terça-feira, 2 de abril de 2013

 
Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung
Carl Gustav Jung, o precursor da Psicologia Analítica. viveu durante muitos anos, às margens do lago da cidade. de Zurique.
Logo à porta de entrada da casa onde ele viveu encontra-se uma frase escrita em latim, convidando a profundas reflexões:
Vocatus atque non vocatus, Deus aderitinvocado ou não invocado, Deus está presente.' ”
Esta frase, que Jung extraiu de uma das obras de Erasmo de Rotterdan, remonta ao Oráculo de Delphos, na antiga Grécia, onde as tradições gregas narram que as pessoas buscavam o famoso oráculo, no intuito de obterem respostas do Deus Apolo, que se expressava através das pitonisas em transe.
Diz Iris Sinoti que " de certa forma, Jung foi também um oráculo, que tendo elegido a Psique na condição de '“Deus”', trazia desse mundo fantástico e ainda inexplorado todas as informações possíveis, e que hoje nos possibilitam compreender mecanismos até então obscuros e ignorados."
Frente a colocação de um dos seus netos... “Meu avô era um navegador”, continua Iris... em seu texto. " Navegador incomum, ...., que além de velejar no lago de Zurique – o que fazia constantemente, às vezes lendo em voz alta as aventuras da Odisseia – mergulhou como poucos no inconsciente profundo, extraindo de lá ensinamentos significativos. Não é à toa que inicia sua autobiografia, dizendo assim":
 
“ Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou. Tudo o que nele repousa, aspira a tornar-se acontecimento, e a personalidade, por seu lado, quer evoluir a partir de suas condições inconscientes e experimentar-se como totalidade.” (Jung 1975,p.19) Memórias Sonhos e Reflexões)
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quarta-feira, 6 de março de 2013

Freud e a estrutura psíquica: descobrindo o inconsciente
 
“o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.” Mário Quintana
 
Falar do trabalho de Sigmund Freud (1856-1939), como de outros grandes teóricos na área da psique humana, é tarefa complexa, por sua profundidade teórica, e também pelo redimensionamento ou reconstrução de suas teorias ao longo dos anos.
Além da responsabilidade de escrever sobre Freud e sua teoria, o objetivo principal aqui não é o de um aprofundamento teórico, mas de reflexões sobre a teoria psicanalítica para perceber a importância desse pesquisador e suas contribuições para a psicologia.
O pai da psicanalise, teve formação médica, com enfase na neurologia e na psiquiatria. Explorou áreas do psiquismo humano que questionavam tabus religiosos, culturais e científicos, contribuindo para estudos e teorias trazendo a compreensão da personalidade humana, com a percepção do desenvolvimento normal e anormal.
Freud avançou na sua teoria psicanalítica, especialmente a partir de 1885, quando se tornou docente em Neuropatologia e se aproximou do Dr. Charcot, médico do Hospital Salpêtrière, em Paris. Por volta de 1895, Freud desenvolveu seus trabalhos com o Dr. Joseph Breuer sobre a histeria. Considerando situações em que os pacientes apresentavam paralisias motoras, contrações, inibições e até confusão mental. Breuer estudou no ano de 1881, o caso de uma jovem que adoece enquanto servia de enfermeira do seu pai, a quem ela era ligada ternamente. Ele estabeleceu que os sintomas apresentados pela paciente estavam relacionados a esse período de enfermagem. Essa observação permitiu a Breuer concluir que podia libertá-la dessas perturbações quando levava a mesma a expor verbalmente a fantasia afetiva que a dominava no momento. Levando a paciente a penetrar numa hipinose profunda o que a deixava contar o que lhe oprimia a alma, conseguindo assim também livra-la das perturbações corporais. Deixando todos intrigados com a possibilidade de que no estado consciente, a paciente jamais diria como os seus sintomas surgiram e não achava ligação entre os sintomas e a sua vida interior. Esse trabalho apenas foi publicado 10 anos após de ser executado. E Freud conclui que os sintomas haviam surgido "no lugar" das ações não efetuadas, e que para explicar a etiologia dos sintomas histéricos precisa-se penetrar na vida emocional do indivíduo,  na sua vida afetiva e à ação reciproca de forças mentais, à dinâmica, a partir daí essas duas linhas de abordagem são utilizadas.

Segundo Freeman & Small (1962), o artigo escrito por Freud e Breuer - Dos mecanismos psíquicos dos fenômenos histéricos - é uma bomba psicológica que se jogou no mundo, destruindo séculos de mito e superstição. Proclamaram que a causa da histeria não eram demônios, nem magia negra, nem problema da hereditariedade, intenção ou fingimento do  doente, e sim seus desejos recalcados.

Em 1896, Freud usou pela primeira vez o termo "psicanálise" para descrever seus métodos e, em 1900, publicou A interprestação dos sonhos, considerada como um marco da sua teoria, embora no início tivesse vendagem pequena e a segunda edição vários anos depois.

Não buscamos aqui delinear a teoria de Freud, nem aprofundar como nasceu a psicanalise,  antecedentes, dissidentes, nem o percurso teórico e técnico que Freud atravessou para a conceber e formalizar a teoria psicanalítica. Ressalta-se alguns conceitos da teoria freudiana cumprindo do objetivo do presente trabalho, trazer uma melhor compreensão e aprofundamento teórico da obra que a autora espiritual Joanna de Ângelis intitulou "Série Psicológica".
Pode-se ler o texto "Uma breve descrição da Psicanálise" de Freud; "Freud: a trama dos conceitos", de Renato Mezan, além dos 24 volumes de ensaios e conferências.
Esse trabalho está baseado no texto elaborado por Marlon Reikdal do livro Refletindo a Alma do Núcleo de Estudos Psicológicos Joanna de Ângelis
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sábado, 2 de março de 2013

Os núcleos instintuais, a criança e o adulto

Joanna de Angelis fala do animal ainda presente no âmago do nosso Ser, as estruturas arcaicas, resíduos ainda vivos da nossa caminhada até onde estamos na atualidade. A garra, com suas extremidades que parecem punhais afiados capazes de cortar e dilacerar a carne, durante o longo trabalho realizado pela evolução cedeu lugar, paulatinamene, à mão, que com os dedos é capaz de agarrar, mas também de acariciar. 

Diz Pontes de Miranda, que a “mão” foi a “garra” que fez mais do que propulsar, impulsionar, prender e apreender. Segura com os dedos e com a palma, ajeita, acaricia, altera. Serve ao trabalho, à produção, à mudança da face da terra, ao aperfeiçoamento. E sem poder ocultar na biologia, que é filha da garra, prestou-se também ao manejo das armas e à melhora delas.
Ainda estamos nos conscientizando de nossas características animais, que se expressa, pelos instintos e impulsos, que quando se manifestam em nosso comportamento nos sentimos chocados e até pensamos, tentando nos iludir: “isso não sou eu”.
Essa parte primitiva do nosso ser se conjuga com estruturas não desenvolvidas de nossa personalidade, bloqueadas no seu desenvolvimento por situações vividas, sentidas e ou imaginadas pela criança ou pelo ser, enquanto feto, no útero, nos primeiros anos da sua interação com o ambiente e seus integrantes, principalmente pai e mãe.
É a mãe que inicialmente acolhe o ser que retorna. O pai entra com mais ênfase um pouco depois, sem querer dizer, com isso, que ele não esteja presente desde o início. Como o amor não é pleno ou amadurecido, mas o que é possível, promove distorções de diferentes intensidades, gerando matrizes que alicerçam o desenvolvimento da personalidade. Essas matrizes servem de transdutores de energias psicoespirituais mais profundas, que passam a se expressar pelo conjunto de características e atributos que compõem a nova personalidade.
Quantas vezes o adulto é movido pela criança mal resolvida em determinados comportamentos e relacionamentos? Quantas vezes o adulto é substituído pela criança magoada, ofendida e raivosa? Quantas vezes o animal se une com a criança raivosa apoderando-se do adulto, que se mostra incapaz de contê-los, por não se conhecer? Quantas vezes questões não resolvidas de vidas passadas se junta a essas estruturas, transbordando pelas áreas do pensamento, do sentimento e gerando comportamentos que trazem sofrimento para quem o experimenta? Quando não geram distorções tão graves que são enquadradas na psicopatologia.
 

Alguns relatos

"Em 1982, fui a um hospital psiquiátrico, a pedido de uma colega psiquiatra, para ver uma garota de 17 anos, que estava internada há cinco meses sem melhora. Quando vi a moça pensei que fosse alguém nascido com deficiência mental, tal a sua condição.

Perambulava pelo quarto, meio arqueada, grunhindo e fazendo necessidades fisiológicas enquanto caminhava. Não sentava à mesa, e se alimentava levando porções à boca, com as mãos. Só pela aparência se notava que era um ser humano. O olhar chamou minha atenção: não tinha brilho...era opaco. Ela não parecia me ver. Parecia que sua parte mais primitiva tinha sido trazida à tona, por forças incompreensíveis. Parecia impossível qualquer contato com ela, pois além de não falar, não dava mostras de entender o que lhe era dito nem demonstrava interesse pelos circunstantes. Parecia um “animal” perdido no tempo e espaço de sua mente.

Fiquei tão impressionado que perguntei se ela era assim desde pequena. A psiquiatra disse que até um ano atrás ela parecia uma garota como outra. Frequentava a escola, era estudiosa, de boa convivência, inteligente, até sofrer  primeira crise, que a deixou desconfiada, acreditando-se perseguida, ouvindo vozes e falando sozinha como se conversasse ou brigasse com alguém invisível. Com o tratamento melhorou um pouco dessa crise, mas permaneceu retraída e cismada. Pouco tempo depois piorou novamente e, desde aí, não parou de regredir, deteriorando-se cada vez mais, até chegar à condição atual. 

Minha colega me disse: “Já tentamos de tudo, inclusive, duas séries de eletrochoques, e não observamos nenhum resultado. Às vezes, tenho a impressão de que ela parece tentar reagir a alguém, por isso lhe pedi para vir aqui. Veja se vocês lá no centro espirita podem ajudá-la de alguma forma...”

Os amigos da instituição espírita fizeram uma reunião mediúnica para investigar o caso. Na primeira, constatamos que a paciente estava também sofrendo intenso assédio espiritual. Comunicou-se um espirito, portador de retardo mental, com os mesmos movimentos que a garota repetia com muita frequência. Nas reuniões seguintes vieram outros seres apresentando as características de grave deficiência mental, que se expressavam por grunhidos e movimentos estereotipados, semelhantes aos da jovem hospitalizada. Todos foram postos para dormir, sob hipnose, pois não havia meio de se comunicar com eles, pela condição mental que os caracterizava.

À medida que foram sendo afastados, a garota foi lentamente retomando os padrões mais adequados de caminhar, sentar, olhar e interagir, mesmo ainda com muita limitação. Na sequencia, vieram os espíritos responsáveis pelo grupo de retardados depois os que tinham laços afetivos de ódio com a paciente. Praticamente toda semana conversávamos com esses personagens, tentando compreender suas histórias e motivações pessoais para integrarem aquela ação obsessiva.

Em vários deles conseguimos localizar seus núcleos emocionais e ajudá-los; outros foram sensibilizados pela presença de familiares (Espíritos) queridos e alguns precisaram de ação hipnótica para serem colocados fora de ação. a maior parte das ações era operada pela equipe extrafísica, e o que nos cabia tentávamos realizar da melhor forma que nos era possível, sempre contando com a ajuda dos técnicos espirituais.

 


(Baseado no trabalho do livro Refletindo a Alma - Nucleo de Estudos Psicologicos JOANNA DE ANGELIS - do texto de Gerardo Campana.)
 
 

 

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013




Reflexões sobre o ser

A“Série Psicológica de Joanna de Angelis”, convida a refletir sobre o ser humano e as causas reais do seu sofrimento, incluindo, a noção do Ser espiritual, que vem sendo excluída, por ignorância ou outros fatores, dos estudos do desenvolvimento psicossocial e, consequentemente, de tudo que se refere ao ser humano, incluindo a saúde e o adoecer.

Os conceitos que ela desenvolve, a partir da integração dos diferentes aspectos do Ser: biológico, psicológico, social e espiritual, conforme a concepção Espírita, trazem uma visão mais ampla e capaz de responder aos questionamentos até então incompreensíveis que a vida coloca, desde sempre, à mente humana.

A realidade espiritual, com a visão reencarnacionista...

“faculta a compreensão dos fenômenos evolutivos, favorecendo os seres com as mesmas possibilidades de crescimento, desde a monera ao arcanjo, vivenciando as mesmas oportunidades e adquirindo sabedoria – conquista do conhecimento e do amor – que culmina em sua plenitude.” (ANGELIS, 1999,p.34) –o ser consciente.

Os antigos mestres orientais falavam que a consciência, em sua jornada evolutiva, passa pelos diferentes reinos da natureza até chegar ao nível em que nos encontramos, para ir além. Léon Denis, traduziu esse conhecimento: A alma dorme no mineral, sonha no vegetal, agita-se no animal, para acordar no homem.

No campo da forma, que é a expressão substancial da essência, sabemos pelos estudos e pesquisas científicas que todas as espécies existentes atualmente no planeta, incluindo as já extintas, vieram pelo processo evolutivo de ser monocelular, que surgiu nas eras primevas, e evoluíram até formar o nível de complexidade em que se encontram. De maneira que podemos, com base na Ciência e no Espiritismo, dizer que somos, como forma e essência, fruto de uma longa experimentação, através de diferentes etapas, numa sequência evolutiva, que ainda estamos buscando entender e completar.

Diz Joanna de Ângelis (2007,p.24) Encontro com a paz e a saúde que:
“Compreensivelmente, após o longuíssimo transito pelos instintos e reflexos condicionados, o breve tempo em que foi conquistado o pensamento lógico, este ainda não facultou ao homo sapiens superar os automatismos a que se encontra fixado, para melhor agir, em vez de sempre reagir”.

Certamente Isso ocorrerá quando vencermos o orgulho, que dificulta a integração entre os diversos e complementares “saberes”. Nos encaminhamos para isso, nos distanciando da necessidade da “tribalização” do conhecimento, através da qual, o que eu penso e no que acredito, torna-se a única e aceitável verdade, excluindo a verdade que a outra“tribo” pode conter.

O animal e seu território

Para entender nosso funcionamento – inclusive o que chamamos de maldade e mal dentro desse funcionamento – é preciso ter em mente o que já aprendemos sobre a evolução da forma e da consciência, sabendo-as interdependentes, principalmente até o nível humano.

Filogeneticamente, viemos não somente dos antropoides, dos quais descendemos diretamente, mas também de outros animais, em longo curso de aprimoramento. Para seguir ao estágio do homo sapiens, numa longa escala que nos possibilitou ampliar os requisitos da cultura, da estética, da ética, cujo conjunto com o desabrochar dos sentimentos mais nobres representa a escalada espiritual da consciência, que se torna cada vez mais lúcida sobre si mesma e as leis e princípios que norteiam a vida e as relações.

Os animais vivem em função da sobrevivência e da reprodução. Na sobrevivência, temos o território, delimitado por odores, através de secreções de glândulas, urina e fezes, onde o animal encontra a comida e se reproduz. O território é vital para sua sobrevivência. O animal vive para comer, se defender e reproduzir. Está organizado para lutar ou fugir, pois o ambiente onde vive é hostil e se não estiver alerta poderá ser apanhado de surpresa. Ele faz o que foi programado sem possibilidades para escolher fazer diferente.

O determinismo do instinto, começa a mudar com os primitivos seres humanos, quando se implementam os primeiros experimentos da razão e o livre-arbítrio se esboça. E com isto, o homo sapiens se distancia ainda mais de seus irmãos animais, tornando-se gradativamente, pela ampliação da consciência, capaz de fazer escolhas conscientes, selecionando os“caminhos” a seguir e conquistando a responsabilidade pelos resultados, através dos quais passa a aprender mais rapidamente que seus antecessores.

Ainda assim, não havia muita diferença entre os primitivos humanos e os demais animais. Eram a caça e os predadores. Por milhares de anos os homem primitivos vagaram pela terra como coletores e caçadores, até aproximadamente 10 mil anos quando começaram a plantar e domesticar animais, segundo afirma a Ciência, embora haja evidencias de que talvez este tenha sido apenas mais um ciclo de sua longa caminhada, possivelmente, permeada de idas e vindas, neste campo de sua manifestação.

Desde então, o ser humano vem se desenvolvendo, construindo o seu progresso, erigindo civilizações e culturas diversas, experimentando seu potencial, até desenvolver tecnologias cada vez mais sofisticadas, a ponto de sair do planeta aventurando-se na lua e mais além, em voos não tripulados. Olhando nossa sociedade, com as conquistas sociais, éticas, tecnológicas, etc.., ainda funcionamos mobilizados pelos mesmos fatores que impelem os animais e impulsionavam os homens primitivos.

A maior parte de nossa energia é despendida na “luta pela sobrevivência”. O trabalho é o nosso “ganha pão”, e quantos ainda vivem temerosos de perdê-los? Não mais precisamos percorrer quilômetros, atravessando planícies e montanhas para coletar alimentos, mas nos esfalfamos numa jornada extenuante de trabalho para alimentar a família. Como o nosso “ganha pão” é fundamental o defendemos com“unhas e dentes”, ou seriam garras e presas?

O território agora é a nossa casa e o trabalho. Ainda nos agrupamos em tribos, melhor e mais poderosa que a do outro. Se torço para um clube esportivo, é o melhor time do mundo. Os outros não tem valor. O meu partido político, é o único partido que pode fazer algo pela nação. É a mesma coisa com as religiões. Ainda temos a tendência de nos agruparmos com os de “bandeira”semelhante, porque nos traz segurança na defesa do território, que cremos ser o nosso.

Continuamos, apesar dos avanços na inteligência, buscando a sobrevivência, a segurança do território, a aquisição de bens (como símbolo de comida e poder), e o  poder, como fonte ilusória de segurança, sem termos consciência de que agimos ainda mobilizados pelo núcleo instintual, que foi nossa origem. Por isso, competimos, desconfiamos, enganamos e matamos sem enxergar a garra do animal escondida na tessitura de nossas mãos.

Outro território foi criado por nós mesmos para ser defendido. É o espaço virtual da personalidade, ao qual vinculamos a autoestima e passamos a defendê-lo como se estivéssemos defendendo a própria vida. Por isso, sofremos quando somos contrariados. a maior parte de nossos sofrimentos está ligada a algum tipo de“contrariedade”.

Ao contrário do que muitos pensam, as frustrações e contrariedades funcionam como um chamamento para o despertar da consciência, diz Joanna de Ângelis(2007b p.46),(autodescobrimento, uma busca interior) “adquirir consciência, no seu sentido profundo, é despertar para o equacionamento das próprias incógnitas, com o consequente compreender das responsabilidades que a si mesmo dizem respeito.”


A criança congelada


Na ontogênese recapitulamos a filogênese, revivendo no útero materno a longa jornada evolutiva desde a célula, passando pelos seres aquáticos, com as guelras imprescindíveis para a respiração, transitamos pelos anfíbios, de passagem para os mamíferos superiores, até despontarem as mãos, com os dedos, não mais as garras, que nos permitem indicar a direção, como nos diz Pontes de Mirando (2002), jurista alagoano, no livro Garra, Mão e Dedo, caracterizando nossa condição de seres emergentes da animalidade, que nos serviu de base para o acrisolamento de atributos psicoafetivos, além dos intelectivos, que agora, vencida certa distancia do primitivismo inicial, nos serão úteis para a conquista do território do nosso psiquismo, o universo da nossa mente, com a consequente expansão de nossa consciência.


Ainda nos debatemos com o “animal” atávico em nossa intimidade, se consorciando com as áreas não desenvolvidas de nosso psiquismo, denominadas “libido não desenvolvida” por Freud, ou “criança magoada e ferida” por autores recentes.


O esquecimento do passado que, por enquanto, ocorre no processo reencarnatório, decorre não apenas do nosso pouco desenvolvimento consciencial, que nos leva a um entorpecimento mental e consequente turvamento da consciência, pelo contato com a matéria mais densa, o que possibilita o retraimento para camadas mais profundas do ser, da maioria de seus arquivos mentais.


Com isso, o cérebro em formação fica mais livre para receber gradualmente os implementos psicoafetivos do reencarnante, em consonância com as interações entre este e o ambiente, inicialmente o útero e o universo psíquico, principalmente da mãe. Através dessa interação inicial, o nascimento e o complexo campo interacional, que se estabelece entre os pais e o bebê, esboçam-se os pródromos da futura personalidade, e através desta se expressará a tarefa para a qual aquele ser renasceu.


Pai e mãe, por suas condições interiores – e já foram escolhidos por isso–favorecem, positiva ou negativamente, a emergência dos implementos psíquicos que formarão a nova personalidade, para saber o que precisa corrigir ou aperfeiçoar.


Um dos objetivos do esquecimento é permitir a formação de um novo ego e protegê-lo das cargas vindas do passado. Essa barreira, não é impenetrável. O passado, que são arquivos mentais em diferentes níveis de profundidade, se expressa de diferentes formas na atualidade, como benção da vida requerendo reformulação e transformação, para que o potencial positivo do ser como expressão da divindade, desabroche do húmos das experiências que a vida está sempre proporcionando.


Como os pais também estão realizando, a tarefa do próprio refazimento e aperfeiçoamentos, interagem com o filho, já a partir da concepção conforme os mapas afetivos que trazem de vidas passadas e desta, referentes às próprias vivencias a partir do útero, na interação com os pais, que os acolheram.


A esse respeito Joanna de Ângelis(2006,p.81) nos ensina que: “É na infância que se fixam em profundidade os acontecimentos, aliás, desde antes, na vida intrauterina, quando o ser faz-se participante do futuro grupo familiar no qual renascerá. As impressões de aceitação ou de rejeição se lhe insculpirão em profundidade, abençoando-o com o amor e a segurança, ou dilacerando-lheo sistema emocional...”


Como a maioria de nós não vive a fase do amor amadurecido, verdadeiramente espiritualizado, mas o amor egoísta que nos é possível, contribuímos, sem nos darmos conta, também para os percalços (dificuldades)no desenvolvimento da personalidade do ser que inicia nova jornada no campo físico. Winnicote enfatiza que tudo começa em casa, tendo um livro com esse título.

(Baseado no trabalho do livro Refletindo a Alma - Nucleo de Estudos Psicologicos JOANNA DE ANGELIS - do texto de Gerardo Campana.)







quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


AUTO-REALIZAÇÃO

O Evangelho é portador da melhor pedagogia, da melhor técnica para a conquista auto-realização.

Ama - assevera Jesus.

Não há como sofismar tal proposta.

Nenhuma escusa é possível para negá-la.

Circunstância alguma pode ser apresentada para justificar a sua não-vivência.

Em momento nenhum se pode nele encontrar a diretriz: seja amado.

Pelo contrário, em todo o seu tecido doutrinário, o imperativo é sempre amar.

Perdoa - propõe a Palavra de forma irretocável.

Não há como fugir do perdão.

Qualquer tentativa de negá-lo resulta em autopunição, porque o ressentimento, o ódio, o desejo de revide se transformam em verdugos implacáveis daqueles que os preservam.

Serve - determina, enfático, o Verbo.

Impossível manter alguém em paz de consciência, longe do serviço iluminativo, de preservação e desenvolvimento do Bem.

Ociosidade é ferrugem nas engrenagens da vida.

O serviço vitaliza e promove aquele que o executa, particularmente quando é destituído de remuneração, de retribuição, de interesse pessoal e imediatista.

O amor, o perdão e o serviço tornam-se, desse modo, caminhos para auto-realização.

 

*

 

Pretendem, muitos discípulos do Espiritualismo, encontrar a auto-realização fugindo do mundo, negando-o ou detestando-o.

Certamente o processo não atende à meta essencial, que é o encontro com a plenitude, a auto-iluminação.

Fugir é ato de desamor.

Negar corresponde a dificultar o entendimento, o perdão às agressões, aos conflitos.

Detestar se torna escusa para não servir.

Há, portanto, prevalência, em tal conduta, do egoísmo perturbador.

O amor, o perdão e o serviço trabalham o indivíduo, auxiliando-o a aprimorar-se, a realizar-se.

*

Pedro fugiu do testemunho ao lado de Jesus perseguido, e, despertando através do amor, deixou-se sacrificar mais tarde, perfeitamente harmonizado.

Saulo saiu em insana perseguição aos discípulos do Mestre, todavia, deparando-se com Ele no deserto, e perdoado, entregou-se-Lhe em regime de totalidade, mudando, inclusive, de nome, assim superando o homem velho e renascendo...

Maria de Magdala, arrependendo-se dos equívocos à que se entregava, revolucionou interiormente a existência, e doou-se ao serviço da Boa Nova com tal devotamento, que o Senhor a elegeu para revê-lO após a morte e anunciar-Lhe a ressurreição.

Amor, perdão e serviço constituem métodos de fácil aplicação no dia-a-dia da existência corporal, a fim de desenvolver as potencialidades divinas que jazem em todos os seres, levando-os à auto-realização, à plenificação.

*

Exercita o amor em todos os teus passos.

Pensa com amor e fala amorosamente, predispondo-te a agir de forma amável.

Com o sentimento de amor ampliado, perdoarás com facilidade, por entender que o outro– o opositor, o adversário, o perseguidor – está de mal com ele próprio, enfermo sem o saber, necessitado de socorro...

*

Perdoando sinceramente aqueles que te geram dificuldades e se te fazem problemas, estarás colaborando com o Bem, assim passando ao estágio de serviço de solidariedade e de ação construtiva, em favor de todos e do mundo terrestres onde te encontras em processo de evolução.

Não te eximas de amar, de perdoar e de servir, se realmente anelas pela auto-relização.

(do livro Desperte e Seja Feliz, p.106/10)

As Incompreensões

 

Pessoa alguma consegue vencer  a jornada terrestre sem enfrentar os obstáculos necessários ao seu processo de iluminação interior.

Entre outros, os de natureza moral tornam-se os mais mortificadores, desafiando as resistências íntimas e conspirando contra a harmonia pessoal.

Destaca-se, no relacionamento social, a incompreensão, criadora de situações lamentáveis.

 

*

A incompreensão tem raízes em comportamentos íntimos que se mascaram, renovando as formas de agressão e mantendo a mesma acidez.

A inveja é-lhe estimuladora, provocando situações insustentáveis.

A competição malsã encoraja-a, buscando derrubar o aparente adversário.

A malícia favorece o intercâmbio para a sua ação mórbida,  espalhando suspeitas e calúnias.

A incompreensão está em germe na alma humana ainda em processo de crescimento.

Herança dos instintos agressivos, reponta com insistência nas mentes e busca residência nos corações.

Em razão da inferioridade dos homens, a incompreensão fomenta o desabar de excelentes construções de amor.

 

*

 

Os mais abnegados promotores do progresso sofreram a incompreensão dos seus coevos.

Abraçados ao ideal, não podiam compactuar com os frívolos e os maus que os buscavam, em tentativas de amizade para desviá-los do compromisso.

Os santos experimentaram-na na carne, espezinhados e perseguidos nos grupos de onde se originavam.

Os missionários do bem viram-se sacrificados e confundidos, porque não pararam, cedendo nos seus ideais.

Os invejosos crivaram-nos de espinhos e dores, gozando por vê-los quase sucumbir...

Ninguém conseguirá caminhar em paz na multidão.

As diferenças ideológicas e morais, vibratórias e culturais não deixarão, por enquanto, que a fraternidade ajude e o amor ampare.

 

*

Perdoa aos teus perseguidores. Eles já são infelizes, em razão do que cultivam no íntimo e do que, realmente, são.

Prossegue em confiança, sem te deteres para examinar as incompreensões do caminho.

Os apedrejadores adotam a tarefa de somente agredir.

Sê tu, quem avança, compreendendo.

Todo o mal que te façam não te fará mal. Pelo contrário te promoverá a estágio superior, se souberes enfrentar a situação.

O teu exemplo de humildade, ser-lhe-á um chamamento à renovação, à paz.

Não te detenhas não te entristeças diante das incompreensões.

Nunca agradarás aos exigentes, aos irresponsáveis, aos ignorantes.

Agrada, então, à tua consciência do bem e prossegue com alegria íntima pelo roteiro que elegeste, e não olhes para trás.
(do livro Desperte e Seja Feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis p.33/5).