividade, pelos vícios, pela ignorância, pela prepotência...
A civilização atual, rica de conquistas, ainda não conseguiu fazer feliz a criatura humana que, embora favorecendo alguns membros a viverem em grande conforto e desfrutando de comodidades, de belezas ao alcance da mão, em grande parte ainda continua insatisfeita, infeliz, invariavelmente caindo na drogadição, no alcoolismo, na busca desenfreada do prazer, pela ilusão. Aí encontramos o predomínio da sombra coletiva e arquetípica não trabalhada pelo conhecimento do ser em si mesmo e das suas imensas possibilidades, sempre conduzido para o gozo e o não pensar em profundidade, vivendo na superficialidade dos fenômenos humanos. Tem faltado a coragem social para romper essa cortina que impossibilita a visão da realidade psicológica da vida, e assim as suas aspirações não vão além dos limites sensoriais.
Apesar do esforço da psicologia social e de outras escolas, de algumas importantes doutrinas religiosas e filosóficas, o ser humano limita-se mais ao que toca e alcança do que deseja emocionalmente, nas sensações materiais sem fruir as emoções libertadoras.
Infelizmente, a educação atual trabalha mais por  preservar o medo ao lado sombra do indivíduo, que se propõe ignorá-la, para usufruir os bens que estão ao alcance, e quando defronta pensamentos ou acontecimentos infelizes, quer esquecê-los, não os enfrentar, como se fosse possível escondê-los num depósito que os asfixiaria. Quando reprimidos esses sentimentos e sucessos, na primeira oportunidade vem a tona com a carga aflitiva de que se constituem e nublam os céus dos iludidos.
A vida humana é um contínuo desafio que o ser profundo ou self tem pela frente e todo o seu esforço é buscar a integração da sombra no seu eixo.
Todos os indivíduos devem diluir a treva nele presente, com a mesma naturalidade que enfrenta a luz, considerar a dor e a frustração como normais que podem corresponder ao bem-estar e à sabedoria, logo sejam convertidos pela racionalização e pelo trabalho psicológico.
Todos os condutores da sombra – e todos o são -, em vez de a considerarem processo de crescimento, experimentam certa vergonha, ou constrangimento, e procuram disfarça-la.
Esse comportamento dá origem a uma sociedade hipócrita, artificial, incapaz de condutas maduras que beneficie a todos. Sempre é mais homenageado e querido aquele que disfarça melhor, produzindo nele mais sombra e conflitos, por sentir-se obrigado a continuar parecendo o que não é.
É preciso coragem para o autoenfrentamento, saindo da obscuridade em direção à claridade existencial.
A herança arquetípica diz no Gênesis, que Deus fez primeiro a luz, significando a Sua presença em plena escuridão, no momento obstaculizada pela sombra.
A cada passo, a cada conquista diluidora do lado treva, vai-se superando o medo do enfrentamento, o que exige a consciência da sombra que deve ser aceita sem reservas nem ressentimentos, oferecendo a cada lutador o seu poder de transformação e a sua tenacidade em alcançar a felicidade, a plenitude.
Dessa forma, a sombra transforma-se em arvore dadivosa, porque o medo (desgosto) do que se é, é superado pelo amor do que se deseja ser.
A batalha travada com a sombra, é contínua e  presente em todos os instantes da vida. Quando se ama, se respeita e se atende aos compromissos, a sombra perde, mas quando se reage, mantendo-se ressentimento, ódio, ciúme, sentimentos de amargura e de cólera ou outros do mesmo gênero, a sombra triunfa...
O amor que edifica é vitória sobre a sombra, enquanto o tormento afetivo que trai é glória da sombra.
Quando se é reconhecido à vida, se agradece e se trabalha pelo progresso, a sombra é vencida, no entanto, quando se é desagradecido e soberbo, triunfa a sombra.
A sombra (das paixões inferiores) é o maior obstáculo psicológico à vivencia da proposta da gratidão, responsável pela integração das duas partes do ser na sua realização unívoca. (ou seja a integração entre ego e self).
Texto trabalhado a partir do livro Psicologia da Gratidão pelo Espírito Joanna de Ângelis, através do médium Divaldo Pereira Franco. Dia 28,03,2015.

sábado, 14 de março de 2015


EM BUSCA DO ENCONTRO E AUTOENCONTRO

A parábola do Filho Pródigo traz uma fonte de informações psicológicas profunda, com símbolos e significados importantes merecendo cuidadosa e profunda observação, para retirar do seu conteúdo as lições de paz e de saúde necessárias para uma vida cheia de bênçãos.

O Evangelho de Jesus por muito tempo foi compreendido de forma doentia e perturbadora, conforme o equilíbrio emocional e espiritual dos seus tradutores, teólogos e pastores, mais preocupados e interessados em apresentar a sombra em que se encontravam do que a luz que o envolvia.

Propondo humildade, e caminho para a iluminação, levavam os adeptos a condutas graves, estimulando o menosprezo pela vida física, por si mesmo, o autodepreciamento, o culto ao masoquismo como sendo santificação.

Como considerar a vida, esse incomparável tesouro doado por Deus ao ser humano, desprezível,  com desrespeito aos seus mais nobres significados, como: alegria, bem-estar, utilização saudável do sexo, solidariedade e convivência, como negativos, impondo isolamento,  abstinência sexual, silêncio, sofrimento, em nome da Boa Nova?!

Somente indivíduos emocionalmente castrados poderiam impor os seus tormentos aos demais, aos quais invejavam a saúde e comunicabilidade, para se sentirem felizes com a infelicidade dos outros, em perturbação sadomasoquista, alterando a proposta libertadora de Jesus, o Homem bom e nobre por excelência, que demonstrou amor e alegria no convívio com os desafortunados.

Pregando dignidade, esses sofredores interpretes das Suas lições condenavam o erro, massacrando os equivocados, os que delinquem, que esperam apoio, por serem ignorantes ou enfermos, afastados d’Aquele que é o pão da Vida e veio exatamente para socorrer os infelizes e os infelicitadores...

Graças ao desenvolvimento da cultura, com a quebra das correntes que mantinham a sociedade aprisionada aos dogmas doentios, descobre-se a cada dia, a grandeza da mensagem cristã, conforme Jesus e os Seus primeiros discípulos a viveram e divulgou, verdadeira canção musicoterapêutica, sinfonia de esperança e de consolo.

As Suas parábolas, trazem as respostas para as perguntas afligentes do comportamento humano. Trazendo apenas libertação e bondade, harmonia e alegria, conduzindo, nos seus símbolos, verdadeiros poemas de interpretação das incógnitas da vida.

Nessas maravilhosas parábolas vamos encontrar a do Filho Pródigo que, de alguma forma, somos todos nós.

Os fracos emocionais e os dependentes de punições encontram nela a baixa autoestima, o remorso, a angústia da volta, o que encontramos é a irrestrita confiança no Pai generoso, a certeza de ser bem recebido, a recuperação moral pelo equívoco vivido, a expectativa do recomeço em novas oportunidades de afeto e autorrealização.

Por muito tempo estabeleceu-se que a humildade deve ser vivida como desprezo por si e pelos valores com que a vida social estabelece os seus relacionamentos, alimenta o progresso das massas e dos indivíduos.

O autoabandono, a autodesconsideração e o autodesprezo tinham prioridade na conduta do adepto religioso, no passado, em violência contra as leis naturais, impondo-se uma conduta incompatível com a Sua mensagem de amor e de felicidade.

Pessoas amargas, com autorrejeição, refugiando-se em justificativas religiosas, escondendo a mágoa em relação as outras pessoas, conduzindo raiva contra si e os outros, não se permitindo felicidade, por acreditar não a merecer, por se encontrar sob a determinação da sombra  ancestral, vindas de culpas dos atos sem nobreza praticados em encarnações passadas.

Tais pessoas estão a si negar a oportunidade do encontro com o Pai amoroso, por não sentirem o amor em si mesmo, recusando ainda hoje o autoencontro, numa análise profunda que lhes poderiam oferecer visão mais saudável da Realidade.

Os seus mitos são as cóleras dos deuses vingativos, as subjetivas ameaças de destruição apocalíptica, numa vingança generalizada, onde o medo da morte desaparece, porque representa a destruição de tudo e de todos.

Os alertas constantes sobre o egoísmo, o orgulho, a prepotência e o encantamento das virtudes teologais, do altruísmo, da humildade, da fraternidade produzem, muitas vezes, a virtude do autodepreciamento, da autodesconsideração, quase numa exibição forçada de vitórias que, não existem no campo psicológico, porque ninguém pode satisfazer-se na inferioridade, no engodo, na negação dos problemas que existem.

A Parábola do Filho Pródigo é na realidade um conjunto de lições psicoterapêuticas e filosóficas, de cunho moral e espiritual.

Na sua mensagem não existe censura a nenhuma atitude dos dois filhos, em qualquer momento. Tudo é natural, em alegria crescente, porque aquele que estava perdido foi encontrado, e o que estava morto, agora estava vivo.

A alegria da autoconsciência é imensa, vem após o reencontro, na volta para casa, para o lar, ao abrigo emocional seguro, que é a conquista da paz e da correção dos atos.

O corpo é ainda um animal, as vezes insubmisso, que carece desenvolver a disciplina espontânea e o comportamento correto que o direciona conforme as necessidades do  self criativo a caminho do numinoso.

O Espírito é herdeiro das experiências vivenciadas nas reencarnações passadas, sendo natural que, muitas vezes, predominem as que mais profundamente marcaram a conduta anterior, surgindo como desejos e conflitos nem sempre identificado.

Por isso, uma análise dos símbolos oníricos, as associações e reflexões com o psicoterapeuta eliminam as fixações doentias e as lembranças dolorosas que surgem e como a tristeza, insegurança, timidez, dificuldades nos relacionamentos...

Identificar e interpretar os símbolos pede acuidade psicológica, experiência de consultório e interesse sem vinculo emocional, para ajudar ao paciente no encontro com a vida e no autoencontro, descobrindo a sua realidade.

O manto que o Pai amoroso manda o filho pródigo vestir representa o apoio, a cobertura afetiva que lhe é ofertada, igualando-o a ele mesmo, que também o ostenta.

A primeira preocupação do pai é com a aparência do filho de volta, com os cuidados de higiene e de vestuário, de adorno – o anel – de apresentação, pois, já não havia mais motivo para continuar como chegou. Não será admitido como servo, mas como filho que tem direito à herança e ao seu amor. Por isso ele veio do país longínquo de volta ao lar.

Conteúdo do livro Em Busca da Verdade, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis. 13/03/2015.

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Voltando...

Queridos visitantes, estaremos novamente conversando sobre a Psicologia Espírita de Joanna de Ângeles logo após o carnaval. Desejo um bom descanso e produtivas reflexões. beijos. Adáuria.