domingo, 4 de agosto de 2013


 

O SER MADURO PSICOLOGICAMENTE E A GRATIDÃO -  item 3 do cap.II ( O Milagre da Gratidão ) do livro Psicologia da Gratidão, pelo Espírito Joanna de Ângelis.
À medida que os sentimentos superiores da alegria e da gratidão apossam-se do indivíduo, curam-se os males que o afligem no longo percurso da imaturidade psicológica, libertando-o dos conflitos que deterioram o comportamento, facultando-lhe aprofundamento da perspicácia, da sabedoria, da compreensão da vida e da sua finalidade.
Tudo quanto antes se lhe afigurava desafiador, ora se transformou em continente conquistado, logo se ampliando na direção do infinito por descobrir e incorporar ao patrimônio interno.
Os pruridos de melindres e as manifestações de criança maltratada encontram-se superados, e tomam-lhes os lugares a confiança em si próprio e o respeito pelos outros, a consciência dos atos. Vencendo as anteriores síndromes de desconforto íntimo, que agora facultam a espontânea alegria de viver e de lutar.
A calma substitui a ansiedade que antes era razão de desequilíbrio emocional, a bondade expressa-se de maneira natural, à semelhança de uma luz que se erradia sem alarde, e o indivíduo torna-se centro de convergência de interesses das demais pessoas.
O ser imaturo psicologicamente não venceu a infância que foi transferida para a idade adulta com toda a carga de conflitos não resolvidos que se manifestam no relacionamento, sempre escondendo a personalidade insegura e doentia.
A ambivalência do comportamento, desejar e não fazer, pensar e desistir, é o efeito imediato dessa imaturidade, expressando não saber agir corretamente mesmo na área da afetividade.
“Deverei dizer que amo? E se for incompreendido?” – constitui um dos pensamentos ambivalentes no ser imaturo, sempre postergando as atitudes psicológicas saudáveis, pelo medo da opinião alheia. Nada obstante, durante uma crise emocional, não tem pejo em declarar: “Eu detesto o mundo e não quero ver ninguém na minha frente!”
O processo de amadurecimento psicológico avança com a facilidade de expressar gratidão por tudo quanto sucedeu e tudo aquilo que venha a suceder em relação ao ser humano.
Ninguém é totalmente autossuficiente, exceto os narcisistas, que se consideram especiais na criação, o que significa imperiosa necessidade de parceria, de acompanhamento, de dependência, razão porque é um ser gregário desde os primórdios da evolução. Essa parceria e dependência, porém estarão em nível de companheirismo, de trabalho de ajuda recíproca, de cooperação e não de submissão.
Este texto por ser longo terá continuidade na próxima postagem
Postagem do dia 04-08-2013.

sábado, 3 de agosto de 2013


Despertar do Self – item 2 do cap. ll Fragmentações Morais, do livro EM BUSCA DA VERDADE

É comum a solidariedade na dor, mas não no júbilo, em face da inveja e da amargura.

O irmão mais velho submetia-se ao pai, mas não o amava, quanto fingia, porque logo o censurou, ressumando sentimentos de recusa inconscientes, pelo fato de jamais haver-lhe oferecido um cabrito pelo menos para que se banqueteasse com os amigos, enquanto ao insano ofereceu o melhor novilho...
O ciúme é terrível chaga do ego que expele purulência emocional.
O pai gentil e afetuoso, sensibilizado com o jovem de retorno, pediu um manto para cobri-lo, já que o outro também o possuía, evocando a proteção e o amparo que lhe eram oferecidos.
- Criança – diz o pai ao filho que o censura – tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; entretanto, cumpria regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão era morto e reviveu, estava perdido e se achou.
O pai deu-se conta de que o outro filho, o mais velho, também estava morto porque ressumava amargura, encontrava-se perdido, porque não participava da sua e da alegria de todos que encontraram aquele seu irmão que era morto e reviveu, que estava perdido e se achou.
O ego encontrava o Self, despertando-o para uma futura integração, liberação da fissura na psique...
O Self do filho mais velho está envolto pela sombra ameaçadora, criminosa.
A parábola não informa qual a sua atitude, a do mais velho, em relação ao mais moço, após as informações dúlcidas e os esclarecimentos compreensíveis do seu pai.
Certamente, o eixo ego-Self se tornou mais vigoroso, em face do amor do arquétipo primordial, sem limite, libertando-se dos mitos hostis e vingativos.
Prometeu, por exemplo, foge de Zeus, engana-o com artifícios contínuos para não morrer, até que tomba na armadilha da própria existência física temporária, e Zeus recebe-o, aprisiona-o, suplicia-o num rochedo, no qual foi colocado para sofrer calor, frio e uma águia fere-lhe o fígado durante o dia, que se refaz à noite, até o momento quando os deuses intercedem por ele e a sua punição é revogada...
O filho mais velho quer fugir do pai amoroso após censurá-lo acremente, evita fitá-lo nos olhos e receber-lhe o abraço, mas não poderá viver indefinidamente sob as picadas da mágoa, remoendo a prisão no rochedo do desencanto, ao frio e ao calor das reflexões doentias... O Self é induzido a despertar sob a intercessão dos sentimentos de nobreza que remanescem no íntimo, como divina herança da sua procedência.
O irmão chegou quase descalço, sandálias rasgadas e imprestáveis. O pai logo lhe providenciou calçados novos, porque os pés são as bases valiosas de sustentação do edifício fisiológico, que não pode ser mantido em segurança quando lhe falta alicerce...
A mãe Terra oferece os recursos para o organismo e os transforma; o hálito da vida, porém, vem do Amor.
Cuidar das bases é característica definidora de despertamento do Self, da responsabilidade perante a vida.
O irmão jovem iluminou o ego com a consciência de si, reconheceu o erro, renovou-se pela humilhação que o engrandeceu, enquanto o mais velho liberou das estruturas profundas do inconsciente as paixões da vingança e da maldade, a Erínia mitológica encarregada de ferir Sísifo, conduzindo a pedra ao topo da montanha de onde ela escapa e rola para baixo, obrigando-o a erguê-la sem cessar...
A parábola bem poderia ser dos dois filhos ingratos, que o amor reúne sob o mesmo manto protetor do pai, ligando-os pelo anel da família, traço de união com toda a Humanidade. Postagem do dia 03-08-2013.
O item O Despertar do Self continua na próxima postagem, do dia 04-08-2013.

O ID: constitui uma instância completamente inconsciente, interessada apenas em descarregar a tensão.

Fred (1923b) faz uma analogia do ego em relação com o id, como um cavaleiro que tem de manter controlada a força superior do cavalo, com a diferença de que o cavaleiro tenta  fazê-lo com a sua própria força, enquanto que o ego utiliza forças tomadas de empréstimo. A analogia pode ser levada um pouco além. Com frequência um cavaleiro, se não deseja ver-se separado do cavalo, é obrigado a conduzi-lo aonde este quer ir; da mesma maneira, o ego tem o hábito de transformar em ação a vontade do id, como se fosse sua própria.
Segundo o dicionário de Psicologia,

       “Do id promanam os impulsos cegos e impessoais devotados à gratificação – direta ou indireta, mas a mais imediata possível – do instinto sexual (libido), estreitamente vinculado às necessidades primárias do indivíduo. Alguns autores afirmam que o id é o verdadeiro inconsciente ou a parte mais profunda da psique. Que ignora o mundo exterior, pois não está em contato e o objeto único de seus interesses é o corpo, sendo suas relações determinadas pelo princípio de prazer” ( CABRAL e NICK, 2006, verbete)
Ainda no mesmo dicionário de Psicologia, entendemos que Freud descreveu a hegemonia total dos instintos do prazer nas fases primevas do desenvolvimento mental, em decorrência do fato de as duas atividades básicas da criança pequenina (mamar e defecar) terem provocado a libinização ( sexualização) da boca e do ânus tornando-se assim zonas erógenas. Mas à frente Freud ampliará, com algumas modificações, esta teoria e a libido deixaria de identificar-se exclusivamente com o instinto sexual e o princípio do prazer tornar-se Eros – instinto de vida – no qual o componente sexual estaria logicamente incluído.
Fadiman e Frager (2002) relacionam o id a um rei cego cujo poder e autoridade são totais e cerceadores, mas que depende de outros para distribuir e usar de modo adequado seu poder.o id é controlado pelos aspectos conscientes do ego e pela terceira parte do modelo Freudiano – o superego.

Continuação do artigo FREUD E ESTRUTURA PSÍQUICA: descobrindo o inconsciente – escrito por Marlon Reikdal p.117-119 do livro Refletindo a Alma.

postado no dia 03-08-2013

 

 

 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013


O EGO:

continuação do artigo escrito por Marlon Reikdal – Freud e a estrutura psíquica: descobrindo o inconsciente - no livro Refletindo a Alma.

O EGO: segundo o dicionário de psicologia é definido como o componente intermediário das energias mentais (entre o id e o superego). Exerce controle das experiências conscientes e regula as ações entre a pessoa e o seu meio, ocupando, portanto, um posicionamento central, de referencia para todas as atividades psicológicas. Através do ego aprendemos sobre a realidade externa e orientamos o comportamento no sentido de evitar os estados dolorosos, as ansiedades, as punições...(CABRAL e NICK, 2006)

em Freud (1923b) o ego é definido como a instância que controla as abordagens à motilidade – isto é, à descarga de excitações para o mundo externo; uma instância mental que supervisiona todos os seus próprios processos constitutivos. Desse ego procedem também as repressões, por meio das quais se procura excluir certa tendências da mente, não simplesmente da consciências, mas também de outras formas de capacidade e atividade.

O aspecto consciente do ego é o órgão executivo da psique, responsável pela tomada de decisões e integração dos dados perceptuais; entretanto, não se limita a isso. Freud concluiu que existiria um aspecto inconsciente do ego, que continha os mecanismos de defesa, tal como a repressão, necessários para se contrapor às poderosas demandas pulsionais – provindas do id.

o ego tenta impor a influencia do mundo externo ao id (desejo),esforçando-se por substituir o princípio de prazer (que rege o id) pelo princípio de realidade. “O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém as paixões.” (FREUD, 1923b,p.39)

Nota: Freud, como grande teórico, teve próximo de si inúmeros outros estudiosos da psique humana que mais tarde desenvolveram outras teoria, todas a partir da psicanálise. em primeira instancia, chamamos de pós-freudianos, aqueles que se mantiveram nas leituras de Freud, em duas linhas: a inglesa, com Donald Woods Winnicott e Melanie Klein (que se tornaram grandes autores da psicanalise da criança; e a francesa, com Jacques Lacan que propôs um retorno a Freud através da teoria da linguagem. Mais distante da proposta freudiana, mas descendentes dela principalmente em torno da teoria da sexualidade, ou de sua interpretação da libido, encontraremos inúmeros teóricos como Jacob Levy Moreno com o psicodrama; Wilhelm Reich com a teoria corporal; Roberto Assagioli com a psicossíntese; e Carl Gustav Jung com a Psicologia analítica.

postado no dia 01-08-2013 continua na próxima postagem...

 

Despertar do Self – item2 do cap. ll FRAGMENTAÇÕES MORAIS

O irmão mais velho da parábola daquele que se pode chamar como o pai misericordioso, é o protótipo do ego desconcertante.

Enquanto estava a sós com o pai, parecia amá-lo, respeitando-o e obedecendo-o. Logo, porém, quando retornou o irmão de quem se encontrava livre, ressentiu-se, desmascarou-se, apresentando o outro eu – demônio interno – amoral e indiferente. Nem sequer preocupou-se como retornara o irmão. Estaria feliz ou desventurado, concluindo que, por certo, na miséria, pois que do contrário não voltaria. Continuaria a sós ou consorciado, com filhos ou perseguido?

Nada disso lhe ocorreu, exceto o lugar que concedeu à mágoa por haver sido posto de lado, nem mesmo consultado para o banquete que ao outro era oferecido.

Permanecer longe do perigo, abrigado dentro do lar, garantido sobre a proteção do pai é uma atitude muito cômoda e resguardada de desafios.

No estudo em pauta, bastaria ao filho mais velho esperar a morte do pai, entrar na posse de todos os bens e libertar-se da submissão, sendo convidado aos enfrentamentos que antes o genitor resolvia.

Esse comportamento é psicologicamente infantil, porque a existência humana é construída de forma a ensejar crescimento emocional, destemor e renovação constantes. Aquele que não se renova de dentro para fora, não consegue o desenvolvimento do self, sempre emaranhado na sombra, deixando que tudo aconteça à revelia.

Há contínuos desafios no processo criativo do ser espiritual que busca o numinoso, a vitória sobre a ignorância e o demônio do mal interno.

A imagem do pai, que era aceita como um homem benigno para com ele, que se considerava merecedor de toda a compensação, diluiu-se-lhe, no momento do confronto com o seu irmão, de quem se vira livre, dando lugar à exteriorização de que o não amava.

Havia-se liberado do competidor que, no entanto, eram os próprios conflitos, os dois eus, ambicioso um, sereno o outro, pacífico o mais ponderado, demoníaco o mais atrevido que agora o dominava.

Interiormente, nesses seus muitos conflitos, ele também não se amava a si mesmo, transferindo essa emoção em forma de suspeita para o pai e para os demais, razão porque desejara festejar com amigos, atraí-los, conquistá-los, comprá-los, como habitualmente acontece...

Todo indivíduo inseguro desconfia dos demais e transfere para eles as razões do seu temor, do seu sofrimento.  Afastam-se, para não lhes acompanhar o êxito ou tenta conquista-los por meio de oferendas, não se dando realmente pela afeição, doam coisas que não têm valor.

Desse modo, para ele, o amor paterno teria que ser parcial, exclusivista, em relação a ele, com animosidade pelo desertor.

Normalmente censura-se o jovem que viajou para o país longínquo, também fugindo de si mesmo, e elogia-se aquele que ficou ao lado do ancião, mais por conveniência do que por fidelidade, sem analisar-se mais profundamente ambas as atitudes.

Trata-se de uma visão psicológica imperfeita em torno da realidade.

O filho fiel é o mito representativo de Abel, generoso e bom, que será sacrificado por Caim... Todavia, esse Abel gentil não amava Caim, o seu irmão mais jovem e extravagante, considerado perverso e insensível por abandonar o pai idoso...

Preferido pelos mitos Adão e Eva, perdeu o contato com a realidade e o seu irmão o assassinou.

Agora, o mito Abel no filho mais velho, gostaria de assassinar Caim, que se tornara bom, que voltara tomando-lhe o lugar, ou pelo menos, parte dele, no sentimento do pai que o mantinha no Éden.

O genitor, no entanto, misericordioso, que não censurou o desertor e recebeu-o com júbilo, tampouco procedeu com reclamação em referencia ao filho magoado.

Foi busca-lo fora e convidou-o a entrar na festa, a participar da alegria de todos.  p.37-39

Continua na próxima postagem...

Postado dia 01-08-2013  

quarta-feira, 31 de julho de 2013


O INCONSCIENTE COLETIVO E A GRATIDÃO do cap.ll O milagre da gratidão

 

Diante de determinadas decisões, o ser consciente experimenta grande dificuldade em optar pela que seria a mais correta. Isso porque o inconsciente coletivo encontra-se sobrecarregado de medos, recordações afligentes, impulsos não controlados, toda a herança do primarismo ancestral, mesclando as experiências gerais e as pessoais. Tal ocorrência é o resultado da sombra existente em a natureza de todas as criaturas.

Nas experiências da alegria como da tristeza, da harmonia como do desconserto, os grupos sociais podem compartilhá-las em razão do inconsciente coletivo, o que explica ocorrências funestas ou ditosas que sucedem simultaneamente em diferentes partes da Terra. É graças a esse comportamento que, em qualquer período, a sombra coletiva emerge do inconsciente coletivo,- transmitida individualmente de pais para filhos, concomitantemente de um para outro grupo -, transformando-se em calamidade social. Os vícios sociais, por exemplo: fumar e beber, as extravagancias sexuais e o uso de drogas aditivas que invadem a sociedade, os jogos de videogame que se converteram em modismos, dentre outros, tomam conta das massas de forma contagiante, como resultado do inconsciente coletivo, o que proporciona à sombra uma oportunidade de participar do fenômeno. Sem dúvida ocorre de forma inconsciente e, por essa razão, manifesta-se automaticamente na sociedade, após irromper no indivíduo. As sociedades são estruturadas por acontecimentos e métodos pedagógicos de conduta infantil, quando se aprende a discernir o que é bom do que é mal, de acordo com a cultura e a ética de cada grupo. Fosse a questão da sombra identificada desde a infância, quando se ensinaria a descobrir os impulsos que dela procedem, facultando ao educando a compreensão da própria fragilidade, dos erros, desculpando-se e corrigindo-se, esclarecendo-se que há variações no comportamento, ora para o bem, ora para o mal, ficariam mais fáceis as condutas favoráveis as sociedades e a tudo quanto se lhe vincula.

A sombra ocorre no inconsciente coletivo pelo que se pode denominar como energias contrárias que caracterizam os terroristas, os criminosos em geral assim como os bons cidadãos: Hitler e Churchill, Alarico e Santo Agostinho... Em realidade, a aversão e animosidade que se sustentam no exterior procedem do íntimo no qual se fazem aliados. É como se fosse necessário que houvesse um opositor, um inimigo, para que se revele a pessoa que se é. Nas lutas, as mais sangrentas ou mais perversas, nas perseguições sociais sutis ou públicas é que se desvelam os heróis, os santos, os mártires, em razão do lado sombrio que existe em todos.

O inconsciente coletivo registrou todo o processo da evolução do ser, desde quando o córtex cerebral se desenvolveu dando lugar ao surgimento das funções exteriores, dos conhecimentos abstratos, dos valores transcendentes como o amor e a misericórdia, o perdão e a caridade, a alegria e a compaixão desvelando o self. As energias contrárias fomentaram o surgimento da sombra que, em razão do seu lado oposto, olvida a gratidão, criando embaraços para vivenciá-la, em razão da prepotência ancestral que vem do primarismo na escala evolutiva.

Continua na próxima postagem. P50-51. Do livro Psicologia da Gratidão p/espirito Joanna de Angelis, Psicografia da Divaldo Pereira Franco.

Postagem do dia 31-07-2013.

 

 

 

terça-feira, 30 de julho de 2013


 

PREDOMÍNIO DA SOMBRA (CONTINUAÇÃO)

Como as vivencias ensejam o despertar da iluminação, ele cai em si reflexiona que no lar, mesmo os servidores mais insignificantes desfrutam de apoio, alimento e segurança, enquanto ele nem sequer pode desfrutar com os suínos as alfarroubas que não lhe dão, resolvendo –se pela volta.

Recolhe-se ao mundo íntimo fragmentado e tem o insight de como proceder.

O arrependimento é o bálsamo para a culpa, reconhecendo que pecou contra o céu e contra ti (o pai), informa, seguro de ser bem recebido, mesmo que não fosse digno de ter o nome de seu filho.

O indivíduo comum, ainda não iluminado, deambulante da ilusão, pode ser comparado ao Filho Pródigo, leviano e insensato, que somente convive com objetivos de prazer pessoal e interesse mesquinho, distante das propostas éticas e dos deveres morais.

Vitimado pela libido exarcebada, entrega-se ao gozo na ilusória conduta de que não se acaba e as suas forças exaustas logo se renovam...

Pode também aparecer esse arquétipo nos indivíduos inseguros, instáveis, solitários, que em ninguém confiam, perdendo excelentes oportunidades de crescimento pela interiorização e pela reflexão, superando as heranças danosas do processo evolutivo ancestral.

De temperamento facilmente estremunhado, vive com ressentimentos e invejas, enfermo interiormente, que se nega o tratamento por acreditar que não tem necessidade, já que aos outros considera responsáveis pela sua situação psicológica, masoquistamente considerando incompreendido e perseguido.

Esse anseio de fuga dos outros é também o tormento da fuga de si mesmo, pela dificuldade que tem de autoenfrentar-se, de reconhecer a inferioridade e ser estimulado a trabalhá-la para conseguir a vitória.

É-lhe mais fácil atirar tudo para cima (ou para baixo) num gesto de libertação e seguir o tormento, para realizar a volta andrajoso, imundo, humilhado...

O ego presunçoso então desperta lentamente da sombra para o estado numinoso, que deverá conquistar sob os camartelos do sofrimento, que são os valiosos recursos hábeis para a vitória.

Quando o genitor pede ao servo que lhe traga o anel, eis reconfirmado psicologicamente o arquétipo da antiga Aliança de Deus com os homens, por intermédio do Arco-Íris, demonstrando vinculação e amor.

As roupas limpas e novas, o novilho nutrido para a festa são os formidáveis arquétipos que se encontram em todos os mitos, particularmente no panteão grego, quando os deuses comungavam com os homens e banqueteavam-se, chegando, algumas vezes, ao desregramento pelos excessos que se permitiam.

O gesto do pai abraçando o filho de volta é a luz do amor que nele dilui a pesada sombra em que ele se debate.

Final do texto: do Cap. 2 – Fragmentações morais

Do livro Em busca da verdade pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco – da p. 32-37. 

Postado em 30-07-2013